Conte Sua História de SP: os parques que me levaram ao escotismo

 

Por Emerson Beraldo

 

 

Minha mãe tinha casa no Butantã, no Jardim João XXIII, onde crescemos e descobrimos a vida. Meu pai trabalhava no comércio e não tinha muito tempo para dar atenção aos filhos, mas nos domingos de folga sempre nos levava para passear nos parques da cidade que só víamos no horizonte.

 

Zoológico, nossa! Como era longe! Eram duas horas de ônibus até lá. Hoje não gasto mais de 30 minutos.

 

No Parque do Ibirapuera tinham o lago, a Bienal, a Prefeitura (sim ela ficava no parque, onde hoje é o prédio da PRODAN), lá podia subir nas árvores, no monumento às Bandeiras, onde tinha uma placa com os nomes dos Bandeirantes que desbravaram nosso Estado, e ficávamos fascinados com o tamanho do Obelisco.

 

Para pegar o ônibus de volta, passava por uma praça, ao lado do Obelisco, chamada “Escoteiro Aldo Chioratto”, naquela época eu só conhecia escoteiros pela TV e pensava: “um dia vou ser escoteiro”.

 

Já no Parque da Previdência tinha um bosque que em nossa imaginação de criança, se transformava em uma floresta assustadora como nos filmes de terror.

 

Adorávamos subir na antiga caixa d’água em forma de Cúpula, de onde avistávamos a cidade. Sentados nos bancos ao lado da administração víamos o Estádio do Morumbi. Dava até para ouvir o barulho das torcidas em dias de jogos.

 

Em 1986, durante um destes passeios pelo Parque da Previdência, logo ao chegar cruzei com um garoto muito bem uniformizado. Foi a hora, eu e meus irmãos corremos para perto de minha mão e dissemos:

 

– Aqui têm escoteiros! Queremos participar!

 

Foram meses de espera pelo chamado que enfim veio, e no sábado, 28 de março de 1987, estávamos lá, prontos para começar, não tinha ideia que aquilo mudaria para sempre nossas vidas.

 

Carnaval 2016: destaque para as mudanças

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Mundo Corporativo, no Jornal da CBN de sábado, Fábio Stul da McKinsey disse a Mílton Jung que o passado não significa o futuro, e se os negócios prosperavam mais nas grandes capitais, a partir de agora as cidades menores terão crescimento maior. Mesmo nas atuais circunstâncias.

 

Ontem, os noticiários mostraram as mudanças ocorridas no Carnaval. Os cariocas, que tinham perdido o espírito da folia popular da década de 1940 e 1950 em benefício das grandes escolas de samba dos anos 1980 e 1990, retomaram com vigor o espírito da comemoração popular através de centenas de blocos e muita animação.

 

Em São Paulo, os blocos chegaram a superar a participação e até a arrecadação gerada pelos desfiles das escolas de samba. Segundo o prefeito Fernando Haddad, a cidade estima receber de movimentação econômica R$250 milhões com as escolas e R$ 400 milhões com os blocos.

 

Quanto a projeção da McKinsey, é positivo saber que usando a técnica e fazendo a escolha certa do território e respectivo produto possa se chegar a bons resultados.

 

 

Em relação ao Carnaval, é animador que o momento de crise não tenha reduzido a motivação das pessoas, como foi demonstrado pela disposição e animação nas comemorações. Expectativa existente nas empresas mais ágeis que patrocinaram os blocos e/ou distribuíram brindes e materiais promocionais.

 

Além de várias marcas de cerveja, começaram a surgir novos anunciantes.

 

No Rio, dos 200 mil brindes da Antarctica, patrocinadora de 110 blocos, às mil calcinhas e cuecas da Du Loren, apareceram bolsas, sandálias, óculos, que disputaram o agrado aos foliões.

 

Em São Paulo, a cerveja Amstel foi uma das patrocinadoras e teve sucesso com os vendedores ambulantes que receberam reabastecimento automático e ainda ganhavam um real adicional em cada venda. Houve queixa de monopólio, apreensão, etc. Uma verdadeira batalha de marketing.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

SP: incompetência assola a cidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A faixa exclusiva de ônibus instalada na Av. Giovanni Gronchi, na Zona Sul de São Paulo, é coerente com a linearidade da gestão Haddad. Mas uma afronta à flexibilidade necessária às operações inteligentes.

 

Os sistemas do passado não traziam a tecnologia para se adaptar aos fluxos variáveis de demanda, e, portanto, eram implantados de forma linear.

 

Hoje, por exemplo, semáforos, logísticas de entrega e abastecimento de produtos e serviços podem ser acionados de acordo com a necessidade do momento. Essa é a realidade no mundo corporativo, enquanto vemos que na atual administração municipal o sistema adotado é o linear. Até mesmo para o processamento mental da estratégia a ser aplicada.

