Conte Sua História de São Paulo: o sabor do cachorro quente e outros prazeres do estádio de beisebol da cidade

 

Por Jun Yano
Ouvinte da CBN

 

 

Passei grande parte dos meus domingos no estádio de beisebol Mie Nishi , no Bom Retiro. Foi inaugurado em comemoração ao cinquentenário da imigração japonesa, em 1958, com a presença da família imperial do Japão.

 

Comecei a praticar beisebol nesse estádio quando tinha sete anos. Pegava ônibus na Vila Mariana até a praça João Mendes, fazíamos baldeação e íamos para o bairro do Bom Retiro. Meus irmãos me levavam e eu como era pequeno passava por debaixo da catraca para sobrar dinheiro para o sorvete.

 

Gostava de assistir às partidas dos campeonatos de dentro do campo, como gandula e sonhava um dia jogar no estádio principal —- sonho alcançado anos depois. Os jogadores pareciam enormes e fortes como super-heróis. Imitávamos suas chuteiras de travas de metal amassando com nossos kichutes as latinhas de cerveja.

 

Nossos treinadores eram voluntários que amavam o beisebol Sou muito grato a paciência que tinham. Além de treinar, brincávamos nos intervalos jogando futebol, pula sela, polícia e ladrão,… Enfrentávamos o trote dos veteranos e até hoje perduram alguns apelidos de personagens cômicos com os quais fomos batizados.

 

Tinha também o cachorro quente da dona Maria: pão, salsicha, molho e purê de batata. O sanduíche mais gostoso que comi. E o sorveteiro que chamávamos de Sorvelino. Ele conhecia todos pelo nome.

 

O estádio foi palco do Panamericano de 1963; lá jogaram equipes de faculdades japonesas, times semi-profissionais do Japão e a seleção campeã olímpica de Cuba. Hoje, é o ponto de encontro de meus amigos em campeonatos de veteranos, momento em que lembramos com saudade as histórias que passamos juntos, no estádio municipal de beisebol Mie Nishi.

 

Jun Yano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças da nossa cidade e envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: consumidor vai redimensionar necessidade de consumo no cenário pós-pandemia

 

 

 

“Se você quer que sua marca seja um sucesso, não perca oportunidades como essa que estamos vivendo para entender como as pessoas se relacionam com elas. Pode ser doloroso às vezes. Mas ‘tropicão’ também leva pra frente, como se diz lá em Minas” — Jaime Troiano

Um curso intensivo e compulsório sobre comércio eletrônico é o que marcas e consumidores estão vivenciando neste momento de isolamento social e restrições para o funcionamento dos mais variados tipos de lojas, devido a pandemia do coronavírus. A definição é de Jaime Troiano e Cecília Russo, comentarista do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

 

Este momento tem colocado à prova muitas daquelas pessoas que eram resistentes ao mundo virtual — o que os comentaristas chamam de grupo de risco da internet. Se para consumidores é o aprendizado da compra; para as empresas, muitas descobriram o quanto a própria logística estava preparada  para essa pressão de demanda digital.

 

Outro impacto no comportamento do consumidor, identificado por Cecília Russo, é quanto a racionalização no acesso ao consumo, com a busca apenas de produtos considerados essenciais, em um fenômeno que já havia sido observado nos períodos de guerra. Soma-se agora os efeitos da compra digital que não costuma ter a mesma tentação da compra feita nas lojas, pois o consumidor tende a estar mais focado no que realmente precisa:

“Estes momentos têm mostrado que a gente pode, de fato, viver com menos. Menos produtos, menos marcas, menos contatos pessoais, menos movimentação social”

A despeito das lições que estão sendo aprendidas agora, Jaime e Cecília arriscam dizer que no cenário pós-pandemia essa necessidade de consumo começará a ser redimensionada em um ambiente social e econômico mais normal.

“Como já dissemos em programas anteriores, as marcas que amamos mas não temos tido acesso, por diversas razães, vão continuar a ser desajadas”, acredita Jaime.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN, com apresentação de Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: as novidades musicais chegavam na Hi-Fi

 

Por Douglas de Paula e Silva
Ouvinte da CBN

 

 

 

Nasci na Lapa, em 1955, na Rua Faustolo. A casa existe até hoje. Meus pais, Antonia e Rubens, sempre foram muito musicais: cantando, dançando, tocando piano. Ele com sua voz de tenor, cantava árias de óperas sem nunca ter estudado música, tocava piano de ouvido e dançava muito bem. Papai era da Aeronáutica, tinha muito contato com pilotos americanos, que traziam discos de jazz, blues, música clássica. Mesmo criança já ouvia Glenn Miller, Dave Brubeck, Miles Davis. Adorava “Take Five” do Brubeck.

