Avalanche Tricolor: os nossos “alternativos” mandaram bem, na Vila

 

 

Santos 1×1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro SP/SP

 

 

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Renato em foto do arquivo no Flickr de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA


 

 

Havia quem esperasse pouco do time escalado para jogar neste domingo. Eu, por exemplo. Você, talvez. Quero acreditar que o próprio Renato não apostaria todas suas fichas em um resultado positivo.
 

 

O time era o alternativo, como repetiu o repórter de campo durante a transmissão da televisão. Não sei se no rádio disseram o mesmo. Chamou-me atenção porque no meu tempo costumávamos dizer que este era o time reserva.
 

 

Bem que gostei da ideia de batizá-lo como alternativo. Creio que isso seja coisa do Renato e os jornalistas estejam apenas levando à frente. Nos dá um olhar diferente sobre os jogadores que estão em campo. Não os impõe a pecha de segundo escalão, apenas de diferentes.
 

 

E foram diferentes em campo. Surpreendentes, eu diria.
 

 

Além de se fecharem bem na defesa, sem vergonha de admitir a diferença em relação ao adversário, usaram o contra-ataque como poucas vezes vimos na competição. Capacidade que se revelou logo no início da partida com gol que surgiu de jogada na qual Everton soube combinar sua velocidade com domínio de bola e precisão no chute. Coisa rara de se ver no futebol.
 

 

Conter a pressão de um time pouco acostumado a derrotas em seu campo seria tarefa das mais complexas. Por isso, o gol que tomamos de cabeça parece que já estava mesmo na nossa conta. E veio para ratificar que se a zaga principal parece ter se ajeitado por cima, a alternativa ainda tem o que melhorar.
 

 

O segundo tempo, apesar de nosso gol não ter saído – e foi por detalhe -, voltamos a surpreender. A marcação foi mais alta, na saída de bola do adversário, e isso desorganizou a chegada do ataque deles. Mudança, com certeza, que teve o dedo de Renato.
 

 

Estivemos sob fogo cruzado boa parte do jogo, mas vimos nossos defensores se multiplicarem para segurar o empate. Em alguns casos chegamos a ter dois jogadores marcando a mesma bola. Houve aquilo que a turma gosta de chamar de entrega total em campo.
 

 

Ao fim da partida Maicon definiu o empenho da equipe: “se não vai no entrosamento, vai na vontade”.
 

 

Os nossos alternativos demonstraram muita vontade e estão de parabéns, pois neste domingo, jogando pelo Campeonato Brasileiro, seguraram a onda da turma que descansou para, na quarta-feira, “jogar a vida” na Copa do Brasil.

Avalanche Tricolor: O Grêmio voltou!

 

 

Grêmio 1×0 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Pedro Rocha em mais um lance de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA
 

 

 

O Grêmio venceu. E isso seria suficiente nesta altura do campeonato. Mas o Grêmio não se limitou a vencer. Venceu e voltou a jogar bem.

 

 

Vimos desfilar na Arena o futebol que fez do Grêmio sensação na primeira parte da competição, que havia sido esquecido em algum lugar qualquer do vestiário a ponto de nos levar a perder Roger, técnico que deixou um legado importante à equipe.

 

 

Há algum tempo não via movimentação tão intensa em todas as partes do campo. A troca de passe veloz, o apuro no toque da bola e o deslocamento de jogadores por um lado e outro reapareceram sob o comando de Renato.

 

 

Já disse algumas vezes, que o futebol bem jogado servia-me de consolo mesmo quando o placar não estivesse a nosso favor. Fazia-me sofrer menos. E temia que a mudança de técnico nos levasse de volta àquele futebol sofrido de garra e determinação – lugar comum nos times de coração, mas sem muito talento.

 

 

A passagem de Roger deixou-me exigente. Queria ver o Grêmio lutador de sempre, mas com o futebol qualificado. Nesta noite, liderado por Renato, parte de meu desejo se fez realidade.

 

 

Michael, Walace, Douglas, Ramiro e Luan trocaram passes com qualidade. E dava prazer ver a bola correndo de pé em pé, às vezes de um calcanhar para outro. Os laterais, especialmente Edílson, apareceram para auxiliar o ataque.

