Carnaval 2016: destaque para as mudanças

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Mundo Corporativo, no Jornal da CBN de sábado, Fábio Stul da McKinsey disse a Mílton Jung que o passado não significa o futuro, e se os negócios prosperavam mais nas grandes capitais, a partir de agora as cidades menores terão crescimento maior. Mesmo nas atuais circunstâncias.

 

Ontem, os noticiários mostraram as mudanças ocorridas no Carnaval. Os cariocas, que tinham perdido o espírito da folia popular da década de 1940 e 1950 em benefício das grandes escolas de samba dos anos 1980 e 1990, retomaram com vigor o espírito da comemoração popular através de centenas de blocos e muita animação.

 

Em São Paulo, os blocos chegaram a superar a participação e até a arrecadação gerada pelos desfiles das escolas de samba. Segundo o prefeito Fernando Haddad, a cidade estima receber de movimentação econômica R$250 milhões com as escolas e R$ 400 milhões com os blocos.

 

Quanto a projeção da McKinsey, é positivo saber que usando a técnica e fazendo a escolha certa do território e respectivo produto possa se chegar a bons resultados.

 

 

Em relação ao Carnaval, é animador que o momento de crise não tenha reduzido a motivação das pessoas, como foi demonstrado pela disposição e animação nas comemorações. Expectativa existente nas empresas mais ágeis que patrocinaram os blocos e/ou distribuíram brindes e materiais promocionais.

 

Além de várias marcas de cerveja, começaram a surgir novos anunciantes.

 

No Rio, dos 200 mil brindes da Antarctica, patrocinadora de 110 blocos, às mil calcinhas e cuecas da Du Loren, apareceram bolsas, sandálias, óculos, que disputaram o agrado aos foliões.

 

Em São Paulo, a cerveja Amstel foi uma das patrocinadoras e teve sucesso com os vendedores ambulantes que receberam reabastecimento automático e ainda ganhavam um real adicional em cada venda. Houve queixa de monopólio, apreensão, etc. Uma verdadeira batalha de marketing.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Multar para arrecadar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Rodovias e vias de São Paulo e Rio estão sendo usadas e abusadas pela indústria da multa. A Rio-Santos no trecho entre Paraty e Angra com 96 km tem 45 radares, que equivale a um radar a cada 2,2 km. Com velocidade máxima de 40 ou 60 km. E, multas de 86 a 576 reais. Em São Paulo se reduz a velocidade de grandes avenidas para 50 km e é anunciada para breve uma velocidade geral para as demais vias de 40 km.

 

O Ministério Público Federal tem agido na Rio-Santos para coibir abusos de excesso de controle e de variação de velocidade. Tem obtido sucesso momentâneo, mas não conseguiu padronizar e racionalizar o sistema de controle de tráfego. Na Assembleia Legislativa, as manifestações contra os excessos também não conseguiram aplacar a gana pelo dinheiro das multas.

 

Na capital paulista, os 11,5 milhões de habitantes também não se mexem e assimilam o que vai na cabeça de Haddad e seus auxiliares.

 

É o típico caso em que o Poder Público é causa e efeito do problema. Nas estradas é permissivo quanto à ocupação de beira de rodovia, onde são construídas casas e comércios junto as pistas. Na cidade, o automóvel antes priorizado vê seus já congestionados espaços ocupados pelas faixas de ônibus e ciclovias.

 

O cenário é preocupante, pois se usa o automóvel para arrecadar e se justifica pela vida a ser salva. Como se o motorista irresponsável possa ser constrangido pela multa.

 

Há prejuízos.Nas rodovias turísticas certamente motoristas pensarão duas vezes antes de sair para locais com radares a cada 2 km. Principalmente quando não há linhas aéreas. Nas cidades a redução do ritmo do transporte resultará em menor produção e produtividade.

