Avalanche Tricolor: o Gre-nal é mesmo um jogo único

Grêmio 1×1 Inter

Brasileiro — Arena Grêmio

Mais um gol de Pepê, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Um gol para cada um.

Cada um com um gol de goleador.

Uma expulsão para cada lado.

E um só ponto na tabela.

 

O Gre-nal é mesmo um jogo único. 

Tanto faz quem tá melhor na temporada. 

 

Se Gaúcho ou Brasileiro.

Se Copa do Brasil ou Libertadores.

Se no Humaitá ou na várzea.

 

Gre-nal é …. bem, você sabe o quê.

Sempre vai ter um gol de Pepê.

 

Pra fechar esta Avalanche,

Mesmo sem a alegria de uma vitória:

tem mais dois “uns” para entrar na história.

 

Verdade, saímos de campo sem vencer,

Mas já faz 11 clássicos

Que o Grêmio de Renato 

Não sabe o que é perder.

Avalanche Tricolor: prazer, Antônio Josenildo Rodrigues de Olivera do Grêmio!

Grêmio 2×0 Universidad Católica

Libertadores — Arena Grêmio

A festa de Rodrigues na foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

A notícia de que Geromel e Kannemann foram abatidos pela Covid-19 ecoou nas arquibancadas vazias da Arena do Grêmio e fez correr um frio na espinha do torcedor, momentos antes de a partida pela Libertadores se iniciar. Nós sabemos o que essa dupla representa no futebol sul-americano — no do Sul, então, nem se fala. Tricolores, incrédulos e crentes, olharam para o céu a se perguntar: o que acontece com o meu time? Os resultados não saem como gostaríamos (sim, nesta hora ninguém, lembra da vitória no Gre-nal), o futebol não rola a bola com o talento que conhecemos, jogadores importantes se lesionam e quando mais precisamos da nossa dupla imbatível vem esta peste fazer com nossos zagueiros o que os adversários não foram capazes.

Renato —- que conhece o grupo como ninguém —- apostou na dupla Rodrigues e David Braz para substituir os insubstituíveis. Braz é experiente, conhece os atalhos no campo, e leva o jogo na conversa. Apesar de nem sempre estar no lugar que gostaríamos quando a bola é cruzada na nossa área, gosto de vê-lo comemorando com os punhos cerrados sempre que a despacha para longe de nosso gol. Rodrigues é uma incógnita. Ou era. Foi elevado ao time titular em maio do ano passado, no Campeonato Brasileiro, em situação de emergência. Recomendação que ouviu do técnico: joga simples. 

Há duas semanas, Rodrigues e Braz tinham feito uma atuação desastrada na derrota para o Universidad Católica, em Santiago do Chile. Braz saiu jogando no lugar de Kannemann e foi expulso; Rodrigues substituiu Geromel, que se lesionou durante a partida, e os dois gols do adversário passaram por ele. Assim que a escalação foi confirmada com a dupla de zagueiros, tive a impressão de ter visto os corneteiros de plantão afinarem seus instrumentos, prontos para fazê-los soar alto e forte.

Foi nesse clima que entramos na Arena para a partida decisiva na temporada —- isso mesmo, da temporada, não apenas na Libertadores. Nossos jogadores davam sinais de que desconfiavam de sua força e revelavam o sofrimento pela pressão dos desempenhos anteriores. Por mais que o DJ elevasse o som da torcida, a bola queimava no pé de cada um deles. Quando era cruzada na nossa área, contávamos mais com a sorte do que com o juízo. 

Antes de o intervalo chegar, equilibramos o jogo; mas foi no vestiário que Renato ajustou as peças e convenceu a equipe de que em campo a nossa imortalidade tem de falar mais alto. Em dois minutos uma movimentação pela direita de Orejuela, Alisson e Robinho fez a bola chegar pelo alto para Diego Souza desviar e deixar Pepê em condições de marcar. Gol de Pepê, o Menino Maluquinho do Grêmio.

Maluquice mesmo foi o que vimos mais à frente.

O zagueiro que estreou no Grêmio com a recomendação ‘faça simples’ desembestou e complicou a vida do adversário. Na primeira arrancada, ergueu a cabeça, passou para Pepê e foi completar a jogada dentro da área — o goleiro defendeu. Na segunda, aos 17 minutos do segundo tempo, novamente foi ele quem levou o time ao contra-ataque, passou para Alisson, que deu uma meia-lua de cinema no defensor e entregou de bandeja para o nosso zagueiro concluir em gol. Gol de Rodrigues, o Tonhão do Grêmio.

