Avalanche Tricolor: foi bom, meu amigo!

 

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Brasileiro – Arena Corinthians

 

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Roger em foto de arquivo (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)

 

Foi oxo mas foi bom, meu amigo!

 

Foi bom porque vimos o Grêmio marcando alto e pelo alto, quase sem nenhuma falha. Nossos atacantes não se furtaram de impedir que o adversário saísse jogando com tranquilidade ao pressionar a saída de bola. Enquanto a turma que ficava na nossa área foi testada o jogo todo com cruzamentos e bolas lançadas por cima. E, amigo, digo sem pestanejar: nossa turma lá de trás passou no teste.

 

Foi bom, também, porque, ao contrário do que um dos jogadores deles disse ao fim da partida, não fomos (ou viemos) a São Paulo na retranca. É curioso, meu amigo, como ainda tem quem entenda ser retranqueiro o time que marca bem e no campo todo. O Grêmio marcou bem e no campo todo. E não foi retranqueiro. Foi eficiente.

 

Foi bom, ainda, porque vimos Roger investir em nova escalação com dois jogadores que atuam mais avançados: Bobô e Bolaños. Tinha ainda Luan, Giuliano e depois Everton (sem contar Henrique Almeida), que também gostam de jogar próximo da área do adversário. E, saiba amigo, mesmo com esta gente toda acostumada ao ataque, Roger conseguiu dar consistência na marcação, graças a intensa movimentação e dedicação deles.

 

Eu sei, amigo, que poderia ter sido melhor: se aumentasse a precisão do passe, especialmente quando nos aproximamos da área adversária; se Luan atuasse à altura do futebol que lhe é peculiar; se nossos atacantes acertassem o pé no chute final.

 

Mesmo assim, insisto, foi bom. Até porque você não tem ideia da quantidade de amigo corintiano que me cerca no trabalho, aqui em São Paulo. Um tropeço contra eles e a vontade que tenho é de sumir no dia seguinte. Porque você sabe, quando o assunto é futebol, os amigos não perdoam.

 

Portanto, digo e repito, meu amigo: foi oxo, mas foi bom!

Conte Sua História de SP: o apito dos afiadores de faca

 

 

Por Wagner Nobrega Gimenez

 

Nasci no bairro do Brás, na Almirante Barroso, 838, em junho de 1954 – ano do IV Centenário de São Paulo. Essa casa não existe mais. Pertence a uma igreja evangélica. Naquela época se fazia partos em casa, como o meu. Dona Cândida, a parteira portuguesa, assistiu minha mãe, dona Luzia, em sete partos, um infelizmente de um natimorto, dois anos após o meu nascimento. Eu, filho temporão, o caçulinha,  brincava só com os moleques na rua: era jogo de bola, figurinha, cowboy, pega-pega, taco – brincadeirinhas que não acontecem mais.

 

Fiz o primário no Grupo Escolar Eduardo Prado, acho que ainda está lá; o ginásio no Colégio São João (que foi demolido; é sede de outra igreja evangélica). Cursei o Senai e me formei Técnico Têxtil em fiação, profissão e indústrias quase em extinção no Brasil.

 

Minhas recordações do centro de São Paulo, quando pequeno e jovem, incluem, entre outras, o Mappin, as Lojas Americanas – que bauru gostoso se fazia ali, será que ainda tem hoje? – a Pirani, na Av. Celso Garcia, onde no terraço havia um parquinho de diversões no qual eu brincava quando pequeno, levado pela Cida, minha irmã.

 

As recordações desses locais hoje inexistentes fazem às vezes eu me sentir como se tudo aquilo tivesse se passado em outro século, que de verdade foi, não é mesmo.

 

Se não vejamos:  tempo em que a TV era em branco e preto e existia o televizinho; que a vitrola, nos bailinhos aos sábados, tocava músicas gravadas em LPs; que existia namoro, noivado e casamento; que a minissaia e o biquíni eram novidades; que o Brasil tinha o melhor futebol do mundo, tinha o rei Pelé. Tempo em que passavam homens pelas ruas vendendo bijous e afiadores de facas e tesouras – ambos faziam barulhos para chamar a atenção dos moradores: os primeiros com uma matraca;os outros com um apito característico. Lembram desse som?

