Mundo Corporativo: maior velocidade na transformação digital acrescentaria ao PIB mais de R$ 1 trilhão, diz Tatiana Ribeiro, do MBC

“Transformação digital é todo o processo desde a digitalização mesmo, acessos a negócios, utilização de ferramentas para isso e, também, tem todo o lado que está relacionado à mudança de cultura” 

Tatiana Ribeiro, Movimento Brasil Competitivo

A grande indústria que estuda a implantação da inteligência artificial,  a startup que nasce no ambiente virtual ou o armarinho do bairro que se relaciona com seus clientes pelo WhatsApp. Cada um a seu modo e do seu tamanho enfrenta os desafios da transformação digital, tema que motivou o Movimento Brasil Competitivo a convidar a Fundação Getúlio Vargas para estudar o impacto dessas mudanças na produtividade e no crescimento econômico. Tatiana Ribeiro, diretora executiva do movimento,  em entrevista ao Mundo Corporativo, foi quem nos apresentou o potencial que o país têm a medida que entenda a importância de criar condições para o investimento em transformação digital se acelere:

“É desafiador! A gente precisa avançar com mais velocidade, e isso poderia trazer para o Brasil um acréscimo de R$ 1,1 trilhão ao  PIB. Então, acho que isso é um indicador bastante importante para mostrar o potencial que isso tem de agregar pra economia”

A projeção tem como referência os resultados alcançados nos Estados Unidos, onde a ampliação da oferta digital nos últimos cinco anos, em média, foi de 7,1%. Aqui no Brasil, ficou em 5.7%. Ou seja teríamos de pisar fundo no acelerador. Para ficar com o pé mais no chão, a persistirem os atuais patamares brasileiros, conseguiríamos agregar coisa de R$ 300 bilhões no PIB — o que já é um bom dinheiro. 

Considerando os exemplos do primeiro parágrafo desse texto, percebe-se que a desigualdade digital brasileira se equipara a desigualdade social. Há um fosso que separa as indústrias que estão em estágios bastante avançados e outros tantos setores. A mesma FGV que atuou ao lado do Movimento Brasil Competitivo havia, anteriormente, realizado pesquisa em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial na qual mediu o nível de maturidade digital das micro e pequenas empresas: 

“Numa pontuação de até 100 pontos, elas estão ali na casa de 40 pontos. Inclusive já tem uma série histórica porque eles fizeram a mesma pesquisa em 2021 e 2022 e a evolução é muito pequena. Então, esse é um setor que a gente precisa olhar” 

Oportunidade de crescimento a vista. De emprego, também. De acordo com a pesquisa “Transformação digital, produtividade e crescimento econômico”, nos últimos cinco anos o número de empregos digitais teve crescimento de 4,9% em comparação às demais ocupações. Nem crise nem mudanças socioeconômicas foram suficientes para impedir, por exemplo, remuneração acima da média e melhor produtividade de trabalho. 

Só não avança mais porque falta gente bem preparada. Para ter ideia: a Confederação Nacional da Indústria identificou que serão abertas 700 mil vagas no setor de tecnologia até 2025. Tatiana explica que, considerando ensino profissional, técnico e superior, o Brasil forma, atualmente, apenas 50 mil pessoas por ano. Para os interessados, a dirigente sugere a presença em cursos de curta duração, de três a seis meses; o ensino técnico profissional; e, em uma terceira janela de oportunidade, a implementação do novo ensino médio que tem um itinerário formativo técnico e profissional.

A formação e a capacitação, percebendo as necessidades do mercado, com o governo interagindo localmente com o setor produtivo para entender as demandas regionais é uma das ações necessárias para que o Brasil aproveite o potencial de crescimento que a transformação digital nos oferece. Em um segundo passo é preciso trabalhar políticas estruturantes de suporte aos pequenos negócios, explica Tatiana:

“Eles são 99% das empresas do país e representam 30% da nossa economia, são responsáveis massivamente pela geração de empregos, e a gente precisa entender como apoiá-los de forma que realmente possam transformar e trazer muito mais eficiência para os negócios”.