 

As ciclovias, tão necessárias para uma cidade de 11 milhões de habitantes, foram implantadas sem considerações das obrigatórias especificidades, como adequação a topografia, a demografia e a economia.

 

A redução de velocidade aos veículos foi imposta de forma singular a áreas tão plural em fluxos, topografias e tipologias de carga e passageiros, que se tornou mais apropriada ao humor do que ao morador. Ao surgir o novo limite de 40 km parece que em breve poderá estar a 10 km, já que a prioridade não é a locomoção, mas o acidente.

 

As instalações de faixas e corredores de ônibus não levaram em conta as dimensões nem as demandas dos usuários e seguiram o mesmo padrão em toda a cidade.

 

No caso da Giovanni, há trechos em que apenas fica uma estreita faixa aos veículos e ainda se anuncia a sua aplicação na Av. Morumbi, cuja largura é menor ainda.

 

Há um ano, a CBN entrevistou o Prof. Ejzenberg que analisou os 290 km exclusivos aos ônibus, quando demonstrou que os resultados foram desanimadores. Apenas houve aumento de rapidez aos mesmos usuários, sem absorver novos passageiros. Para isso teria que se preencher os espaços vazios destas faixas, então ocupadas por 30 ônibus/hora, por mais veículos.

 

Uma façanha! Haddad aumentou o espaço dos ônibus, que não conseguiram mais passageiros, diminuiu o espaço dos automóveis que aumentaram o congestionamento.

 

Ainda assim continuou usando o mesmo sistema.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

São Paulo, 62 anos depois

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Assistindo às agressivas manifestações de repúdio ao Prefeito e ao Governador do Estado, na celebração do aniversário da Cidade, no mesmo local em que, há 62 anos, foi inaugurada a Catedral de São Paulo, comemorando também o aniversário da capital paulista, a comparação entre as épocas é inevitável, principalmente para quem vivenciou o passado.

 

E parece-me que São Paulo retrocedeu.

 

Em 25 de janeiro de 1954, com 12 anos, há sete chegado de Paraty, assumi a cidadania paulistana. Nos primeiros minutos do dia os sinos começaram a repicar, em seguida as sirenes das fábricas juntaram-se ao som que anunciava os 400 anos da aniversariante.

 

Participei do desfile cívico militar, no Vale do Anhangabaú, pelo Liceu Coração de Jesus, onde se deu a queima de fogos e a chuva de prata. O povo de São Paulo estava nas ruas. Em festa!

 

São Paulo começava a assumir a liderança econômica do país.

 

“Foi o ano da vanglória e do ufanismo paulistano” disse Roberto Pompeu de Toledo. “São Paulo se vingava em alto estilo dos muitos anos de atraso e ostracismo no panorama das cidades brasileiras”.

 

Durante todo aquele ano, houve eventos e inaugurações relacionados com o Quarto Centenário: Grande Prêmio em Interlagos, Companhia de Balé especial para a data, inauguração do Parque Ibiraquera, projetado por Oscar Niemayer, Feira Internacional da Indústria.

 

São Paulo destoava do todo. O país passava por grandes problemas políticos. O presidente Getúlio Vargas era acossado por Carlos Lacerda com graves denúncias de corrupção.

 

Se hoje no âmbito nacional a situação não é diferente, no municipal e estadual estamos diante de crise econômica, administrativa e de segurança ímpar.

 

É incompreensível, por exemplo, que depois de tantos flagrantes fotográficos e cinematográficos não se puna ninguém entre o Black Blocs. Ao mesmo tempo, a população não pode continuar a ser vitima de um punhado de adolescentes. E, é claro, a responsabilidade é das autoridades, que se não agirem rapidamente e a contento, estarão sujeitas a garrafas pet onde aparecerem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP – 462 anos: da minha casinha no Butantã até onde o olhar alcança

 

Por Samuel de Leonardo

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, trechos do texto enviado pelo ouvinte-internauta Samuel de Leonardo, nascido em 1956, na cidade de Inúbia Paulista. Veio para a capital no fim dos anos de 1950 quando a família se fixou em uma chácara na rodovia Raposo Tavares:

 

Dias difíceis aqueles, contavam meus avós. Pouco trabalho, pouca comida e um frio de matar. Minha avó japonesa, era assim que a chamávamos, permanecera com os irmãos de minha mãe tocando a lavoura de café na região de Rinópolis, interior de São Paulo.

