Conte Sua Histórias de São Paulo: o esqueleto dos prédios da Berrini

 

Por Soraia Mergulhão
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci no interior. Acostumei a uma vida numa cidade que é muitas vezes extremamente provinciana. Para mim, São Paulo representa a abertura de horizonte. O inusitado, uma aventura! 

 

Parece que no dia a dia minha cabeça está sempre abaixada, olhando pro chão. Ao entrar na Metrópole, ergo os olhos e os sentidos se apuram. Um portal se abre, para me desafiar. Empurrar.

 

Criança ainda, fomos à Capital visitar os primos que moravam em Santana, um bairro residencial. No caminho, observava as casas bem juntinhas, grudadas umas as outras, pareciam meio sufocadas. A primeira impressão que tive da cidade é que não havia espaço ali.

 

Para nos impressionar, nossos primos nos levaram ao metrô. Um trem muito rápido e silencioso, segundo me explicaram. Na estação, andei na escada rolante pela primeira vez, com medo de tropeçar nos degraus que surgiam de repente. Venci meu primeiro obstáculo! 

 

Uma década se passaria e lá estava eu, descendo do ônibus, em frente ao Hospital da Aeronáutica, no fim dos anos 1980: fim da ditadura, início do curso de piloto.

 

Lembro da construção ampla e amarela com corredores limpos, cheios de pessoas sérias usando fardas. Nas vezes que lá estive para exames médicos, sentada aguardando minha vez, ouvia as histórias dos pilotos e comandantes de linhas aéreas comerciais comentando seus vôos, suas vidas. Eu era uma espiã coletando informações de um outro mundo.

 

Uma vez, conheci um comandante que fazia a ponte aérea Rio-São Paulo. Ele perguntou se eu gostaria de conhecer uma cabine de avião comercial 

 

– Óbvio que sim!! Que pergunta!

 

Fomos de táxi a Congonhas. Ele me conduziu a pé pela pista do aeroporto até entrarmos num Electra, um turbo-hélice que fazia o trajeto. Na cabine mostrou como tudo funcionava, enquanto ligava a aeronave. Foi uma grande emoção ouvir os motores acordando ao simples toque num botão! 

 

Poucos anos depois, eu namorava um rapaz que morava perto da Berrini. Início dos anos 1990. A região era um canteiro de obras. O estado embrionário do que iria se tornar aquela região. Novamente, descia eu do ônibus e percorria algumas quadras a pé observando os esqueletos dos prédios se erguendo e os grandes poços abertos para as fundações. Andávamos muito a pé. Íamos andar na Paulista, assistir a filmes no cine Belas Artes ou no Shopping Iguatemi. O namoro não durou muito, mas o hábito de andarilha ficou — o gosto de percorrer as ruas de casas velhas ou prédios modernos, enquanto me misturo aos transeuntes só para descobrir como eles vivem.

 

Nunca mais perdi o hábito de explorar em respeitoso silêncio os recantos, curvas e ângulos desta quase esquizofrênica senhora — sim, porque apesar do nome, São Paulo, eu acho que esta cidade é mulher. Só pode ser. Só uma mãe poderia acolher a tantos, tão diferentes e se permitir ser deformada, inchada, modificada e ainda esconder uma beleza inocente para ser descoberta por aqueles que conseguem ver além do óbvio.

 

Soraia Mergulhão é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: empresas mais colaborativas alcançam melhores resultados, diz Susanne Andrade

 

 

“As empresas que mais têm crescido hoje são as empresas que são mais colaborativas. São empresas que são movidas a propósito e entendem qual é o sentido daquilo que ela está fazendo. E aí sim o clima é muito mais leve. E os processos acabam fluindo e os resultados vêm” —- Susanne Andrade, consultora

A alta competitividade e a pressão por resultados têm contaminado o ambiente de trabalho e impactado a saúde dos profissionais. Mas há caminhos para se contrapor a esse cenário e oferecer aos colaboradores projetos mais humanos sem abrir mão da produtividade. É o que propõe a consultora Susanne Andrade em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Autora do livro “O poder da simplicidade no mundo ágil”, Andrade criou um método no qual ajuda profissionais e empresas a mudarem o padrão nas relações, desenvolverem ambientes colaborativos e uma liderança humanizada. A partir da implantação do Método Ágil Comportamental (MAC), a consultora defende a ideia de que é possível alcançar melhores resultados em menor tempo tendo como objetivo a busca da simplicidade, apesar de o mundo parecer ainda mais complexo do que no passado.

