Esqueceram o Tênis, no Dia da Mulher

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Billie Jean venceu “Guerra dos Sexos” contra Bobby Riggs

 

O 8 de Março deste ano foi sem dúvida o Dia Internacional da Mulher em que mais se falou sobre os temas pertinentes e latentes da posição que as mulheres ocupam no mundo.

 

Estatísticas, análises e debates apresentaram de forma geral dados que comprovam a situação de inferioridade em que as mulheres ainda se encontram em relação ao homem.

 

Constata-se um avanço, embora em geral na velocidade menor do que a desejada, e despontam áreas mais carentes de atenção. Entretanto, há setores, como o tênis profissional, que podem servir de exemplo.

 

O tênis é o único esporte no mundo cujos maiores eventos pagam igual para homens e mulheres. E as mulheres ainda jogam menos. São cinco sets masculinos e três sets femininos.

 

Serena Wiliams, a estrela do tênis mundial, está entre as 100 mulheres mais poderosas do mundo no ranking da Forbes, encabeçado por Ângela Merkel, primeira ministra da Alemanha. Serena, mesmo sem jogar, por motivo da maternidade, ganhou US$ 18 milhões e foi a atleta que mais faturou no ano passado.

 

Dinheiro e poder, uma das lacunas femininas, não é problema para a tenista americana. Como personalidade, foi convidada a apresentar no Oscar “A star is born”. Certamente pela permeabilidade entre a personagem e ela. E dentro disso apresentou um discurso inspirador:

 

Mas este é o final da história. O início está com a tenista Billie Jean King.

 

Ela ganhou 27 títulos de Grand Slam –- Australia Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Porém, tão grande quanto os seus títulos foi o seu papel na defesa da igualdade entre mulheres e homens nas premiações do tênis profissional. Desafiou à quadra os homens e conseguiu realizar, em 1973, uma partida contra Bobby Riggs, sexista ativista e ex-número 1 do mundo. Billie ganhou de Riggs em jogo denominado como “Batalha dos Sexos”* e assistido por 90 milhões de pessoas. Após o evento que se transformou em símbolo contra o machismo, Billie fundou a WTP, entidade que passou a comandar o tênis feminino. No mesmo ano, ameaçou boicotar o US Open se a premiação não fosse igual para as mulheres e venceu mais esta batalha.

 

 

Aos 75 anos manda seu recado:

“A maioria das jogadoras não sabe nada dessa história. Não sabe como essa indústria começou, principalmente de como o tênis feminino profissional começou. Eu era uma das que queriam homens e mulheres juntos, mas eles rejeitaram. E é por isso que temos a WTA. Eu fiquei muito triste porque não pudemos fazer uma associação juntos, mas eles rejeitaram… é bom as meninas verem, elas conquistaram a igualdade de premiação nos Grand Slam. É um trabalho árduo da WTA, com diretores de torneios”

É interessante lembrar que no mesmo país de Serena e Billie, no esporte mais popular, as mulheres da WNBA ganham 100 vezes menos que os homens da NBA.

 

*O filme “Batalha dos Sexos” é baseado na história real de Billie Jean King, com Emma Stone e Steve Carell.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

“Minha meta sempre foi vencer Wimbledon”, diz Marcelo Melo, ao Jornal da CBN

 

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Nos Estados Unidos, Marcelo Melo treina em quadra pública. Dependesse delas aqui no Brasil, não teria chegado ao título de campeão de duplas em Wimbledon. Há poucas disponíveis no país nem sempre com a estrutura necessária e muitas surgiram apenas nos últimos tempos. Verdade que se hoje ele for bater bola em uma delas, em Belo Horizonte, onde nasceu, não vai conseguir: Melo é o novo ídolo do tênis brasileiro e, provavelmente, será parado por seus fãs em busca de autógrafo, selfies e um bom papo sobre a carreira dele.

 

Hoje, no Jornal da CBN, conversei com Melo sobre esta situação do tênis brasileiro. Falamos, também, do início da carreira incentivado pela família, a relação com seu irmão Daniel, que é o treinador dele desde 2007, e o título de Wimbledon, conquistado ao lado do polonês Lukasz Kubot. A conquista de um título e de um sonho, como ele próprio descreveu a vitória, na Inglaterra.