 

 

Dentro da nossa área, Bruno Grassi, Geromel e Kannemann seguraram qualquer tentativa de ataque adversário.

 

 

E aqui um parênteses: Kannemann me parece muito com aqueles zagueiros de antigamente, que tinham um missão a cumprir, despachar a bola para longe de seu gol. E cumpriam do jeito que desse, chutando a bola para o lado em que o nariz estiver apontado. Função que faz com maestria.

 

 

Deixei Pedro Rocha por último nesta lista. E não foi por acaso. Quando tenho a impressão de que vamos desistir dele, o atacante aparece. Seja chutando e provocando o rebote; seja rebotando, como, aliás, fez hoje para marcar o único gol da partida.

 

 

Lembrei de entrevista que fiz com o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, em março deste ano, quando comentei que Rocha perdia muitos gols: “mas ele está sempre lá”, disse o dirigente.

 

 

Rocha estava lá mais uma vez e para resolver a partida.

 

 

O Grêmio voltou a brigar em campo e jogar com talento.

 

 

Com a vitória, cola no G6 e a Libertadores está logo ali.

 

 

O Grêmio voltou!

Avalanche Tricolor: com a cara do Grêmio

 

Grêmio 2×1 Palmeiras
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Nossa torcida na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Havia algo diferente no ar. Mesmo com um público aquém da nossa necessidade, a concentração de torcedores em alguns setores da Arena passava a sensação de que o espírito copeiro estaria em campo. E foi o que se viu do primeiro ao último minuto de partida.

 

O toque de bola e a movimentação no ataque, tendo Luan como coringa, atuando em todas as posições do meio para a frente (às vezes até lá atrás), uniram-se a marcação alta e futebol com intensidade – legado de Roger.

 

A obsessão por ganhar toda disputa, marcar o adversário a qualquer custo  e afastar a bola da nossa área mesmo que seja com um chutão, também estavam lá. Assim como a velocidade no ataque e a bola alçada para a área na expectativa de uma conclusão certeira de um dos nossos – ao estilo Renato.

 

E na união do futebol desejado por Roger e por Renato – dois campeões ao seu estilo -, o Grêmio foi Grêmio na primeira partida destas quartas-de-final, na Copa do Brasil.

 

Ver Ramiro aparecendo na entrada da área e acertando um chute indefensável no primeiro gol é animador. Gosto de saber que temos jogadores dispostos a superar suas limitações e críticas (justas ou não).

 

Ver que no segundo gol tínhamos ao menos dois jogadores dispostos a empurrar a bola para dentro, além de um terceiro que aparecia livre para concluir, sinaliza a disposição da equipe em superar o mau momento.

 

É assim que gostamos de ver o Grêmio. É assim que queremos o Grêmio: lutador, copeiro e com talento, seja na Copa seja no Brasileiro!

 

Avalanche Tricolor: motivos para sorrir

 

Grêmio 1×0 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Elenco comemora gol da vitória em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA, no Flickr

 

Tínhamos 12 minutos do segundo tempo quando Henrique Almeida recebeu a bola do lado direito da área, limpou a jogada e chutou em gol, obrigando o goleiro adversário a se esticar para despachar a escanteio. Soaram aplausos de todas as partes da Arena. Pouco mais tarde, ele deixou o gramado e a maioria dos torcedores voltou a aplaudi-lo, apesar de alguns apulpos.

 

Mesmo sem ter feito muito em campo, além daquele chute já no segundo tempo, e tendo ofendido um grupo de torcedores no meio da semana, durante partida da Copa do Brasil, o atacante recebeu o apoio da torcida na tarde deste domingo.

 

Até Marcelo Oliveira tirado para Cristo nesta temporada pelo baixo rendimento na lateral esquerda foi reverenciado ao receber, antes de a bola rolar, a camisa com o número 100 às costas, simbolizando a quantidade de partidas que disputou pelo Grêmio. Ao fim, depois da entrevista na beira do campo, também foi aplaudido.

 

Pedro Rocha, que muitos queriam ver em disparada mas a caminho do banco, também vaiado no meio da semana, foi aplaudido aos 10 minutos de partida, ao marcar o único gol do jogo, após iniciar jogada de contra-ataque e trocar passe com Wallace.