 

Quando nos mudamos para o Planalto Paulista, em 1960, um lugar bem isolado naquela época, minha mãe logo me colocou para aprender a tocar piano com a Dna. Maria Expedito, perto de casa. Fiz seis anos de piano meio que por obrigação. Gostava mesmo era de bateria. Minha mãe, disse que aquilo só fazia barulho.

 

Tudo mudou quando, com oito anos, em 1964, minha tia me levou para assistir ao “Os Reis do Ié Ié Ié”, o primeiro filme dos Beatles. Fomos no Cine Nacional, na Rua Clélia, um dos maiores cinemas do Brasil. Quando vi os Beatles tocando, aqueles jovens gritando, dançando no corredor do cinema, percebi que o rock era a minha música.

 

Rádios FM eram raras bem como os aparelhos para ouvi-las. Ouvia as músicas no AM. Por falta de dinheiro, comprava apenas os discos compactos. Os LPs eram caros e demoravam para chegar por aqui. Costumava pegar emprestado os LPs de amigos mais abonados da escola.

 

As novidades chegavam primeiro na loja da “HI-FI” da Rua Augusta, trazidas diretamente dos Estados Unidos pelo dono Hélcio Serrano. Na visita à loja, além das novidades, você encontrava Rita Lee, Raul Seixas, Caetano … Em uma época em que tudo era proibido, as embalagens da HI-FI eram bem ousadas. Lembro de uma delas onde o Serrano aparecia nu com uma capa de disco tapando o que não poderia ser mostrado.

 

Os shows de rock não vinham para o Brasil. O mais famoso a se aventurar por aqui foi Alice Cooper num show caótico no Anhembi, em 1974. Em 1977, veio o Genesis, com Phil Collins no vocal. Um show maravilhoso no ibirapuera. Épico foi o do Queen no Morumbi, com Freddie Mercury comandando mais de 100 mil pessoas no “Love of my life”…

 

No rádio, duas emissoras se destacavam tocando rock: a Difusora e a Excelsior. Vasculhando o dial, descobri na madrugada, o programa Kaleidoscópio, que tocava rock progressivo e discutia temas como drogas, liberdade, teatro … e tocava discos na íntegra.

 

Vieram os CDs, em 1985. E com eles novos grupos como The Police e Nirvana.

 

Tive oportunidade de assistir a muitos shows de grupos que gostava desde a juventude.

 

Há quatro anos fui ver o cover do Led Zeppelin e fiquei impressionado com o baterista, que lembrava em tudo John Bonham. Conversei com ele e desde então, eu e meu filho de 15 anos, Daniel, estamos tendo aulas de bateria. Até nos apresentamos juntos. Foi inesquecível.

 

Falei para minha mãe, agora com 94 anos. E ela, ao contrário do meu tempo de criança, gostou muito. Felizmente!

 

Douglas de Paula e Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: “quando você não inclui intencionalmente, você exclui de forma não intencional”, diz Ricardo Wagner, da Microsoft

 

“Quando você não inclui intencionalmente, você exclui de forma não intencional. Por pensar assim você perde uma grande oportunidade de mercado” — Ricardo Wagner, Microsoft

É preciso enxergar a questão da deficiência de maneira diferente e perceber que o problema não está na pessoa mas no ambiente ou nas ferramentas à disposição. É o que defende Ricardo Wagner, líder de acessibilidade da Microsoft, que foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. A conversa foi gravada pouco antes do início da pandemia do Sars-Cov-2 no Brasil e o tema é bastante pertinente se considerarmos que uma das ideias que se tem desta crise é que as empresas terão de se reinventar e criar novas relações no ambiente de trabalho.

“A melhor forma de você criar inclusão: contrate pessoas com deficiência. Aí você vai falar assim: “mas eu não estou preparado”. Justamente, por você não estar preparado. Entre você achar o que é certo para funcionar para a pessoa, se você tiver o colaborador dentro do ambiente que possa te dizer como isso funciona mais rápido, provavelmente você vai buscar a inovação em coisas que você nem imaginava”.

Calcula-se que existam 1,3 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência no mundo e cerca de 46 milhões, no Brasil. Para Wagner, as empresas estão desperdiçando talento, criatividade e oportunidades, porque quando se desenvolve um ferramenta acessível, está se criando uma solução para todas as pessoas:

“O assunto acessibilidade é extremamente relevante no mundo de negócios. Quem pensa, por exemplo, criar um ambientes de trabalho para atrair talentos, tem de pensar que todos os talentos tem habilidades e eventualmente deficiências: como que você cria um ambiente de trabalho inclusivo onde todos sintam-se em um ambiente em possam participar, entregar o melhor dela. Ou pensar em um produto que se oferece: como que você garante que a experiência de compra ou mesmo o produto que você vende, ele seja inclusivo e a pessoa que vai comprar, eventualmente uma pessoa com deficiência, ela também pode participar economicamente e ter a experiência do seu produto e sua marca?”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN. E aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Rafael Furugen, Artur Ferreira, Gabriel Damião e Débora Gonçalves.