 

Com dignidade, meu avô paterno tocava a lida na chácara e subsistíamos com o que ali se plantava: verduras, mandiocas, muitas abóboras, muitos chuchus e criação de galinhas. Meu pai ingressou na construção civil, foi ser servente de pedreiro. O que poderia mais conseguir um semi-analfabeto que dos 30 anos vividos frequentara a escola apenas dois?

 

Decorrido pouco tempo ele conseguiu ingressar na Prefeitura Municipal de São Paulo, no cargo de gari, e com isso passara a ganhar um pouco mais. Assim como todo brasileiro, a casa própria era o seu sonho. Com muito sacrifício comprou terreno num loteamento novo em São Domingos, lá pelos lados do Butantã, na zona oeste.

 

Lembro-me vagamente dos dias vividos na chácara nas imediações onde hoje está erguido o Shopping Raposo Tavares: a bola colorida, presente dada pela mulher que era a dona do local; a minha queda de cima do barranco quando soltava bolhas de sabão com canudo de talo de mamona feita pelos meus tios. Tenho vivo em minha memória quando, aos três anos, pela primeira vez entrei em um veículo motorizado, um caminhão. Foi o dia da mudança para a casa nova, um cômodo apenas, perdido numa imensidão de terra vermelha, mas que para nós era um lar.

 

De frente àquela casinha olhando um pouco mais para alto podia-se avistar um imenso milharal e uma imagem tal qual uma colcha de retalhos em várias tonalidades de verde, repleta de verduras. Era a chácara dos Fonsecas. À direita uma estreita rua subia rumo às casas, que se perdiam de vista, espalhadas colina acima em direção ao Bonfiglioli. À esquerda, a poucos metros da casa, uma imensidão de sapezais e, mais abaixo, um córrego com várias tábuas ao seu redor. Ainda ao longe uma estradinha que terminava em uma granja e um pouco mais à frente podia-se contemplar os telhados de uma olaria lá pelos lados do Rio Pequeno.

 

Aos fundos outra colina em menor escala onde a uns 200 metros passava uma estrada de terra batida, caminho principal daquele então modorrento lugarejo onde existia um comércio capenga formado basicamente por uma única avenida que abrigava uma padaria, a farmácia do Zé, o salão de barbeiro do João, o Ligeirinho, o Armazém dos Gregos, um açougue que não me recordo o nome do dono, e mais de uma dezena de botecos, desses onde o estoque principal é variado, variado nos tipos de cachaças, e com o salão ocupado por mesas de bilhar.

 

Perceba que morávamos em um grande buraco.

 

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

 

Conte Sua História de SP – 462 anos: uma pipa nas manhãs de sábado

 

Por Luiz Silva

 

 

Em 1970, éramos adolescentes e morávamos no bairro da Cidade A. E. Carvalho, zona leste de São Paulo. Nosso passatempo favorito era confeccionar e empinar pipas, nas manhãs de sábados. Nosso encontro aconteciam na entrada da casa do meu amigo Israel. O ritual alegre era acompanhado pela garotada da periferia que tentava descobrir como fazer belas e multicoloridas pipas.

 

Tudo era feito com muita descontração, desde o preparo da cola com farinha de trigo, que eu levava de casa e exigia muito esmero para não sujar o belíssimo fogão da dona Ondina, mãe do Israel. As folhas de papel de seda eram da lojinha da dona Matilde, escolhidas cuidadosamente entre as diversas cores dispostas na prateleira.

 

Existia um momento que exigia grande concentração, era quando começávamos a “afinar” as varetas retiradas do bambu do varal de roupas da dona Ondina. Nesse momento, até que adquirisse destreza com a afiadíssima faca dialogávamos sobre as novas namoradinhas, os estudos no Ginásio Estadual Cidade de Hiroshima, que localizava-se em Itaquera e sobre o serviço como Office-boy numa Cia. de Seguros no centro de São Paulo.

 

O grande prazer completava-se por estar ao lado do amigo que não via há uma semana e poder detalhar o perfil da nova namorada que trocávamos assim como éramos trocados freqüentemente.

 

Às vezes, éramos obrigados a abandonar nossa área de lazer momentaneamente, pois dona Ondina queria varrer a mesma, o que ocasionava um tempo de espera encostados no velho carro Ford semi-desmontado pelo Sr. Luis, pai do meu amigo, que era mecânico. Nesse momento passava o Zé Roque, irmão do meu amigo e parava na nossa frente com algumas peças de televisão na mão, pois o mesmo tinha uma oficina de conserto no quintal, e ficava zombando da nossa capacidade de confeccionar pipas. Gargalhadas espalhadas pelo ar entrecortadas pelos raios de Sol da bela manhã de sábado completava a nossa felicidade com a chegada do Lalá que com seu tradicional assobio chamando sua namorada que era a irmã do Israel. Saía toda perfumada, sorrindo e pisando cuidadosamente sobre os pipas para não amassá-las. Abraçavam-se carinhosamente e nós abaixávamos a cabeça concentrados na confecção da nossa namorada, que era a pipa.