Finalmente, há necessidade de políticas coordenadas do ponto de vista do setor público, a medida que temos uma série de atores e interlocutores que muitas vezes se sobrepõem ou duplicam esforços. Uma ação nesse sentido poderia minimizar um dos riscos que a transformação digital gera que é o abismo digital:

“A gente pensa por exemplo na conectividade. É fundamental que essa conectividade seja ampliada; que as escolas brasileiras de todo o país tenham acesso de qualidade para que os alunos possam usar isso como uma ferramenta de aprendizado”.

Para conhecer mais sobre o estudo realizado pelo Movimento Brasil Competitivo e FGV assista à entrevista completa de Tatiana Ribeiro:

O Mundo Corporativo tem as participação de Renato Barcellos, Letícia Valente, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: coração conquistado pela cidade verde e rural que a CBN me revelou

Joelma Melo

Ouvinte da CBN

Esta é a foto feita por Gabo Morales, em Marsilac, que conquistou nossa ouvinte

Era dezembro de 2013 e eu estava vivendo um sonho: havia passado no mestrado da Faculdade de Saúde Pública e iria pesquisar a minha paixão: a cidade de São Paulo. Já estava tudo certo. O projeto de pesquisa foi aprovado, logo começariam as aulas. Porém, uma reportagem da CBN aguçou minha curiosidade e me levou ao encontro de uma São Paulo verde, meio rural, a qual sequer imaginava que existiria.

Se não me engano a reportagem foi de um quadro chamado Seu Bairro, Nossa Cidade. E ele contava sobre um bairro no extremo sul onde as crianças ainda brincavam nas ruas, as pessoas se conheciam, não havia sinal de internet e, especialmente, estava dentro de uma área de proteção ambiental.

Oi? Dei um Google e apareceu uma imagem de uma moça de vestido vermelho, cabelos longos e loiros, no meio de uma mata. Parecia uma visão. Que lugar é esse?!

A imagem era parte de um blog de um fotógrafo chamado Gabo Morales, e bastaram algumas fotos para eu enlouquecer:

Tenho que ir! Preciso conhecer este lugar. Não pensei duas vezes e entrei em contato com o fotógrafo, convencendo-o a me levar até lá. Fato que aconteceu em janeiro.

Moradora da zona norte, atravessei a cidade. Foi ônibus, metrô, trem, ônibus, e mais um ônibus. E quanto mais avançava rumo a Marsilac, mais verde a cidade se tornava. Até que cheguei ao bairro.

A rua principal que se chama estrada — Estrada de Marsilac — com uma pequena praça, algumas vendinhas, crianças brincando, mulheres na janela e um horizonte verde, independentemente do lugar que eu olhasse.

Outros cheiros, outros sons, outro tempo se fundindo em uma cidade conhecida pelo concreto, pela rapidez, pelas alturas dos prédios, por gente apressada e muito barulho.

Pronto, não tinha mais volta. Ao retornar para casa, escrevi um novo projeto e enviei para minha futura orientadora. Eu estudaria uma outra São Paulo.

Uma São Paulo que tem cachoeira, que tem onça… Arah! Mas a onça é parda e não pintada. E graças à Deus, nunca cruzei com uma.

Vi Bromélias, manacás de encher os olhos, plantação de tuia-holandesa. Tinha também macacos, ovelha, além das temidas aranhas. Cobra só vi a pele, e fugi. Também tive que correr de umas vacas brabas, porque lá também tem um lado meio rural.

Voltei para casa muitas vezes com as botas cheias de barro. Mas tudo bem. Como eu estava feliz.

E tinha as pessoas. Ah, que delícia! Quantas conversas tive em quintais verdes, enquanto tomava um cafezinho. Sou eternamente grata pelos cuidados, pelo carinho e, acima de tudo, pela confiança em contarem tanta coisa sem nada em troca.

Foram dois anos gastando quase 3 horas para ir e mais 3 para voltar. Mas valeu a pena. Até hoje lembro de muitas falas, dessas pessoas as quais mesmo com todas as dificuldades não abrem mão de viver tão perto de uma natureza mais bruta, porém não menos bela.