 

Poderia ficar recordando outras tantas cenas desta cidade, mas, não se engane, não sou saudosista. Emociono-me toda vez que recorda daqueles velhos tempos, mas sou muito feliz vivendo na São Paulo atual.

 

Para participar do Conte Sua História de São Pauo, envie seu texto para milton@cbn.com.br. O quadro vai ao ar aos sábados, logo após às 10h30, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio.

Conselho Participativo: pseudodemocracia?

 

Por Márcia Gabriela Cabral
Conselheira participativa, advogada
Integrante do Adote um Vereador

 

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Conselheiros tomaram posse dia 25 de janeiro, Foto: Heloisa Ballarini/ Secom/ PMSP http://fotospublicas.com

 

O Conselho Participativo Municipal de São Paulo foi criado, em 2013, pelo prefeito Fernando Haddad, por tratar-se da meta 114 do Programa de Metas da cidade. É um mecanismo de controle social no qual os conselheiros acompanham e fiscalizam a atuação da Administração Pública Municipal. Existem 32 conselheiros participativos que atuam na área territorial das respectivas Subprefeituras. As reuniões são abertas ao público, contam com a presença de representantes da Prefeitura e ocorrem mensalmente.

 

A lei que criou o Conselho Participativo estabeleceu que o mesmo tem caráter transitório, pois foi criado a fim de substituir os Conselhos de Representantes até que estes possam validamente existir e estarem em funcionamento, uma vez que o Ministério Público, em 2005, questionou a constitucionalidade da Lei dos CRs, que está suspensa aguardando decisão definitiva do STF.

 

Assim, o Conselho Participativo é uma política de governo e não de Estado e, deste modo, a sua manutenção dependerá do entendimento do prefeito que estiver à frente da Administração da cidade. A solução para o caso é o chefe do Executivo editar lei específica. Diante disso, o prefeito Haddad, no início da gestão, disse que iria apresentar tal lei. No entanto, o prefeito já está no fim de seu mandato e ainda não apresentou projeto de lei para validar definitivamente o Conselho Participativo.

 

O que estaria aguardando, o prefeito Haddad?

 

Observa-se que a principal diferença na legislação pertinente aos Conselho de Representantes e  Conselho Participativo é que no primeiro é obrigatória a filiação partidária, ao passo que no segundo isto não é necessário.

 

Portanto, o Conselho Participativo cumpre a finalidade da soberania popular, pois não vincula o cidadão a partido político, requisito este da democracia representativa; entretanto, estamos versando a respeito de mecanismos de controle social, por conseguinte, trata-se de democracia semidireta/participativa. Ainda, tal pressuposto cerceia o direito de qualquer cidadão fiscalizar a atuação da Administração Pública.

 

Espera-se, então, que a Lei dos Conselhos de Representantes seja declarada inconstitucional e o prefeito apresente lei específica, mas que seja com o conteúdo atual, para que o Conselho Participativo se torne de caráter permanente e seja um efetivo instrumento de controle social.

 

Embora o Conselho Participativo tenha sido criado neste mandato, questiona-se se esta gestão dá condições para que este instrumento atue de forma efetiva e eficiente.

 

É notória a falta de conhecimento e interesse por parte da população a respeito da existência do Conselho Participativo. Basta avaliarmos o número ínfimo de eleitores que compareceram nas duas eleições do Conselho Participativo. Observa-se que do eleitorado paulistano, o comparecimento foi de apenas 1,5% e 0,5%, respectivamente, logo, houve uma enorme queda na participação.

 

Há representatividade e/ou significância um mecanismo com tão baixa performance?

 

Isso se dá devido a falta de divulgação de forma ampla e em meios de comunicarão de massa. Talvez seja assim exatamente para que a população não faça uso adequado de seus direitos de fiscalizar, influir, cobrar e indicar os serviços públicos.

