Avalanche Tricolor: Fica Renato!

Grêmio x Palmeiras

Copa do Brasil – Arena Grêmio

Foto Lucas Uebel/Grêmio FBPA

É a primeira vez que escrevo uma Avalanche antes de a partida se iniciar. Criada em 2008 para ser um espaço em que eu, torcedor assumido e jamais arrependido, expresso meus sentimentos em relação ao desempenho do tricolor nos gramados, essa coluna sempre foi publicada momentos após o apito final do árbitro. Neste domingo, tomo a liberdade de me antecipar ao que acontecer na primeira partida da final da Copa do Brasil — a nona disputada pelo Grêmio, campeão da primeira edição, em 1989; campeão cinco vezes dessa competição. E o faço porque confio neste time, a despeito de todos os problemas que enfrentamos. E se confio, não quero ser lido apenas como um oportunista. Não o sou. Jamais serei.

Independentemente do resultado nesse  jogo de placar imprevisto, seja pelas condições da temporada seja pela performance dos dois times que disputam a final,  tenho a convicção de que a maior vitória que o Grêmio pode conquistar é a manutenção de Renato no comando da equipe. Os resultados alcançados na jornada sem fim de 2020 estiveram abaixo das expectativas, que são sempre altas. Renato e seus comandados nos acostumaram às vitórias nesses quase quatro anos e meio de trabalho que o transformaram no mais longevo técnico do futebol brasileiro.

Nessa passagem, iniciada em 21 de setembro de 2016, Renato conquistou a Copa do Brasil daquele ano, a Libertadores e o vice-Mundial de 2017 e o tricampeonato gaúcho (2018, 2019 e 2020). Mais do que isso: fez do Grêmio um time admirado por seus adversários, pelo futebol que leva a campo com posse de bola dominante, alto índice de passes certos e marcação eficiente —- tomou poucos gols e registra baixo número de faltas e punições. 

Nada, absolutamente nada do que assistimos nessa temporada pode ser motivo de julgamento da capacidade de nosso técnico. Apontá-lo e condená-lo como o responsável pela sequência recorde de empates que nos impediu de disputar o titulo no Brasileiro, pela derrota acachapante nas quartas-de-final da Libertadores ou pelo desempenho aquém do esperado é esquecer que um time de futebol jamais será obra de um só artista. Renato é responsável, também, mas não apenas ele.

O clube é o conjunto de ações e atitudes adotadas ao longo do tempo. Passa por decisões da área de gestão, do tamanho do caixa, da infraestrutura oferecida, do clima organizacional, da cultura administrativa e, sem dúvida, das escolhas técnicas e táticas —- essas, muitas vezes, resultado direto de todas as anteriores. 

Para manter o equilíbrio nas contas —— e apesar disso não nos dar a garantia de títulos, me dá orgulho —-, o Grêmio programa estrategicamente a venda de algum dos seus talentos. Foi assim com Pedro Rocha, Everton e agora Pepê. Busca segurar outros, como mais recentemente se fez com Ferreirinha e há alguns anos com Luan. Investe em jovens promissores e os faz crescer em campo, haja vista os desempenhos de Matheus Henrique, Darlan e Jean Pyerre. 

Ainda com a mesma lógica, vai ao mercado em busca de jogadores que cabem nas contas do clube, o que nem sempre significa trazer craques reconhecidos. É preciso fazer uma seleção muito cuidadosa, contratar atletas que não estejam no topo da carreira, mas têm condições de oferecer 100% do seu potencial. O melhor exemplo é Diego Souza que muitos reclamaram da idade avançada e de ser um jogador que já não tinha mais a mesma motivação da primeira passagem pelo clube. É o goleador desse time —- e não só marca muito como tem marcado em momento fundamentais. Que repita a dose nessas finais.

Renato foi capaz de enxergar vários desses jogadores ao longo dos quatro anos e meio em que está no comando da equipe. E isso sempre foi reconhecido pela crítica. Condená-lo agora porque algumas das apostas não deram certo, nesta temporada, é querer um milagreiro em lugar de um técnico de futebol. É injusto com quem já fez muito. É não enxergar as inúmeras dificuldades que ele encontrou para construir o atual elenco e as ausências importantes que tivemos —  dentre as mais expressivas identifico a impossibilidade de colocar em campo, na maioria das partidas, nossa dupla de zaga vencedora, Geromel e Kannemann.

Nossos julgamentos no futebol tendem a ser distorcidos. Nunca admitimos o fracasso do nosso time. A culpa é do zagueiro que deu chutão errado, do atacante que não acerta no gol, do árbitro que nos roubou e do VAR que se omitiu. Não fossem eles, a gente ganhava este ano, É, também, do técnico —- ou porque escala ou porque não escala. Quantos criticavam a ausência de Jean Pyerre. Quantos, hoje, reclamam da presença dele. Tem os que põem a culpa no Departamento Médico, na preparação física, no azar ou na sorte. Jamais admitiremos que o adversário foi mais capaz do que nós ou que, sim, temos um elenco limitado e se não houver uma superação, pagaremos por isso. 

Renato não é herói nem algoz. É um cara bem preparado para montar times dentro das condições que lhe oferecem. Que tem uma identificação sem igual com o Grêmio e merece todo nosso respeito. Mantê-lo na temporada de 2021 que se inicia em seguida às finais da Copa do Brasil é a decisão mais acertada que poderemos tomar este ano —- independentemente dos resultados destes dois próximos fins de semana.

O melhor que o Grêmio pode fazer para fechar este 2020 sem fim é investir no #FicaRenato !!!

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