O teste rápido na farmácia e a turma do estraga prazer na mídia

 

covid-19-4982910_960_720

ilustração Pixabay

 

O teste rápido para o novo coronavírus estará disponível na farmácia mais próxima da sua casa — notícia que deve ter agradado os ouvidos daqueles que reclamam por informações positivas nos meios de comunicação. Assim que a Anvisa anunciou a liberação para todo o Brasil, a mensagem correu por sites, blogs, redes sociais e afins.

 

Imaginei algumas pessoas ligando para o telefone da farmácia que fica permanentemente colado na porta da geladeira para agendar data e horário. Sonhando com o dia que fariam o teste para pegar o passaporte imunológico e sair saltitante pelas ruas sem se preocupar com as fronteiras impostas pelo Sars-Cov-2. Dar aquele abraço!

 

Até que surgem os cientistas e começam a falar umas verdades. E a eles se juntam os jornalistas que adoram ouvir a verdade. A Turma do Estraga Prazer está formada.

 

Não demora muito para os primeiros questionamentos aparecerem no rádio, na TV, nos jornais e em todos os espaços digitais que investem em jornalismo profissional.

 

O que era sonho … (vocês só gostam de notícia ruim, né!)

 

Logo se descobre que o teste é ineficiente. A margem de erro varia mais que pesquisa eleitoral (mas nessa você não acredita, não é mesmo?): vai de 20% a 70% dependendo o fabricante.

 

Começa que não foi feito para indicar quem está ou não com o vírus. Foi feito para dizer se a pessoa tem os anticorpos para o vírus — e, mesmo assim, com aquela margem de erro que a gente falou.

 

De acordo com a doutora Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão Ciência e pesquisadora do Instituto de Ciências Biológicas, da USP, o teste rápido pode dar uma falsa sensação de tranquilidade.

“… imagine que essa pessoa tenha um pouco de sintoma, ela vai até a farmácia e faz um teste rápido destes que não medem o vírus, mas medem anticorpos. Se ela estiver no começo da doença, o teste de anticorpos não vai acusar, porque não deu tempo dela ainda produzir os anticorpos — a gente começa a produzir os anticorpos a partir de uns 10 dias da infecção. Então, ela vai à farmácia, vai fazer o teste, tá lá com um pouquinho de sintoma, e o teste vai vir negativo. Se ela não for muito bem orientada o que esse negativo quer dizer, essa pessoa pode sair da farmácia pensando ‘ufa, não estou com o vírus, estou livre, posso abraçar meus pais idosos’ ….”.

Sai da farmácia sem saber o que realmente interessa e com R$ 200 a menos no bolso — é o que se diz que pode custar cada um desses testes. Imagine quanta gente não vai faturar alto. E quantos vão botar dinheiro fora.

 

Para que servem os testes rápidos? Foi a pergunta que Cássia Godoy e eu fizemos na entrevista de hoje, no Jornal da CBN, para a doutora Natália, que você pode ouvir no arquivo a seguir. Ou seguir lendo até o fim:

 

“Coletivamente podem ser úteis mais para à frente, quando a curva (de infecção) estabilizar, para gerar dados epidemiológicos, mas não para embasar políticas públicas de ‘vamos liberar a quarentena’”

Como jornalista nunca está satisfeito com a resposta, pergunta: quais os testes que são eficientes?

“O melhor teste para dizer se o paciente está com o vírus ou não é o teste (de biologia) molecular, que a gente chama de RT-PCR. Esse teste vai determinar o material genético do vírus, o RNA do vírus. Esse teste é muito sensível, é muito eficiente, se feito da maneira correta. Mas precisa ser coletado em locais adequados, e ele precisa ser avaliado em laboratórios de segurança e adequados para manuseio desse material”

Então é só ir na farmácia e pedir esse teste, ora bolas — logo pensa o amigo ouvinte que está pronto para disparar um e-mail para o apresentador e chamá-lo de alarmista juramentado.

 

Não é bem assim.

 

Como explicou doutora Natália o material tem de ser coletado em locais apropriados, além de serem mais caros e mais demorados. Não são vendidos em farmácia. Hoje, estão disponíveis apenas em hospitais que atendem pacientes internados com suspeita de Covid-19, mesmo porque faltam reagentes. Não têm suficientes para a maior parte da população infectada.

