Empreendedorismo: se a sorte existe, faça com que trabalhe a seu favor

 

 

Empreendedorismo não é uma lance de sorte: é oportunidade criada. Portanto, encontradas as condições para desenvolver sua ideia não espere que o dinheiro caia do céu, identifique as condições do mercado, tenha sensibilidade para entender o desejo dos clientes e execute-a com precisão. Somente assim o fator sorte – se este existir – vai lhe ajudar.

 

Durante o Papo de Professor, do Sebrae, uma das questões que surgiram foi em relação aqueles empreendedores que embora tivessem todas as informações contrárias para abrir um determinado negócio, investiram contra a maré e se deram bem.

 

Na resposta que você assiste no vídeo acima, conto uma experiência pessoal que me permitiu dar passo importante na vida profissional: contei com algumas coincidências, mas se não estivesse bem preparado para aquele momento, nada teria acontecido.

 

Para conhecer esta história, clique no vídeo acima; para ouvir outras questões sobre empreendedorismo, clique aqui

Avalanche Tricolor: quanto mais treina, mais sorte o Grêmio tem

 

Coritiba 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Couto Pereira (PR)

 

Marcelo Oliveira em imagem reproduzida da transmissão da SporTV

Marcelo Oliveira em imagem reproduzida da transmissão da SporTV

 

Ouve-se cada coisa no futebol. Algumas explicam bem o que acontece dentro de campo, outras se distanciam da realidade. A primeira história que lembro nesta Avalanche, aliás, sequer do futebol é, faz parte do folclore do esporte mundial. O protagonista teria sido Michael Jordan, astro do basquete americano, que, consta, falou, certa vez, que quanto mais treina, mais sorte tem no esporte. Teria dito assim – e falo no condicional porque nunca vi a afirmação de fonte oficial – para chamar a atenção para a importância de treinar exaustivamente arremessos à longa distância, o que o levava acertar bolas consideradas impossíveis. Lance de sorte, comentavam alguns. Muito treino, ensinava Jordan.

 

Outra história, bem mais antiga, que lembrei hoje, é de Neném Prancha, roupeiro, massagista e técnico de futebol, chamado pelo jornalista Armando Nogueira de o ‘Filósofo do Futebol” devido as suas frases engraçadas e definitivas. Uma delas surgiu quando tentava ensinar um jogador qualquer a tocar a bola para seus companheiros em lugar de despachá-la de qualquer maneira: “bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama”. Na verdade, há quem diga que a frase nunca foi proferida por ele, mas criada por jornalistas que o admiravam. Seja qual for a verdade, o certo é que entrou para a história como sendo de sua autoria.

 

E você, caro e raro leitor deste blog, deve estar me perguntando por que abro esta Avalanche com lembranças do passado se a ideia é falarmos sobre a presente vitória gremista em gramados da Copa do Brasil? Porque as duas histórias me vieram à lembrança enquanto assistia ao Grêmio vencer, fora de casa, a primeira partida das oitavas-de-final da competição.

 

Apesar de o mau desempenho, a dificuldade para nos encontrarmos em campo e a pressão do adversário desesperado atrás de um gol no primeiro tempo, tivemos a sorte de irmos para o intervalo com o empate em zero a zero.
Mais uma vez, foi lá no vestiário que Roger acertou os ponteiros do time, literalmente. Trocou Rocha por Fernandinho, jogadores que atuam como antigamente faziam os ponteiros esquerdos, esses que o tempo aboliu, disparando com dribles pelo lado do campo. E essa troca fez uma baita diferença (aliás, mais uma vez). Que sorte que o Roger fez a mudança, não?

 

Nossa sorte voltou a prevalecer no segundo tempo, assim como a lição de Neném Prancha, pois resolvemos colocar a bola no chão e fazê-la girar com velocidade e precisão, marca deste time armado por Roger. Foi em uma dessas trocas de passe, seguindo a risca o ensinamento do “Filósofo”, que Douglas encontrou Marcelo Oliveira chegando livre, sem marcação e com espaço para disparar um bomba, que resultou no primeiro, único e necessário gol da partida. Pegou bem no pé e colocou a bola distante do goleiro. Um lance de sorte, dirão alguns. Resultado de muito treino, lembrará Oliveira.