 

Outro ponto é a organização e estrutura dispensadas pela Administração Municipal ao processo de eleição do Conselho Participativo, que foi feita de forma totalmente manual, inclusive a apuração, que perdurou por cerca de 16 dias, pois havia falta de recursos humanos, de metodologia e de organização.

 

A criação dos Conselhos de Representantes vem de projeto de lei de 1991, o que demonstra a falta de interesse das autoridades, pois há mais de duas décadas trava-se o embate na criação deste mecanismo de controle social, que pode ser declarado nulo, por vício formal de criação, ou seja, por incompetência dos legisladores paulistanos.

 

Assim, observa-se que a regulamentação precária dos instrumentos de participação esvazia a democracia. Há que se refletir se situações como estas dos Conselhos de Representantes incidem de caso pensado a fim de protelar o efetivo exercício da cidadania. Nota-se que os representantes do povo, dificultam ao máximo a participação dos cidadãos. Não é a atoa que a participação política é anêmica.

 

É sabido que os inúmeros mecanismos de participação e controle social existentes são frequentemente meros instrumentos decorativos. Ou seja, embora tenham sua magnitude,o resultado efetivo muitas vezes não é satisfatório.

 

Seria mera demagogia, o Conselho Participativo?

 

Ludibriam o cidadão ao dar a ele a ilusória sensação de que influenciam na atuação do Poder Público?

 

Diante do explanado fica a reflexão: o Conselho Participativo trata-se de uma pseudodemocracia?

 

Conte Sua História de SP: meu encontro com D. Eva em Moema

 

Por Marina Zarvos Ramos de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Olá D.Eva!

 

Espero que minha carta a encontre cheia de vida como quando a conheci. Nossas vidas se cruzaram dias atrás. Foi no cruzamento de duas movimentadas avenidas de nosso bairro, Moema. Preparava-me para atravessar quando a vi do outro lado ensaiando o mesmo. Se tudo desse certo, iríamos nos encontrar no cruzamento das ruas. Se tudo desse certo…

 

Num “flash”um temor me assola: suas frágeis pernas e braços, carregando um carrinho de feira abarrotado de suprimentos, fardos de água em uma mão e uma garrafa na outra, teriam a agilidade necessária para a empreitada? Movida pelo medo de que algum carro a atingisse, saí em sua direção o mais rápido que pude. Postei-me ao seu lado para juntas atravessarmos. Ofereci ajuda e a senhora, um tanto ofegante, agradeceu-me e aceitou. Apenas para ajudar na travessia, não me permitiu segurar o carrinho.

 

Sãs e salvas após atravessarmos, comento sobre o peso que carregava, reitero meu pedido para puxar o carrinho e acompanhá-la até seu destino. A senhora aceita, mas me entrega apenas a garrafa de água.

 

Percebo um forte sotaque e ponho-me a conversar. Caminhamos juntas dois quarteirões, suficientes para saber que D.Eva, com 90 anos e um 1,5 metro de altura, imigrante romena, esta mesmo é preocupada comigo: ”cuidado esquina mais perigosa que a anterior”, alertava-me.

 

D.Eva, como me esquecer de seu olhar atento para os dois lados? E de sua voz? Ecoa até agora ao me dizer certeira: “vamos,vamos”. E fomos em direção ao seu prédio. Naqueles últimos metros, outra revelação bombástica.

 

– “Morei cinco anos debaixo da terra”, disse D.Eva.
– “Debaixo da terra? Como assim?”
“Sim, saía apenas para procurar comida à noite.Tempos difíceis os da Segunda Guerra”!

 

Paro minha caminhada para recuperar o fôlego e enxugar as lágrimas. Dona Eva prossegue e já sinaliza ao porteiro sua chegada…

 

“Por favor, D. Eva, deixe-me levar até o elevador”, pedi a ela.