 

E aí mora o problema: somente com testes em massa —- e com esse teste mais caro e em falta —- é que se consegue desenvolver uma política pública eficiente e com menor taxa de risco. Sem eles, toda decisão de liberar comércio, restaurante, salão de beleza, clube de tiro (sim, tem gente preocupada com isso) ou as portas do seu escritório é uma loteria em que o grande prêmio é um vírus daquele tamanho. E mais um monte de gente contaminada, sofrendo no tratamento e podendo sair do hospital para o cemitério —- onde houver covas.

“No Brasil, a gente tem de lembrar que o país é enorme, e a doença afeta de maneira diferente as regiões. Então, o ideal é que cada região faça a sua testagem e trace o seu panorama … Precisamos fazer testes com amostras representativas da população, fazer amostras representativas de municípios e isso precisa ser muito bem planejado. Mas é a melhor maneira de otimizar os testes que por ventura tenha. Por enquanto a gente tem bem pouco”.

Por que vocês só ouvem quem é do contra? Calma lá, a gente ouviu mais gente, também, no Jornal da CBN. Ouça as entrevistas e reportagens que foram ao ar apenas nesta quarta-feira sobre o assunto, e tente entender que o papel do jornalista não é dar notícia ruim ou boa, é procurar a verdade.

 

“Pessoas com sintomas da Covid-19 não devem fazer teste em farmácia, diz Opas” — ouça aqui o que disse o vide-diretor da entidade, Jarbas Barbosa, ao Jornal da CBN

 

Liberação de teste rápido para detectar coronavírus fragiliza isolamento — ouça o comentário do Dr Luis Fernando Correia, no quadro Saúde em Foco, no jornal da CBN

 

E aqui a justificativa da Anvisa para liberar o teste rápido em farmácia

Expressividade: cuidados com os gestos e a postura ao se comunicar

 

Segue mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

berlin-2733812_960_720

foto PIXABAY

 

ÊNFASE DEMAIS, FÉ DE MENOS

 

Um dos mais famosos locutores do Rio Grande do Sul é José Aldair, até hoje titular da síntese noticiosa da Rádio Gaúcha de Porto Alegre. Uma das marcas na narração de Aldair era a mania de introduzir o noticiário do esporte esticando a primeira sílaba do título “esportivas”. O “es” se estendia até o som praticamente sumir para, somente depois, completar a palavra. O costume ganhou fama e havia quem ouvisse o noticiário apenas à espera do anúncio das “esportivas”. Um dia acompanhava o noticiário dentro do estúdio, sentado ao lado de José Aldair, o comentaristas esportivo Osvaldo Rola, o Foguinho, nome conhecido no Rio Grande do Sul por seus préstimos ao futebol gaúcho, tanto quanto por sua fala com o erre extremamente enrolado. Quando José Altair começou o interminável “essssssss…..”, Foguinho se assustou, imaginou que o locutor teria tido algum problema e não se fez de rogado, se aproximou do microfone e completou: “porrrrrrtivas”.

 

O preço que José Aldair pagou pelo excesso de ênfase foi o susto no momento do acontecido e o nome dele registrado para o resto dos tempos no anedotário do rádio gaúcho. Pelo sucesso dele na locução até que o preço foi baixo. O mesmo não se pode dizer de outros narradores que, exagerados, comprometem a mensagem. E suas carreiras, também. Ênfase demais ou na palavra errada prejudica o entendimento do que está sendo comunicado, porque o público perde a noção do que realmente é importante na sentença. A marcação excessiva empobrece o discurso e o torna caricato. É a “Síndrome de Alberto Roberto”, personagem humorístico de Chico Anysio que brinca com a figura dos comunicadores antigos do rádio.

 

Peço licença para um comentário sobre figura que brilhou no rádio e na televisão. Gil Gomes marcou sua presença no jornalismo com uma voz cheia de nuances e gestos exagerados. Conseguiu se comunicar. Seu domínio de cena o permitia contar uma história de violência sem ter necessidade de imagens ou entrevistas. Era praticamente um monólogo. Envolvia o telespectador — e antes já havia feito isto com o ouvinte —- apenas com a retórica e recursos da dramaturgia. Quando muito, se valia de efeitos sonoros. Espetacularizava a informação. Transformava realidade em ficção e da ficção fazia realidade. Gil Gomes fez desta capacidade seu personagem. No entanto, não é exemplo para ser seguido. Porque é único. É exceção. E para ilustrar o tema aproveito-me, mais uma vez, de frase de Iván Tubau, autor já citado neste trabalho.

“O comunicador de televisão deve interpretar sempre um personagem. É desejável, portanto, que seja ator. O comunicador de televisão deve dizer algo. É desejável que seja jornalista. O comunicador de televisão, sendo ator e jornalista, só pode interpretar bem um personagem: o mesmo”.