 

Os aplicativos talvez sejam a solução. Nas rodovias, com clubes de compra para passagens aéreas. Nas cidades, para escolher e combinar o melhor candidato para a próxima eleição.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A imagem deste post é do álbum de M.J.Ambriola, no Flickr

Com o sapato errado, no lugar errado, mas com a camisa certa

 

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Confesso que foi a camisa do Grêmio, vestida pelo rapaz que faz pose diante da Baia de Guanabara, que primeiro me chamou atenção na reportagem publicada no site da NPR – a rede de rádios públicas dos Estados Unidos, que ouço quase que diariamente pelo aplicativo no meu celular. O interesse tricolor me levou, porém, para uma história bastante curiosa protagonizada pelo estudante Robert Snyder, que faz doutorado em epidemiologia, na Universidade da California, e esteve por seis vezes no Brasil, algumas para se divertir e outras para pesquisar como doenças afetam algumas das comunidades mais pobres.

 

Entrevistado pela jornalista Linda Poon, que relata histórias de vida que mudam o mundo, Snyder lembra do dia em que estava no lugar errado, na hora errada e, descobriu mais tarde, com o sapato errado. Ele conta que foi assaltado por um casal de crianças durante passeio domingo à noite, no Rio de Janeiro, que o ameaçou com uma faca e levou carteira, dinheiro e celular. Foi ao posto de polícia mais próximo, mas pediram para ele atravessar a cidade onde havia uma delegacia especializada em turistas, onde ouviu a recomendação de uma policial que o atendeu: “na próxima vez dá um soco na cara dele”.

 

O que mais impressionou o estudante americano, porém, foi o motivo que o teria tornado alvo dos assaltantes: o calçado. Descobriu que para ter um pouco mais de tranquilidade nos passeios deveria usar as tradicionais sandálias Havaianas em lugar do seu tamanco de plástico Birkenstock: quando você não está vestindo uma Havaiana, especialmente no Rio, as pessoas logo sabem que você não é de lá – disse à repórter. O mais irônico é que ao ser assaltado, Snyder contribuiu para as estatísticas que fazem parte de sua pesquisa, pois violência, assalto e homicídio têm sério impacto sobre a saúde pública de uma comunidade e são motivos de análise no estudo.

 

Apesar do assalto, Snyder dá sinais de que gosta de estar por aqui. Nas favelas em que realiza seu trabalho, aprendeu que estes não são locais homogêneos como costumava pensar à distância, e encontram-se muitas pessoas felizes e orgulhosas da vida que tem: “há uma ideia de capital social, as pessoas se dão muito bem e cuidam uma das outras”.

 

Destaca para a repórter que a palavra que todos que vão para o Brasil devem saber é saudade que não tem uma boa tradução para o inglês mas descreve o sentimento de quem se preocupa com você ou seu país. Brinca ao dizer que dos Estados Unidos tem saudade da manteiga de amendoim que quase não encontra por aqui e quando encontra é muito cara, por isso sempre que retorna para lá faz estoques extras para a viagem.

 

A repórter pede uma recomendação aos turistas que pretendem visitar o Brasil: compre uma Havaiana e você vai ser capaz de se misturar com as pessoas.

 

Pela bela camisa que está vestindo, percebe-se que Snyder está por dentro das boas coisas que o Brasil tem.

 

Leia a reportagem completa no site da NPR

Avalanche Tricolor: lances que explicam o time de Felipão

 

Botafogo 0 x 2 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Maracanã

 

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Faltavam poucos minutos para se encerrar a partida, resultado praticamente decidido pois Barcos já havia marcado seus dois gols. O adversário ainda ensaiava alguns ataques, apesar da segurança da defesa gremista durante todo o jogo. Uma escapada pelo meio, porém, se transformaria em ameaça ao nosso time, o atacante deles apareceria na entrada da área sem marcação. Ou quase. Pois, o nosso atacante, Barcos, aquele mesmo que já havia marcado seus dois gols, surgiria para despachar a bola para fora e colocar a casa em ordem.