 

Neste instante, percebo que meu desafio maior aproximava-se. A entrada escolhida pela senhora foi a da garagem com uma longa e íngreme rampa. A senhora, tal qual uma jovem e habilidosa “skatista”, desliza em direção à garagem, enquanto prendo minha respiração. Não esquecerei o sorriso largo da senhora ao voltar-se para trás e olhar-me com ar de vitória absoluta e total.

 

Despedimos-nos no térreo, não sem antes receber inúmeras, incontáveis e maravilhosas bênçãos.

 

Perdi a direção, o rumo e o motivo pelo qual sai naquela manhã. Nada mais importava, mediante a beleza da lição de força e de vida que recebi. Perguntava-me como não a havia visto antes? Somos vizinhas próximas e há mais de 20 anos! São Paulo nos acolheu generosamente. Minha família emigrada da Grécia, fugindo da mesma guerra e a senhora da Romênia.

 

D.Eva, que benção tê-la encontrado naquele dia! Nossas ruas se cruzado! Nossas vidas se encontrado aqui em São Paulo!

 

PS: Eva tem origem no hebraico :”Hawwá”,que quer dizer ” Cheia de vida”.

Conte Sua História de SP: moça, me dá seis médias!

 

Por Rita Sita
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte-internauta Rita Sita, natural de Santos, no litoral, compartilha uma das muitas passagens curiosas que enfrentou ao chegar na Capital:

 

Vim trabalhar em São Paulo, em 1992, na avenida Paulista, que era muito chique para uma santista.

 

Já estava por aqui há pelo menos um mês quando fui a uma padaria comprar pão para comermos no lanche da tarde com os colegas, na empresa em que trabalhava.

 

Assim que cheguei pedi seis médias:

 

  • Para viagem ?!?! perguntou a moça do balcão.
  • Sim, vou levar!
  • Vai levar como?
  • Ué, respondi sem entender a pergunta, no saco, é lógico.
  • Moça, no saco não dá não, respondeu em tom de graça.

 

Foi quando lembrei que estava em São Paulo onde média é xícara grande de café com leite; enquanto em Santos, é pão francês.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, após às 10h30, no CBN SP

Avaliações da Lei de Zoneamento

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Folha e o Estadão abriram espaço em sua edição de sábado para a Lei de Zoneamento. O prefeito Fernando Haddad, não fosse esta Lei feita à imagem e à ordem da sua Administração, poderia antes de sancioná-la, trazê-la à luz da segmentação, da preservação das características regionais e, ao respeito à participação.

 

Na seção Tendências e Debates da Folha, o diretor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, Arquiteto Valter Cadena, diz que a Lei traz uma proposta que cumpre seu papel. E afirma que ela “fugiu da negociata, sendo fruto de um processo participativo que se tornou irreversível. Foi discutida por meses e votada às claras, apesar do acolhimento de emendas de última hora que ofuscaram o brilho do processo”.

 

De outro lado, os engenheiros Rubens Menin e Renato Ventura, Presidente e Vice da ABRAINC Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias opinam que esta Lei caracteriza uma oportunidade perdida. E inserem que “as cidades estão em constante transformação. Regras engessadas tendem a agravar seus problemas, principalmente desigualdades”.

 

Na reportagem do Estadão, a jornalista Adriana Ferraz destaca a posição das entidades de bairro que alegam que a divulgação da Lei no Diário Oficial da Cidade, feita horas antes de ser votada e sem atualização dos mapas, não permitiu análise. Além de 232 emendas apresentadas. Após a votação outras 24 foram aprovadas em separado.

 

A advogada Célia Marcondes, da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César (Samorcc), afirma que “essa lei é uma afronta à sociedade paulistana. Mexe com os bairros consolidados da cidade, sem a anuência de seus moradores, entra em choque com o Plano Diretor e ainda não respeita o direito da população de ser ouvida”. Opinião que é corroborada pelo jurista Adilson Dallari: “Legislação urbanística não pode ser feita em gabinete. A Constituição exige ampla participação popular. Essa lei de zoneamento até que começou bem, com a realização de audiências públicas, mas foi atropelada no final, com muitas mudanças de última hora e algumas delas para atender a interesses que não são da coletividade”.