O telejornalismo tem aspectos da dramaturgia. Utilizam-se recursos da arte cênica para transmitir informação. No entanto, não se deve trocar os papéis. Jornalismo trabalha com a realidade. Quem o consome, crê no que se vê. Teatro usa da ficção para conquistar seu público, que aceita a encenação porque busca o entretenimento. Existem jornalistas que foram buscar nos cursos de teatro formas de interpretar a notícia. Mas, assim como na voz, o exagero nos gestos prejudica o processo de comunicação.

 

Às vezes, as mãos se movimentam tanto diante da câmera de vídeo que chamam mais atenção do que a mensagem. Sem falar na sensação do telespectador de que a qualquer momento vai receber uma tapa no rosto. Quase tomei um banho d’água durante entrevista com um empresário que, entusiasmado com a oportunidade de falar na televisão, usou de todo seu conhecimento cênico e acabou derrubando o copo que estava sobre a bancada.

 

Outro erro comum é a repetição dos movimentos, principalmente da mão. Você já deve ter visto o horário eleitoral gratuito. Se não, aproveite a próxima eleição e se divirta diante da televisão —- se possível encontre um bom candidato para votar, também. Veja quantas vezes determinados candidatos fazem um mesmo gesto durante mensagens que não duram mais de 30 sgundos. Acreditam que assim são capazes de atrair a atenção do eleitor. Prometem mais educação e com a mão fechada dão um pequeno soco no ar. Prometem mais saúde e lá vem mais um soquinho. Prometem mais transporte e a cena de pugilismo se repete. Podiam trocar os socos pela fórmula para cumprir todas promessas.

 

A gesticulação — recurso não-verbal que pode dar ênfase à informação —- quando repetitiva provoca monotonia. A mesma sensação se tem quando a apresentação é feita de forma estática. A televisão, principalmente no jornalismo, demorou a aceitar movimentos naturais de seus apresentadores. Eram quase bonecos ventríloquos.

O excesso de gestos incomoda muita gente. O excesso de gestos repetitivos incomoda muito mais. O excesso de gestos contraditórios nem se fala. O aceno, a expressão facial, a entonação da voz têm de estar em concordância com a informação. Tente dizer não e sacudir a cabeça afirmativamente. Agora, faça o contrário. Diga sim e gire a cabeça de uma lado para o outro. É estranho, não é mesmo? Tem quem faça isso sem a menor dificuldade ou sem nenhum constrangimento. Se o gesto confirma a informação, esta se reforça. Se contradiz, a mensagem se perde. Não esqueça que o impacto da comunicação não-verbal sempre é mais forte do que a verbal quando feita de forma simultânea.

Há outros casos em que os meneios de cabeça, com o objetivo de marcar expressão ou fim de frases, se sobrepõem à informação, tal os excessos cometidos. Lembro de um apresentador de telejornal que, na busca de expressividade, piscava os olhos, mexia a cabeça, reforçava a dicção e acenava tanto que me provocava irritação. Senti-me —- por favor, falo como telespectador —- vingado quando o próprio ao usar de todos esses recursos para fazer uma pergunta relacionada ao susto que os empresários haviam tido por causa de uma medida do governo federal, causou tanta estranheza na comentarista de economia que esta não se conteve: “você é que me assusta assim”.

 

Por falar em meneio de cabeça. Tem jornalista que ainda insiste em balançar a mesma afirmativamente enquanto o entrevistado fala. Quer passar a impressão de que está atento ou entendendo tudo o que está sendo dito. Quem assiste tem a ideia de que o entrevistador está é concordando com o entrevistado. Postura que não condiz com a profissão. Se é para mostrar conhecimento do assunto, faça boas perguntas: é o melhor caminho.

 

Aproveito para chamar atenção de outra mania que toma conta da tela. Alguém espalhou por aí que apresentador de programa esportivo tem de estar feliz. Com cara de quem assistiu ao time dele ser campeão pela primeira vez. Moral da história: tem uns que fazem um esforço danado para aparentar simpatia. Por favor, não estou aqui defendendo a cara fechada. Gosto tanto de um sorriso que já dediquei um capítulo anterior a favor dele. Mas em excesso, torna a apresentação falsa. “Do que é que este moço está rindo, se meu time perdeu hoje?”, se pergunta o telespectador.

Você se comunica com muito maior intensidade do que imagina. À frente da câmera de vídeo, esta situação ganha mais destaque, ainda. As lentes ampliam nossas qualidades, com certeza, mas estão prontas para revelar todos nossos cacoetes, afetações e presunções. Pessoas extramemente amáveis no dia-a-dia se transformam em arrogantes na televisão. Têm a imagem distorcida por pequenos detalhes como o de falar olhando acima da lente ou com o queixo erguido —- o que é traduzido por “nariz empinado” —- simplesmente porque a câmera não está posicionada na altura do seu rosto.

