Neste Natal, vamos comemorar em família

 

IMG_2463

 

O olhar voltado para o painel que anunciava o desembarque dos voos em Congonhas era de preocupação e dúvida, na noite dessa segunda-feira. Muitas pessoas não tinham ideia do horário em que o avião que esperavam aterrissaria em São Paulo. Bem pior: se desceria na capital paulista. Havia a possibilidade de seguir para Guarulhos ou Campinas. A chuva forte havia parado as operações no aeroporto e causado transtorno para muitas pessoas, em ar e terra. Apenas quando se aproximava das 10 da noite, os primeiro voos receberam autorização para chegar. E em meio a centenas de passageiros que saíam do setor de entregas de malas, para mudar o clima no saguão, surge um que estava vestido de Papai Noel. A preocupação da espera foi substituída pela surpresa e curiosidade em torno daquela figura exótica apesar da época do ano. Convenhamos, as roupas de inverno, completadas pelo gorro na cabeça, pouco têm a ver com o verão que acabara de se iniciar no Brasil, marcado pelo início da temporada de chuvas na região sudeste.

 

O Papai Noel passageiro claro que me chamou muita atenção, mas estava longe de ser minha maior surpresa no saguão do aeroporto nessa semana. Um dia antes, no domingo que antecedia a semana de Natal, fui receber parte da família que chegava para as festas de fim de ano, em São Paulo. Havíamos combinado de nos reunirmos em casa, mas não teríamos a presença do pai que ficaria em Porto Alegre. Assim que a porta de desembarque abriu, minha irmã apareceu empurrando o carrinho com mais malas do que costuma transportar, o que não foi suficiente para me antecipar a boa notícia que viria em seguida: meu pai, que você está acostumado a ler às quintas-feiras, decidiu nos acompanhar nas festividades e, sem avisar, embarcou para São Paulo. O que para a turma que mora por aqui, assim como para todos que se juntaram a nós, foi um grande presente de Natal.

 

Nesta noite, véspera de Natal, teremos bons motivos para estarmos juntos e compartilharmos o que vivemos neste ano que está chegando ao fim. Cada um de sua maneira poderá relatar vitórias e emoções, por mais difícil que tenham sido os momentos enfrentados. Apenas a possibilidade de, ultrapassados todo este período e todas as barreiras, estarmos mais uma vez reunidos entre irmãos, mulheres, maridos, sobrinhos, primos, filhos, pai e avô é razão suficiente para comemorarmos. Se há uma conquista da qual temos de nos orgulhar é a de estarmos unidos mais uma vez.

 

Como já escrevi em natais passados, a data sempre foi comemorada em família com rituais curiosos, como as saídas de casa no fim da tarde para que o Papai Noel chegasse e distribuísse os presentes embaixo da árvore. O roteiro era sempre o mesmo, ano após ano, com os irmãos arrumados e engomados fazendo um passeio com o pai até o Morro da TV, próximo de onde morávamos em Porto Alegre, enquanto a mãe ficava em casa para abrir a porta para o Papai Noel. Programa que durou um bom tempo, mesmo quando já tínhamos noção de que o tal passeio era apenas desculpa para a mãe ajeitar os presentes e acender as luzes da árvore. Hoje, mais importante do que o passeio, a árvore e os presentes é a possibilidade de nos encontrarmos.

 

Desejo que você, caro e raro leitor deste blog, tenha ótimos motivos para compartilhar suas alegrias e angústias em família, neste Natal.

"Meio passo à frente", diz Voto Consciente sobre Mesa Diretora

Por Danilo Barboza
Diretor Geral do Movimento Voto Consciente

 

Soube pelo jornalista Milton Jung, da CBN, que a reunião da Mesa Diretora da Câmara de São Paulo, realizada na última terça-feira 8 de agosto, foi aberta ao público. Pela mesma fonte, soube que não foi transmitida pela internet. Meio passo à frente, então. Soube ainda que a Web Rádio da Câmara estranhou o não comparecimento de organizações da sociedade civil àquela reunião. Fui à página da Rádio, e sob o título Vereadores se reúnem para tratar de assuntos administrativos, escrito por Jean Silva, encontrei “As reuniões da Mesa Diretora são abertas para a participação das organizações da sociedade civil, mas apesar disso nenhuma compareceu.”