 

Chamou-me atenção, ainda, a diversão provocada sempre que o placar eletrônico destacava o resultado de jogos dos times que tentam escapar da zona de rebaixamento. Bastava um gol que complicasse a vida do co-irmão, e uma onda repentina de vibração tomava a Arena.

 

Tudo bem, o  nosso gol era mais do que motivo para comemorar. Porém, nos demais momentos destacados nesta Avalanche, tive a impressão de que o torcedor estava mesmo era procurando motivos para ser feliz novamente.

 

A sucessão de derrotas e empates, o despencar na tabela, depois de ter sonhado com o título, e a perda de um dos técnicos mais promissores do futebol brasileiro, geraram um baixo astral nos últimos tempos que afastou o torcedor das arquibancadas.

 

Neste domingo, porém, provavelmente impactado pela classificação à próxima fase da Copa do Brasil da forma como foi conquistada, parecia que se buscava razão para sorrir.

 

E esta será uma das missões de Renato: nos dar motivos para sorrir. Ele precisará contar com 100% da disposição do time. O apoio do elenco pelo que se viu não faltará. Que agora consigamos retomar a bola, dominar o jogo, encaixar o passe, ter mais intensidade na frente, concluir mais e marcar mais, muito mais, gols.

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na Libertadores!

 

Grêmio 1 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio está na Libertadores!

 

Os que conhecem nossa história sabemos que se há um lugar onde nos sentimos em casa é na Libertadores. Nascemos no Rio Grande mas fomos forjados para lutar na América do Sul. Sonhamos com essa conquista, mais do que o Brasileiro, muito mais do que o Gaúcho. Mas para sonharmos é preciso estar lá. E Renato conseguiu mais uma vez. Um caminho aberto à força e muita dedicação, como ele costumava fazer diante das defesas mais duras que enfrentou quando jogador. Muitos preferem lembrá-lo como um atacante de técnica, mas, não tenha duvida, só foi capaz de romper as barreiras que se formavam entre ele e o gol devido a coragem e a explosão de seus músculos. Com o peito empurrava os zagueiros para dentro de sua própria área. Com os braços abria espaço entre os marcadores. E, claro, completava a jogada com o talento de suas pernas. A cabeça, esta nunca foi o seu forte. Mas mesmo esse aparente desequilíbrio emocional parecia conspirar em favor do seu futebol. Foi com um chutão, de costas para o campo, marcado por dois adversários e espremido na linha lateral, não esqueço jamais, que Renato jogou a bola para César Maluco completar de cabeça o gol que nos deu o título da Libertadores, em 1983. Ali não havia técnica, era pura força e determinação.

 

No comando do Grêmio, Renato fez o que pode para nos levar à Copa Libertadores. Assumiu um grupo de aparente qualidade técnica, mas pouco determinado em campo, resultado do trabalho egoísta do treinador que o antecedeu. Testou diferentes formações, jogou com dois e três zagueiros dependendo da partida, colocou três volantes quando entendeu necessário, arriscou com três atacantes quase toda a competição, tirou gente consagrada e querida pela torcida, não teve vergonha de ouvir o grito das arquibancadas e mudar novamente quando percebeu seu erro. Mesmo diante das críticas de que o time rendia abaixo de seu potencial, manteve-o entre os quatro melhores do campeonato em boa parte da disputa. Jamais esteve ameaçado pelo rebaixamento ou pela falta de competição. Sabia que os gols eram escassos, que a defesa não tinha chance de errar, que alguns de seus titulares eram limitados, que seu goleador poderia ser útil na defesa e seus zagueiros poderiam salvar a lavoura. Sabia também que a torcida iria reclamar. Foi corajoso, às vezes teimoso. Arriscou sua história no clube em busca de um objetivo, mesmo que tivesse de abdicar de craques e do bom futebol. Sempre acreditou que poderíamos estar com uma das vagas da Libertadores mesmo quando as vitórias deixaram de aparecer com a mesma frequência.

 

Com uma rodada de antecedência, Renato e seus comandados levaram o Grêmio onde o Grêmio sempre sonhou estar. E por mais esse feito, obrigado, Renato!