 

Um pouco antes ou depois, já não lembro mais, foi nossa vez de contra-atacar pelo meio, com o trabalho de articulação de Alan Ruiz, que havia entrado no segundo tempo. O gringo encontrou livre pela esquerda, dentro da área, Mateus Biteco, que também acabara de entrar. O volante, que era o homem mais avançado do Grêmio naquele momento, percebeu a chegada em velocidade de Zé Roberto. Nosso lateral camisa 10 já havia participado do início da jogada lá na defesa e mesmo depois de correr quase 90 minutos se apresentava no ataque.

 

Descrevo os dois lances acima, que talvez não apareçam nos melhores momentos que a televisão vai mostrar nos programas de esporte amanhã, porque os considero significativos. Revelam parte do sucesso alcançado pelo Grêmio desde que Luis Felipe Scolari assumiu o comando há pouco mais de dois meses. Cada jogador em campo, comece como titular ou entre no decorrer da partida, está comprometido com as ideias defendidas pelo treinador. Defendem e atacam independentemente da posição para a qual estão escalados. Entregam-se de corpo e alma, mesmo quando há limites técnicos. Sabem que nosso objetivo está no topo da tabela e têm perseverança nesta busca, pois estão cientes de que o caminho é longo, ainda faltam 13 rodadas, são 39 pontos em disputa e um tremendo de congestionamento de times.

 

A vitória deste domingo, além de nos manter nessa caminhada, nos oferece outros sinais animadores. O Rio de Janeiro é praticamente nossa casa, estamos há dois anos e 20 jogos sem perder para times cariocas. Neste campeonato, alcançamos a nona partida seguida sem derrota e completamos 810 minutos sem tomar gol – fato, aliás, que me faz lembrar mais um lance no Maracanã: com apenas um minuto do segundo tempo, instante em que o adversário parecia motivado a mudar o rumo do jogo após praticamente não tocar na bola no primeiro tempo, o ataque deles chega de forma perigosa, faz assistência de letra, completa com um sem-pulo mas se frustra ao ver Marcelo Grohe desviar com a mão esquerda. Nosso goleiro impediu o gol com movimento que levou milésimos de segundo, o que também explica nosso sucesso até aqui.

 

De Grohe a Barcos, sem exceção, todos sabem seu dever e estão prontos a servir. Assim é o Grêmio de Luis Felipe Scolari e quem não acreditar nisso que pegue suas convicções e vá torcer em outra freguesia.

Conte Sua História de SP: o escocês que se apaixonou pela cidade

 

No Conte Sua História de São Paulo você ouve o depoimento de Barry Michael Wolfe ao Museu da Pessoa. Barry é escocês, nascido em Glasgow, em 1955. Criança, sonhava ser Sherlock Holmes e se divertia ao andar de terno, gravata e chapéu espiando as pessoas. Virou advogado, ainda na Escócia. Conheceu o Brasil pelo filme “Gabriela, Cravo e Canela”, e nas músicas de Vinícius de Morais. Apaixonou-se. Em Londres, chegou a tocar tamborim em uma escola de samba. Mas só conheceu o país, em 1986, a convite de um amigo que comandava grupo de investidores estrangeiros. Aqui, esteve no Rio e São Paulo, em visita que antecederia sua decisão de se mudar definitivamente para viver no Brasil:

 

 

Barry Michael Wolfe é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa (assista à entrevista completa aqui). Você também pode registrar a sua história, agende entrevista em audio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, conte sua história por escrito e envie para o e-mail milton@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br.

De bom e ruim

 

Quem está vivo, sempre aparece. Ditado antigo que ganha atualidade na minha caixa de correio ao identificar entre tantas mensagens uma assinada por Maria Lucia Solla, comentarista de primeira hora deste blog. Após alguns meses distante de todos nós, ela reaparece com seu texto típico e suas histórias atípicas, para alegria deste blogueiro e, com certeza, de você, caro e raro leitor. Seja “re-bem-vinda”, Malu! E que seja apenas o primeiro de uma nova série:

 


Por Maria Lucia Solla

 

Já nem sei o que dizer.
Meus pensamentos, tal qual instrumentos de orquestra, andaram executando melodias misteriosas e explícitas ao mesmo tempo. Imagina um dueto entre surdo e flauta? Alguma coisa entre o trágico, o humano, o incrível e o inesperado do desumano.
Adrenalina.