Sinto falta do cheiro, daquela sensação de liberdade, de calma, de ter sido transportada para uma São Paulo que se converte em mata, que agrega o bicho-homem com o bicho-bicho que ainda tem água limpa.

Culpa da CBN, a qual sempre serei grata!

Joelma Melo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita.  Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Mundo Corporativo: Julia Maggion, da Ateha, explica como negócios verdes podem fazer do Brasil uma potência regenerativa

“A gente precisa como país se apropriar desse lugar. Realmente, entender que os negócios podem ser uma ferramenta para se colocar nessa posição de uma potência regenerativa mesmo” 

Julia Maggion, Ateha
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O Brasil tem a possibilidade de se transformar em uma potência regenerativa, a partir de uma série de ações que valorizem seus principais biomas, aproveitando-se da riqueza que oferecem para desenvolver novos negócios sustentáveis. Essa não é apenas uma visão otimista do que podemos fazer no país, é realidade que se enxerga a partir de projetos que estão em andamento, alguns dos quais sob o olhar da empreendedora Julia Maggion, uma das fundadoras da Ateha, empresa criada para apoiar empreendedores com ideias de impacto para as soluções climáticas, em 2021.

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, Julia esbanjou entusiamo ao falar do empreendedorismo verde e das possibilidades que existem no Brasil. A existência de matas nativas e biomas diversificados — Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Bioma Marinho —permite ao país a liderança desse movimento de regeneração e o surgimento de fontes de renda para comunidades locais.

Após passagem em uma série de grandes empresas e no sistema bancário, nos quais aprendeu lições importantes na área corporativa, Julia descobriu-se em projetos de impacto social e ambiental. A ideia da Ateha surgiu nesse novo momento, quando então ela se juntou a parceiros de negócios no setor financeiro: Raymundo Magliano Neto, ex-CEO da Magliano Corretora e co-fundador da Expo Money e Humberto Matsuda, co-fundador da Performa Investimentos e fundador da Matsuda Invest. Uma combinação que para ela foi perfeita: 

“A Ateha faz investimentos sementes nas empresas, mas a gente entra muito no negócio, botando a mão na massa. É o que eu gosto de fazer. Eu adoro pegar o negócio no começo, a ideia e desenvolver. E o nosso papel também é fazer a ponte com o universo do investimento, haja vista a experiência dos meus sócios”.

Os projetos de impacto ambiental e regenerativos tem inúmeros benefícios e permitem que se atue no âmbito local, entendendo os limites territoriais, as fronteiras de crescimento e as características próprias de cada população.  Da mesma forma, exigem do empreendedor visão diferente daquela que costumamos ter nas grandes empresas, em que o lucro é a meta:

“Aprender com essa lógica (a da sustentabilidade) exige desconstruir muito do que a gente aprendeu no mundo convencional dos negócios, exige a criação de um arcabouço de novos valores e, principalmente, no sentido de a gente saber trabalhar conectado, entendendo os ritmos da natureza”.

Na nossa conversa, Julia destacou que um dos negócios que estão sendo fomentados pela Ateha é o Ekuia Food Lab, um laboratório que pretende valorizar a biodiversidade da Amazônia e regenerar florestas, impulsionando negócios e fortalecendo uma nova economia com a criação de produtos alimentícios. Também em desenvolvimento está a Ateha Escola do Clima que pretende disseminar conhecimento, formando mão de obra mais bem preparada e empreendedores que tenham a visão de negócios regenerativos.

Pensar em soluções ambientais não é função apenas para empreendedores verdes ou startups que nasceram com essa intenção. É responsabilidade, também, de todas as empresas e seus líderes que precisam entender quais são os mecanismos de impacto que podem ser desenvolvidos dentro de seu negócio. Uma preocupação posta por uma das nossas ouvintes no Mundo Corporativo foi quanto ao risco de o empreendedorismo verde em lugar de proteger se transformar em explorador do meio ambiente:

“A gente precisa criar os mecanismos justamente para que isso não aconteça. Isso tem a ver com políticas públicas, com associações de empresários e de empresas que têm esse pacto de não gerar o impacto negativo. Porque como eu falei, a empresa acaba muitas vezes fazendo um projetinho que está gerando um impacto positivo, mas na sua atividade principal gera um impacto negativo absurdo. Então, a sociedade, principalmente, tem que estar muito atenta”.