Outro erro capaz de mudar a sua imagem é a postura. Curvado demais para a frente para a ideia de agressividade. Atirado demais para trás, de desinteresse. Há situações em que postura demais também prejudica.

 

Um ex-prefeito de São Paulo, adepto do yoga e outros esportes mais relacionados à classe política, que tendem a resultar em rombos olímpicos nas contas públicas, costumava dar entrevistas sempre com o olhar neutro, as duas mãos à frente apenas com a ponta dos dedos se tocando em formato de triângulo e os pés separados o suficiente para manter uma postura de equilíbrio. Deve ter lido, antes de assumir o cargo, todos os manuais de sobrevivência para entrevistados em situação delicada que se encontram nas livrarias e decidiu aplicá-los de uma só vez. Um esforço tão evidente e exagerado que era lido pelos repórteres que o acompanhavam como sinal de intranquilidade. Sempre tive vontade de dizer a ele quando o enxergava estático diante de uma câmera: “relaxa prefeito, relaxa e fala”.

 

Expressividade é preciso. Exagero, não. O risco é que o comportamento exacerbado atinja a imagem de quem comunica. O público deixa de acreditar, perde a fé.
 

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso, na ordem decrescente, clicando aqui

Sua Marca: branding não é para ser construído na hora da crise

 

 

 

“Branding não é para ser construído na hora da crise, pense sempre na marca como uma construção continuada; não dá para esperar os problemas, plante antes” —- Cecília Russo

Blindar uma marca é expressão que está relacionada ao desenvolvimento de atividades que criam camadas de proteção para eventuais ameaças, que podem ser das mais variadas espécies: falhas na comunicação, erros de distribuição, problemas na fabricação, etc. Dificilmente alguém imaginaria uma crise sanitária do porte que o mundo está enfrentando, mesmo assim aquelas empresas que estavam mais bem preparadas conseguem se sair melhor, neste momento. É a opinião de Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

“Ninguém poderia imaginar a Covid-19 até alguns meses atrás, mas os trabalhos de branding também podem e devem ser feitos em função de gerar um saldo médio ao longo do tempo, de onde a empresa pode sacar diante de dificuldades” —- Jaime Troiano

Um exemplo é o que acontece com marcas que já estavam mais bem estruturadas no varejo eletrônico, como Magazine Luiza e Americanas. Assim como bancos que há alguns anos vêm investindo na prestação de serviço digital. São setores ou marcas que mais protegidos, blindados, porque vinham fazendo digital, sem sequer imaginar o caos que o novo coronavírus provocaria nas relações humanas.

 

Produtos, serviços e comunicação ajudam a criar esse anteparo quando isso é feito de uma maneira planejada, inteligente e criativa:

“Sempre imaginando que quanto mais forte está a sua marca, melhor será sua blindagem”, diz Jaime.

Mundo Corporativo: Daniel Castanho fala das vantagens para as empresas que se comprometeram a não demitir

 

“A empresa está tomando conta do que há de mais nobre, que é o trabalho do seu funcionário” — Daniel Castanho, empresário

Um manifesto apresentado a 40 empresários brasileiros transformou-se em um movimento com adesão de mais de 4.500 empresas que se comprometeram a não demitir nenhum funcionário até o dia 1º de junho, apesar das dificuldades econômicas provocadas pelo novo coronavírus. O empresário Daniel Castanho, um dos criadores do “Não demita”, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN, calcula que 2 milhões de empregos foram garantidos neste período.

 

Esta edição do Mundo Corporativo foi gravada de casa — seguindo as recomendações de isolamento social — com vídeo captado por uma câmera de Iphone e áudio por um aparelho TieLine.

 

Castanho é o presidente do conselho de administração e um dos fundadores do grupo Ânima Educação, que reúne 12 instituições educacionais, mais de 118 mil alunos e cerca de 8 mil educadores. Ele conta que assim como muitas pessoas, assustadas com os riscos que a pandemia poderia gerar, correram aos supermercados para fazer estoques de uma grande variedade de produtos, donos de empresas e executivos imaginaram que seria necessário demitir profissionais para manter suas empresas saudáveis, em um primeiro momento. Porém, foi possível mostrar que a manutenção dos empregos, era um compromisso ético e moral que as empresas deveriam assumir:

“… se você demitir alguém agora, a pessoa não vai ter nem a possibilidade de mandar o seu currículo, nem de sair de casa, então é o momento do empresário não demitir”