Antônio Josenildo Rodrigues de Oliveira nasceu em Arez, no Rio Grande do Norte. Grandalhão, logo ganhou o apelido de todos os Antônios de estatura alta: Tonhão. E como Tonhão chegou ao Grêmio, em 2017, disposto a escrever sua própria história. Para escapar do estigma de zagueiro grosso e sem talento, assumiu o sobrenome da mãe e deu uma incrementada: incluiu o Z no final de Rodriguez, quase tão espanhol quanto Kannemann, apesar de ser fã mesmo de Geromel.

Da mesma forma que buscava o melhor nome para ser considerado, se esforçava em campo para se manter entre os profissionais. Desde que estreou sempre foi visto com ressalvas pelo torcedor.  Tinha muito mais cara de Tonhão do que de Rodrigues —- já com o S recuperado em mais uma tentativa de ser protagonista em campo.  

A poucos dias de completar 23 anos —- nasceu em 10 de outubro de 1997 —, Tonhão, ou melhor Rodriguez, digo Rodrigues, colocou o seu nome na privilegiada lista de jogadores que marcaram gols em Libertadores com a camisa do Grêmio — e sem medo do azar, vestindo a camisa 13 (da qual sou um admirador em particular).

Foi o primeiro dele desde que chegou aos profissionais. E não poderia ter sido mais importante. Porque o gol de Tonhão, ops, Rodrigues, colocou o Grêmio na próxima fase da Libertadores tanto quanto mostrou a resiliência de Renato e sua equipe. Um grupo capaz de superar as adversidades, driblar seus limites, aguentar firme as cornetas e se mostrar forte no momento em que mais precisamos na competição. 

Rodrigues é a cara do Grêmio!

Avalanche Tricolor: Fora Renato!

Inter 0x1 Grêmio

Libertadores — Beira Rio, Porto Alegre/RS

Renato cumprimenta Pepê Foto: LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vai Renato! 

Vai embora! 

Vai comemorar mais esta conquista na tua história. 

Dez Grenais sem perder não é para qualquer um.

 

Vai festejar com os amigos.

Vai abraçar teus pupilos.

Vai pro abraço porque tu és o cara.

Vai montar bem um time assim lá pras bandas do Humaitá.

 

Vai pra praia jogar futevôlei.

Vai pra rede se deitar.

Vai descansar pra preguiçar passar. 

(eles não te chamam de preguiçoso?!?)

 

Vai Renato!

Vai embora

Porque tá perdendo a graça jogar Gre-nal.

 

Vai tirar onda dos que te criticaram.

Vai ver a turma engolindo o que disse.

Vai rir da cara dos que gritaram: 

Fora Renato!

 

Vai, vai ser Renato para sempre no coração de quem é tricolor.

Avalanche Tricolor: Renato é Trilegal

 

Grêmio 1(3)x(2)2 Caxias

Gaúcho — Arena Grêmio

 

Pôster Grêmio Tricampeão Gaúcho publicado pelo site GaúchaZH

 

Desde 2016, o Grêmio reserva ao menos uma data no calendário anual para comemorar um título. Naquele ano, vencemos a Copa do Brasil —- após 15 edições —-, que nos abriu a porta para o título de Libertadores, em 2017. Em 2018, 2019 e, agora, 2020, fomos campeões Gaúcho. No meio do caminho, colocamos na sala de troféus: Recopa Sul-Americana, Recopa Gaúcha e outras cositas más

 

Houve jogadores marcantes nestes cinco anos; gente que ressurgiu no cenário nacional como Geromel, dos maiores zagueiros que já vestiram a camisa gremista; que fez seu futebol se expressar pela liderança e talento, como Maicon — o capitão que ergueu todas essas taças dos últimos anos; ou que se consagrou e foi embora, como Luan, o Rei da América. E, recentemente, Everton.

 

Por mais importante que cada um seja (ou tenha sido) — e toda minha gratidão a eles —- foi o conjunto da obra, assinada por Renato Portaluppi, quem nos permitiu transformar títulos em rotina. Hoje mesmo se transformou no primeiro técnico, desde o feito de Oswaldo Rolla, em 1958, a conquistar o tricampeonato gaúcho. 