Um das formas de atuar para impedir esse desvio de conduta é ter informação e conhecer os instrumentos de fiscalização e proteção ambiental. No site da Ateha existem vários documentos e artigos, disponíveis de graça, que podem ajudar você a estar mais bem informado sobre o assunto. 

Antes, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Julia Maggion, CEO e cofundadora da Ateha:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: embarquei no trem de Adoniran Barbosa

Olivio Segatto

Ouvinte da CBN

Imagem reproduzida do site São Paulo Antiga (visite o site e conheça outras preciosidades como essa)

Num belo dia de domingo dos anos 50, minha família resolveu visitar o Horto Florestal, aqui na cidade de São Paulo. Éramos eu, minha irmã mais velha e nossos pais.

Ao chegar ao local, tivemos uma surpresa que para mim foi inesquecível. Fomos orientados a subir em um trem pequeno e bonito para fazermos um passeio pela região. Nem imaginava que esse trem, anos mais tarde, ficaria famoso em todo Brasil.

Atravessamos com a máquina boa parte da floresta local. Que coisa mais linda, era um verdadeiro abraço da natureza!

Depois desse lindo passeio descemos num local apropriado para um piquenique. Saboreamos os salgados, bolinhos, sanduíches e, após, um delicioso pão doce feito em forno de barro, construído por meu pai.

Aos meus pais e minha irmã Zezé que ajudou muito na preparação dos alimentos, saudades…

Depois de vários anos desse passeio, tivemos o surgimento da música “Trem das Onze”. Cheguei à conclusão que eu e minha família, por alguns momentos, viajamos no trem de Adoniran Barbosa em sua bitola estreita.

Trem que antes de ficar famoso era chamado de Trenzinho da Cantareira.

Olivio Segatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Celso de Souza e Souza diz que o líder diferenciado tem compromisso com a sociedade

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“Para você exercer influência como o objetivo do desenvolvimento humano e social, você tem que ser um ser humano exemplar, você tem que ser uma pessoa altruísta. Entender e atender as necessidades legítimas das pessoas com que você se relaciona”.

Celso de Souza e Souza, consultor

Os líderes são formados para alcançar metas econômicas, porque a cultura organizacional tem como prioridade os resultados financeiros. O problema é que se a prioridade são os números, as pessoas ficam em segundo plano. Logo elas que são as responsáveis por atingirem os objetivos tão almejados. No fim das contas, em muitos casos, até se consegue atender as exigências que estão nas planilhas, o problema é que a maior parte dos gestores não percebe o custo a ser pago. Esse cenário é draconiano e um dos maiores desafios para a implantação do conceito da liderança diferenciada, promovida pelo consultor Celso de Souza e Souza, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo:

“O resultado econômico financeiro é legítimo; é uma necessidade do acionista: mas uma organização diferenciada está comprometida com seus stakeholders. Obviamente esses stakeholders estarão comprometidos com ela e o resultado econômico financeiro acontecerá como consequência”

Autor do livro “Como ser líder diferenciado”, Celso diz ter se inspirado na ideia que surgiu no Fórum de Liderança da Unesco, de 2006, que propôs aos gestores o compromisso de implantarem nas suas empresas processos para o desenvolvimento humano e social. Naquele mesmo momento, um alerta foi disparado às organizações: o líder diferenciado era um artigo de luxo nas empresas. Mais de uma década depois, o cenário mudou pouco de acordo com Celso de Souza e Souza:

“O avanço foi muito pequeno. A toda hora nós estamos recebendo pesquisas denunciando que alguns stakeholders estão insatisfeitos no atendimento de suas necessidades legítimas. Notadamente colaboradores”.