No início do movimento, alguns empresário alegaram que não teriam condições de assumir o compromisso de não demitir, porém, mudaram de ideia a partir do instante em que perceberam que seus concorrentes estavam dispostos a manter seus profissionais. Em seguida, viram o impacto positivo que a medida gerava entre seus colaboradores e clientes:

“O movimento gera comprometimento dos funcionários e valorização por parte dos consumidores”

Com base em experiência desenvolvida no comando da Ânima Educação, empresa da qual foi um dos fundadores, Castanho recomenda que os empresários sejam muito transparentes com seus colaboradores. Em 2009 e 2013, por exemplo, o grupo adquiriu instituições de educação que estavam com os salários atrasados e dificuldades financeiras, e decidiu chamar todos os professores e funcionários e abrir os números, o faturamento, a dívida, o tamanho da folha de pagamento:

“Você tem de entender todo mundo como empreendedor, são todos seus sócios naquele momento, são empreendedores arriscando com o CNPJ do outro; então olhe para todo mundo que trabalha na sua empresa como seu sócio e fale com eles como nós vamos reinventar essa empresa com um novo formato e tudo mais … “

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: o dono da doceria do Brás era a cara do Tenente Rip Masters

 

Por Celia Corbett
Ouvinte da CBN

 

caetano-pinto-1

A Rua Caetano Pinto na altura do Laboratório Fontoura, no Brás Foto: ouvinte CBN

 

 

Eu tinha quatro anos, em 1958, e morava com a família na Rua Caetano Pinto, uma travessa da Avenida Rangel Pestana, no coração do Brás. Meu pai Hélio, era escrevente de cartório; minha mãe Ottilia, dona de casa; e mais três filhos: Márcia, Carlos e eu… a Celinha.

 

Morávamos em um prédio, com quatro andares, que para a arquitetura que dominava as construções da região era muito moderno. Tinha um elevador que subia e descia ao meu bel prazer (e quando o Sr Quirino, o zelador, não via, né?).

 

Na Caetano Pinto, eu me lembro de que à esquerda era o Laboratório Fontoura, do famoso biotônico. A loja do Sr. Regis, que vendia porcelanas. E quase na frente do terraço do meu prédio uma doceria. O dono era a cara do Tenente Rip Masters, da série de TV Rim Tim Tim.

 

Meus irmãos me diziam que o Tenente fechava a doceria e corria para TV. Eu ficava na janela à espreita. Assim que o Tenente fechava a loja, eu ligava o aparelho de TV, que na época demorava a sintonizar —- tempo suficiente para Rip Masters aparecer no Forte Apache.

 

Santa inocência!

 

Seguindo, à direita eu tinha a IRFM – Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. E lá trabalhava o meu nonno, Francisco Ferrari, Chefe de Almoxarifado. Eu ouvia o sonoro apito da fábrica todos os dias, que norteava o horário de muitos moradores do bairro.

 

Como esquecer a Paróquia de Nossa Senhora de Casaluce, que os napolitanos fundaram. Até hoje só existem duas no mundo dedicadas a ela: a de Nápoles e a de São Paulo. A festa da paróquia era incrível e o que mais me fascinava, além da comilança, era o “pau de sebo”.

 

Nos domingos, atravessávamos a Avenida Rangel Pestana e lá estava a casa dos meus nonnos na Maria Domitila, ao lado do Parque Dom Pedro II, do Gasômetro e da Assembleia, no Palácio 9 de Julho, palco de grandes atividades políticas.

 

Um pouco mais adiante perto das Avenidas do Estado e Mercúrio tinha o Mercado Municipal de São Paulo, que segundo contava meu nonno, sua primeira função foi a de armazém de pólvora e munições. Acredita?

 

Lindo mesmo era o Parque Dom Pedro II cortado pelo Rio Tamanduateí que nas suas margens tinham os “chorões” com seus galhos caindo para o leito do rio. Lá, também, tinha o delicioso Parque Shangai, um dos parques de diversões mais movimentados no Brasil, durante muitos anos.

 

Foi no Parque Dom Pedro II que o nonno Francisco, me ensinou a andar de bicicleta —- aprendi, mas claro que no dia em que retiramos as rodinha de suporte, levei um tombo que rendeu muitas lágrimas.

 

Em 1960, nós mudamos para Vila Mariana, em uma casa própria, e colocamos na nossa mala de recordações as lembranças daquela comunidade italiana, o sonoro apito da fábrica dos Matarazzo, as festas de Casaluce e o domingo no Parque Dom Pedro II.

 

Célia Corbett é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade.

