Mundo Corporativo: José Salibi Neto decifra o algoritmo da vitória

Foto de Pixabay no Pexels

“Eu acredito muito no potencial do ser humano. Eu já fui transformado alguma vezes. Mas você precisa ter alguém junto para te ajudar em alguma situação. E nesse caso é o grande treinador, o grande coach”, José Salibi Neto

O algoritmo é uma sequência de instruções bem definidas. Mas nas relações humanas, regras e procedimentos não são perfeitamente definidos. Então, para fazer esse algoritmo rodar com resultados satisfatórios é essencial a figura do coach ou do treinador que tem de adaptar esse sistema a quem ele treina, ter engenhosidade para conectar essas duas pontas  — algoritmo e esportista — e converter problemas maiores em partes menores e mais simples de resolver.

Essa é a ideia central do trabalho desenvolvido por José Salibi Neto, ex-tenista, cofundador da HSM e dos maiores especialistas em gestão no país, e Adriana Salles Gomes, admiradora de esportes, especialmente dos cavalos de corrida, jornalista e craque em economia e negócios. Juntos, escreveram o livro ‘O algoritmo da vitória” (Planeta Estratégia), após cinco anos de muita pesquisa, leitura e entrevistas com alguns dos melhores técnicos esportivos do mundo. 

José Salibi Neto falou do resultado deste projeto e de como aplicá-lo na gestão de negócios, no programa Mundo Corporativo, da CBN. E falou  com o mesmo entusiasmo da época em que, jovem e estudante na Universidade da Carolina do Sul, entrava em quadra com o sonho de ascender ao topo do ranking mundial. Na época nem tudo saiu como ele planejava, por isso teve se transformar algumas vezes —- como destacado na frase que abre este texto. O esporte, no entanto, virou lição e metáfora para a sua carreira:

“O CEO na verdade é o técnico do time dele, ele é o grande coach. Tem que colocar os jogadores certos nas posições certas. Desenvolver a cultura do time. Fazer o treinamento. Analisar cada um dos seus comandados para ver quais são os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Então, esses grandes treinadores, eles são muito cuidadosos nisso porque eles não podem errar”

Um líder de excelência é capaz potencializar os talentos que têm em seu time. Foi o que fez Larri Passos com Gustavo Kuerten, um jovem de grande talento mas que tinha sua vida marcada por uma série de intempéries que poderiam tirá-lo completamente do foco da carreira vitoriosa que construiu. 

“O caso mais dramático foi o caso do Guga, porque ele tinha tudo para dar errado, perdeu o pai em uma quadra de tênis, aos nove anos, a mãe era assistente social, o irmão necessidade de ajuda constantes devido a problemas de saúde e ele vivia em uma cidade sem tradição no esporte”. 

Para se entender o algoritmo da vitória explorado por técnicos de grande sucesso nos mais diversos esportes, José Salibi e Adriana o dividiram em oito etapas:

  1. Encantar — aqui contam os critérios para recrutar talentos, desenvolver atletas, criar neles autônoma e amor pelo que fazem
  2. Kaizen mental — é preciso balancear foco e relaxamento, e trabalhar tanto mente como corpo: “no mundo empresarial ninguém se importa com isso”
  3. Time escalador — é necessário montar um time com pessoas complementares, em talento, em personalidade, em experiência e em energia; e saber construir confiança e controlar o ego
  4. Código de Comunicação —- palavras, imagens e gestos são códigos que precisam ser criados com seus atletas; entender qual o momento adequado para transmitir a mensagem: “às vezes você mata o talento na maneira de se comunicar”
  5. Estrategizar — o técnico precisa pensar estrategicamente, planejaras diversas etapas, priorizar resultados e competições ao longo da temporada, identificar alternativas
  6. Ambiente de crescimento —- tem de alternar estabilidade e mudança para que os atletas aprendam e cresçam; pensar em processos, relacionamentos, estruturas etc
  7. Aprendizado — o algoritmo dos técnicos precisam ser constantemente atualizados
  8. Algoritmo —- é preciso criar o próprio algoritmo, etapa por etapa, e saber rodá-lo no ‘hardware’ que é onde entrar o dono da equipe e os dirigentes que precisam estar alinhados, acima de tudo, culturalmente.