Avalanche Tricolor: uma questão de fé

 

Botafogo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

 

Um rosário estava na mão de Alex Telles na saída para o vestiário no primeiro tempo. Pelo que disse ao repórter curioso, sempre leva com ele o símbolo de sua religiosidade. Onde guarda durante a partida, não sei, mas que precisou de muita fé para alcançar a conquista parcial, até aquele momento, sem dúvida. No pior momento do jogo, quando acabávamos de ficar com um a menos em campo, sofríamos pressão intensa de adversário que já foi apontado como candidato ao título e disputava a vice-liderança diante de seu torcedor, soubemos manter a cabeça no lugar e a bola nos pés. Situação rara nos mais de 90 minutos jogados nesse sábado, no Rio de Janeiro. Refiro-me à raridade de controlarmos a bola, pois o equilíbrio emocional se fez durante praticamente toda a disputa. Foi nesse instante que, mais uma vez, um de nossos muitos volantes, Riveros, apareceu no ataque, foi à linha de fundo e, em vez de dar um chutão para dentro da área a espera de um cabeceio salvador, com a cabeça erguida encontrou Alex chegando pela meia esquerda, entregando-lhe a bola com açúcar e com afeto. O camisa 13 gremista – ainda vou pedir essa camisa para mim – na mesma velocidade com que entrou na área, ajeitou a bola para concluir de forma certeira e indefensável: 1 a 0, mantido heroicamente até o fim da partida.

 

O gol teve a crença e coragem de Renato. Na jogada anterior, o técnico havia reclamado de Alex que, em vez de se aventurar na ponta esquerda, ficou recuado durante troca de passe. Temia, com certeza, deixar a defesa desguarnecida em setor do campo por onde o adversário demonstrava preferência em jogar. Mas Renato sabe que seu esquema, por muitos considerado retranqueiro, exige ousadia de seus jogadores. Impõe aos atacantes marcar como zagueiros, às vezes até quando estão atacando, como aconteceu com o atabalhoado Kleber, no lance da expulsão. O treinador escala três zagueiros e aposta na chegada deles na frente, como ocorreu em ao menos dois lances de perigo no primeiro tempo, através de Rodolfo e Werley. Compõe o time com três volantes mas não se satisfaz com seus desarmes, exige a presença deles no ataque quando possível como aconteceu com Souza, em um dos primeiros lances de gol do time; com o incansável Ramiro, que roubava a bola atrás e aparecia como companheiro de Barcos próximo à área do adversário; e com Riveros, tão importante no lance de gol nessa partida quanto o foi ao marcar o gol da vitória no jogo anterior. Os alas também são exigidos pelo técnico, por isso Pará protagonizou bela jogada pela direita quando já tínhamos inferioridade numérica em campo e superioridade no placar. E, claro, só por isso Alex Telles apareceu na entrada da área para receber passe de Riveros e marcar o nosso gol da vitória. Bressan, despachando todo perigo que surgia, e Dida fechando o gol nas poucas vezes em que a bola conseguia cruzar nossa linha de marcação, não fazem por menos. Apesar de não chegarem ao ataque, por razões óbvias, refletem a disposição do elenco em atender às ordens de Renato.

 

Os raros e caros leitores deste Blog sabem que costumo não confundir minhas convicções religiosas com minha paixão futebolística. Não arrisco pedir a Deus nas missas de Domingo por melhores resultados em campo, pois sei que Ele tem coisa demais para se importar. E eu, coisa mais importante para pedir. Mas de alguma maneira as crenças de Alex e Renato contaram com uma forcinha divina nessa partida de sábado à noite. Talvez obra de Padre Reus que assiste às partidas do Grêmio nas mãos de meu pai, que, lá em Porto Alegre, aperta a imagem dele com fé e muita força.

 

N.B: Como reservo minhas conversas com Ele para coisas importantes, desde após a partida tenho pedido toda a força para a recuperação do técnico Osvaldo de Oliveira, que passou mal ao fim do jogo. Além de ótimo ser humano, um amigo para quem sempre vou querer o melhor.