 

Costumam dizer que Renato tem estrela. Concordo que ele deixa tudo mais estrelado por onde passa. Discordo, porém, quando neste conceito vem embutida a ideia de sorte. Renato não é um cara de sorte. É inteligente da sua maneira. Sabe como poucos transformar pessoas. E o faz ao ser capaz de criar um espírito de grupo que está sempre disposto a agregar novos talentos e a abraçar jogadores que chegam com o desejo de provar suas qualidades.

 

A sequência de títulos chegou com Renato —- e isso não é uma coincidência. É resultado do amadurecimento que teve na vida. De como estudou —- apesar dele dizer que não precisa disso — a dinâmica do futebol contemporâneo e soube levar para campo. Da competência em entender a cabeça de jogadores e de ganhar a admiração dos torcedores. 

 

Depois de ter conquistado o Tri da Liberadores. Agora é Tri do Gaúcho. Renato, indiscutivelmente, é Trilegal!

Avalanche Tricolor: os “pitucas” do Renato estão batendo um bolão

 

Santos 0x3 Grêmio
Brasileiro — Vila Belmiro/SP

 

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Everton, Matheus e Luan foram destaques, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Passei a semana ouvindo que o adversário do Grêmio, na noite de sábado, não teria um dos seus principais jogadores do meio de campo, Pituca. Estaria lesionado, é o que relatavam os repórteres esportivos. Confesso que nunca havia ouvido falar dele. E não é menosprezo, é desatenção mesmo. Com tanta coisa para cuidar no dia a dia, acabo deixando de lado o interesse pela escalação dos adversários. Reconheço um craque de cada time ou o jogador mais expressivo, mas não peça para escalá-los ou comentar o desempenho deles individualmente —- talvez esteja aí uma boa explicação para meu pífio desempenho na Liga Hora de Expediente CBN, do Cartola FC.

 

Do time da Vila sei que vem há algum tempo disputando a ponta da tabela, tem um técnico gringo, inteligente e agitado, uma turma boa de bola e habilidosa, e um ou outro camarada que já passou lá pelo Rio Grande. Sei, também, que não costuma perder jogos dentro de casa. Mas não sabia que tinha um jogador chamado Pituca e a ausência dele poderia prejudicar o desempenho da equipe. Disseram-me que era quem botava a bola embaixo do braço e acionava o ataque veloz e talentoso, com sua ótima visão de jogo. Fui pesquisar e descobri que o volante já jogou Libertadores, marcou 19 gols na carreira e está com 27 anos —- além de, coincidentemente, fazer aniversário no mesmo dia que eu.

 

Assim que os times entraram em campo e a televisão confirmou a escalação das duas equipes, levei um susto: Pituca estava entre os titulares. Se já era difícil fazer três pontos em um time que diante de sua torcida é imbatível, imagine fazer em um time que diante de sua torcida é imbatível e tem o Pituca escalado? Temi pelo pior.

 

O frio e a chuva na Baixada santista somados a intensidade de jogo do adversário nos primeiros 25, 30 minutos também não facilitavam as coisas para o nosso lado. E a gente mal conseguia ficar com a bola no pé. A se destacar, a boa perfomance de Paulo Victor e uma defesa firme que conseguia nos safar de algumas boas investidas de Pituca e sua turma. Houve momentos de talento individual, também: a janelinha de Everton e o chapéu de Alisson, foram dois deles, que a TV e as redes sociais não se cansam de repetir.

 

Somente no fim do primeiro tempo redescobrimos nossa capacidade de chegar ao gol adversário. O fizemos por duas vezes com perigo, mas sem sucesso. Eram apenas ensaios do que viria a acontecer no segundo tempo.

 

Do vestiário, as palavras mágicas de Renato fizeram efeito sobre seus “pitucas”, ops, seus pupilos. A bola passou a ser passada de pé em pé, como estamos acostumados; Matheus Henrique tomou conta do meio de campo e distribuiu o jogo para lá e para cá; Luan encontrou seu espaço mais próximo da área, e Everton …. bem, Everton seguiu sendo Everton.

 

Aos nove minutos, Luan marcou nosso primeiro gol (e a grande notícia da noite foi perceber que ele está em fase de recuperação de seu talento); aos 41, Pepê completou um passe incrível de Matheus Henrique (nosso jovem atacante dá sinais de que recupera a confiança); e aos 47, Everton fechou o placar (bem, esse dispensa comentários extras).