O algoritmo da vitória virou uma metodologia que pode ser aplicar a qualquer empresa e a qualquer técnica, de acordo com José Salibi Neto:

“No mundo empresarial tem de desenvolver essa mentalidade de coach. O Jorge Paulo Lemann faz isso muito bem. Veja quantos líderes ele conseguiu desenvolver. Ele se considera muito mais um diretor de recursos humanos do que CEO. Se você não desenvolver as pessoas, você não tem resultado”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, às 11 da manhã, no site da CBN, no canal do YouTube e no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal. da CBN; aos domingos, às dez da noite; e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti. 

Conte Sua História de São Paulo: em dois meses de vida, a quarentena

Juliana Marchettis

Ouvinte da CBN

Par de pés de bebê sobre a colcha vermelha
Foto de Designecologist no Pexels

Minha história começa em 21 de janeiro de 2020. Na maternidade da Vila Mariana, bairro charmoso, situado na zona sul de São Paulo. Arborizado, com muitas opções de lazer para a toda família. Não entendi bem o que acontecia. Depois de nove meses envolvo em líquidos e fluidos, em temperatura agradável, o espaço já não era suficiente. Era hora de partir. E fui convidado a deixar aquele local agradabilíssimo para iniciar nova fase na vida.

Algum esforço depois, lá estava nos braços da mamãe, acalentado no seio dela e rodeado de pessoas uniformizadas —- soube que eram médicos e enfermeiros. Os primeiros dias foram repletos de novas experiências, visitas, exames … até iniciar nova partida: para a casa, na zona leste da cidade.

Vergueiro, Juntas Provisórias, avenida do Estado. Trânsito intenso até São Matheus. Na voz da mamãe, a narração por onde passávamos: “aqui é o parque”, “ali é o shopping”, “tem espaço cultural, ali na frente”. Não demorou muitos dias para iniciar outra viagem: agora de São Mateus para Água Branca. Era lá que mamãe me levava na barriga para as consultas com o pediatra, por isso ouvir o som do Parque da Água Branca parecia familiar.

Duraram pouco essas viagens: em dois meses, tudo mudou drasticamente. Ninguém mais visitava ninguém, ninguém mais era visitado por mim. Meu espaço limitou-se aos quatro cômodos da casa onde viviam papai e mamãe. 

Era a quarentena em vigor.

Foi então que descobri outro mundo: tios, tias, primas e avós que antes me abraçavam e apertavam dentro de casa, surgiram na tela eletrônica. E a tecnologia se tornou minha aliada. Foi através dela, que meus avós assistiram ao meu desenvolvimento, dia após dia. 

Demoraram alguns meses até as portas se abrirem novamente. Eram passeios curtos, no carrinho, em volta do quarteirão. Suficientes para entender que havia muito a ser explorado. Apresentaram-me à natureza, mesmo que nas raras árvores floridas do Jardim Santa Adélia. Assustei-me e me diverti com cães, de diversos tamanhos e cores. Assisti à passagem de ônibus, carros, motos e caminhões. 

Dia desses, papai e mamãe me permitiram uma aventura distante: passear no Parque Vila Lobos e no Jardim Botânico, enquanto faziam planos para quando a pandemia passar. Eles sabem que vai passar.

Meu nome é Luigi Hiroki e eu tenho 1 ano de idade.

Luigi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi escrito pela mamãe Juliana. A sonorização é de Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: encontrei minha antiga professora no Facebook e dancei … foi mágico!

Juliana Malik

Ouvinte da CBN

Foto: Pexel

Dançar sempre fez parte da minha vida … Melhor, sempre não. Parei de dançar quando me tornei mãe. A maternidade sempre foi um sonho e sou uma mãe feliz, mas é inegável que a agenda de uma mãe tem menos tempo. Cresci em São Paulo e quando criança, dancei balé clássico. Nos anos de 1980, dancei break. Lembra? Era moda. Fiz até um comercial de TV com meus tênis quadriculados como a época exigia. 

De São Paulo fui para Jerusalém, onde vivi por vários anos e lá, também, fiz parte de um grupo de dança. Depois morei em Paris e me juntei à comunidade latino-americana. Fiz amizades com dominicanos e colombianos quando me encantei pelos ritmos caribenhos. 