O líder diferenciado está comprometido com o funcionário, com o cliente, com o fornecedor, com o parceiro de negócios, com a sociedade e com o meio ambiente. Seu olhar vai muito além do resultado financeiro. Deve entender e atender às necessidades dos stakeholders ou seja todos aqueles que são impactados pelas ações da empresa. Por isso, se diz que o líder diferenciado é um líder servidor. Que serve não apenas seus funcionários, mas a sociedade:

“O adjetivo diferenciado traz no seu bojo uma amplitude de atuação. O líder transcende as organizações, entra na sociedade, entra na família. O líder diferenciado que foi formado na organização, quando vai atuar como pai ou como mãe, vai exercer influência para os seus filhos, para os seus netos de uma forma extremamente diferente da tradicional, para melhor. Então, nós estamos falando uma metodologia capaz de fazer com que o mundo seja um mundo melhor:.

Para que esse método seja interiorizado na empresa, Celso não titubeia ao afirmar que depende muito do CEO ou daquele que ocupa o cargo mais alto na empresa: a chuva vem de cima para baixo, lembra o consultor. É preciso que o gestor assine um contrato psicológico no qual assume a responsabilidade de ser um agente de mudança, de ser o exemplo a ser seguido. E isso passa por adotar um manual de conduta que não apenas define o comportamento a ser realizado como as punições àqueles que não seguirem essas regras. 

“Essa política deixa muito claro quais são as responsabilidades da liderança e deixa muito claro que haverá tolerância zero para indisciplina.  Quem foi treinado para seguir o manual de liderança da empresa e não cumprir o manual sofrerá consequências”.

Usar comunicação apropriada é fundamental para uma liderança diferenciada se realizar na empresa. Mais do que isso. O carisma e a inspiração do líder têm de estar a serviço do desenvolvimento humano e social. Se não houver uma intenção altruísta, a comunicação terá efeito contrário. 

“Existem métodos e técnicas científicos para que você se comunique de uma forma adequada. Tudo isso existe. Métodos são os críticos. Você tem que descobrir onde estão esses escritos. Têm de ser científicos. E você tem que exercitá-los com frequência, tem que pratica-los. Aí você vai se transformar em um comunicador diferenciado. Então, a partir de uma comunicação eficaz, uma comunicação não violenta você consegue influenciar, você consegue fazer com que ele tenha o desempenho que você gostaria que ele tivesse”.

Para entender mais como funciona a metodologia do líder diferenciado, desenvolvida por Celso de Souza e Souza, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: mochila, barraca e namorada na natureza paulistana

Glauber Julio Andrade da Silva

Ouvinte da CBN

Cacheoria de Marsilac em foto publicada em SelvaSP.com.br

Não! É difícil acreditar! 

Saí de Campinas com mochila e barraca nas costas pra dois dias em delicioso modo acampamento: livre prazer na natureza! Tudo parecia muito certo e planejado, menos o destino que se lia no bilhete da passagem: São Paulo! 

Como assim?! 

Certo, já conhecia há muito os seus metrôs e quanto concreto na megalópole, mas o incrível: era verdade! Soube que por uma linha de busão, atrás de um tal Engenheiro Marsilac, e mais uma pequena caminhada, chegaria a um lindo lugar às bordas da cidade. 

Mochila, barraca e namorada. Lá estava eu. As libélulas faziam as honras da casa. Com o entardecer, fogueirinha para o café à lenha e, com o friozinho da noite, o romântico estrelado Manto Sideral. 

Quem diria? Acordar em meio ao verde em plena cidade de São Paulo

Glauber Júlio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Daniel Mesquita. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: lições aprender com as empresas familiares

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“Num mundo em que as coisas, sentimentos, relações, significados são líquidos, como dizia o filósofo Sygmunt Bauman, a busca por um porto seguro, com estabilidade e consistência é um antídoto importante”

Jaime Troiano

A gestão de empresas familiares tem muito a ensinar sobre a preservação de valores e imagem das marcas. Especialmente aquelas que superaram a segunda e até a terceira geração tendem a ter um cuidado quase religioso com a sua razão de ser na sociedade e transformam sua marca em uma espécie de brasão familiar. 