 

Por falar em coisas que ouvimos no futebol. Hoje, acompanhei o bate-papo de meus colegas de rádio CBN, Juca Kfouri e Roberto Nonato, no Jornal da CBN 2a. Edição. O primeiro apostou na vitória do Coritiba e o segundo, no empate. Ambos concordaram com a ideia de que o time paranaense teria mais chances por seu bom histórico na Copa do Brasil e a necessidade de se recuperar do fraco desempenho no Campeonato Brasileiro. Erraram os dois, talvez porque ainda não tenham percebido que o Grêmio não segue a lógica do futebol (como, aliás, já escrevi em Avalanches anteriores). Diríamos que o Grêmio é um time de sorte, principalmente quando entende que a “bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama”.

Conte Sua História de SP: o telefone tocou e meu sonho se realizou

 

No Conte Sua História de São Paulo você vai conhecer Diego Christiano Pila. Ele nasceu em São Carlos, em 1978, viveu parte da sua infância num sítio na zona rural. Aos 15 anos morou com os avós para continuar os estudos. Ingressou na faculdade de Relações Públicas na Unesp, de Bauru. E sempre sonhou em trabalhar na cidade grande. Após três anos de formado, a oportunidade chegou. Mas por muita sorte. Além de Diego ter conseguido passar para a quarta e última vaga de um concurso para a Petrobras quase perdeu a data do recrutamento. Esquecera de avisar à empresa que havia mudado de endereço. O telegrama que o informava sobre os procedimentos para inscrição nunca chegou até ele.

 

Os trechos que você vai ouvir desta história foram gravados pelo Museu da Pessoa:

 

 

Diego Christiano Pila é pesonagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode registrar suas memórias em áudio e vídeo, marcando uma entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Pode também escrever sua história e enviar para mim: milton@cbn.com.br.

De definição

 

Por Maria Lucia Solla

 

Flores

 

Dizemos que o que se planta, se colhe; e ao mesmo tempo mora na mente a crença na sorte e no azar. Eu colho o que planto e vira e mexe me vejo de mãos dadas com uma ou o outro. Quando passo um tempo com um deles, depois da festa ou do sofrimento, me dou conta de quanto aprendo, de quanto cresço, de quanto tenho e do pouco que preciso. Tem também o fato de que o que é sorte para um pode ser azar para o outro. De qualquer ângulo que eu olhe, dentro ou fora do cerco, esses dois aparentados me dão a oportunidade de me tornar mais humilde e de me levar a entender que estar no comando do barco é uma função que se curva frente à força do mar. Sinto que vale mais o que tenho, do que o que não tenho.

 

Na verdade é preciso ter coragem para seguir o coração e para perceber a oportunidade que a sorte carrega. É pegar ou largar. Sorte e azar são duas faces da moeda, como tudo neste planeta de contrastes. Sorte vem vestida de alegria, satisfaz; azar vem devastando na porta de entrada. Agora, que a moeda cai de um lado ou do outro e vira a vida de pernas para o ar, isso não dá para negar.

 

Tenho aprendido que não é a sorte que vem até mim, mas sou eu que percebo o caminho até ela e decido ficar ali o maior tempo possível. Cada um escolhe o seu caminho, ou não…

 

“A definição está sujeita a revisão; é um ponto de partida, não algo esculpido em pedra para ser defendido até a morte.” Daniel C. Dennet, no livro que ganhei do Dimas e do Zeca, Quebrando o Encanto.

 

Até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: ao infinito e além

 

Botafogo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

 

Pode ter sido a camisa com o número 1 nas costas de Marcelo Grohe. Fiquei sabendo, nesta semana, que desde que ele passou a vesti-la, em lugar da 12 com a qual jogou as duas primeiras partidas como titular, o Grêmio não perdeu uma. Pode ter sido meu Ipad, que tem me permitido acessar a TV conectada em casa mesmo enquanto estou de férias na Itália. Foram três vitórias incontestáveis que assisti daqui da Maremma, região da costa de Toscana, que tornaram ainda mais agradáveis os dias de descanso. Alguém pode até imaginar que tudo está ligado a mística do adversário, aquele com o qual se alguma coisa pode dar errado, tenha certeza de que dará. Era a estreia da grande estrela internacional Seedorf diante de sua torcida e com a oportunidade de o time carioca entrar no sedutor G4. Por que daria certo?