“A simplicidade está justamente em parar para valorizar mais as pessoas e entender que as pessoas é que vão gerar mais resultados”

De acordo com pesquisa da Gallup, citada por Susanne Andrade, no programa, 72% dos profissionais estão infelizes e sem entusiamo e mais de 50% dos trabalhadores que saem das empresas é por problemas de relacionamento com seus líderes:

“A liderança é papel fundamental para que essa agilidade aconteça e o impacto positivo nas relações também para contribuir para essa agilidade” 

Uma das ferramentas que precisam ser mais bem desenvolvidas pelos líderes e seus colaboradores é a comunicação, segundo a consultora:

“A comunicação, eu diria, é a principal habilidade não técnica. Hoje, o profissional saber se comunicar de maneira mais assertiva, com mais simplicidade, respeitando o outro que está no outro crachá, é importante.”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter @CBNOficial e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite; ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Gabriela Varella, Clara Marques e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: o tijolo na fila do açúcar

 

Por Eliana Colagrande
Ouvinte da CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto de Eliana Colagrande baseado na história contada pelo tio dela, Sr. Olivio Segatto:

 

Em 1946, minha família morava na rua Sete Barras, no bairro do Piqueri. Eu tinha 10 anos. A II Guerra Mundial havia terminado, mas as consequências pelo mundo afora ainda permaneciam. Na nossa cidade ainda tínhamos racionamentos de alimentos.

 

Por outro lado, meu pai havia conseguido comprar um rádio, um presente maravilhoso para nós! Aprendi a ouvir as muitas informações, especialmente pelo “Repórter Esso” – o primeiro a informar as últimas notícias. Ouvia radionovelas e, sem dúvida, as transmissões de futebol.

 

Quando chegou o Natal daquele ano, ganhei um patinete azul, um grande companheiro que me transportava para onde eu pretendesse ir. Além das brincadeiras com o meu pequeno veículo, tinha também obrigações a realizar: pequenas compras ou levar recados nas casas de parentes e vizinhos. Uma de minhas tarefas, dia sim, dia não, era comprar o “açúcar preto” em uma
padaria da região. Cada consumidor tinha direito a ½ quilo diário — era o substituto do adoçante branco que estava em falta.

 

Em um domingo, logo cedo, fui fazer a compra, pois a procura pelo produto era grande e, como sempre, havia muita espera na fila até ser aberta a panificadora. Em dado momento chega um amigo de brincadeiras e… conversa vai, conversa vem, elaboramos um plano genial. Como ainda teríamos um bom tempo de espera, fomos brincar numa rua próxima, mais apropriada ao patinete. Mas para não perder o lugar na fila, me ocorreu uma brilhante ideia. Peguei um tijolo que estava num mato e disse ao senhor que estava atrás de mim que iria brincar um pouco, e que aquele tijolo me asseguraria o lugar. O homem sorriu — até hoje fico imaginando o significado daquele sorriso…) Eu e meu amigo fomos brincar. E foi ótimo!

 

Quando me lembrei do açúcar, o sol já brilhava forte. Meu amigo foi comprar algo em uma quitanda próxima e eu, dirigindo o patinete, retornei à rua onde estava aquela fila enorme. Fiquei surpreso pois não havia mais ninguém, e chegando no balcão o produto tinha acabado. Voltei à rua, já temendo a sova que me aguardava ao chegar em casa.

 

Mas que fique bem claro. Todos da fila se foram, mas eu e o meu querido patinete azul testemunhamos uma lealdade. Lá estava ele de plantão onde eu o deixei: o tijolo.

 

Olivio Segatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo em texto escrito pela sobrinha Eliana Colagrande. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: cruzei o Viaduto do Chá no meu fusquinha

 

Por Vadir Morelo
Ouvinte da CBN

 

 

 

Ainda hoje, nos meus mais de 60 anos, um dos meus programas prediletos é andar pelo centro. Apeio no metrô Vergueiro, dou uma olhada no Centro Cultural, desço a Av. da Liberdade, caindo para a lateral, passo por dentro do Bairro Japonês. Chego na Catedral, entro — um momento de paz, rezo um pouco. E vou para praça ver o que está rolando. Quando tenho sorte encontro um músico dos mil instrumentos simultâneos ou aquela gente que engole objetos e depois, credo, devolve. Presto atenção nos trombadinhas, dou algumas esmolas, e vou para o Pateo do Collegio rever um pouco da história da cidade.

 


Continuo pela zona bancária, relembro de alguns trabalhos de office-boy que fiz nos anos de 1960. Embora já grandinho, fazia questão de sair com a turminha de serviços de rua. Com 20 anos, recém-chegado da roça, bem caipira, bem mais que hoje, precisava aprender rapidamente a malandragem paulistana.