 

Olhávamos o céu azul e a nossa maior preocupação era com o vento. Entre a confecção das pipas e a eterna paciência em fazer aquelas “rabiolas” quilométricas, molhávamos o dedo com saliva para saber qual a direção que o vento soprava e sua intensidade.

 

Dessa maneira tínhamos uma vaga noção por onde nossas pipas e nossos pensamentos voariam.

 

O vento da periferia sempre era bondoso conosco e jamais deixava de soprar aos sábados de manhã. Às vezes trazia o aroma agradabilíssimo do café coado pela dona Ondina, em xícaras de porcelana pelo Lalá e sua linda namorada. Sempre sorrindo e desejando-nos bons ventos.

 

Talvez por não existirem prédios, o vento soprava uma agradável brisa, na quantidade exata às nossas expectativas e aos nossos sonhos de adolescente, e soprava em quase todas as direções.

 

Fazíamos as pipas com perfeição e elas raramente deixavam de voar. Tínhamos uma brincadeira maravilhosa que consistia em dar nomes às nossas pipas e geralmente ganhavam nomes da última namorada e assim que o mesmo ganhava o céu ficávamos imaginando subir junto com eles e ficarmos olhando lá de cima tudo o que tinha acontecido, acontecia ou iria acontecer no nosso querido bairro Cidade A. E. Carvalho.

 

Havia sábados em que o vento soprava em direção ao bairro de Itaquera e nossos pensamentos avistavam cenas indescritíveis. Lá de cima podíamos avistar a padaria com sua enorme máquina de assar frangos, pessoas saindo com saquinhos de pães, carros com o volume do rádio um pouco acima do normal, tocando músicas de Roberto Carlos, Caetano Veloso, Beatles e Morris Albert cantando “Fellings”. Olhando atentamente poderia observar minha caixa de engraxar sapatos que outrora colocava em frente à padaria e ficava aguardando pacientemente os fregueses.

 

O ponto de ônibus em frente à padaria, e motoristas e cobradores sorrindo entre um gole de café, uma coxinha comida e um cigarro aceso. Pessoas entrando pela porta traseira e o ônibus saindo vagarosamente com motoristas com óculos escuros acenando aos companheiros com destino à Praça Clovis Bevilaqua. Viagem longa que nossas pipas não conseguiam acompanhar.

 

Observava crianças correndo alegremente, pelo pátio da escola Milton Cruzeiro durante o recreio e o ônibus Mogi-Parque D.Pedro II que passava em alta velocidade deixando-nos atônitos.

 

O vento mudava um pouco a direção e de lá de cima enxergava minha mãe e outras mães do bairro lavando roupas na mina e conversando sobre o sofrido cotidiano. Enquanto as roupas eram quaradas pelo tempo, trocavam receita de bolo e reclamavam do custo de vida que já naquela época fazia-se presente.

 

Eis que a pipa e os nossos pensamentos pairavam sobre a igreja do bairro e podíamos deliciar-nos com a tradicional quermesse que recebia as meninas com seus cabelos cortados “à Chanel”, devidamente arrumados com “laquê”, e trajando lindos vestidos rodados coloridos; e os meninos usando calças “boca de sino” com cintura alta, parecendo um toureiro da periferia, e suas inconfundíveis camisetas “volta ao mundo” ou “gola olímpica”.

 

Sentia o aroma dos bolinhos caipiras preparados pelas mães do bairro e avistava barracas coloridas, que ajudávamos a montar, que abrigavam diversos jogos e vendas de guloseimas. As meninas eram vigiadas constantemente pelas mães ou irmãos que não permitiam beijos ou abraços, o máximo era uma piscada bem longe dos olhos severos dos pais de antigamente.

 

O alto-falante sussurrando uma inaudível música de Nelson Ned entrecortada pela voz rouca do amigo Israel que era o locutor oficial da quermesse, anunciando o início do jogo de bingo que jamais conseguira ganhar, completava a paisagem.

 

O barulho estridente do trem que fazia o trajeto Brás-Mogi das Cruzes afastava os namorados que trocavam presentes na véspera do Natal.

 

O vento começava a parar de soprar e era hora de recolher as pipas, nossas imaginações e nossos sonhos e retornar às nossas casas, depois de um abraço e um aperto de mão. Estávamos novamente na terra e ficávamos torcendo para que a semana passasse rápido e o vento mudasse de direção para que pudéssemos nos encontrar e avistar novos lugares e acontecimentos do pacato bairro da Cidade A. E. Carvalho.