Avalanche Tricolor: com a petulância que a idade me permite

 

Corinthians 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu (SP)

 

 

A demora para escrever esta Avalanche pouco tem a ver com o resultado ou mesmo o horário da partida da noite dessa quarta-feira. Mesmo tendo se encerrado perto da meia-noite quando já deveria estar na cama qualquer pessoa com o mínimo de prudência que acorda às 4 da madrugada, poderia tê-la escrito após o Jornal da CBN, nesta manhã, como já fiz em outras oportunidades. Contudo, não bastassem meus compromissos profissionais terem se estendido além do normal, este 1º de agosto não era um dia qualquer, estava comemorando mais um aniversário, data que não conseguiria esconder por mais que me esforçasse, dada a indiscrição de meus colegas de estúdio na CBN que fazem questão de lembrá-la a todos. De qualquer forma, por ser leonino, ou ser gaúcho, ou ser gremista, não me importo com esta badalação, mesmo que às vezes fique constrangido. Menos ainda me incomoda envelhecer mais um ano, pois cada novo ano que chega é mais uma chance que a vida me oferece para acertar. E por tudo que já errei, quero muitos anos de vida para me recuperar.

 

Por falar em erros, vamos ao jogo de ontem à noite. Melhor, vamos aos comentários que li hoje sobre o jogo de ontem à noite. Um dos que me motivaram a estar aqui nesta Avalanche foi escrito por reconhecido comentarista esportivo gaúcho com quem dividi redação de rádio, no Rio Grande do Sul, por algum tempo, no início da minha carreira. Wianey Carlet é jornalista do Grupo RBS, escreve na Zero Hora e fala na rádio Gaúcha, além de manter blog no ClicRBS. Experiente e conhecedor das lides esportivas, sempre encontra uma forma de colocar de maneira clara sua opinião sobre os mais diferentes temas, muitas vezes causando polêmica. Merece todo meu respeito, seja por suas qualidades seja por sua experiência, mas, talvez influência da chegada dos meus 50 anos, peço licença para discordar da ideia central de post que ele publicou no blog que leva seu nome. O Grêmio de Renato é igual ao Grêmio de Luxemburgo, escreveu Wianey Carlet e justificou, como devem fazer os bons cronistas esportivos, com base no seu conhecimento técnico (leia aqui).

 

O Grêmio de Renato jamais será igual ao de Luxemburgo, mesmo que as campanhas se assemelhem e a forma de distribuir os jogadores em campo possam ser iguais – o que não me parece ser verdade, apesar de me faltar visão tática para fazer esta análise. Por Renato do Grêmio não tenho constrangimento em torcer como acontecia com Luxemburgo, e isso, Wianey e meus caros e raros leitores, faz uma baita diferença para este humilde torcedor que aprendeu a ver sua equipe honrando a camisa que veste, mesmo diante das mais fragorosas derrotas que já tivemos de encarar neste mundão do futebol. Apesar dos resultados negativos que têm se repetido, principalmente nos jogos fora de casa, inclusive no de ontem no Pacaembu, tenham certeza, que pelo Grêmio de Renato estarei torcendo, vibrando e reclamando, também, mas com orgulho de um Imortal.

Avalanche Tricolor: Grêmio vence e comemora 30 anos da Libertadores

 

Grêmio 2 x 0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Fluminense

 

Há 30 anos estava no velho Estádio Olímpico, que deve ser tombado nos próximos meses, já sem voz e suado de emoção, comemorando a primeira conquista da Libertadores. Era uma quinta-feira à noite, fria como eram as noites de inverno no Rio Grande do Sul, naquela época. Atualmente, a meteorologia sempre nos prega algumas peças com calor fora de época, apesar de que a última semana fez vingar a tradição. Naquele 28 de junho, nenhum frio, porém, levaria mais cedo para casa os 80 mil gremistas que foram ao Monumental, pois acabávamos de ser testemunha de uma conquista inédita para o futebol gaúcho alcançada por jogadores forjados à posição de heróis a cada batalha vencida na temporada sul-americana. Confesso que, ao contrário do primeiro título que festejei como torcedor gremista, o Gaúcho de 1977, não consigo lembrar bem de onde assisti àquela final. Poderia estar nas cadeiras cativas, que ficavam no anel superior do estádio, ou na cabine de transmissão da TV Guaíba, ao lado de meu pai que narrava a final contra o Penãrol. Certo era minha satisfação em ter participado de um momento histórico relembrado nessa tarde de domingo em um novo estádio, a Arena do Grêmio.