 


No Viaduto do Chá relembro que vivi uma das minhas maiores emoções e olha que já foram tantas as vividas por aqui. Foi quando consegui comprar meu primeiro carrinho, um Fusquinha 67. Aos poucos fui me aventurando até conseguir atingir o centro da cidade e atravessando pelo Viaduto do Chá, vendo aquela multidão caminhando ao meu lado e imaginar que eu que tanto tinha andado naquele trecho, desviando dos carros, estava ali agora, em situação inversa, dentro de um fusca todinho meu. Foi muita emoção. Uma sensação de vitória, mesmo sabendo que a luta havia apenas começado …

 


Sigo caminhando, agora pelo Teatro Municipal, Barão de Itapetininga — como era chique e linda aquela Barão. Praça da República, que saudades. Sabem que eu ja até dormi nos bancos daquela praça. Só tinha trem até 11 e meia da noite. E se perdesse esse trem só amanhã de manhã.

Dobro a Ipiranga, entro na São João e vou ao Bar Brahma. Tomo um chopp. Nos bons tempos, tomava três. Volto para a Vieira de Carvalho, Largo do Arouche outro que era lindo. Lembro das massas do Gato que Ri, das batidas na calçada no boteco Pingão. Sigo pela Rua Aurora entro numa loja de artigos antigos, vejo capas de LPs do Ray Coniff, Cely Campello e, às vezes compro, um gibi do Cavaleiro Negro ou do Roy Roger.

 


Vou até o Bar Léo na mesma rua, saio do regime e peço um bife a parmigiana, Sigo até a Estação Júlio Prestes pego o “nosso” trem e volto para a nossa Osasco — deixando para trás a saudade dos meus passeios no centro de São Paulo.

 

Vadir Morelo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Lucas Foster diz como você pode ser mais criativo e a sua empresa, também

 

“A criatividade é fundamental para gerar competitividade e um ambiente criativo precisa de liberdade, diversidade e conectividade. Se você construir este ambiente dentro das suas empresas com certeza você vai se preparar para o futuro dos negócios e para o mundo da inovação” Lucas Foster, LabCriativo

Muitas empresas estão revendo sua cultura e mudando seus líderes em busca da construção de ambientes que incentivem a criatividade. Para o psicólogo e consultor Lucas Foster essa transformação se faz necessária e é parte da estratégia do negócio. Ele foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN:

“O CEO precisa ter uma visão estratégica sobre inovação, sobre competitividade, e ele precisa entender que para sobreviver no século 21, para fazer a transição de uma economia industrial para uma encomia digital, ele precisa abraçar a cultura de incentivo à criatividade”

Foster está à frente do LabCriativo que é uma empresa de mídia e educação com foco em criatividade, inovação, economia criativa e liderança. Ele também organiza o Prêmio Brasil Criativo, que está em sua terceira edição e reconhece ações inovadoras do empreendedorismo. O Dia Mundial da Criatividade é comemorado em 21 de abril quando é formada uma rede de cidades que se comprometem a desenvolver programações que incentivem a criatividade.

“Então, ser criativo nada mais é do que se permitir criar, imaginar, sonhar e com isso encantar as pessoas, e ter energia interna para seguir em frente acreditando em si próprio e no futuro”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas, pelo Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Gabriela Varella, Clara Marques, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: a história da pasta de dente que quis virar lasanha e os cuidados ao investir na extensão da marca

 

 

“Extensão de marcas é só para quem já está maduro e para quem enxerga o que sua marca tem de único para levar às outras categorias de produto” —- Jaime Troiano

A possibilidade de levar uma marca de sucesso para outras linhas de produtos é uma enorme oportunidade para as empresas — e muitas já desenvolveram projetos nesse sentido com resultados incríveis. No entanto, há riscos que devem ser levados em consideração antes de investir tempo e dinheiro nessa ideia. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram sobre extensão de marca, com Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

 

Se levarmos em consideração que a maior parte das marcas que conhecemos hoje foi criada no século passado, portanto já estão amadurecidas, faz todo o sentido planejar o uso desse ativo em outras linhas de produto, diz Cecília Russo. Porém, devem ser levado em consideração alguns fatores que são determinantes para o sucesso da ação, como lembra Jaime Troiano:

“Quando você quiser estender a marca, pense o que é que ela é, o que tem de único, que está no coração desta marca, que a representa mais do que tudo”.

Um bom exemplo foi o que a Dove desenvolveu ao identificar que a marca de seu produto original era o de um sabonete que hidrata a pele. Assim, decidiu-se lançar uma diversidade de produtos, mas todos relacionados a ideia de hidratação.