 

Um passado não muito distante que ganhara as alturas através da nossa criatividade e amizade sincera, que deixou muitas saudades de um tempo em que dávamos vazão a nossa imaginação de adolescente, através de uma pipa.

 

Uma pipa nas manhãs de sábados.

 

Esta é uma pequena homenagem ao meu amigo Israel Brienzo que faz uns 30 anos que não vejo. Soube que anda morando lá pelas “bandas” do Norte do Paraná. Abraços, amigo, e saiba que até hoje me lembro das lindas namoradas e pipas que tanto empinamos juntos.

 

Luiz Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização do Cláudio Antonio. Conte sua história da cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP-462 anos: Vila Joaniza, meu lugar no passado

 

Por Tadeu Gentil Gomes

 

 

Eram os idos de 1960…

 

Nasci na Vila Joaniza, Zona Sul de São Paulo, em uma casinha simples de três cômodos no fundo do quintal: quarto, cozinha e banheiro. Tive como parteira minha avó paterna, Dona “Artina”, que é como se falava no idioma mineirês da época. No quintal, uma hortinha, uma laranjeira e, de vez em quando, umas galinhas, segundo contava minha mãezinha Tereza.

 

Lembro-me muito vagamente de, nos fins de tarde, ver minha mãe colocando o vidro de leite vazio ao pé da porta da cozinha para, na manhã do dia seguinte, encontrar um outro cheinho. Uma vez corri e tive tempo de ver o caminhão do leiteiro partir. Mas meu grande sonho mesmo era o de conhecer o bondoso homem que nos entregava o leite fresquinho. Nunca consegui.

 

Meu pai (Seu Gentil) trabalhou por longo tempo à noite. E eu, cheio de quereres, me apossava de seu lugar na cama bem quentinha ao lado do anjo da minha vida: minha mãe. Ela me contava histórias e mais histórias de assombração e de sua vida na roça, no interior de Minas Gerais. Eu adorava! Adormecia imaginando-me personagem das narrativas caipiras que ouvira um pouco antes. Não sei se sonhava depois de dormir, mas sei que sonhava acordado com os fantasmas mais fantasmas de que já tinha ouvido falar e com os tios e outros parentes de minha mãe, os quais conheci por fábulas contadas nas noites frias de São Paulo. Ela também recitava versinhos e cantava para mim. Foi meu primeiro contato com a literatura.

 

Naquele tempo, havia o costume de se engordar porcos. E, como a Vila Joaniza constituía-se num reduto de mineiros em São Paulo, não era muito difícil avistar um chiqueiro. Alguém fazia um no quintal, depois passava de casa em casa pedindo sobras de comida para ajudar a engordar o bicho. Já criado, o porco era abatido, e sua carne dividida entre os que colaboraram na engorda. A maior parte ficava para o dono, é claro. Foram muitas as manhãs em que acordei atordoado pelos gritos de um porco. Às vezes era abate; às vezes, castração. Presenciei algumas execuções suínas em casa de tios e vizinhos. Para mim era algo normal, comum; algo que era assim porque era assim mesmo e pronto!

 

Uma vez meu pai engordou um porco no quintal de casa. Acompanhei da construção do chiqueiro ao abate. Abate que seria trágico não fosse o episódio de comicidade que o envolveu, dando-lhe um ar de tragicomédia grega. Meu pai entrou no chiqueiro para amarrar o bichinho, de modo a facilitar a facada no coração (era assim que se matavam os porcos). Contudo, percebendo que havia algo errado, o danado do porco iniciou uma fuga alucinada dentro de seu pequeno espaço de confinamento, estragando os planos de meu pai. Eu, secretamente, estava torcendo para o porco. Em dado momento, o suíno fingiu que ia para a direita, mas rapidamente tomou o sentido oposto. Como o ambiente estava abarrotado das fezes de seu hóspede, meu pai escorregou e caiu. Caiu e rolou xingando todos os palavrões que sabia e que talvez inventasse na hora. Fiquei feliz pelo porco e senti uma enorme vontade de rir, mas tive que me conter. Meu pai, furioso, ergueu-se e atirou a cordinha que tinha na mão para fora da pocilga. Em seguida, ele saiu e foi buscar uma marreta. O final da história não preciso narrar. Pela primeira vez na vida, fiquei triste pela execução de um porco. É que ele era meu amigo…

 

Nas manhãs de frio, ia para a escola passando a mão sobre as camadas de gelo que se formavam sobre os poucos carros estacionados pelo caminho. E em todas as noites, praticamente, garoava. Minha mãe me Obrigava a usar um boné estilo “Chaves”, matando-me de vergonha. Era a chacota para os colegas. Que ódio!!!