Fui morar em Londres onde fiz meu mestrado. Um dia, saindo da estação King’s Cross, vi um anúncio da BBC de que precisavam de dançarinos de salsa para uma novela. Lá fui eu para o casting e fui selecionada! Foi um dia apenas de gravação, era um capítulo de uma novela que se passava em Havana. Uma experiência interessante e muito diferente da minha rotina de estudante de economia. 

De volta ao Brasil, em 2005, encontrei uma escola de dança com uma professora incrível! Foram três anos dançando com ela até que vieram meus filhos. Dois meninos: de 9 e 11 anos. Parei de dançar e, confesso, nem dei conta do quando me fazia falta esta arte. Até que 2020 chegou. Com isolamento, quarenta. E vida remota na tela do computador. Em um passeio pelo Facebook, encontrei o perfil de minha antiga professora. Descobri que ela estava dando aula pelo Zoom. 

“Será que consigo fazer?” 

“Aqui em casa?”.

“Com meus filhos fazendo barulho?”

“Uhhh. Sei não”

Tomei coragem, falei com ela, marquei uma aula, afastei os móveis, vesti roupa confortável, conectei o Zoom. … e foi mágico. Voltei no tempo. De repente, não estava mais na sala da minha casa. Recuperei aquela sensação que a dança sempre me ofereceu, a qual nem lembrava o quando me fazia falta aquela antiga arte na qual nos expressamos sem palavras, ue une a todos em uma linguagem universal —  um esperanto de nossos primórdios. 

Juliana Malik, a dançarina, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

A generosidade do destino e o direito de chorar

Foto Priscila Gubiotti

Foi um dia intenso. De trabalho e de emoção. Tão intenso que só me despedirei da segunda-feira que se iniciou ontem, às 4h30 da manhã, assim que der o ponto final neste texto. E a entenderei encerrada neste adiantado da hora porque para concluí-la de forma justa era preciso antes agradecer a todas as pessoas que carinhosamente me escreveram ou gravaram depoimentos para marcar meus dez anos de Jornal da CBN.

Comecei na CBN em dezembro de 1998 e assumi o comando do principal jornal da emissora em 28 de fevereiro de 2011, em lugar de Heródoto Barbeiro. Uma baita responsabilidade. Não fosse apenas um dos fundadores da rádio, ainda era jornalista referência para meu trabalho e conduta.

Leia aqui o texto que escrevi na minha estreia como âncora do Jornal da CBN.

Foi um dos meus filhos quem lembrou, em reportagem que foi ao ar nessa segunda-feira, o dia em que Mariza Tavares, diretora de jornalismo, me convidou por telefone para o cargo. Na cadeira do escritório coletivo que temos em casa, com o encosto jogado para trás e olhando para o alto, ao desligar contei a novidade. Ele, ainda bem jovem e diante da minha cara de espanto, perguntou: “e isso é bom, não é?”. Meu “sim” não passou confiança, segundo ele. Teria sido a primeira vez que me viu inseguro diante de uma decisão. Mal sabe ele. 

Pouco tenho a reclamar das oportunidades que surgiram em minha carreira desde que a iniciei, em agosto de 1984, na rádio Guaíba de Porto Alegre. O destino me foi generoso. O primeiro passo teve influência do pai. Foi ele quem pediu para que me aceitassem em uma vaga não-remunerada de estagiário. Dali pra frente, foi por minha conta e risco. No Correio do Povo, no jornalismo do SBT, na rápida passagem na rádio Gaúcha e na vinda para São Paulo, quando fui contratado pela TV Globo. Por aqui, trabalhei na TV Cultura, na Rede TV, no portal Terra e na CBN.

Meu colega Marcelo Lins, na “Conversa de Primeira” de terça-feira, comentou que todo o profissional que tenha tido a oportunidade de estar por dez anos à frente de um mesmo produto jornalístico é merecedor de respeito. Confesso que nunca havia pensado nessa longevidade, talvez porque assisti ao meu pai permanecer por ao menos 50 anos apresentando o mesmo noticiário de rádio. O que significa uma década nesta linha do tempo, não é mesmo?!?