 

Da dubiedade do arquiteto Cadena, do oportunismo dos Engenheiros Menin e Ventura,do preservacionismo da advogada Marcondes ao ponderamento jurídico de Dallari, temos aí um quadro significativo das opiniões sobre este Zoneamento que está por vir.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Fragmentos de (in)justiça no Brasil

 

Por Julio Tannus

 

Uma (in)justiça:

 

Há alguns dias, fui chamado, como síndico, para atender à portaria. De repente, me vejo frente a um oficial de justiça e duas viaturas da Polícia Militar. Para minha surpresa, após comprovar a identidade do oficial, leio despacho de um juiz de direito determinando a retirada de bens móveis de um de nossos condôminos.

 

Por mais incrível que possa parecer, como não havia ninguém no apartamento, foi acionado um chaveiro para possibilitar o acesso ao mesmo. Presenciei toda a situação, permanecendo envolto nesse contexto desde às 13:00 até às 23:50 horas, juntamente com o oficial de justiça, sua assistente e policiais militares. Foram retirados: geladeira, forno de micro-ondas, fogão, televisores, computadores, impressora, poltronas e sofás.

 

Fui informado que havia um débito do proprietário no valor original de R$ 15mil que, acrescidos de multa e outras variáveis, atingiu a casa dos R$ 68mil.

 

E aí me pergunto: como os bens móveis retirados, uma vez já usados por um bom tempo, podem resgatar o valor pretendido? Como ficam os inúmeros devedores nesse país afora, devedores por várias razões – por exemplo, perda de emprego – diante desse precedente?

 

Outra (in)justiça:

 

Passados sete anos em minha nova residência, dou-me conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Resolvo consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sou proprietário do imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo.

 

A explicação que consegui apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E aí me pergunto porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E então desfiei meu descontentamento para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. A vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar em outras deficiências.

 

Diante desse quadro, em fevereiro de 2014, resolvi entrar com recurso na Prefeitura.

 

Resultado: indeferido.

 

Inconformado,dirigi-me à Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo.

 

Resultado: um dos vereadores sugere que só um movimento popular poderia eventualmente solucionar essa situação.

 

Para concluir: de 2005 a 2015, o valor do IPTU do meu imóvel sofreu acréscimo de 186%. Assim, pretendo voltar com essa situação nos poderes competentes, uma vez que os imóveis no meu bairro se desvalorizaram e pela lógica meu valor de IPTU deveria ser reduzido.

 

Será que vou conseguir uma redução?

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Conte Sua História de SP: o primeiro beijo nas ruas da minha cidade

 

Por Adriano Prezia
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

A cidade marcaria definitivamente a minha vida no ano de 1973 com o meu presente maior. Ao contrário do compositor, sempre fui um apaixonado pela inteligência, formosura, beleza e simpatia da mulher paulistana.

 

O encontro ocorreu quando já não me fazia muito sentido as pipas no ar, a bola nos pés e o sonho do moleque peladeiro.

 

Tudo começo quando fui fazer o cursinho pre-vestibular no “MED”, onde também estudava o sonho da minha vida. O prédio era na Rua Augusta, entre a Dona Antônia de Queirós e Marquês de Paranaguá.

 

Lembro-me da lanchonete em frente. E dos alunos das diversas turmas, chegando com muita alegria. Candidatos ao vestibular da Mapofei, responsável pelos exames de exatas; do Cecem, que realizava a seleção dos candidatos às escolas médicas e do Cecea, da área de humanas.

 

Os primeiros sorrisos, convidativos. A aproximação tímida. A boca seca, as mãos úmidas e as primeiras palavras vacilantes. A procura por assuntos, os descobrimentos pessoais. A amizade e as primeiras confidências. O acompanhamento ao ponto de ônibus da Rua da Consolação.

 

Enfim, o primeiro beijo de amor, tão sonhado e desejado.