 

Num determinado Natal, íamos ver um Presépio no Vale do Anhangabaú, pois minha família era católica. Tudo pronto. A vizinha, Dona Cláudia, veio com seus três filhos para irmos as duas famílias juntas. Tão logo me viram, os mosqueteiros começaram a fazer “aquela cara” de deboche. Emburrei para não usar o boné. Apanhei na frente de todo mundo, mas não usei o desgraçado do boné. Resultado: não houve passeio, não houve Presépio.

 

Estudei no Grupo Escolar de Vila Joaniza, a famosa “Granja”. Alguém perguntava: “Onde você estuda?” Lá vinha a resposta: “Eu estudo na Granja.” Mas isso tinha fundamento. Contavam que o bairro fora uma fazenda, e que seus donos (João e Nilza, daí Joaniza) cederam a parte do terreno em que havia um antigo galinheiro para que se estabelecesse ali a escola. As salas de aula eram os antes criadouros de galinha. Nos dias de chuva, para ir ao banheiro, muitas vezes o aluno descia a trajeto derrapando o traseiro, ou mesmo rolando. E não foram poucas as vezes que professoras, professores e bedéis passaram pela mesma situação. Quando estava na 5ª Série do I Grau, numa tarde chuvosa, um colega e eu que sentávamos nas últimas carteiras, chegamos a tomar choque ao encostar, por acaso, o braço e as costas na parede.

 

Na inauguração da Praça da Vitória, minha prima Cássia e eu fomos uma das atrações. Havia até políticos no evento! Pois bem, ela e eu cantamos a música tema do seriado Nacional Kid. E… pasmem… em japonês da nossa cabeça e dos nossos ouvidos!!! Foi lindo! Todo mundo aplaudiu ao final. Não me lembro se fiquei emocionado, mas achei muito legal. Hoje, passados os anos, fico imaginando a vergonha que fiz meus pais sentirem.

 

Em junho, havia fogueiras e balões. Íamos em turmas passando pelas fogueiras das ruas vizinhas, e os meninos das ruas vizinhas passavam pela nossa. Todo mundo era bem recebido. Todo mundo comia e bebia. Eu, sempre meio lunático, já quase na hora de entrar para dormir, a fogueira esfriando, sentava-me em um tronco e ficava tempos olhando os balões coloridos navegarem sem rumo pelo céu afora misturando-se às estrelas. Sentia vontade de ser um deles…

 

Em três de junho de 1970 meu pai mandou alguém fazer um balão para soltar depois do jogo Brasil x Tchecoslováquia. Nessa época, ele era dono de um bar: Bar e Mercearia Bossa Nova – Secos e Molhados. Ao final da partida, fizeram uma faixa enorme com cartolina: Brasil 4 x Tchecoslovaquia 1. Quando o balão começou a subir, a faixa enganchou no fio de luz e… fogo!!! Adeus balão! Não subiu nem dez metros.

 

Uma vez andei de bonde, porém a imagem que guardo na tela de minhas retinas é quase esvaecida, muito tênue. Vejo-me sentado ao lado de minha mãe, que me segurava com força, bem apertado ao seu corpo. Lembro-me também de uma igreja (acho que a do Largo 13 de Maio, em Santo Amaro), um homem pulando antes de o bonde parar e muita gente em torno de nós. Só.

 

Também vivi a colocação do esgoto na atual Avenida Yervant Kissajikian, antiga Estrada do Zavuvus, seu asfaltamento e a colocação de luminárias. Na “inauguração das luzes” houve festa e uma espécie de desfile de escola de samba, só que formada pelos próprios moradores do lugar.

 

Hoje, quando passo pelas ruas da Vila Joaniza, tento encontrar o meu lugar do passado, e não encontro. Não encontro porque a mudança faz parte de tudo na vida. Tudo muda. Sinto uma enorme saudade, e isso é bom. Só sentimos saudade daquilo que nos deu prazer, daquilo que nos fez bem. Se os bandeirantes ainda estivessem vivos, com certeza sentiriam saudade do tempo em que saíam sem rumo para desbravar a nova terra. Sei que meu lugar do passado jamais retornará materialmente. Mas sei também que ele jamais deixará de existir dentro de mim.

 

Tadeu Gentil Gomes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio. Participe deste quadro, enviando seu texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP – 462 anos: o “casarão” do meu amigo Reis

 

Por José Salomão da Silva

 

 

20 de janeiro de 1985, domingo, 10 horas da manhã.

 

Estava eu chegando na rodoviária do Tietê, vindo de Ilhéus, na Bahia. Do lado de fora, uma mão se erguia freneticamente na minha direção, fazendo-me entender que ali se encontrava alguém a me esperar. Era o meu grande amigo Reis, assim como havíamos combinado. Nos cumprimentamos e saímos em direção ao Metrô.