Fiquei feliz. Sensibilizado. Chorei. Talvez porque o tempo que vivemos nos deixe mais frágil —- a mim com certeza. Estou muito mais vulnerável. Não daquele jeito que me senti quando fui convidado para encarar o desafio do Jornal da CBN. Aquela vulnerabilidade —- do “será que serei capaz?” ou “se não der certo?”— é diferente desta que estamos experimentando. Aquela vem acompanhada pela satisfação profissional; a de agora, pela tristeza profunda das vidas perdidas na pandemia. 

Verdade, também, que meu choro veio por motivos diferentes. 

Nesses dez anos de Jornal da CBN, engoli seco para contar a história da tríplice tragédia no Japão, ocorrida dez dias depois de assumir o programa; solucei e sofri diante do microfone enquanto levávamos ao ar notícias do acidente de avião da Chapecoense; gaguejei durante os relatos do incêndio no Ninho do Urubu, no Rio; e tive de interromper minha fala quando anunciei a morte de José Paulo de Andrade.

Ao completar dez anos, chorei ao ouvir a voz de minha mulher e meus filhos, ao reconhecer a fala de colegas que respeito e admiro muito, de amigos que fiz nessa caminha. e ao ler mensagens de ouvintes generosos. Chorei por entender que a insegurança do início foi recompensada; me impediu que a arrogância se sobrepusesse; me fez querer aprender e corrigir; errar e pedir desculpas —- à audiência e aos companheiros de redação.

Chorei porque se aprendi alguma coisas nestes dez anos foi que não devemos ter vergonha de nossos sentimentos e desejos. 

A todos que me ensinaram essa lição, e me ajudaram a percorrer esse caminho, obrigado!

Ouça a reportagem completa que a rádio CBN produziu para lembrar meus dez anos no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Ricardo Neves diz que líderes tem de usar a comunicação para dar sentido aos negócios e exemplo às pessoas

Angela Merket foto: arquivo

“O líder é aquele que sabe conversar, o líder é aquele que sabe influenciar socialmente. A arte da liderança é a comunicação”

Ricardo Oliveira Neves, consultor

De Wilson Churchill a Angela Merkel. De Steve Jobs a Laurence Fink. Todos são líderes, cada um a seu jeito e ao seu tempo, que ajudam a entender o conceito que sustenta a nova ordem dentro das empresas: a da liderança por propósito ou a da criação de sentido e significado que possam ser valiosos para o indivíduo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Ricardo Oliveira Neves, consultor de estratégias, comunicação e marketing, falou de modelos de liderança essenciais para as empresas se adaptarem às transformações do século 21, em que vivemos uma complexidade exponencial. 

Autor do livro “Sensemaking: liderança por propósito”, Ricardo lembra que essa complexidade que gera incerteza e abala estruturas, não se resume a pandemia —- começa bem antes. Passa por uma série de outras mudanças que ocorrem há algum tempo como a do clima, as que têm colocado em xeque instituições democráticas e as que expressam ainda mais a  desigualdade social.

Ricardo diz que hoje existe uma caixa de ferramentas de comunicação que precisa ser aberta pelos líderes para que se afaste de vez o modelo de comando e controle, baseado na ‘Arte da Guerra’, que pautou as corporações por muitos anos:

“É preciso se libertar de uma mentalidade que é a do comando-controle, que ainda predomina nas grandes organizações, aquela do eu mando e você obedece. A diferença é que o líder agora passa a ser um facilitador de entendimento do que está acontecendo … tem de ajudar as pessoas a sair dessa zona de terror.”

Para ele a comunicação tem de ser baseada em quatro Cs: calma, coragem, conversa e colaboração. São elementos, por exemplo, que aparecem em Churchill que liderou os britânicos na Segunda Guerra Mundial. Que são encontrados no primeiro discurso dele à nação quando assumiu o cargo de primeiro-ministro, notabilizado pela frase: “eu só tenho a oferecer sangue, suor e lágrima”.  