 

A Colgate, por sua vez, experimentou os dois lados da moeda. Com o sucesso de sua pasta de dente, estendeu sua marca a uma série de produtos de higiene bucal. Porém, errou feio quando associou o nome a uma lasanha, lançada na Itália.

 

A Bic que soube muito bem levar a ideia de produto descartável das canetas para linhas de isqueiro, entre outros segmentos, deu-se muito mal quando produziu calcinhas femininas descartáveis.Algumas regras básicas para quem planeja estender sua marca, segundo Jaime Troiano e Cecília Russo:

 

  1. Entenda o que sua marca tem de único
  2. Não negue a essência da marca-mãe
  3. Evite a arrogância corporativa
  4. Não fique refém de suas crenças
  5. Ouça seu consumidor

Conte Sua História de São Paulo: o autógrafo do Adoniran Barbosa

 


Jairo Marra
Ouvinte da CBN

 

 

No dia 24 de julho de 1978, fui ao antigo prédio do Estadão, na Rua Major Quedinho, ali na República, onde funcionava a Rádio Eldorado, para retirar o disco de chorinho do Carlos Poyares, gravado pelo Estúdio Eldorado, que funcionava no mesmo endereço. O LP ou o “long play” não estava ainda sendo comercializado nas lojas e era vendido diretamente pelo Estúdio, onde deveria ser retirado.

 

Pois bem, nesse feliz dia, encontrei o Adoniran —- sim, o Adoniran Barbosa —- sentado em uma poltrona na sala de espera que havia no estúdio. Bem vestido, usava gravata borboleta e segurava o seu inseparável chapéu — se não me falha memória.

 

Quando me entregaram o LP dentro de um envelope grande, branco, não tive dúvida e pedi o autógrafo do autor de Samba do Arnesto que guardo até hoje, com os dizeres: “

 

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Jairo Marra foi personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Breno Paquelet ensina estratégias para negociar melhorias nas condições de trabalho

 

“Para avaliar o seu possível aumento é preciso analisar três aspectos principais: primeiro, merecimento; segundo, viabilidade; e, terceiro, e aí sim, convencimento dos tomadores de decisão” Breno Paquelet, consultor de negociação.

Sabe aquele reajuste de salário que você tem certeza que merece, mas morre de medo de pedir ao seu chefe? É possível abordá-lo para tratar do assunto sem causar constrangimento. E, claro, esteja preparado para ouvir um não. Breno Paquelet, consultor de negociação, falou do tema em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo. Ele alertou para o fato de que mesmo em um caso de negativa de aumento, o profissional pode tirar alguma vantagem dessa conversa:

“Uma derrota ou um fim em si mesmo, ali na negociação, é quando um não é seco e você não consegue extrair nada dele. Se um não vem com o seu entendimento de um compromisso que você precisa assumir, resultados que você deveria demonstrar, você aprende muito mais e pode voltar para uma segunda conversa uma segunda rodada com um entendimento muito melhor que você precisa fazer para você viabilizar o seu aumento”.

Paquelet é autor do livro “Pare de ganhar mal —- manual de negociação para aumentar seu salário e sua qualidade de vida” (Editora Sextante). Ele ressalta que a negociação precisa levar em consideração não apenas um reajuste salarial, porque esse nem sempre é possível, mas a possibilidade de se obter algum outro benefício ou vantagem que impacte na melhoria das condições de trabalho, na infraestrutura oferecida pela empresa ou na qualidade de vida.

 

Uma das sugestões do consultor é que antes de iniciar o processo de negociação, o profissional analise sua performance, identifique suas fortalezas e fragilidades:

“Quanto mais honesta for a sua auto-análise, mais chances de a sua estratégia ser bem sucedida, se você negar os seus problemas, negar a realidade você terá uma visão totalmente distorcida do que pode obter e com certeza vai ser uma estratégia furada”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, pelo Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Gabriela Varela, Rafael Furugen, Clara Marques e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: paraíso de muito amor!

 

Por Célio Conrado Rodrigues
Ouvinte CBN

Texto publicado no livro “O Poema que não escrevi”

 

 

 
Mais uma vez,
do jeito que eu sei,
quero só agradecer
pelo abraço sincero
que eu e milhões talvez,
na aurora de nossas vidas…
recebemos de você.

 

Mais uma vez,
tal como um filho adotivo,
trago mil motivos no peito,
para externar todo o meu respeito
a essa mãe tão linda
que um dia,
sem perguntar porque,
estendeu a sua mão
e nos fez feliz prá valer.