 

Em tom de brincadeira que fiquei sabendo depois, Reis falou:

 

– dá a mão para o trem parar. (e o trem parou)

 

Descemos na estação São Bento. Logo ali no Anhangabaú existia ponto final da CMTC que nós levou até o Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, próximo a residência dele. Lá chegando deparei-me com uma grande quantidade de pessoas. Música alta, muito churrasco e todos os tipos de comida nordestina, em todos os cantos da enorme casa. Aí comecei a perceber que meu amigo tinha preparado uma grande festa para minha chegada.

 

E qual grande era a nossa casa? O meu amigo, viu, morava bem!

 

Ficamos ali horas a fio, conversando, bebendo e comendo com todos presentes. O tempo foi se passando até a hora de descansar, dormir. Afinal, foram 32 horas de viagem.

 

Fui na direção do Reis e perguntei:
Qual vai ser o meu quarto? Onde eu vou dormir?

 

Ele apontou na direção de um cubículo e tascou:
A nossa casa é este espaço aqui, ó!

 

Foi neste belo dia ensolarado de janeiro que fiquei sabendo o que era um cortiço, tal qual um dia havia sido descrito por Aluísio Azevedo.

 

José Salomão da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio. O programa, em homenagem aos 462 anos da cidade, vai ao ar, nesta semana, às 7h15, no Jornal da CBN

Adote um Vereador: tinha tudo para dar errado e deu tudo muito certo

 

 

Tinha tudo para dar errado.

 

Nunca nos encontramos em janeiro e sempre nos encontramos no segundo sábado do mês.

 

Era janeiro e este era o terceiro sábado do mês.

 

O Alecir nunca falta, mas tinha um casamento na agenda. Que a festa tenha sido à altura do merecimento dos envolvidos. Vida longa para o casal!

 

A Sílvia que sempre aparece, havia reservado o período para visitar os parentes. O que é muito saudável.

 

O Mário, que havia convocado nosso “Carnaval fora de época”, foi ao interior para atender uma emergência. E temos certeza de que lá a presença dele foi de profunda importância. Nossa solidariedade.

 

Ao chegar no café do Pateo do Collegio, onde o Adote um Vereador, em São Paulo, se encontra, até que havia bastante gente. Muita mais gente do que estamos acostumados a ver por ali. Eram turistas querendo conhecer detalhes do local em que São Paulo foi fundada há 462 anos.

 

Fico feliz em perceber o interesse das pessoas por aquele espaço. Mas nenhum estava lá para o nosso encontro.

 

Diante do movimento, restava uma mesa com quatro lugares, que ocupei com a expectativa de que seria suficiente para receber os demais. Ledo engano. Ainda não havia terminado de almoçar e a Lúcia já se aprochegava com as compras feitas no comércio popular das redondezas. Em seguida, apareceu o casal que inspira nossas lutas cidadãs: Danilo e Sonia.  Não demorou muito para o Saul, a Silma, a Rute, a Gabi, o Sandro, o Moty e o Marcos se juntarem a nós.

 

Era gente mais do que suficiente para buscarmos mesa maior e colocarmos o assunto em dia. E assunto não faltou (e logo encontramos outra mesa).

 

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Soubemos que os novos conselheiros das subprefeituras vão tomar posse no dia 25 de janeiro, data de aniversário da cidade. A Rute e a Gabi, que estavam à mesa, foram eleita e sinalizaram entusiasmo para o próximo mandato, apesar de incomodadas com a falta de estrutura para essas organizações influenciarem as ações dos subprefeitos.

 

A eleição direta para subprefeitos, proposta pelo prefeito Fernando Haddad, esteve no nosso cardápio, também. Eu já disse que sou a favor, com participação de partidos e candidaturas avulsas, mas na mesa havia votos contrários e desconfiados, sensação que se justifica dadas as referências que temos de partidos e políticos, no Brasil. Insisto, porém, que ambos são necessários na democracia, temos é que usar as ferramentas disponíveis para melhorar o funcionamento dessas instituições.

 

O Adote um Vereador está aí, desde 2008, exatamente com esta proposta: inspirar o cidadão a influenciar nos destinos da sua cidade a partir da fiscalização do trabalho dos vereadores. Sugerir mudanças e cobrar respeito. Denunciar condutas impróprias e mobilizar as pessoas.

 

Nossa causa costuma ganhar adeptos em ano de eleição municipal, por isso estamos confiantes de que este 2016 será importante para darmos nova dimensão ao trabalho do Adote um Vereador. No encontro deste sábado, apresentamos alguns dos vídeos que pretendemos espalhar nas redes sociais (um deles está aqui no post) nos quais falamos sobre nossa experiência e convidamos outras pessoas a vivenciarem esta mesma sensação.