De Merkel, primeira-ministra da Alemanha, onde Ricardo vive atualmente, o consultor destaca a condução que ela está tendo na crise provocada pelo coronavírus e lembra o discurso que fez às vésperas do Natal alertando às famílias para o risco de insistirem em se reunirem em confraternizações: teve coragem e clareza. A premier alemã também usa muito bem o que Ricardo chama de autocomunicação:

“Merkel é mestra disso. Lembra as pessoas de uma maneira sutil a usar máscara. Ela tem um ritual com a máscara, em público, que está sempre lembrando a todos desta necessidade”.

A autocomunicação também era praticada por Steve Jobs, de acordo com o consultor, o que explica o fato de a empresa ter, em lugar de clientes, fãs, porque se identificavam com o líder da Apple e seus produtos. Outro exemplo de comunicação eficiente e capaz de enfrentar a complexidade exponencial, segundo Ricardo, é a estratégia de Larry Flink, CEO da BlackRock, líder mundial em gestão de investimentos. Ele publica, todo ano, uma carta aberta aos clientes em que apresenta sua visão dos negócios de forma transparente. Flink é uma das principais vozes no mercado de capitais a defender o capitalismo consciente, mais preocupado com as questões sociais, ambientais e de governança.

“Propósito é uma coisa, sim, tangível que a liderança tem que aprender a falar, para quando ela vai conversar com seus pares e com a sociedade como um todo. Não existe mais a empresa que só por ter lucro tem licença para sobreviver”

Para Ricardo, o recado que todos precisam entender é que há necessidade de se encontrar propósitos individuais, e conscientes dessa mentalidade buscar nas empresas uma sintonia desses objetivos. O colaborador que acredita que ter segurança no emprego é vender a alma para o diabo vai se surpreender, porque em algum momento o diabo vai cobrar o preço que pediu na assinatura do contrato.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nas páginas da CBN no Facebook e no Youtube. Colaboram com o programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubioti.

Sintonizado no Clubhouse, um novo modelo de rádio

Imagine uma mídia na qual você tem uma série de opções de programas em áudio à disposição. De graça. Em um canal, tem esporte. Em outro, tem música. Rock e sertanejo, cada um na sua. Tem lugar em que se fala de comportamento. Outro, de arte. De mídia digital. De comunicação. Tem até quem toque e comente notícia —- de política à economia, de meio ambiente à educação. O ouvinte sintoniza o canal que entender mais apropriado aos seus interesses, pode participar com perguntas.

Estamos falando do rádio? Até pode ser. Criado no fim do século 18, início de 19, o veículo é um pouco de tudo isso. Basta trocar de estações no aparelho que está em seu painel do carro ou no balcão próximo do fogão, na cozinha, e você terá oportunidade de vivenciar todas essas experiências. Nosso ‘dial’ nos põe em contato com uma programação diversa e interativa. Você escolhe se quer ser ativo ou passivo. Só ouvir ou participar. 

Pode ser do rádio, mas não é.

Estou falando do ClubHouse, rede social que ganha dimensão entre nós, com a abertura de um número inimaginável de salas para falar dos mais diversos temas. Casa sala é uma estação. Cada moderador, um âncora. Cada ouvinte, que unido a outros, se transforma em audiência.  O ClubHouse é uma espécie de rádio que pode ser produzido por qualquer um, desde que tenha um iPhone e um perfil aberto nesta rede. Em breve, também no seu “rádio” Android.

No sábado, tive minha primeira experiência neste espaço, convidado pela Ana Sacavém, coach da Academia de Liderança e Comunicação, em Portugal, que realiza um trabalho incrível ao lado do marido Antonio Sacavém. Estavam com a gente, minha parceira de trabalhos, livros e palestras Leny Kyrillos e Thomas Brieu, um especialista em escutatória. 

Ficamos por duas horas batendo papo sobre como desenvolver nossa capacidade de se comunicar, uma habilidade essencial para quem pretende crescer na carreira profissional. Falamos entre nós e respondemos boas perguntas dos ouvintes. Ouvimos, também. Ouvimos algumas pessoas que surgiram  em meio a conversa e agregaram muito conteúdo. 