Ao recomendarem que os gestores de marcas observem como esse trabalho é realizado nas empresas em que a família se sucede na direção e na propriedade da organização, Jaime Troiano e Cecília Russo demonstram a preocupação que têm com o costume de alguns gestores de esquecerem o passado da empresa em nome de oferecer ao público uma visão inovadora. 

“(Nas empresas familiares) a marca e seus significados são muito menos expostos ao risco de mudanças que eliminem seu passado. E isso é o pior que pode ocorrer: matar a galinha dos ovos de ouro!”

Jaime Troiano

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília lembrou que um dos motivos para empresas familiares alcançarem a longevidade é  fazer uma passagem cuidadosa de uma geração para outra, sem pressa, quase cientificamente e com muita objetividade. Para ela, não é por ser filha ou filho que a transição pode ser automática:

“Em certo sentido, é um processo mais complexo do que contratar um profissional do mercado. Como eleger o sucessor da família que tem mais preparo, pendor e vontade sem ser discriminatório com os demais?”

Cecília Russo

Dentre as empresas que conseguiram fazer essa passagem de uma geração a outra com sucesso está a Algar, pautada por um propósito: gente servindo gente. Um tema que liga todas as preocupação e comportamentos ano após anos. A Aços Cearenses foi outro exemplo citado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Pelas mãos do seu fundador, Vilmar, sua irmã e suas filhas Aline e Marie, conseguiram construir um caminho de êxito, mantendo a essência do negócio ao longo do tempo: uma forma de produzir e vender aço não apenas para grandes compradores, mas também para atender necessidades de pequenos e médios clientes. 

Conheça outras empresas familiares brasileiras que foram capazes de superar o período de sucessão mantendo sua essência e se tornando exemplo para quem trabalha com gestão de marcas, ouvindo o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Mundo Corporativo: Kelly Carvalho, da FecomercioSP, aponta riscos e oportunidades do ChatGPT

Kelly Carvalho entrevistada no Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“O empresário que não se adaptar a essa nova tecnologia, não acompanhar essas tendências do mercado com certeza vai ter os seus dias contados porque a concorrência vai fazer”

Kelly Carvalho, FecomercioSP

Era fim de novembro de 2022 quando a empresa americana de tecnologia OpenAI lançou o ChatGPT, um chatbot com inteligência artificial especializado em conversação. Em cinco dias, havia mais de um milhão de usuários explorando as múltiplas possibilidade do serviço que pode ser usado gratuitamente, apesar de já ter versões pagas com mais funcionalidade. Hoje, não há qualquer risco em afirmar que o ChatGPT virou sinônimo de inteligência artificial (e se houver, assumo esse risco). 

Se nós, meros usuários da tecnologia, ainda aproveitamos a ferramenta da OpenAI para perguntas banais e até algumas brincadeiras típicas da 5a série ( -“ChatGPT, você conhece o Mário?”; -“Que Mário”), profissionais, empresas e organizações têm investido tempo e dinheiro para entender como tirar o maior proveito da inteligência artificial que se tornou muito mais acessível. A Fecomercio de São Paulo foi uma dessas instituições. Fez um relatório para orientar pequenos e médios comerciantes, neste momento em que os riscos e as oportunidades do ChatGPT ainda estão sendo mais bem avaliados.

No programa Mundo Corporativo da CBN, Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, antecipou o resultado deste trabalho e  elencou uma série de utilidades que o investimento no ChatGPT e seus assemelhados pode levar aos negócios do comércio. Ela participou, do Web Summit Lisboa 2022, considerada a maior conferência da Europa em tecnologia, quando uma das tendências apontadas tratava da inteligência artificial, principalmente no que diz respeito a se ter uma ferramenta digital cada vez mais intuitiva e conversacional. 

“Hoje, nós temos o WhatsApp, temos alguns chats em alguns canais de comércio eletrônico e esses chats tradicionais funcionam de uma forma muito robotizada de fato … O ChatGPT consegue ter acesso e proporcionar todas as informações possíveis para esse consumidor de uma forma muito mais otimizada e muito mais rápida”

Para aproveitar os benefícios da inteligência artificial, os comerciantes terão de fazer investimento em tecnologia. Aqueles que mantém equipes próprias conseguirão desenvolver melhor o serviço e com custos menores. Por outro lado, quem ainda não se preocupou com o tema da digitalização do seu negócio, terá de recorrer a consultorias tecnológicas para se adaptar a essas mudanças. É importante fazer pesquisa de mercado para se evitar desperdício em relação ao dinheiro investido e às suas necessidades.