 

Alcançamos um resultado que, dizem as estatísticas, jamais havíamos conquistado na Vila; seguimos em viés de alta  na tabela de classificação (mesmo tendo desdenhado de parte do Brasileiro); o time se reinventa diante das ausências de jogadores importantes do elenco como Geromel, Leonardo Gomes, Maicon e Jean Pyerre; sem falar nos “pitucas” do Renato que estão jogando um bolão.

Avalanche Tricolor: erga-se a estátua

 

Juventude 0x6 Grêmio
Gaúcho — Alfredo Jaconi, Caxias do Sul/RS

 

 

Teve gol de peito, de falta, de cobertura, de carrinho e até gol de Marcelo Oliveira —- aliás, foi dele o gol que abriu a goleada nesta tarde, no estádio Alfredo Jaconi, na primeira partida das quartas-de-final do Campeonato Gaúcho. Gol que surgiu depois de o adversário ter um de seus defensores expulso por jogada violenta, em uma tentativa desesperada do marcador de impedir mais uma chegada com velocidade pelo lado esquerdo. A expulsão foi aos 18 minutos do primeiro tempo e o primeiro gol foi sete minutos depois.

 

Daí para frente, o Grêmio tocou bola com qualidade, superando até mesmo as irregularidades do gramado. Seus jogadores trocavam de posição, apareciam para receber, recebiam e davam sequência à jogada — às vezes com mais um bom passe e em outras com um ou dois dribles. Assim como a superioridade numérica em campo fazia sobrar espaço de um lado e de outro, a superioridade técnica fazia sobrar talento.

 

O desavisado haverá de desmerecer o placar elástico dizendo que contra 10 é mais fácil. É mesmo. Bem mais fácil, especialmente se o seu time souber jogar com a bola. Mas essa facilidade só se torna possível porque o Grêmio provoca as expulsões —- e não é de hoje nem com violência. Lembro de já ter tratado do assunto na Libertadores, de 2017, e no Gaúcho, de 2018, nesta mesma Avalanche.

 

A velocidade das jogadas, a forma como o time se movimenta em campo, a quantidade de passes trocados e a precisão desses passes faz com que os espaços se abram. Por mais esforçado que seja o adversário é preciso correr mais, dobrar a marcação e ser muito cirúrgico na roubada de bola —- escrevi há cerca de um ano e mantenho minhas palavras. Na ânsia de retomar a bola e parar de correr atrás do nosso time, o marcador erra no bote e na batida. Cartão vermelho. E surge mais espaço para o Grêmio esbanjar qualidade técnica.

 

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O sorriso no rosto de quem gosta de jogar bola, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Esse Grêmio que fazia o olho brilhar, em 2016, nos fez ser o maior da América, em 2017, e teve seu futebol reverenciado, em 2018, é o Grêmio que tem a assinatura de Renato —- um técnico com a capacidade de levar para o vestiário o espírito vitorioso que o acompanhou na carreira de jogador.

 

Mais do que isso: um cara que, a despeito de suas frases de efeito e provocações verbais, entendeu a importância de estudar as mais modernas táticas do futebol, analisou cuidadosamente as estratégias usadas pelos times de melhor desempenho no mundo, montou uma comissão técnica capaz de identificar jogadores com potencial e que se encaixavam na sua ideia de futebol e, com tudo isso em mãos, agregou seu carisma e identificação com o torcedor gremista.

 

Como jogador nos deu os maiores títulos que sonhamos: a Libertadores e o Mundial, de 1983; além de ter sido campeão Gaúcho, em 1985 e 1986. Como técnico praticamente repetiu a dose: campeão da Copa do Brasil, em 2016; campeão da Libertadores e vice do Mundo, em 2017; da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Gaúcho, em 2018; e da Recopa Gaúcha, em 2019.

 

Mais do que todos os títulos que conquistou —- mas também graças a eles —-, Renato quando voltar para a praia no Rio de Janeiro terá deixado um legado na maneira de o Grêmio jogar bola.

 

Acabou a era do brutamonte que tanto nos fez vibrar, chorar e sofrer —- e nada contra aquelas batalhas campais, pois sei que foram elas que forjaram nossas conquistas históricas. Sei também que não fugiremos à luta se assim for necessário no amanhã para alcançarmos novas vitórias.