O ClubHouse reforça a ideia de que se o conteúdo é o rei —- como Bill Gates  nos ensinou no início dos anos de 1990 —- o áudio é a rainha. Prestigiado nessa nova rede. Essencial para o sucesso dos podcasts —- que nunca foram tão ouvidos como agora. Motivo de concorrência entre as maiores marcas de tecnologia do mundo, como é o caso da Apple e Amazon, que investem seus conhecimento no desenvolvimento de caixas de som inteligentes. E “cidadão de primeira classe”, como disse Zack Reneau Wedeen , executivo do Google podcast, em 2018.

O áudio foi a base do trabalho que realizamos no rádio desde sempre, portanto participar desta nova rede não me surpreende. Me fascina. Especialmente com a qualidade do debate que conseguimos promover no sábado em uma sala que pretende se tornar permanente: Mentoria da Comunicação.

Por exercício da Ana e colaboração de todo grupo, apresento a seguir alguma das muitas mensagens que conseguimos levar ao ar —- ou, levar à web:

Pequena correção, sem pretensão

Outras …

Dia desses ouvi o repórter do rádio dizer que somente algumas doenças eram aceitas por um órgão público para justificar a ausência na prova: “Covid-19, influenza, meningite e outras”. Como “outras” não é uma doença, soou-me estranha a presença dela na frase. Parecia ser apenas a reprodução de um texto burocrático escrito pela assessoria do órgão público —- se não o for, me desculpe a assessoria. Vamos concordar que o “outras” está sobrando na frase, fica feio e não informa. Uma pequena correção de rumo resolveria: “somente algumas doenças são aceitas para justificar a ausência, como Covid-19, influenza e meningite. A lista completa de doenças, você encontra no site ….”

Veio a óbito

A senhora, que não tem nome, porque nem sempre nos importamos com isso (ou o nome não é divulgado), não apenas foi vítima da Covid-19 como deu o azar de ser contaminada pela nova variante do novo coronavírus — e já que insistimos com essa denominação, apesar de a pandemia ter completado um ano, talvez fosse o caso de chamá-la de novíssimo coronavírus. Infelizmente, a senhora morreu. E ao ter a morte noticiada, foi vítima de outro mal que contamina as redações: a língua complicada. O repórter, não contente com toda tragédia, substituiu o simples e significativo “morreu” por um pernóstico “veio a óbito”. Se ainda fosse “foi a óbito”, vá la. Mas “veio a óbito”, sai pra lá, urubu!

Ninguém mais compra

Nessa crise econômica que enfrentamos ninguém mais compra nada, só adquiri. É o que se ouve nas notícias de rádio e TV. É o que se lê nos jornais e na internet. Quanto maior a importância da compra, mais o verbo adquirir é conjugado no noticiário. Governos, que usam nosso dinheiro, nunca compram nada, só adquirem: de latas de leite condensado a vacinas (estas bem menos do que aquelas). Hoje, até as famílias — sempre que citadas como instituição — são contempladas com o verbo adquirir, como se isso valorizasse o ato de comprar ou o texto jornalístico. Nem uma coisa nem outra.

Pra não cair nessas esparrelas, na hora de noticiar basta pensar o seguinte, como eu falaria para minha vovozinha.

Se você me permitir, aqui vão três sugestões para quem pretende escrever bem, simplificar a mensagem e evitar erros:

Mundo Corporativo: Andreia Roma, da Leader, explica como o RH se transformou de uma sala escura a setor estratégico

“Os RHs tiveram de transformar o seu 2020 olhando para eles, olhando para dentro de si e se transformando em profissionais mais humanos dentro do contexto RH”

Andreia Roma, CEO da Editora Leader

O setor de recursos humanos por muito tempo era a sala escura que ninguém queria entrar. Essa imagem mudou ao longo dos últimos 20 anos e, hoje, o RH é estratégico dentro das empresas. Uma transformação protagonizada por mulheres que encontraram nessa área o espaço para influenciar nos rumos das organizações. É assim que Andreia Roma, CEO da Editora Leader, enxerga a influência feminina no segmento que sempre foi o responsável por cuidar das pessoas. Andreia é coordenadora, ao lado de Tania Moura, do livro “Mulheres do RH — o poder feminino na gestão de pessoas”.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Andreia explica que o livro reúne a história de 31 mulheres que atuam com recursos humanos e a linha mestra que uniu esses textos foi a ideia de que por mais simples que possam parecer suas histórias, o fato de relatarem a experiência desenvolvida vai inspirar as mais jovens a seguir carreira neste setor.