Kelly disse que ainda não é posssível precisar quanto custará para os pequenos e médios comerciantes usufruirem as funcionalidades do ChatGPT e afins. A versão paga do chatbot da OpenAi é de US$ 20 mensais, pouco mais de R$ 100 por mês, e permite que se use o ChatGPT mesmo com alta demanda e se tenha respostas mais rápidas, além de receber acesso prioritário para novos recursos e atualizações. Porém, a ideia é que o empreendedor aproveite a inteligência artificial de forma muito mais profunda:

“Muito importante é que essa plataforma  pode até mesmo colaborar na redução de custos. Porque a partir do momento que você faz uma automação das atividades, principalmente atividades rotineiras, como emissão de relatórios  ou a questão do perfil do consumidor, você pode realocar aqueles profissionais para outras áreas da empresa e aumentar a própria produtividade”.

No relatório da FecomercioSP, foram identificadas algumas utilidades para o ChatGPT e a inteligência artificial:

Usar como assistente virtual para atendimento ao cliente, fornecendo informações rápidas e precisas, sem a necessidade de contratar ou treinar funcionários. 

Ajudar na automação de tarefas repetitivas, como lidar com solicitações e consultas de clientes, produzir relatórios e realizar promoções sem mídias sociais, criando materiais de marketing.

Processar grande quantidade de dados, permitindo que a empresa tome melhores decisões baseadas em “insights” gerados por meio desses dados.

Para o consumidor, o ChatGPT oferece a conveniência de obter informações e soluções de forma rápida e eficiente, sem ter de aguardar por uma resposta humana ou navegar por menus  complicados de atendimento telefônico. Podendo ainda fornecer informações personalizadas com base nas interações anteriores desse consumidor 

“Então, a gente tem aqui um bom momento para adaptar as operações na empresa, melhorando toda a jornada de compra do consumidor e conseguindo fidelizar esse consumidor”.

Como toda a tecnologia, é preciso que se tenha cuidados essenciais como a atualização das informações disponíveis ao consumidor, a veracidade dessas informações, o acesso simplificado à ferramenta na plataforma digital da empresa e a preservação dos dados desse cliente — as inteligências artificiais que conversam com humanos podem coletar e armazenar informações pessoais, um perigo se caírem em mãos erradas. 

O ChatGPT também tem limitações de compreensão, como destaca o relatório da FecomercioSP. Embora tenha conhecimento amplo, a ferramenta ainda tem limitações na interpretação de contexto e nuances humanas; pode não ter julgamento moral e ético, respondendo a perguntas impróprias, ofensivas e discriminatórias; e por ter sido treinado com base em dados da internet pode reproduzir informações incorretas e desatualizadas.

Para os comerciantes e demais empreendedores interessados no uso da inteligência artificial no seu negócio, Kelly Carvalho recomenda que se preste atenção nas discussões sobre a regulamentação dessa tecnologia no Brasil, procure saber quais são as empresas capacitadas a fazer a integração dos diversos sistemas do empreendimento e avalie o investimento necessário, planejando melhor seu orçamento:

“… porque como eu mencionei, o concorrente vai fazer e você pode perder espaço”.

Assista à entrevista completa com Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, ao programa Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: minha melhor praça da cidade

José Carneiro de Laia

Ouvinte da CBN

Foto de  Flavio Bianchini Junior no GoogleMap

Vila Nova Sílvia, zona leste de São Paulo, CEP 03820-020.

Embora poucos de nossos moradores ou frequentadores saibam o seu nome, a pequenina praça se chama Natal Antônio da Cunha; tem o formato de um triângulo escaleno e foi criada 1981 com a construção de um conjunto habitacional do BNH, o Banco Nacional de Habitação — já extinto — do INOCOOP  e da  Caixa Econômica Federal.