 

Não conheço Jean Silva, mas ele com certeza entrou este mês para a Câmara. Se estivesse lá há mais tempo, saberia que as reuniões da Mesa eram abertas na legislatura passada, e foram fechadas por todo o primeiro semestre deste ano por decisão da Mesa Diretora empossada nesta. Saberia também que o motivo alegado para tal fechamento foi que nas reuniões se discutiam licitações públicas, e sua análise em reuniões abertas poderia prejudicar o processo licitatório. Talvez soubesse ainda das contestações que fizemos, nós do Movimento Voto Consciente, a esta decisão, inclusive mostrando-a falaciosa, pois as decisões sobre compras eram e são tomadas pela Comissão de Licitação, e meramente homologadas ou rejeitadas pela Mesa.

 

Note-se que, na matéria mencionada, foi relatado que entre os temas discutidos na reunião estavam várias aquisições e substituições de equipamento, todas elas necessariamente assunto de licitações, presentes ou futuras. Ora, ou o motivo alegado não era real – e quando do fechamento da primeira reunião do ano, a que as organizações estavam presentes, o motivo oferecido foi outro – ou os membros da Mesa mudaram seu entendimento sobre o sigilo da discussão das licitações.

 

O que Jean Silva não poderia no entanto saber é que, na reunião de instalação da CPI dos transportes, o Presidente da Casa nos prometeu verbalmente que as reuniões passariam a ser abertas no segundo semestre, e que ele avisaria a sociedade desta mudança. No Movimento Voto Consciente, não recebemos qualquer aviso.
Finalmente nós e as outras organizações da sociedade civil dependemos da agenda da Câmara para saber o que acontecerá na Casa a cada dia. Na terça-feira dia 8 não havia menção de reunião da Mesa Diretora.

 

O importante disto tudo, no entanto, é que as reuniões serão abertas doravante, e por esta mudança damos parabéns aos vereadores. Tentaremos estar presentes a cada uma, mas talvez seja necessário optar por assistir à alguma pela internet, em cujo caso esperamos que a transmissão das reuniões também seja aberta.

Adote um vereador e a lição de cidadania

 

Reunião do Adote dia 11 de junho 2011

Um jornalista interessado, uma recém-chegada entusiasmada e a vontade de sempre de contar o que foi feito no último mês estavam em torno das duas mesas que ocupamos no bar do Pátio do Colégio, nesse sábado à tarde, em São Paulo. É lá que o Adote um Vereador escolheu se encontrar uma vez por mês e conversar sobre avanços e recuos no esforço de influenciar o trabalho da Câmara Municipal de São Paulo.

Chico Junior é repórter do Metrô News e queria saber o que acontece nas reuniões do Adote. Conversou com alguns integrantes e “encalhou” ao sentar do lado de Alecir Macedo, dos que mais falam sobre política, cidadania e outras tantas coisas. Sempre de olho na própria pressão, Alecir às vezes parece não crer que a sua pressão sobre os vereadores resultará em sucesso. Interessante, porém, é ver que não desisti nunca. E não é porque é brasileiro, não. É porque nasceu assim, incomodado e interessado.

Luciana Bueno é novata na rede do Adote e experiente quando o tema é política. Mantém contato com parlamentares – no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Quer escolher um vereador para acompanhar o trabalho e se envolver com a política local. Desde agora tem um blog interessante no qual escreve e direciona seus leitores a entender conceitos políticos em discussão na reforma em curso, o Observatório da República.

O primeiro casal da cidadania paulistana, Sonia e Danilo Barbosa, fizeram-se presentes, também. Parece que eles recarregaram as baterias e se deram conta de que são reféns do compromisso que assumiram há alguns anos quando chegaram a São Paulo e se transformaram voluntários do Movimento Voto Consciente. Precisamos deles.

Massao Uehara, Audrey Danezi, Marcos Paulo Dias, Liliane Silva, Frederico Sosnowski. Cláudio Vieira e Camila Migliorini completaram a mesa nas mais de duas horas de bate-papo.