“Elas conseguem conectar aprendizados, erros e acertos, ou seja, o que precisa ser mudado, o que precisa ser ajustado, tanto no quesito pessoal, como no profissional”

Essas mulheres do RH também têm papel significativo no combate à discriminação de gênero, destaca Andreia:

 Eu acho que não é parar e olhar para discriminação; é realmente ressignificar e falar o que é que eu vou fazer com este aprendizado; o que é que eu vou ensinar para jovens que vão vir através deste aprendizado; então a gente precisa começar a ensinar e aprender até mesmo com este momento difícil que existe dentro das organizações, relacionados à discriminação.

De acordo com a editora, um dos desafios enfrentados pelas empresas e as profissionais de RH, durante a pandemia, foi o distanciamento das equipes de trabalho e a realidade de cada uma dessas profissionais que tiveram de cuidar de gente das suas empresas sem se descuidar de suas famílias. A ideia de deixar a empresa fora do trabalho perde o sentido no instante em que muitos de nós tivemos de levar o trabalho para dentro da família, diante das restrições sanitárias que impactaram o mundo inteiro:

“A pandemia tem nos ensinado a pegar todos nossos certificados e colocá-los  no bolso. O RH começou a olhar para outros setores, entender que uma empresa é a união de muitas pessoas.”

Para Andreia Roma a crise provocada pelo coronavírus tornou as realizações ainda mais incertas, mas serviu para influenciar o comportamento dos profissionais desta área nas empresas:

“Esse futuro incerto pode trazer o olhar de muitas mulheres, trazendo este lado humanizado de profissionais que entenderam que ser o RH estratégico, hoje, nas organizações, passou a ser humano.”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site, no perfil do Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar no Jornal da CBN, às 8h10 da manhã ou ais domingos. às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram como programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves

Conte Sua História de SP: fui a louca dos cursos

Jovanka de Genova

Ouvinte da CBN

Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Resolvi fazer parte da população que aceita a ciência e aderi a quarentena. Foi fácil? Claro que não. Não tem romance nesse processo. Dias intermináveis, de luto — luto de uma vida que parece que nunca mais será igual. O jeito foi pensar em caminhos possíveis dentro de casa… construí minha carreira a partir de uma premissa: estudar é sempre a melhor opção e, nesse norte, fiz um direcionamento bem óbvio no meu caso: estudar seria minha boia salvadora nessa pandemia. E foi.

Sou profissional da área de comunicação empresarial e educação, meu mestrado, que encerrei em janeiro de 2020, tem como tema central: Afetividade na Educação a Distância. Muita gente duvida que isso seja possível. Criar relações? Construir vínculos? No digital? Eu também tinha dúvidas e preconceitos. 

Antes de seguir minha história: não vou dizer que foi um processos fácil e para todos, não. Infelizmente, foi para a minoria. A educação na pandemia ficou muito a desejar para a maior parte dos brasileiros.

No meu caso, foi a oportunidade de alinhar meu objeto de estudo com a prática, e entender como as emoções fazem diferença na educação, principalmente em 2020. Eu não escondo que fiquei mais carente; sozinha fisicamente; e abri meu coração para todo e qualquer tipo de apoio, mesmo digital.

Fui a louca dos cursos. Conclui ao menos cinco. O mais importa foi o da diversidade nas organizações — tema que junto à pandemia esteve no noticiário com casos de racismo, assédio sexual, moral e discriminação de gênero. Meu curso foi todo digital. Mais de 100 participantes. E criamos uma rede de apoio pelo WhatsApp que acolheu pessoas de todos o país que se sentem seguras para dividir angústias, desafios, tristezas, alegrias … todos os tipos de sentimentos e emoções. Nunca nos vimos, fomos unidos por uma causa, por uma postura responsável e o compromisso em tornar o ambiente corporativo em lugares melhores para receber diferentes raças, gêneros, orientação sexual e pessoas com deficiência. Praticamos a escuta e a troca, sem julgamentos e expectativas. Colocamos na prática a afetividade no mundo digital, com a criação de vínculos e o exercício do relacionamento saudável e construtivo.  