 

Fui vítima de um golpe muito comum, divulgado, decifrado nos mínimos detalhes, por toda parte. Aquele do celular não identificado que te chama, e você -que não tem o hábito de atender a esse tipo de chamada- naquela hora daquele dia, atende.

 

Uma voz angustiada, de homem diz de longe:

 

– Mãe, fui sequestrado, estou amarrado; faz o que eles pedem.
– Filho? Fala comigo! Onde você está?

 

Ele está no cativeiro, senhora. Tá imobilizado. e a vida dele está nas suas mãos.
Senhora?? Quem é que está falando? Meu D’us! Quem é você? Quero falar com meu filho!

 

Os detalhes da história estavam no meu Caminho, e não no teu, então pulamos essa parte.

 

Já está tudo bem, meu filho está bem, e tudo anda por aqui. Eu, dura na queda, vou me equilibrando na beleza da vida.
E tem lugar melhor?

 

Durante o sequestro -onde na verdade fui eu a sequestrada- minhas antenas vibravam dentro e fora de mim. Parte de mim suspeitava de um golpe, como disse lá em cima, mas a outra parte, aquela que não pertence a classe nenhuma, me alertava que eu não podia colocar em perigo maior, a vida do meu filho. Não tinha garantia. Eles tinham o meu número, eu não tinha o deles. Passavam de um chefe para outro.

 

Fiz o que pediram. Saí, fui carregar um celular com prefixo do Rio de Janeiro, tudo a pé, porque não tinha braço para dirigir e eu não devia afastar o celular do ouvido. Além de sequestrada, monitorada.

 

Foi tudo surreal. Surreal ruim, não bom!

 

O que há de bom em tudo isso?
Ah, tanta coisa que nem tem papel suficiente -nem virtual- para elencar um punhado delas.

 

Um viva à Vida!

 


Maria Lucia Solla é escritora, pensadora e colaboradora deste blog.

Falta de respeito à lei causa morte e acidentes de caminhão, no Rio e São Paulo

 

 


A terça-feira se iniciou encrencada para os motoristas de São Paulo e Rio de Janeiro devido a acidentes de caminhões em algumas de suas principais vias de tráfego. Logo cedo, assim que o Jornal da CBN entrava no ar, noticiamos que as marginais Pinheiro e Tietê apresentavam problemas na circulação em função dos acontecimentos. Aparentemente, foi o acidente na Pinheiros que causou maiores problemas depois que um carreta de 40 toneladas transportando plástico tombou na via expressa, em direção à rodovia Castelo Branco. Houve necessidade de equipamento especial e operação cuidadosa para destombar o veículo e liberar as faixas. O motorista não se feriu, mas terá de dar explicações do motivo de estar rodando na Marginal Pinheiros dentro de horário de restrição, que se inicia às quatro horas da manhã e foi criado com o objetivo de diminuir os congestionamentos e os riscos aos motoristas de carro que usam a via.

 

Nada do que aconteceu em São Paulo se compararia com a notícia que chegou do Rio de Janeiro assim que o Jornal da CBN se encerrou. Recebemos a informação de outro caminhão que havia provocado acidente ao se chocar com uma passarela de pedestres, na Linha Amarela. Desde as primeiras notícias na rádio, assim como as imagens que a GloboNews transmitia ao vivo, davam a ideia de que o caso carioca seria ainda mais grave. No decorrer da cobertura, infelizmente, nossa percepção se confirmou e soube-se que quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas após o caminhão, que estava com a caçamba levantada, derrubar a passarela. Na Linha Amarela, os caminhões só podem rodar após às 10 horas da manhã, mas o motorista disse à polícia que estava atrasado e para ganhar tempo decidiu cortar caminho.

