Avalanche Tricolor: que melhor sorte nos seja reservada nesta segunda-feira

foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Domingo começou cedo, como cedo começam todos os meus dias. Ainda bem. Assim pude estender os momentos de calmaria dominical, com o céu ainda clareando, o frio rachando e os passarinhos se esbaldando nas frutas e árvores que restam aqui na minha rua. Gosto de ficar sentado na porta de casa, apenas observando o amanhecer. Não chega a ser a cadeira na calçada, como nos bairros de origem italiana aqui em São Paulo, mas é suficientemente agradável para o ritmo de vida que imprimimos ao vivermos na capital.

O sábado havia sido dedicado a uma série sul-coreana que fala do respeito aos mortos (Move to Heaven), tema que nos torna mais reflexivos, especialmente diante de tantos conhecidos que nos deixaram nesse último ano. Reservei, então, o domingo para o esporte na televisão —- já que sair de casa não me motiva diante de tudo que estamos vivendo. E fiquei atento a dois jogos em especial.

O primeiro, o do basquete masculino do Brasil, que disputava a última chance de se classificar para os Jogos Olímpicos. Os caros e raros leitores deste blog já devem ter lido por aqui do meu passado no esporte —- até porque só eu mesmo falo dele: por 13 anos vesti a camisa do Grêmio, anos de muita luta e suor, e pouca inspiração. Apesar de convocado duas vezes para seleções gaúchas, confesso, sem titubear, era um jogador mediano (medíocre — palavra que deixo de lado, apesar de ser sinônimo, porque carrega fardo muito pesado em seu sentido). Jogador mediano e torcedor pé frio, como percebi neste domingo.

Depois de uma sequência de jogos bem jogados no pré-Olímpico disputado na Croácia, quando venceu na fase preliminar inclusive o time da casa, com placares elásticos e revelando uma superioridade surpreendente, a seleção brasileira perdeu para a Alemanha e desperdiçou sua última chance de chegar a Tóquio. Ouvi Hortênsia comentar que é comum que em meio a tantos jogos de qualidade se tenha uma apresentação ruim e ela torcia para que esta não fosse no jogo final Foi! E enquanto os comentaristas buscavam uma explicação, além do sobrenatural, saí da frente da televisão convicto de que o azarão sou eu que não havia assistido a nenhum dos jogos anteriores do Brasil.

À noite, no segundo compromisso esportivo, a sensação era outra. Nem a camisa tricolor que o filho mais velho estende na cadeira ao nosso lado nem as duas meias que calcei seriam suficientes para mudar a sorte gremista em partida que fechou a rodada do Campeonato Brasileiro. O time entrou derrotado com a forma como a crise atual foi gerenciada pela diretoria do Grêmio —- talvez desacostumada nos últimos anos em ter de administrar tamanhas dificuldades técnicas, táticas e emocionais. Jogadas marcadas pela falta de confiança se repetiram durante toda a partida, com bolas mal chutadas, passes sem destino e marcação distante. Antes de a inanição do futebol tricolor me absorver, pensei no que havia dito Hortênsia e cheguei a acreditar na lógica invertida: depois de tantos jogos ruins ao menos uma partida boa haveria de ocorrer e poderia ser essa. Não foi!

Que melhor sorte nos seja reservada, nesta segunda-feira, quando será escolhido o substituto de Tiago Nunes.

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