Um dos temas foi a baixa participação popular nas discussões em plenário e nas audiências públicas, além da manipulação que existe em muitas dessas reuniões que impede o debate aprofundado. Boa parte do tempo o microfone é ocupado por parlamentares, assessores de parlamentares, representantes de parlamentares e os convidados dos parlamentares.

Das coisas mais curiosas que ouvi, foi o Alecir quem me contou – ele conta muita coisa. Durante sessão no plenário, acompanhada pela Tv Câmara e comentada pelo Twitter, o vereador Antônio Carlos Rodrigues, do PR, decidiu dar a ele aulas de cidadania.

Lição nº 1 de ACR: “Você precisa conhecer o Regimento Interno para comentar sessões da Câmara”.

Lição nº 2 de ACR: “Entendo a importância do trabalho que vocês realizam e acredito que a fiscalização de parlamentares deve ser sempre pautada pela imparcialidade”.

O ex-presidente da Câmara se engana duplamente.

Para cobrar do vereador basta ser cidadão. O que o Adote um Vereador incentiva é que este cidadão esteja mais próximo do legislativo para entender como a casa funciona (ou não). Conhecer o regimento interno da Câmara Municipal pode ser importante, mas não é fundamental. Aliás, muitos dos vereadores não o conhecem e precisam da ajuda de colegas até mesmo para elaborar um projeto de lei. Não por acaso, usam e pagam com dinheiro público técnicos da área jurídica.

Para ser do Adote, exige-se tudo menos imparcialidade. A rede é formada por blogueiros e voluntários compromissados até o pescoço com a cidadania. E a ideia é aumentar o número de adeptos dispostos a escolher um vereador, abrir um blog e fiscalizar o trabalho dele desenvolvendo seu olhar crítico. Não há nada que exija destes voluntários isenção, apenas ação.

Se você estiver disposto a se unir ao Adote um Vereador, não espere o próximo encontro. Abra logo seu blog, conte para gente e seja mais um cidadão a fazer parte desta rede.

Conheça mais o Adote um Vereador:


Blog do Adote um Vereador


Site do Adote um Vereador

WikiSite do Adote um Vereador

Twitter @AdoteUmVereador

Álbum de fotos do Adote um Vereador, no Flickr

Jornal eletrônico do Adote um Vereador

Adote cobra Colégio de Líderes aberto ao cidadão

 

A votação no plenário está, ao vivo, na televisão – ao menos para quem tem sinal a cabo. As comissões permanentes, audiências públicas e CPIs já estão na internet. Chegou a hora de abrir as portas da reunião de líderes que ocorre, semanalmente, na Câmara Municipal de São Paulo, onde se decide a agenda parlamentar com partidos e Governo expondo seu pensamento em relação a cada um dos assuntos levados à Casa.

Com este objetivo, o Adote um Vereador, através do Cláudio Vieira, enviou mensagem para os 15 líderes de partidos e Governo perguntando se eles são a favor ou contra a divulgação na internet desta discussão dos vereadores.

Por enquanto, o esquema do jogo é o 7 x 2 x 6. Explico: sete disseram que aceitam a ideia de tornar pública toda discussão do Colégio de Líderes; dois são contra e seis não responderam.

Veja aqui a lista e a justificativa de quem é contra, a favor ou está em cima do muro

Questionada sobre o tema, a Ouvidoria da Câmara Municipal de São Paulo mandou a seguinte explicação para o fato de a reunião ser fechada:

A reunião de Líderes tem como objetivo a definição da pauta das Sessões que se realizarão na semana seguinte. Trata-se de reunião de trabalho preparatória, da qual o resultado, que é o aspecto relevante, é amplamente divulgado para a sociedade. Sempre que um debate sobre um determinado projeto, surgido durante a reunião de Líderes, ganha relevância, ele é disponibilizado para a sociedade na forma de audiências públicas ou debates pelas Comissões, que são os foros próprios e organizados para comportar essa discussão, preferencialmente com a participação ativa da sociedade, de tal sorte que, quando o projeto vier a ser pautado, estará amadurecido pelo mais amplo debate. Portanto, a reunião de Líderes não só é aberta à sociedade, como incorpora a sociedade como partícipe, através dos canais institucionais.” Se o conteúdo estiver adequado, será disponibilizado para a Ouvidoria.

Atenciosamente,
Ouvidoria da Câmara Municipal de São Paulo