A “Mão de Deus” em Itaipu e no Rodoanel

Por Carlos Magno Gibrail

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No momento em que a imagem do Brasil surge com positiva ascensão, Copa 2014, Olimpíada 2016, crise econômica resolvida, eis que os deuses da política, assim como o fazem os deuses do futebol, caprichosamente se apresentaram.

Do despreparo fluminense para a luta contra o crime organizado poucos dias após a eleição carioca, ao 10 de novembro quando 88 milhões de pessoas ficaram 5hs e 47 minutos sem luz , seguiu-se apenas três dias para que o Rodoanel viesse a ocupar as páginas policiais.

E, convenhamos, desta vez os deuses capricharam, pois em poucos dias colocaram em igualdade de desvantagens Dilma e Serra os dois candidatos que deverão disputar ano que vem o lugar de Lula.

Como diria Maradona, a mão dos deuses caprichou, pois Dilma com currículo enfatizado no sistema elétrico e Serra na eficiência dos controles públicos, estão com seus pontos fortes abalados pelos episódios do apagão e da queda da viga.

Da mesma forma que nenhum de nós chamaria Dilma para consertar tomada ou Serra para fazer puxadinho, pois sabemos que não tem habilidade para tanto, esperávamos ao menos a informação da causa e o compromisso da não repetição do problema. Dilma e Lobão maus atores e Serra emparedado para explicar pela segunda vez desabamento em grandes obras, não se avexou e usa o apagão como bandeira de seu partido na campanha política.

Dos técnicos já sabemos que não foi nem intempérie climática nem outro efeito externo a causa e tudo indica que erro humano é a aparente resposta, tanto para Itaipu quanto para o Rodoanel.

Na questão da energia elétrica, J. Tannus engenheiro eletricista, contemporâneo da Light explica:

“Na década de 70, a título de exemplo, a Light Serviços de Eletricidade S.A. era a empresa responsável pelo abastecimento de energia elétrica na cidade de São Paulo. A Light, do ponto de vista técnico, era auto-suficiente. Herdeira da competência canadense, cujo proprietário era a empresa Brascan Limited. Estava estruturada para dar conta de todas as atividades necessárias para suprir a cidade de São Paulo de energia elétrica: Planejamento, Projeto, Construção e Operação de Usinas, Linhas de Transmissão, Subestações e Distribuição. Até que o processo de terceirização começou a mudar o perfil da empresa e das responsabilidades do corpo técnico. Hoje, a Eletropaulo, herdeira da antiga Light Serviços de Eletricidade, praticamente terceiriza tudo aquilo que era de competência da antiga empresa. E as conseqüências negativas são inúmeras. A principal delas, a meu ver, é a falta de engajamento e de perspectiva profissional do corpo técnico envolvido com as várias atividades ligadas ao suprimento de energia elétrica, uma vez que boa parte é mão de obra de terceiros. E isso certamente tem afetado a qualidade dos serviços oferecidos. Essa armadilha algumas empresas privadas do varejo, por exemplo, não caíram. Os supermercados tendem a verticalização apresentando marcas próprias. Alguns terceirizaram produção e segurança, mas não abriram mão do atendimento final ao consumidor”.

O Vice reitor da ESCOLA POLITÉCNICA da USP, Eng.José Roberto Cardoso, em entrevista a Daniel Bergamasco na FOLHA diz:

“Grandes construções , como a do Rodoanel, precisam de engenheiros experientes, e isso está em falta no Brasil. Há falta de engenheiros realmente bons e experimentados para a execução das obras, para antecipar os problemas que estão acontecendo e agir rápido”.

Eu tenho a impressão que o Eng. Cardoso sabe, lidando com a formação de engenheiros em uma das mais respeitáveis Escolas de Engenharia, que estes seniores estão desempregados e á disposição do mercado. Foram provavelmente demitidos por “excesso” de idade, trocados por juniores com salários mais baixos e correspondente experiência e conhecimento. É a demanda deprimida. Experiente e no estaleiro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung. Aproveitou o apagão de terça e o dominó de sexta para refletir em vez de fazer politicagem

Querem abrir caminho no Rodoanel

Um grupo de empresários e comerciantes da região sul de São Paulo tenta mobilizar os moradores para pressionar o Governo do Estado a abrir uma via de acesso para o trecho sul do Rodoanel Mário Covas, que deve ser entregue em março de 2010. A ideia é ligar a avenida Teotônio Vilela a rodovia “para tirar a zona sul do isolamento”, disse o presidente da Associação Empresarial da Região Sul, Ronaldo do Prado Farias, ao CBN SP.

O Governo estaria impedido de abrir qualquer acesso ao trecho sul do Rodoanel devido as restrições impostas durante o licenciamento ambiental. Foi o que explicou o secretário dos Transportes do Estado de São Paulo Mauro Arce, que não enxerga qualquer possibilidade de o projeto original ser modificado. Nem mesmo a proposta de construção de uma marginal ao Rodoanel seria viável, disse ao CBN SP.

Acompanha a discussão:

Ouça a entrevista com Ronaldo Prado Farias, da AESUL

Ouça a entrevista com o secretário de Transportes do Estado de SP Mauro Arce

A manifestação dos empresários da Região Sul de São Paulo será dia 19 de setembro, sábado, às 10 da manhã, no Largo do Rio Bonito, no cruzamento das Avenidas Robert Kennedy e Senador Teotônio. Um abaixo-assinado estará à disposição de quem apoia a ideia de abertura deste acesso.

Tora, tora, tora !

Centenas e centenas de árvores cortadas é o que mostram imagens do início da construção do trecho sul do Rodoanel. O local que você vê é área de manancial da Represa Billings, maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo. Segundo informa Carlos Bocuhy, do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, esta é a região do Botujuru, em São Bernardo do Campo.

Nesta terça-feira, no CBN SP, vamos falar sobre o assunto, mas você já pode deixar a sua opinião.