Também organizei o iEduque, um coletivo afetivo para a discussão, formação e acolhimento de profissionais de educação.Nasceu na pandemia com o propósito de colaborar com professores nesse período de exceção. Somos três profissionais que idealizamos um projeto todo através do digital. Experiência possíveis em uma cidade como São Paulo. Sei que falar de cidade, de um lugar físico, fica até meio sem sentido, mas, mesmo no digital, São Paulo une as pessoas e possibilita encontros incríveis e potentes.

E eu descobri que, sim, existe amor no mundo digital.

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Jovanka Mariana de Genova é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para  contesuahitoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: “o ciclo de olhar para a carreira nunca vai ter fim mas sempre vai ter um começo”, diz Gustavo Leme, especialista em RH

Gustavo Leme e Mílton Jung em entrevista no Mundo Corporativo

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“O ambiente organizacional carece de uma cultura onde as pessoas tenham opinião, onde a construção seja feita com as pessoas e não para as pessoas; esse ambiente onde as pessoas podem contribuir, na medida que entendem a direção da empresa, as educa a terem opinião”

— Gustavo Leme, direto de RH

Fomos educados para não perguntar e não expressar nossas dúvidas, e isso nos coloca na contramão  das necessidades corporativas. É preciso criar espaços na empresa nos quais a aprendizagem seja incentivada, em que se desenvolva um repertório mais rico e não-linear. É o que pensa Gustavo Mançanares Leme, diretor de Gente, Gestão e Cultura do Grupo Pasquini, que atua no setor de moda. Ele é  autor do livro “O acaso não existe – ou você constrói a carreira dos seus sonhos ou alguém vai te contratar para construir a dele”.  

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Gustavo explica que os profissionais têm de se dedicar a construir uma plataforma de carreira em lugar de um plano de carreira, que costuma ser mais comum. O plano, segundo ele, remete a um caminho mais linear, com variáveis mais conhecidas. A plataforma é onde o ecossistema se conecta com diferentes fontes, é o caminho de vida e de profissão em diferentes variáveis. 

“O que a gente mais precisa é gente que lê cenário e propõe soluções, muitas vezes não convencionais, que sejam artistas. É isso que eu sinto: faltam dentro do mercado corporativo pessoas que tragam soluções e para as pessoas trazerem solução têm de ter um conhecimento muito mais generalista, na minha visão, do que um conhecimento especialista”

A arte, para Gustavo, está conectada com a realização, por isso ele sugere que os profissionais se conectem con a arte deles, podendo escolher onde vão trabalhar, o que ocorre em 70% a 80% dos casos.  O executivo se diz surpreendido com as novas gerações porque muitos ainda entram no mercado de trabalho com o conceito de terceirizar à empresa a decisão da sua vida, talvez porque tenhamos sido educado por pais que viveram essa realidade. Gustavo explica que se o tempo comum de longevidade de uma empresa era de 40, 50 anos, atualmente está reduzido a 18 anos.

“Se a média é essa, a gente não consegue ficar na mesma empresa …. isso vai fazer que a gente mude de emprego ou porque o mercado quer ou porque essa geração está querendo fazer o que faz sentido para ela: então, temos menos tempo de empresa, dinamismo de mercado e busca de propósito.”

Perguntado por um dos ouvintes do Mundo Corporativo sobre quando se deve começar a pensar no plano de carreira (ou na plataforma de carreira) e o período em que este projeto deva ser reavaliado, Gustavo respondeu:

“Esse ciclo de você olhar para a carreira nunca vai ter fim mas sempre vai ter um começo, e esses começos não podem esperar, esse ciclo de “ah virou o ano eu vou emagrecer, vou voltar a fazer exercício” não cabe com carreira: ela é dinâmica. Nós somos donos da própria carreira. E eu acredito mesmo que o acaso não existe”

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O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, aos domingos, 10 da noite em horário alternativo e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. O programa é gravado às quartas-feira, 11 da manhã, com participação dos ouvintes pelo e-mail milton@cbn.com.br. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Bruno Teixeira, Débora Gonlçaves e Rafael Furugen.