 

As duas maiores cidades brasileiras têm buscado soluções para reduzir o impacto do trânsito e aumentar a segurança restringindo a circulação e a velocidade de carros e caminhões em horários e áreas específicos. Porém, a falta de respeito de motoristas – muitas vezes profissionais como os personagens das notícias desta manhã – e a fiscalização capenga impedem que os resultados sejam efetivos. Enquanto todos acreditarem que a vida em sociedade carece de respeito às regras, mortes e transtornos se repetirão seja no trânsito, como hoje, seja nas obras, como no Itaquerão há dois meses, seja nas boates, como na Kiss, em Santa Maria, há um ano.

Rio sai na frente contra o Minhocão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Desativada a partir de segunda-feira, a Perimetral carioca poderá trazer uma nova postura de urbanismo no que tange a tráfego e qualidade de vida aos moradores do Rio. O ambicioso projeto PORTO MARAVILHA derrubará 4 km da Perimetral na zona portuária, mas prevê aumento da capacidade do fluxo de veículos, além de tornar a região mais condizente com suas origens. Tanto no aspecto paisagístico quanto no ambiental.

 

Os números são expressivos:

 

Implantação de 17 km de ciclovias, reurbanização de 70 km de vias e 650 mil m2 de calçadas, plantio de 15 000 árvores e construção de três novas estações de tratamento de esgoto.

 

A cidade de São Paulo, assim como o Rio, teve alguns raros e competentes prefeitos, que conseguiram mudar suas fisionomias. Pereira Passos e Carlos Lacerda, no lado carioca. Prestes Maia e Faria Lima no paulistano. O Rio por sua geografia urbana, com montanha e mar, exigiu mais arrojo e pioneirismo.

 

Lacerda, por exemplo, em quatro anos aterrou toda a orla, criou com Burle Marx o Parque do Flamengo em cima do mar, transformou com engenheiros portugueses a Copacabana das ressacas que invadiam os prédios na imensa praia de Copacabana de hoje, reurbanizou Flamengo e Botafogo, reformou o Maracanã, ligou a zona norte com a zona sul através de túneis, construiu interceptores oceânicos para esgotos, e ainda teve tempo de atacar ferozmente seus adversários políticos.

 

Distante deste cenário vivido de 1960 a 1964, e diante dos recentes engodos nas obras do MIS e do PAN, ficamos na torcida para que o PORTO MARAVILHA se ilumine no distante para que fiquemos diante de um exemplo a ser copiado.

 

Daqui de São Paulo, a torcida é imensa, pois o Minhocão do Sr. Maluf é muito mais agressivo do que a Perimetral carioca.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Beleza é fundamental; planejar, também

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A saga da beleza carioca deve ter colaborado para que o Rio não tenha feito uma JMJ bem organizada. A concepção de que o belo seja suficiente para seduzir e atrair não é de agora. Há dez anos, César Maia ao receber a escolha pelo COB para se candidatar às Olimpíadas provocou São Paulo usando a frase de Vinicius: “Beleza é fundamental”. Eduardo Paes pelo que observamos continuou nesta linha, tentando abocanhar todo e qualquer evento para a cidade em virtude da sua beleza.

 

A JMJ que se encerrou domingo, como todos perceberam, aflorou a questão, pois o Rio não foi aprovado como anfitrião eficiente. Ora pela incapacidade natural de receber tantas pessoas, ora pela incompetência operacional, fatos que não passariam por um planejamento de categoria. A tal ponto que até os locais mais expressivos da paisagem carioca deixaram de render o crédito merecido em função do congestionamento. O que prova que beleza é apenas fundamental, mas não é suficiente.

 

César Maia certamente não se atentou ao poema completo de Vinicius. Em “Receita de Mulher” Vinicius de Moraes criou uma das frases mais conhecidas de sua obra e, por isso a expressão que inicia seu poema se sobrepôs a todo o conteúdo. “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, ficou como se fosse a Receita de Mulher de Vinicius de Moraes. Aos mais atentos basta ler outro trecho para entender que beleza não é o único caminho:

Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro 

Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem 

Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então.

 
O próprio Vinicius exemplificou, pois suas mulheres, como bem lembrou recentemente Ruy Castro em sua coluna na Folha, não eram fundamentalmente belas. O sábio poeta deve ter seguido o popular: “Boniteza não põe mesa”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.