 

Para os que preferem as superstições, tudo pode ter levado o Grêmio à vitória no encerramento da 11a. rodada do Campeonato Brasileiro. Melhor mesmo que tentem encontrar nas forças do além a resposta para a conquista de ontem contra um adversário direto na disputa pelo título, diante de um cenário tão desfavorável. Assim não perceberão que um novo time está sendo formado, com jogadores se posicionando melhor em campo e descobrindo seu papel no elenco. E talvez se surpreendam quando virem o Grêmio no topo da classificação. É lá que pretendemos chegar. Quando isto acontecer, não se engane, não será fruto do acaso, mas resultado do equilíbrio de alguns jogadores que estão conseguindo dar a equipe tranquilidade e qualidade.

 

Talvez você não tenha percebido, mas no parágrafo acima analiso o Grêmio fazendo uso do gerúndio, pois este indica uma ação em andamento e é isto que ocorre no tricolor gaúcho. O Grêmio não é um time pronto, e nosso desempenho logo após o gol da vitória se justifica nesta verdade. Sofremos uma pressão que poderia ter sido amenizada com a bola no chão, tocada de pé em pé, como fazíamos até então. Zé Roberto e Elano, no entanto, cansaram e ambos são referência e experiência no meio de campo. Por outro lado, ao conseguirmos conter o assédio do adversário, com bola tirada quase de dentro do gol, atacante derrubado no pescoção e nosso goleiro demonstrando uma incrível personalidade, ficou claro que, além de tudo, temos sorte. E é sempre bom contar com ela nos momentos decisivos, mesmo porque nossa meta é ambiciosa nesta temporada.

 

Lembrando o personagem de Toy Story, Buzz Lightyear: ao infinito e ir além.

Avalanche Tricolor: Aposto com você

 

Bahia 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Salvador (BA)

Sou de um tempo em que os jogadores de futebol levavam nas camisas números de 1 a 11, sendo o goleiro o número 1 e o ponteiro esquerdo, o 11. O 5 era o centro-médio, hoje apelidado de volante de contenção; o 10 era sempre o craque (quanto tínhamos um) e o 9, o centro-avante. As camisas a partir do 12 cabiam aos reservas e estas não eram as mais cobiçadas.

Começo este atrasado post sobre a vitória gremista com memórias do futebol devido ao espanto que me causou a escalação dos dois times que entraram em campo no estádio do Pituaçu, em Salvador. Os números eram os mais estaparfúdios possíveis. De um lado havia 54, 28, 22, 55, 19, 80 e 79; de outro 13, 15, 17 19, 24 e 26. O anúncio feito pelo locutor na televisão me lembrou sorteio da Mega Sena.

Compreendo que esta mania está contaminada pelo marketing que tenta identificar cada camisa com seu craque (nem sempre tão craque assim), um hábito em outros esportes como o basquete e o futebol americano. No próprio Grêmio, lembro da decisão de Andre Lima, ano passado, que colocou dois noves nas costas para se diferenciar de Jonas, o nove de verdade (e de direito). Dizem que isto ajuda a vender camisas. Imagino que se cobrassem mais barato, venderiam mais.  Para gente como eu, que admira o esporte muito mais do que entende dele, torna-se quase impossível saber em que posição cada um estará durante o jogo.

E se as escalações pareciam jogo da Mega Sena, nossos números deram mais sorte, ontem à noite. Como sabemos, a sorte está do lado dos bons, e fomos melhores em quase toda a partida, portanto merecemos os três pontos. É incrível como nosso futebol está se transformando a cada momento com a participação coletiva dos 11 jogadores; descobrimos um camisa 6, ops, uma camisa 15, fazendo com que o time fique mais forte no lado esquerdo com as decidas de Julio César; e temos um camisa 24 que é nota 10, falo de Escudero.