Contam os antigos moradores de nossa vizinhança que aqui era um descampado, para onde traziam animais para pastar. Havia algumas árvores aleatórias e muito capim e carrapicho.

Com a nossa chegada, no início dos anos 1980, e os 500 sobrados que foram construídos era necessário no mínimo uma praça, por menor que fosse.

O local passou a ser cuidado pelos próprios moradores. Que além de preservar a praça ainda cobrava melhorias da subprefeitura da Penha. Foi assim que a nossa praça, mais de 40 anos depois, tornou-se ostentosa e bonita. Há períodos em que os órgão públicos de conservação de afastam, mas os moradores resistem. É por isso que nos orgulhamos de ter aqui plantadas árvores de décadas: um eucalipto, três pau-brasil, cinco paineiras, um jacarandá e três Ipês (um roxo, um amarelo e um branco). As mais apreciadas são as frutíferas: tem pés de manda, jambo, pitanga, ameixa, de limão e, em fase de crescimento, um pé de romã e outro de acerola.

Há espaço, também para um pequena academia ao ar livre, bancos planos e uma recente mesa para jogar dominó, o que faz da nossa praça um mini-ponto de atração para muitos moradores, atraindo até vizinhos mais distantes, o que nos leva a enfatizar que esta é a melhor praça de São Paulo

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Cláudio Antonio. Participe enviando seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: é o fim das marcas?

 

“Marca é aquilo que você não precisa, compra com o dinheiro que você não tem, para mostrar para as pessoas de quem você não gosta”

(o profeta do fim das marcas)

As profecias apocalípticas não poupam ninguém. Atue na área em que atuar, você deve ter ouvido alguém em algum momento prevendo o fim de alguma coisa: é assim com a profissão que você exerce, com o mercado em que sua empresa está posicionada ou com o produto que sustenta o seu negócio. Não seria diferente com as marcas.

Jaime Troiano e Cecília Russo, que apresentam o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, vasculharam o “livro do Apocalipse” do branding para entender melhor os argumentos usados por aqueles que preveem um mundo sem marcas. O primeiro deles é que as marcas servem somente para atrair o consumidor, gerar uma necessidade que eles não têm e fazê-los usar algo com a intenção apenas de se mostrar para os outros: 

“É uma ingenuidade pensar assim, porque não existem marcas apenas para produtos de auto-expressão e projeção social. Existem marcas para produtos básicos de cuidado com a casa, por exemplo. Ninguém chama o amigo para mostrar o sabão no tanque”.  

Cecília Russo

Outro argumento que sustenta a tese daqueles que veem o fim das marcas para breve é que as pessoas perceberão que, a medida que os produtos estão cada vez mais parecidos, as marcas se tornarão supérfluas. Convenhamos, essa não se sustenta de jeito nenhum, porque se realmente existe essa semelhança eis aí uma boa razão para as marcas existirem. Somente com elas, o consumidor saberá o que está comprando. Nesses casos, as marcas são a assinatura de alguém que se responsabiliza pela qualidade do que entrega.

Há os saudosistas que lembram que há uns 150 ou 200 anos quase não havia marcas no mundo e as coisas funcionavam muito bem. Se você está entre os que pretendem defender o tal mundo sem marcas pense duas vezes antes de sacar esse argumento da cachola. Corre o risco de deparar com uma realidade bem diferente: naqueles tempos também não havia vacinas, automóveis mais seguros, serviços médicos acessíveis, comunicação rápida e expectativa de vida longa. 

“.. e  mais uma coisa: as marcas tiram o caráter meramente mecânico das escolhas em nossa vida como consumidores. As marcas preenchem de significado as escolhas que fazemos. Ou seja, elas traduzem um pouco mais do que eu quero ser e como quero ser identificado”. 

Jaime Troiano

Concorde ou não com as ideias dos nossos comentaristas de branding, aproveite para ouvir o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e leve depois essa discussão para os seus grupos de amigos. Será que eles acreditam que um dia viveremos em um mundo sem marcas? Eu não!