 

Renato deixou para trás os tempos em que se despachava a bola pra qualquer lado porque não se sabia bem o que fazer com ela; em que se deixava os adversários jogarem, torcendo para que em uma bobeada deles fizéssemos o gol salvador; em que o gol era apenas um detalhe na nossa trajetória.

 

O Grêmio de Renato nos ensinou a gostar do jogo bem jogado, a se deslumbrar com o talento, a não ter medo do drible e a valorizar a técnica em detrimento a brutalidade.

 

O Renato do Grêmio nos ensinou a sorrir — e a sorrir com o mesmo sorriso que estará estampado em seu rosto, na estátua que será erguida nesta segunda-feira, dia 25 de março, na Esplanada da Arena.

 

Ali, pertinho de onde conquistamos nossos últimos títulos, sob o comando de Renato, estará a imagem de nosso atacante, em bronze e com quatro metros de altura, no momento em que ele comemorava um dos gols do Mundial de 1983. Uma homenagem ao maior nome que já passou pelo Grêmio. Para lembrar a cada um de nós, gremistas, porque somos o Imortal Tricolor.

 

O Renato merece essa estátua. O Grêmio merece Renato.

Avalanche Tricolor: a escolinha do professor Renato

 

 

Grêmio 3×0 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Renato abraça o pupilo Darlan em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

A imagem de Renato em sala de aula chamou atenção dos jornalistas há algumas semanas. Obrigado a participar de curso promovido pela CBF para ter direito a treinar uma equipe na primeira divisão do futebol brasileiro, Renato foi considerado exemplar pelos colegas de turma. Participativo, colaborador e de bem com a vida. Foi como descreveram nosso treinador, que teve de assistir às aulas já com a temporada rolando porque se negou a interromper suas merecidas férias no fim de dezembro. No que tem todo meu apoio — férias são uma instituição a ser respeitada.

 

Pelo histórico recente, Renato estava “jogando” em posição trocada. Em lugar de sentado na carteira dos alunos, deveria ter ocupado a mesa de professor, desenhando na lousa as estratégias e técnicas que aplicou no Grêmio desde que retornou ao clube, em 2016. Um conhecimento que o levou a conquistar a Libertadores, a Recopa Sulamericana, a Copa do Brasil e o Campeonato Gaúcho.

 

Mais do que os próprios títulos —- mas talvez apenas por tê-los conquistado —-, nestes quase 30 meses em que está no comando gremista, Renato deu aula de sabedoria. Soube recuperar a autoestima de alguns jogadores, trouxe de volta a categoria que outros tinham esquecido e foi paciente com os mais jovens. Contrariou o pedido de torcedores que gostariam de ver alguns talentos recém-surgidos já entre os titulares. Puxou a orelha do garoto ansioso tanto quanto do craque consagrado. E o fez com cátedra —- como dizem os mais antigos.

 

O jogo bem jogado do time titular — com toque de bola em velocidade, passes precisos, troca de posição intensa, marcação sobre pressão e forte competitividade — contaminou o clube como um todo. Quem entra na equipe, segue a mesma apostila. Se muda toda a equipe, todos se esforçam para reproduzir o mesmo modelo. Na base, os guris entenderam o recado e fazem a lição de casa. Na escolinha do professor Renato, todos têm de ter na ponta da língua os conceitos que fazem o futebol um espetáculo a ser assistido.

 

Um bom exemplo foi o que vimos nesta noite de sábado, na Arena, quando Renato escalou o time alternativo, já que na terça-feira temos mais um desafio pela Libertadores. Que prazer estar na plateia diante de um equipe que é capaz de encantar desde o primeiro minuto, mesmo que este time não seja o que consideramos titular.

 

O primeiro gol, aos 28 minutos de partida, é de dar orgulho a qualquer pai de aluno. Juninho Capixaba e André tabelaram pela esquerda. Nosso atacante deu um passe perfeito, completado pelo corta-luz de Jean Pyerre, que deixou Montoya em condições de abrir o placar.

 

A gente ainda curtia a beleza do gol inicial quando, dois minutos depois, André —- mais uma vez ele —- deixou seus dois marcadores sem ação ao passar de calcanhar para Pepê. O guri, com cacoete de goleador, encobriu o goleiro adversário. Nota dez.