Entusiasmado com o resultado, arrisco uma aposta com você, caro e raro leitor deste blog. Se passarmos pelo São Paulo no domingo, será difícil controlar a Avalanche que nos levará ao topo da tabela de classificação e de volta à Libertadores. Quer apostar?

Seu dia de sorte

 

Por Suely Aparecida Schraner
Ouvinte-internauta do CBN SP

Tarde quente. Ar abafado anunciando o temporal de sempre. Mais um verão escaldante. Céu azul celeste. O derradeiro dia de trabalho, enfim, as esperadas férias concentradas. Fim de ano. Desci do ônibus, no ponto final. Andei duas quadras. Ele atravessou a rua e veio na minha direção. De soslaio, notei que usava um chapéu como os de safári, enterrado na cabeça, até os olhos. Prognata. Bermuda larga, vermelha estampada e surrada. Camiseta grande , azul clara. Chinelo tipo havaianas, verde. Nas mãos uma sacola de supermercado, cheia. Foi chegando e perguntando:

– Por favor, você sabe onde fica o supermercado três amigos?

– Estou indo nesta direção. Vamos que eu te mostro.

– Você é corajosa.

– Você está me achando corajosa porque você pediu uma informação e eu respondi?

– É. Sabe que hoje em dia tem muita desgraceira por aí. É pai matando filho, filho matando pai, uns roubando e outros estuprando… Muita de maldade. Na moral, só tô falando, não quero te assustar. Eu mesmo fugi da cadeia, tá me entendendo? Tenho um carro logo ali, quer uma carona?

-Você está me dizendo que fugiu da cadeia….

– É. Do Carandiru. Peguei 27 anos. Sabe como é, cabeça quente, barbarizei. Mas você é corajosa, fala com estranhos, hein? Acha que eu ia ficar lá? Só quem já ficou é que sabe. Faz uma semana que estou de boa. De dia eu durmo, de noite fico andando. Pra não rodar. Bobeou, jacaré vira bolsa. Tomo banho na represa. Comida me dão nas lanchonetes por aqui. Sabe do que mais? Tô cansado de saber onde fica o supermercado três amigos. Você não está com medo?

Agora, chegando quase em frente de casa, pensei: “deve ser mais um louco na cidade tentando me assustar. Fazer confidências, a troco de quê?”

A rua morta. Nem mosquito à vista. Pensei em tocar na vizinha para despistar. Faltou vocação pra “amigo da onça”. Então, tentando aparentar a maior calma, e me fazendo de desentendida:

– É só seguir em frente, o supermercado fica depois da avenida.

– Só mais um favor. (Abrindo a sacola e exibindo o conteúdo.) -Ganhei esses pedaços de pizza e preciso comprar um refrigerante.Tá tão calor. Você tem uns trocados pra me dar?

Até tinha, só que nesta altura não ia abrir a bolsa pra ele, ali no meio da rua.

-Vou ficar devendo, ando só com passes para a condução.

– Não tem não? Quem mora em casa tá pior do que quem mora na rua… Quer saber?

Enfiou a mão no bolso da bermuda e tirou um “bolo de notas” de R$10,00 e R$ 50,00, vi apavorada que a história da fuga era pra valer.

– Tó, pode pegar, presente pra você, ele insistia.

-Não muito obrigada, não precisa. Ao que retrucou aos gritos:

– O quê, vai recusar? Você falou comigo na boa. Foi simpática… Não posso te fazer um presente não? Pega aí!

– Claro que pode, e eu agradeço de coração, mas você está na rua e espero que aproveite bem seus dias de liberdade.

-Você mora aí?

Fui abrindo o portão de entrada da casa, coração aos pulos. Ele seguiu andando devagar, olhando pra trás. Mostrou o cabo do revolver enfiado sob a camiseta, no cós da bermuda e gritou.

– Tchau! Feliz Ano Novo! Olha, joga na loteria que hoje é seu dia de sorte!