Estudo mostra risco de colapso no atendimento a Covid-19 em cidades brasileiras

 

face-mask-5024710_1280

 

Ouvi agora há pouco, a informação de repórter da CBN que o Rio não tem mais vagas de UTI na rede estadual e os único leitos disponíveis estão no Sul do Estado, havendo mais de 350 pacientes a espera de atendimento. A notícia desta manhã vai ao encontro dos dados que divulgamos mais cedo, no Jornal da CBN, a partir de estudo que mostra a capacidade de atendimento a pacientes com COVID-19, em leitos de enfermaria, leitos de UTI e respiradores mecânicos, nas principais capitais brasileiras. A simulação tem como base o ritmo de crescimento no número de pacientes infectados e necessitando atendimento, registrado em 19 de abril, pelo Ministério da Saúde —- esse trabalho tem sido atualizado a cada três dias.

 

São apresentados três cenários para cada uma das cidades analisadas. A taxa de ocupação tem como base 2019 — em dois cenários essa taxa de 2019 é reduzida em 50% e toda a oferta é destinada para pacientes com COVID-19; no terceiro cenário, toda a taxa de ocupação de leitos e respiradores é destinada às pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

 

Nas simulações se prevê que de 5% a 12% dos infectados tenham de receber atendimento hospitalar. Em um dos casos, o atendimento ocorre pelos serviços público e privado, conforme a cobertura dos planos de saúde; e nos outros dois, considera-se que o coronavírus atinja as populações mais pobres e aí a demanda aumenta na rede pública, com 80% dos atendimentos.

 

O trabalho foi realizado pela doutora Márcia Castro, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e chefe do departamento de Saúde Global e População. Na entrevista ao Jornal da CBN, ela comentou que a atual pandemia ‘expõe as desigualdades locais da população’, já que se verifica a inexistência de infraestrutura em algumas regiões, o que deixa as pessoas mais expostas. Conforme essa exposição ocorre, maior é a pressão do sistema de saúde, especialmente no setor público, onde leitos e respiradores provavelmente não esteja mais à disposição nas primeiras semanas de maio, conforme a cidade analisada.

 

miltonjung · Jornal da CBN entrevisa Dra Márcia Castro, da Universidade de Harvard

 

RIO DE JANEIRO

 

Conforme o estudo, no Rio de Janeiro, o melhor cenário prevê que a rede pública alcançará o seu limite no dia 2 de maio, ou seja, em oito dias, com a ocupação de todos os leitos de enfermaria e de UTI; se houver leitos extras, esse limite será alcançado no dia 4 de maio — em qualquer uma das duas situações, o número de respiradores mecânicos é capaz de atender os pacientes até o dia 14 de maio. Ou seja, teremos respiradores, mas não teremos leitos, já na primeira semana do mês.

 

O pior cenário para o Rio, aquele que prevê uma quantidade bem maior de atendimento na rede pública, e com 12% dos infectados precisando de leitos, o colapso se dará agora na UTI; dia 28 de abril, nas enfermarias; e, na primeira semana de maio, no caso de ventiladores mecânicos.

 

O Rio, em todas as simulações até tem respiradores por um tempo considerável, mas faltarão leitos.

 

FORTALEZA

 

Em Fortaleza, a persistirem os sintomas, o colapso no atendimento está prestes a acontecer. No melhor cenário, já estará faltando leito de UTI; no dia seis de maio, não se terá mais leito de enfermaria; e no dia 8 de maio, chega-se ao limite de uso de respiradores. Ou seja, em Fortaleza, mesmo com leitos extras e hospital de campanha, não haverá mais espaço em UTI. As enfermarias e os respiradores serão suficientes apenas para a primeira semana de maio.

 

DISTRITO FEDERAL

 

No Distrito Federal, a falta de UTIs já será sentida agora e de enfermarias, nos dias 5 ou 6 de maio. Os ventiladores são suficientes para atender os pacientes até os dias 11 de maio. Na pior hipótese até o fim da próxima semana. Há um risco, portanto, de o colapso ocorrer já na semana que vem. De uma maneira geral, haverá respiradores para os pacientes de COVID-19, mas será necessário a criação urgente de leitos de UTI.

 

MANAUS

 

Manaus é um caso dramático: o sistema entra em completo colapso em duas semanas se não forem criados novos leitos de enfermaria e UTI e colocados à disposição mais respiradores mecânicos. No melhor cenário, dia 26 agora chega-se ao limite das UTIs; no dia cinco de maio, chega-se ao limite das enfermarias, e no dia 9 de maio, o número de respiradores não será mais suficiente para as pessoas.

 

Ainda durante a entrevista, a Dra Márcia fez questão de ressaltar que a única forma de se conseguir conter esse colapso em algumas das principais cidades brasileiras é com isolamento social acirrado, evitando circulação e aglomeração de pessoas e respeitando distanciamento. Maior será o caos quanto menor for o isolamento e as medidas restritivas. E diante disso, ela lamenta que falte um discurso único e focado neste sentido, no Brasil.