 

Para completar a goleada, aos 31 do segundo tempo, Diego Tardelli, recém-chegado, foi hábil ao deixar a bola passar para André, que enxergou Pepê entre os zagueiros, que matou no peito, livrou-se da marcação e cruzou em direção ao gol. André —- ele estava merecendo deixar sua marca —- completou para as redes.

 

Descrevo os três gols porque mostram de maneira mais expressiva os ensinamentos de Renato. Poderia, porém, lembrar de outros momentos, como a condução de bola de Matheus Henrique, 21 anos, a personalidade de Darlan, 20 anos, que está aparecendo somente agora na equipe, e a forma como Thaciano, 23 anos, se impõe no meio de campo. Todos alunos exemplares.

 

Com a bola no pé, Renato foi mestre. Pensando futebol, é Ph.D.

Avalanche Tricolor: Renato é a cara do Grêmio

 

 

Brasil PEL (0) 0 x 3 (4) Grêmio
Gaúcho – Estádio Bento Freitas/Pelotas-RS

 

 

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Renato é a cara do Grêmio. O Grêmio é a cara de Renato.

 

Mistura inspiração e transpiração. Luta pela vitória com a garra que se espera dele. Trata a bola com a generosidade que ela merece. É debochado quando necessário. Paciente para decidir. E definito quando precisa.

 

Renato fez isso enquanto esteve em campo. E nos deu os maiores títulos que poderíamos almejar na nossa história. Lutava bravamente contra seus marcadores. Tinha coragem para enfrentar a violência dos que tentavam lhe parar. Da mesma forma, partia para cima deles e os driblava sem perdão.

 

Como técnico, o tempo lhe deu lições. Sua coragem, o fez persistente. Sua audácia, permitiu que novos valores surgissem e jogadores desacreditados se tornassem gigantes. Sua inteligência, reuniu todos esses fatores e nos fez campeões.

 

Houve quem duvidasse da sua capacidade de devolver ao Grêmio a hegemonia estadual diante da decisão no início da temporada de preservar o grupo principal – acertada decisão diante dos desafios de 2018. Falou-se inconsequentemente em rebaixamento e os menos atrevidos, em desclassificação. Renato apostava: decidam as outras sete vagas, uma é do Grêmio.

 

Foi do Grêmio, como apostou Renato, e com a classificação encarrilhou uma goleada atrás da outra. Chegou ao segundo jogo de toda a etapa final com a vaga seguinte praticamente garantida.

 

Nesta final, foi cruel com o Brasil: 7 x 0 no placar agregado. Fora o show.

 

O Gaúcho, conquistado nessa tarde de domingo, faz parte de um ciclo de ouro que se iniciou com o retorno dele ao clube.

 

Devolveu a Copa do Brasil ao Grêmio 15 anos depois. Nos trouxe de volta a Libertadores e a Recopa Sul-Americana após 22 anos. E agora o Gaúcho que há oito não conquistávamos.

 

O Grêmio é a cara de Renato. Renato é a cara do Grêmio.

 

E é no Grêmio que ele decidiu ficar. Obrigado, Renato!

 

Avalanche Tricolor: de volta às origens

 

Grêmio 1×1 Avenida
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Arthur comemora mais um gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O último título não faz muito tempo: foi a Recopa Sul-Americana, há pouco mais de um mês. Resultado da mais importante conquista que alcançamos neste século: a Libertadores, vencida em novembro de 2017. Um ano antes já havíamos levantado a Copa do Brasil, pela quinta vez na história. Teve ainda o vice-campeonato Mundial, em dezembro do ano passado.

 

O círculo virtuoso que estamos experimentando desde 2016 nos leva de volta às origens quando nos credencia a disputar a final do Campeonato Gaúcho, que se inicia na Páscoa.

 

Verdade que, pela dimensão alcançada pelo Grêmio, estar na final de uma competição estadual não é mais do que sua obrigação. Sabemos, porém, que a necessidade de atender compromissos maiores nos fez deixar o Gaúcho em segundo plano nos últimos tempos.

 

Mesmo neste ano, iniciamos a competição com um time bastante jovem que pagou muito mais caro do que merecia diante da falta de experiência e entrosamento. Um fato que nos impôs desafio ainda maior para chegarmos onde chegamos.

 

Sempre bom refrescar a memória do leitor, especialmente aquele que pregou o desespero. Lembra que você falou em rebaixamento – isso mesmo, Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho? Ou quando você, menos exagerado, não apostou um tostão furado na nossa classificação?