 

 

E foi quando rodei os vídeos que percebi: o Mário estava ali com a gente, o Alecir e a Sílvia, também. Tinha ainda o Bruno, recém-chegado e com palavras inspiradoras já gravadas. Havia, também, um pouco da história de todos aqueles que estiveram conosco em algum momento desde a criação do Adote e já sentaram à mesa conosco no café do Pateo do Collegio.

 

Ao fim e ao cabo, aquilo que tinha tudo para dar errado, deu certo! Mais uma vez, deu certo!

Conte Sua História de SP: era a coisa certa a fazer? quem saberia?

 

Por Elaine Viana
ouvinte da rádio CBN

 

 

Chegando em São Paulo.

 

Querida São Paulo, quero te contar tudo o que aconteceu comigo, dos meus sonhos, dos meus medos, das minhas conquistas e das minhas incertezas.

 

Quando deixei para trás todos aqueles que eu amo, no verão de 1999, na cidade de Araruna, na Paraíba, eu carregava na mala uma vida de saudades e lamentações de amores distantes. Ficavam na porta da minha casa meu pai, minha mãe e meus irmãos aos prantos. E eu, ao olhá-los pela janela do ônibus, sentia o meu coração partir-se em mil pedaços. E me perguntava se era a coisa certa a fazer?

 

Quem saberia?

 

Uma garota de dezenove anos, com o rosto lavado de lágrimas; no coração, além das incertezas, também havia esperança de uma vida melhor, com mais portas abertas. Quando eu olhava ao meu redor, eu via os que também estavam chorando por partir, então eu não era a única a despedir-me de minha família.

 

Com mais de 2.700 quilômetros rodados, finalmente a rodoviária do terminal Tietê. Sonho realizado! Será? Não! A minha vida estava apenas começando… Carros, prédios buzinas. Minha nossa! O que é isto? Tanta gente, tantas malas, quantas bagagens… Tanta confusão na minha cabeça, entretanto, eu estava amando tudo isso.

 

O tempo passou… Quantas coisas eu vivi. Tantos sentimentos bons e ruins eu tive. O quanto eu aprendi aqui em São Paulo.

 

Do primeiro cinema ao primeiro shopping, quantas descobertas… Quantas artes, músicas, teatros… Uma cidade rica em informações, até quem não quer aprender, acaba aprendendo…

 

Cidade mãe, a cada brisa que toca em meu rosto, eu ainda sinto as boas vidas e a boa sorte que São Paulo trouxe-me quando pisei nesse solo.

 

Hoje, quando vejo pela janela do meu quarto, no último andar do prédio, a noite iluminada pelas inúmeras luzes de São Paulo, posso sentir as lembranças batendo em meu rosto, como se fossem asas de anjos sobrevoando a minha vida. Quando olho nos olhos do meu filho relembro tudo o que eu passei, como cheguei até aqui, como consegui ficar aqui, nesta cidade onde tudo é abundante, onde eu decidi fazer a minha vida, onde eu aprendi a amar como se fosse minha.

 

São Paulo deu-me todas as oportunidades que uma garota paraibana, de 19 anos, sonhava em ter. Aqui fiz minha família, aqui encontrei o meu amado marido, aqui virei professora, aqui tive o meu querido filho. Aqui eu tenho o que eu preciso.

 

Mergulhada nas minhas lembranças, eu sinto a mão de São Paulo tocar em meu rosto e me dizer: “filha, você venceu os obstáculos, agarrou as oportunidades e aprendeu direitinho tudo o que eu te ensinei”. É assim que vejo esta cidade, como uma mãe abençoada por Deus. Porque é assim que os filhos fazem, quando necessitam correm para os braços da mãe.

 

Sou grata por tudo que aprendi e vivi… Sou grata pelo meu eterno amor e meu eterno amado filho.

 

Sou grata pelo que ainda vou aprender e sou grata por toda a saudade que tenho dos meus pais. Eu tenho certeza que é essa vida, que os meus pais sonhavam que eu tivesse.

 

PS: Nunca deixei de visitar meus pais. Todos os anos passamos nossas férias com eles. É claro que também amo a minha cidade natal e melhor do que estar lá, é estar com os presentes que São Paulo me deu. Meu amor e meu filho (Paulo e Júnior). Acho que tudo isso tinha mesmo que acontecer: haja Paulo na minha vida. Pai Paulo, marido Paulo, filho Paulo e cidade que moro e amo São Paulo.

 

Boa noite São Paulo. Dorme com Deus. É assim que eu me sino nesta cidade, nas mãos de Deus.

 

Atenciosamente

 

Elaine Viana