 

Gremio x Fluminense

 

Tarcísio, Baidek, Paulo Roberto, Mazaropi e Valdir Espinosa foram alguns dos ídolos, campeões de 1983, que enxerguei na homenagem feita antes da partida contra o Fluminense, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro. Sempre que os vejo me emociono pela alegria que ofereceram a todos os torcedores. Daquele tempo, além das lembranças, ficamos com o legado de uma história que nos concedeu a imortalidade. E com Renato Portaluppi, nosso ponteiro direito, fundamental pelo talento e valentia na vitória final (o que se repetiria meses depois no Mundial), agora travestido de treinador. Quis o destino que ele estivesse no comando do Grêmio na partida em que comemoraríamos os 30 anos da primeira Libertadores. Entramos em campo com a camisa tricolor e o calção branco, como em 1983, mas, apesar da importância da data, REnato sabia que o cenário desse domingo era bastante diferente daquele que comemoramos o título sul-americano, e não apenas por estarmos em outro estádio. Por isso, respeitosamente, apenas cumprimentou seus velhos colegas, deixou a festa para os torcedores na arquibancada e foi trabalhar.

 

O Grêmio, com a responsabilidade de seu técnico, trabalhou sério, marcou com valentia, despachou bola quando necessário, trocou passe quando possível e driblou como alternativa. Ainda houve algumas trapalhadas e jogadas arriscadas, nada que compromete-se. Assisti ao jogo, como de costume, na minha casa aqui em São Paulo, pela televisão. Não gritei a ponto de perder a voz nem fiz escorrer gotas de suor como em 1983, mas, guardadas as devidas proporções, também saí deste jogo satisfeito. Em especial com o desempenho do paraguaio Riveros que fez sua estreia. Apareceu bem na frente, marcou o gol que abriu o placar e mostrou que tem lugar certo na equipe.

 


As imagens deste post são do site do Gremio. Ao clicar nelas você visitará a página do clube no Flickr

Avalanche Tricolor: da terra dos Portaluppi

 

Atlético PR 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Curitiba PR

 

 

Distante do Brasil, mas próximo dos Portaluppi. Daqui de onde estou, em direção ao norte, pouco mais de 400 quilômetros me separam da região de Verona, onde haveria registros da presença da família Portaluppi, que se dedicaria a função de notário, ainda no século 13. Pouco antes tem Milão, onde nasceu o arquiteto Piero Portaluppi, no finalzinho do século 19, que deixou sua marca em prédios e casarões, tendo ajudado no desenvolvimento urbano com seu talento e conhecimento. Impossível saber no momento em que publico este post se pendurado na árvore genealógica de algum deles estaria seu Francisco, casado com dona Maria, que adotou a cidade de Bento Gonçalves para criar seus 13 filhos, seis mulheres e sete homens, um deles, o único Portaluppi que realmente me interessava no fim da noite de sábado, aqui em Ansedonia.

 

A despeito de toda a riqueza histórica que me cerca na Itália e diante do Mar Tirreno que me acompanha nestas férias, estava antenado mesmo era na possibilidade do filho do Seu Francisco reconstruir em poucos dias a obra retorcida deixada por seu antecessor. Alguns minutos de jogo, assistidos na pequena tela do Ipad, através da minha caixa mágica que copia pela internet as imagens de meu televisor em casa, no Brasil, foram suficientes para perceber que estava exigindo de mais na reeetreia de nosso técnico. Renato já fez muito com a bola nos pés, inclusive aqui na Itália, quando jogou pelo Roma, na temporada de 1988/1989 e teve alguns bons momentos como técnico, a última com o próprio Grêmio, em 2010, mas para colocar o time em ordem precisará de tempo, bem mais do que alguns dias de treino. Não que seja necessário mudar muitos jogadores de lugar, mas terá de encaixá-los nas funções para as quais estão mais bem qualificados. As bolas chutadas por cima do meio de campo, a falta de companheiros mais bem colocados para receber o passe e o aparecimento de jogadores fora de posição revelam um desarranjo na equipe. Além disso, caberá ao nosso Portaluppi mexer com a cabeça e o ânimo de cada um deles para recuperar a alma sugada pela passagem de Luxemburgo.