 

Pois é, entramos em sexto lugar, despachamos o co-irmão, resolvemos a fatura ainda no primeiro jogo da semi-final e agora estamos prontos para disputar o título.

 

Aliás, disputar mais um título (que se dê a devida ênfase a esta frase) …

 

Há algum tempo, Renato chegou a dizer que havíamos formando um grupo que não tinha medo de vencer. Ontem à noite, diagnosticou o Grêmio com uma doença “saudável”: estamos viciados em ganhar.

 

E por louco que somos em ganhar é que nosso treinador dedicará todo seu esforço e do grupo para levantar este caneco que, como escrevi, marcará o retorno às nossas origens.

 

Foi no Rio Grande que iniciamos nossa trajetória.
Nos campos gaudérios, fizemos história.
No nosso rincão, forjamos esta personalidade guerreira.

 

Que seja o Gauchão nosso próximo título!

Avalanche Tricolor: com Renato, vamos acabar com o Planeta!

 

 

Direto de Abu Dhabi

 

 

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Chegou o dia … finalmente chegou o dia. Aqui já é sábado, 16 de dezembro. A ansiedade é tanta que o dia de decisão começa antes. Já é madrugada quando publico esta Avalanche. Já é dia de “acabar com o Planeta”, lema que nos embalou durante a Libertadores e nos segue no Mundial.

 

 

E não se fala em outra coisa aqui em Abu Dhabi. Depois de acabar com as Américas – afinal somos os campeões das Américas, vencemos a Libertadores e despachamos o Pachuca, do México, na semifinal do Mundial – chegou a hora de acabar com o Planeta.

 

 

E quando digo que não se fala em outra coisa é porque não tem um canto sagrado desta terra – e eu fui a alguns -, não tem um grão de areia deste deserto que não esteja tomado de azul, preto e branco. Sei lá quantos gremistas estão por aqui, mas a turma é no mínimo vistosa. Nossas camisas estão em todos os espaços e são de todos os modelos. Tem tricolor, tem azul claro, azul escuro, tem preta. Tem retrô, tem histórica, tem sem número nas costas, com nome de craques do passado, tem as mais novas e as bem velhas. Tem de todo tipo e todos com o Grêmio na altura do coração.

 

 

Tem muita camisa 7 – e Luan que me desculpe – mas com o 7 de Renato, o Gaúcho que nos levou ao céu desconsertando os alemães na final do Mundial em 1983. De Renato que infernizou a vida de técnicos, os seus e o dos adversários. Que enlouqueceu laterais, zagueiros e qualquer um que se intrometesse no seu caminho. Que aventurou-se técnico e driblou a descrença de críticos, fez embaixadinha com as palavras e brincou com a cara de que não o levou a sério.

 

 

Que me matou de ódio, a ponto de desviar-me da trajetória profissional que eu havia escolhido – e um dia conto esta história para você, caro e raro leitor desta Avalanche. Que me fez morrer (ou quase) de amor pelo Grêmio. E prometer a mim mesmo – depois daquela final de 1983, que assisti na casa de amigos em Porto Alegre – que um dia estaria ao lado do Grêmio, ao vivo, em uma final do Mundial.

 

 

Foi Renato quem me trouxe até Abu Dhabi. Seja pela promessa que fiz há 34 anos seja pelo que ele fez com o Grêmio em 2016 e 2017. Foi Renato quem me fez acreditar em novos títulos. Quem deu a toda nossa torcida a expectativa de um título. Mais do que isso: nos devolveu a Copa do Brasil, nos devolveu o orgulho de um futebol bem jogado – o mais bem jogado no Brasil, disseram os entendidos. Nos permitiu delirar a cada batalha vencida na Libertadores. Convenceu seus jogadores, todos eles – os craques, os renegados, os abnegados -, que poderiam entrar para o panteão dos Imortais. Que não teve pudor de admitir erros, mudar jogadores no primeiro tempo, substituir renomados por reservas, de incorporar-se em Everton para nos colocar na final de um Mundial, mais uma vez.

 

 

Ainda há quem questione se Renato foi melhor que Cristiano Ronaldo. Claro que foi. Só Renato foi capaz de nos fazer vibrar com um Mundial. De resgatar a Copa do Brasil e a Libertadores. Só Renato é capaz de fazer o Grêmio acabar com o Planeta!