 

 
Obrigado, minha São Paulo,
tudo o que falo é pouco
para mostrar com palavras,
minha gratidão tão cara,
por tudo que temos,
por tudo que somos…
nesse paraíso de bem querer.

 

 
Obrigado, São Paulo…
você é mais, você é dez.
uma mistura tão bonita,
um coração tão forte,
o norte de nossas vidas
e no silêncio de sua bondade…
nos mostrou a realidade da vida.

 

 
Muitas vezes você sofre,
sujam e emporcalham as suas ruas,
suas águas, prédios e praças
e você acima do bem e do mal,
tal como a própria vida,
suporta tudo calada…
na esperança que o amanhã será melhor.

 

 
Obrigado, São Paulo…
por ontem, por hoje e sempre,
pela diversidade possível,
por tudo que sonhamos,
pelas tantas oportunidades,
pela sua eterna bondade…
nesse paraíso de muito amor!
 

 

 
Célio Conrado Rodrigues é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Venha contar mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
 
 

O microfone merece respeito

 

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O diabo sabe mais por velho do que por diabo —- o ditado que ouvi muitas vezes de meu pai, uso sem parcimônia, especialmente nesses tempos em que os colegas de redação já têm idade para serem meus filhos e a turma, às vezes, fica a espera de uma palavra mais madura e experiente —- o que não significa que seja apropriada. Mesmo que eu me entenda ainda como um jovem, disposto a novidades e desafios, sei da responsabilidade que é conviver com duas ou três gerações que vieram depois de mim.

 

O passar dos anos nos ensina nem que seja pela dor. Cometemos erros, tomamos puxão de orelha e passamos constrangimento; mas tudo isso pode ser pedagógico, se soubermos observar as situações enfrentadas e nos esforçarmos para mudar de comportamento.

 

Lembro de duas situações constrangedoras que vivenciei na apresentação de programas de rádio que me serviram de lição, as duas quando estive à frente do CBN São Paulo.

 

A primeira foi em 2007, durante entrevista com autoridade municipal que insistia em negar os fatos e os números que revelavam a precariedade do serviço prestado pela cidade. Fiquei incomodado com as respostas e fui agressivo nas perguntas. Perdi o controle da entrevista, bati boca com o entrevistado e fui punido pela crítica implacável da maior parte dos ouvintes.

 

Anos depois, estava diante de candidato ao governo de São Paulo, representante de um partido sem noção nem argumentos. Fiz perguntas que entendi pertinentes, que buscavam esclarecer as críticas que o político fazia a seus adversários e escancarar a sua falta de lógica e conhecimento. Mesmo que insistindo em algumas questões, jamais levantei a voz ou me excedi. Minha postura tirou o candidato do sério. Sentido-se acuado, reagiu como um animal: partiu para o ataque; levantou-se da cadeira; apontou o dedo em minha direção; ofendeu-me e, acredito até hoje, não foi às vias de fato porque me mantive impassível, sereno e sentado. A maior parte das mensagens que chegou a rádio foi de solidariedade e apoio a minha postura.

 

Na marra. Fazendo. Errando. Corrigindo. Pedindo desculpas. Eu aprendi. E das muitas coisas que aprendi uma delas é que na posição de jornalista —- especialmente diante de um microfone, em que nossa voz, opinião e comportamento são transmitidos em tempo real —- temos responsabilidade dobrada.

 

É preciso respeito ao entrevistado, sem ser subserviente; é preciso ser firme na busca da verdade, sem ser violento; temos obrigação de questionar, duvidar e cobrar; e quanto mais argumentos, dados e fatos tivermos em mãos, para contrapor, melhor. Gritar e ofender, jamais —- mesmo que seu entrevistado haja desta maneira. Se errar, peça desculpas. Seja humilde. Humildade não é vergonha, é virtude.

 

Entrevista não é boxe. É xadrez. Pede inteligência, sensibilidade e perspicácia. Jamais força e estupidez. Não tem lugar para a arrogância. É preciso senso de justiça, também. Deixar a entrevista encerrar para proferir uma crítica ao entrevistado é desonesto. Ele tem de ter o direito ao contraditório. Toda vez que criticar algo ou alguém, meça o peso de sua palavra e seja sincero, bem sincero, consigo mesmo: você teria coragem de fazer aquela crítica se estivesse diante da pessoa? Se não, não a faça longe dela. É covardia.

 

O microfone merece respeito. Porque é através dele que nos relacionamos com o cidadão — seja um entrevistado seja um colega seja um ouvinte. Respeitar o microfone é respeitar seu público e sua profissão.

 

Tem gente que nem por velho nem por diabo aprende a lição.