 

No jogo mal jogado de sábado, que me fez dormir de madrugada, dado o fuso horário, ao menos a satisfação de ver, quase ao final, o lance mais bonito da partida, quando Maxi Rodríguez, há pouco tempo em campo, com precisão e distância, acertou lançamento no pé de Barcos, atacante que já incomodava por não deixar sua marca. A jogada certeira de Maxi e a retomada dos gols de Barcos, quem sabe, abrem esperança para que Renato Portaluppi nos devolva a satisfação de ver o Grêmio em campo. Enquanto isso não ocorre em definitivo, fico por aqui aproveitando as alegrias e prazeres que a terra dos Portaluppi têm a nos proporcionar.

Avalanche Tricolor: No tempo do pombo-correio

 

Grêmio 1 x 2 Corinthians
Brasileiro – Olímpico Monumental

No futebol, atuei de muitas maneiras. Fui e sou torcedor sofredor – jamais alucinado como estes que  despejam suas carências e frustrações no time ou na torcida adversária. Tentei jogar bola, mas fui pouco além do infanto-juvenil do próprio Grêmio. Fui repórter de campo, no início de carreira jornalística, pela rádio Guaíba, e narrador na Rede TV!. Em nenhuma dessas funções, porém, tive tanta participação nos resultados de meu time como quando exerci o papel de gandula.

Gandula, pra não ficar dúvidas, é aquele cara que fica ao lado do campo repondo a bola sempre que esta é chutada para fora. O nome é em homenagem a Bernardo Gandulla, jogador argentino de pouca habilidade que para ocupar o tempo em que estava na reserva do Vasco, nos anos de 1930, corria atrás da bola todas as vezes em que esta saía do campo. Ganhou a simpatia do torcedor.

Eu fui gandula na metade da década de 70, a convite de meu padrinho por adoção, Ênio Andrade, dos melhores técnicos que o futebol brasileiro teve. Na época, 1975, fazia sua primeira passagem pelo Grêmio e tinha dificuldade para transmitir suas instruções ao time durante a partida. Os treinadores não podiam sair do banco de reservas.

Apesar de estar vestido como pegador de bola, tinha uma função extra. Sempre que ele necessitava mandar uma ordem para o time, me chamava de lado, dava as instruções e lá ia eu correndo até atrás do gol gremista – o goleiro era o Picasso – repassar a mensagem do técnico:  “Insiste nos ataques pela direita”, “pede para os meias trocarem de posição”, “reforça a defesa pela esquerda” – coisas deste tipo.

Em pouco tempo, os repórteres descobriram que meu papel era o de “pombo-correio” e saiam atrás de mim em busca de informações sobre as estratégias propostas pelo treinador. Leal ao Seu Ênio, mantinha os recados como se fosse segredo de Estado, não falava nem sob tortura.

Foi naquele tempo que descobri que boa parte dos erros dentro de campo se dá porque os jogadores são incapazes de entender o que o técnico pede. Mesmo alguns considerados bons de bola têm dificuldade para exercer no time a função exigida dentro da estratégia do treinador. Têm técnica, mas não entendem nada de tática.

O futebol não precisa mais de “pombo-correio” porque foi criada a área técnica, um pequeno espaço no qual o treinador pode sair do banco de reservas, se aproximar do gramado e fazer seu show particular. Dali dá ordens nem sempre respeitadas, para seu desespero.

Lembrei-me do episódio do qual participei na tarde deste domingo, enquanto assistia à estreia gremista no Campeonato Brasileiro. Em um dos momentos de bola parada, a televisão fez um clipe com a performance dos treinadores. Eles sinalizavam com as mãos na tentativa de explicar o jogo aos seus comandados, faziam careta como se fossem capazes de espantar o mau futebol, e tentavam chamar atenção com gritos e assobios.

Fiquei imaginando o que Renato Portaluppi teria a dizer a seus jogadores, que recado ele passaria ao time para fazê-lo jogar um futebol melhor e  mudar a forma de atuar , em busca de um resultado que fosse minimamente aceitável.

Foi, então, que recordei de uma das muitas coisas que aprendi olhando Ênio Andrade no comando do Grêmio. No dia do jogo pode-se até mudar alguma coisa, mas é no treinamento diário que se constrói um time. Ou seja, por mais que nosso treinador gesticule, pouca coisa vai conseguir se não treinar bem a equipe durante a semana.

Que o espírito do Seu Ênio baixe rapidamente sobre Renato.