 

Estávamos no banco traseiro da Veraneio ao ano, dirigida pelo Fernando, que no banco da frente era acompanhado pela namorada dele. Seguíamos em direção a Rua Augusta, que naquele trecho tinha o asfalto converto pelo carpete. Era o ponto de comércio e de encontro de jovens, mais badalado da cidade de São Paulo. No som do carro, tocava a nossa inesquecível canção, Killing Me Softley With His Song, na voz de Roberta Flack.

 

Depois do beijo, continuamos pela Avenida Brasil, pegamos a Cardeal, Fradique, Aspicuelta e finalmente a Fidalga. O destino era a casa da amada, na Vila Madalena, uma vila onde moravam muitas das famílias de imigrantes portugueses, parte dos padeiros e feirantes da cidade de São Paulo.

 

Foi assim que nasceu um grande amor, vivo até hoje, que deu frutos, e frutos dos frutos.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no programa CBN SP

Conte Sua História de SP: navegava curioso pela Paulista

 

Por Fábio Henrique de Carvalho

 

 

Falar de São Paulo talvez seja mais fácil do que se apaixonar definitivamente pela cidade. Nos meus 40 anos, nasci distante da metrópole, mas desde pequeno tive a oportunidade do convívio com esse lugarzinho cheio de tudo.

 

Na infância, com os tios morando em um prédio na rua Cubatão, em visitas frequentes aos queridos parentes, foi que comecei a me deparar com a grandiosidade do lugar.

 

Navegava curioso pela Paulista, tendo no curso da nau cinemas com filmes que jamais veria em outros cantos. O Vão do MASP era indecifrável naquela infância. Como se sustentava? Livrarias enormes. Gente de outro mundo com a face fechada cruzava meu caminho. Os olhares nunca se cruzavam (até hoje é assim!).

 

E garoava! E mesmo assim ninguém se intimidava. A avenida permanecia movimentada. Capuzes e blusas de cores sortidas decoravam as faixas de pedestres. Os passos não mudavam pela garoa. Eram apressados em qualquer dia e estação do ano. Menos os meus. Os meus eram passos curtos de uma criança. Escutava no caminho sotaques diferentes. Muitos deles eram engraçados. Eu imitava baixinho aqueles tons. Queria guardar só para mim cada detalhe daquele mundo novo.

 

Do chão das calçadas saia vento através de grades que cobriam fossas profundas. Que seria aquilo? Me assustava… E no segundo seguinte já estava me divertindo com a descoberta.

 

Hoje, continuo navegando por São Paulo. Os passos já não são tão lentos quanto os de um menino. Mas ainda busco pelos olhares que tocam o chão e o infinito.

Avalanche Tricolor: a imagem não estava boa

 

São Paulo-RS 3×2 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzzo/Rio Grande

 

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Everton tenta chegar ao ataque em foto do Grêmio/Lucas Uebe

 

Já havia ao menos 12 minutos de bola rolando, em Rio Grande, e a televisão insistia em mostrar outro jogo. Não que o que eu via me desagradasse (aquilo-que-você-sabe-o-que-é), mas preferia muito mais assistir ao jogo do Grêmio, afinal paguei pra ver.

 

Quando as imagens de Rio Grande surgiram na tela da minha TV não duraram muito tempo.Um contra-ataque gremista congelou. E a responsabilidade não era da defesa adversária. Era na transmissão mesmo. Problema no sinal.

 

Em seguida, com jogo em andamento, para tudo (mais uma vez): entra comercial, sei lá o que estavam anunciando. Meu interesse era o jogo, mas tive de pacientemente assistir à toda propaganda.

 

Comercial feito, vamos para a bola rolando. Mais ou menos. Alguns ataques deixaram de ser destacados, porque o diretor de TV (aquele que escolhe as imagens que vão ao ar) preferia cortar para a cena dos torcedores, dos treinadores, reproduzir o lance anterior e outros salamaleques.

 

Insisti. Continue a assistir ao jogo, apesar da imagem precária devido a iluminação ruim do estádio Aldo Dapuzzo.

 

Fui até o fim e não gostei nada do que vi … dentro de campo (e neste caso a televisão não tinha nada a ver com isso)