 

Guga Kuerten no país de oportunistas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As conquistas de Guga,  iniciadas há 20 anos em Roland Garros, têm servido para estimular gerações de jovens. Esportistas ou não. Novak Djokovic ao vencer no ano passado repetiu o gesto de Guga em cima de um coração desenhado no saibro francês. Este ano, vários tenistas de ponta por ocasião das homenagens prestadas ao 20º aniversário da vitória, explicitaram a influência do brasileiro em suas carreiras.

 

Os franceses, público e dirigentes, têm reagido com reverência e referência a Gustavo Kuerten, que certamente criou um invejável legado de esportividade e competência naquela terra.

 

E no Brasil?

 

A imagem de Kuerten é bem referendada: pelas conquistas, pela simplicidade e por um punhado de outras qualificações. Mas, assim como Maria Esther Bueno, outro expoente do tênis mundial, não conseguiu arrebatar seguidores. Hoje, Guga assiste à mesma presença brasileira no ranking do tênis através dos anos. Dois a três tenistas no grupo dos 100 primeiros colocados. E só.

 

De um lado, é claro que o tênis por exigir comedimentos de comportamento que não estão em esportes como futebol e vôlei, não pode ter expectativa de expansão popular. Entretanto, pela população o número de profissionalização está abaixo.

 

Em função certamente das poucas oportunidades oferecidas. 

 

E, nesse quesito, o próprio Guga já se referiu que estamos num pais de oportunistas e não de oportunidades. Motivado talvez pela insensatez do Fisco, ao cobrar dele mais de R$ 7 milhões, por discordar do fato dos prêmios dos títulos serem compartilhado com a equipe. Como se fosse possível um tenista sem equipe ganhar torneios.

 

É ligar a TV e conferir.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Lições de Monte Carlo, Brasília e Osasco

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Na tarde de domingo, na final do ATP de Monte Carlo, onde Nadal ao vencer o francês Monfils se igualava a Djokovic em número de conquistas de torneio deste nível, com a 28ª vitória, Dácio Campos ao cobrir o evento pelo SPORTV criou um meme explosivo.

 

Diante de imagens dos camarotes onde a realeza de Mônaco era destaque, Dácio enalteceu os ricos, afirmando que através deles o pobre pode ficar menos pobre, ingressando na classe média através dos investimentos nas áreas produtivas realizados pelos ricos.

 

Os memes apareceram e o UOL Esporte foi confirmar, e Campos, que já tinha comparado Nadal a Moro, não fugiu à responsabilidade, reiterando a opinião.

 

Em Brasília, o evento político da votação na Câmara pelo impedimento da Presidenta, superou a tradicional espetacularização devido ao esdrúxulo desempenho dos deputados. Um desastre oral, funcional e léxico.

 

À The Economist, como a mídia geral, ficou claro que a ocultação das contas do governo pela Presidenta, tema do impedimento, não foi citado, enquanto os interesses pessoais foram a tônica dos votos. A revista, que há poucos dias publicou matéria defendendo o impedimento, ao mesmo tempo em que lembrou a necessidade de eleições gerais, teve a prova de que estava certa.

 

Se a cara da política brasileira era escancarada ao Mundo, no início da noite em Osasco, o nosso velho e saudoso futebol incorporou no time do Audax. A goleada sobre o SPFC teve 462 passes certos contra 215 e 33 errados para ambos. Um show, com alegria, talento individual e sintonia coletiva.

 

Se Dácio Campos pode externar sua opinião, se o Audax pode incorporar o verdadeiro futebol brasileiro, não há dúvida; o que é inadmissível é a exorbitância do êxtase a que fomos submetidos no espetáculo de Brasília.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Falta de educação: o tênis no Ibirapuera e o Carnaval na Vila Madalena

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Sábado no ginásio do Ibirapuera, o tenista italiano Luca Vanni, que disputou uma emocionante semifinal com o brasileiro João Souza (Feijão), foi visivelmente prejudicado em determinados momentos pela má educação de alguns torcedores. Menos mal que venceu a partida.

 

Domingo e segunda, os brasileiros moradores da Vila Madalena foram enormemente perturbados por conterrâneos.

 

Em comum, a falta de educação!

 

No jogo de tênis, menos pela exigência de alto custo para a sua prática e mais pelo necessário silêncio para sua boa execução, a pretensão de massificação fica necessariamente descartada. Embora em grandes partidas sempre há a possibilidade da importação de público não habilitado ao esporte.

 

No bairro da Vila Madalena, tradicional pela vocação artística e pela mistura de residências, lojas, restaurantes e bares, tão defendida por alguns urbanistas que buscam a redução da mobilidade, o tumulto prova, ao menos, que tal modelo urbano não exporta mas importa mobilidade.

 

Para o tênis a sugestão é melhorar o sistema de controle do espectador com câmeras e pessoal treinado.

 

Para a Vila Madalena, as câmeras e a polícia deveriam resolver o problema. O que devemos temer é que a Prefeitura faça o que sempre tem feito. Quando a degradação começa, ao invés de coibir, regulariza.

 

Assim tem sido quando se trata de zoneamento. A nova lei pretendida não só vai regularizar o que foi degradado como criará potenciais zonas em locais que hoje são ilhas de conforto e qualidade de vida. Se duvida, visite a Avenida Morumbi em trechos ainda totalmente residenciais e, principalmente, a Alameda das Begônias. Ambas com proposta de corredor comercial.

 

Talvez tenha sido uma boa esta arruaça carnavalesca da Vila, se servir de alerta à Proposta de Zoneamento que será votada em breve.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

O vídeo que ilustra este post foi gravado pelo SOSego Vila Madalena. O grupo que incita à violência é o bloco Anti-Acadêmicos do Baixo Pinheiros.

Esporte nos extremos e atletas no comando

 

Carlos Magno Gibrail

 


A semana de tênis do Rio Open 500 que terminou domingo acentuou o problema do calor submetido aos atletas. Muitos deles, participantes da extenuante campanha de Melbourne, no mês de janeiro, com temperaturas acima de 42ºC, que deixaram sequelas preocupantes. O canadense Frank Dancevic desmaiou, o americano John Isner, 13º do mundo, passou mal e abandonou a quadra, o argentino Del Potro, suspirou: “Había que buscar la forma de sobrevivir”. Enquanto Djokovic agradeceu aos fanáticos do tênis por participar de um torneio que se pode fritar ovo na quadra.

 

Menos mal que no Rio não tivesse ocorrido casos graves, e muitas partidas apresentassem técnica e emoção de alto nível. Ainda assim, ficou evidente o acentuado desgaste físico em decorrência das condições ambientais. Se não chegamos aos 42ºda Austrália, os 38,8º que Nadal enfrentou na final às 17hs, depois da batalha de 3hs na véspera, só não foi mais complicado porque sua partida ficou no segundo set.

 

Em Melbourne foram criadas regras para o “calor extremo” que abrandaram o problema ao autorizar paralisação das partidas e suprimentos para reduzir os efeitos do calor. Os dois estádios definitivos e com ar condicionado ajudaram bastante.

 

O Rio com quadras provisórias e sem cobertura para o público se ateve a toalhas geladas, banheiras de gelo e equipes de fisioterapeutas e massagistas. Muito pouco para validar a sugestão de Rafael Nadal, de transformar o Rio 500 para Rio 1000, categoria só abaixo do Grand Slam. Será preciso aumentar o número de quadras e cobrir arquibancadas, evitando jogos no pico do calor.

 

O tênis, que é dirigido pela ATP e WTA, associações de tenistas profissionais masculinos e femininos, tem por isso mesmo as condições de propor e impor a melhoria para os jogadores aos organizadores e patrocinadores de torneios. É uma força considerável que deve ser usada e ampliada a outros esportes que não são dirigidos pelos próprios atletas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Imagine na Copa !?

Por Carlos Magno Gibrail

BRASIL OPEN 2013

 

O Ginásio do Ibirapuera, do Governo do Estado de São Paulo, domingo, só não viveu um cenário de “República das Bananas” porque o público presente não permitiu. Vaiou. Vaiou muito, com categoria e hierarquia. Pois, Luis Felipe Tavares, o organizador, foi o mais vaiado, seguido do Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, aclamado como Aldo Tiririca.

 

O Brasil Open 2013, sucesso de público e de espetáculo, graças aos jogadores e aos consumidores, foi um fracasso de estrutura, organização e de respeito ao estatuto do torcedor. Às condições iniciais inadequadas de instalação, pois o Ginásio não tem climatização nem adaptações essenciais para a mídia, quer para entrevista quer para transmissão, houve falhas do básico, como quadras com piso irregular e bolas inapropriadas.

 

Ainda assim, o esperado duelo entre Nadal e Nabaldian se concretizou. O público correspondeu e lotou o Ginásio. E, incrível, ainda se surpreendeu. Pois, aos sabidos problemas já existentes tiveram que “engolir” a superlotação, explicada como ingressos falsos, a deselegante e tumultuada chegada do Fenômeno e Anderson Silva com a partida em andamento, paralizando-a, e a amadora cerimônia de premiação.

 

O testemunho do casal de médicos Marcelo Alves Moreira e Lilian Corrêa, experientes espectadores de Roland Garros e US Open, postado no Facebook descreve bem o evento:

Prazeroso ver Rafael Nadal em recuperação jogar aqui em São Paulo! Horripilante a organização da Koch-Tavares com anuência do ministro dos esportes e do secretario do Estado! Venderam mais que capacidade! Não numeraram os ingressos! Assistimos sentados na escada, entre as cadeiras, nós e outras centenas de pagantes (300 reais), lá naquela estufa chamada Ginásio do Ibirapuera! Essa é a turma profissional que vai organizar Copa e Olimpíadas! Obrigado Nadal! Ver vc jogar ao vivo valeu o sacrifício e a revolta!

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

São Paulo, uma das cinco cidades do tênis mundial

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

São Paulo recebe esta semana o Brasil Open de tênis. Hoje, o maior torneio em nosso território. Alguns destaques como Nadal, Almagro, Monaco e Wawrinka, 5º, 11º, 12º e 17º do mundo, deverão apresentar um espetáculo condizente com a expectativa. O público certamente corresponderá e estará provando que o único ingrediente em descompasso é a estrutura local.

 

O Ginásio do Ibirapuera é a arena. Sem climatização, com dificuldade de estacionamento e sem a tecnologia requerida a um grande evento de tênis. Há pouco mais de um mês, neste mesmo ginásio, tivemos a Gillette Federer Cup. Com a presença de tenistas do topo do ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). Federer, Tsonga, Serena Williams, Sharapova e Wozniacki trouxeram a imensa simpatia e alegria que os caracteriza e levaram a memória da “sauna” paulistana do Ibirapuera com mais de trinta graus.

 

Roger Federer, apreciador de nosso país de longa data, talvez até pelo futebol, aconselha a melhorarmos as condições para efetivarmos um antigo sonho dos brasileiros fãs do tênis profissional. Apresentar instalações que atendam as exigências da ATP para abrigarmos o ATP World Tour Finals. Este disputadíssimo evento, atualmente em Londres, foi oferecido à cidade de São Paulo em 1999, quando Celso Pitta era prefeito. Por falta de instalações adequadas, a cidade não o sediou. Perdermos a oportunidade de estarmos entre as maiores cidades do tênis mundial que ficam na Austrália, França, Inglaterra e Estados Unidos.

 

O ATP Wolrd Tour Finals, por sua característica, é o ultimo torneio do ano e reúne os oito primeiros tenistas da temporada, é considerado por alguns como o mais importante de todos. A cidade de São Paulo pela Fórmula 1 já sabe contabilizar o retorno deste tipo de evento. É hora de Haddad rever Erundina e apresentar uma arena condigna para o tênis. Como foi feito com Interlagos. Ou Alckmin completar de vez a reforma do Ginásio do Ibirapuera.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Brasil em Davos: saem os holofotes, aparece a sombra

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O pequeno crescimento brasileiro em 2012 resultou no desapontamento do Fórum Econômico Mundial em nosso país, que até então era o queridinho nas análises desenvolvimentistas. Certamente o 1% fez com que reaparecessem os antigos e saturados buracos estruturais. Impostos altos, maquina estatal grande e emperrada, corrupção endêmica, etc.

 

O brasileiro Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault-Nissan em debate sobre o Brasil, ressaltou a exportação de matéria prima sem valor agregado, e a questão dos impostos. Efeito e causa.

 

Alexandre Tombini, do Banco Central, apontou que deveremos crescer 3% em 2013, o que segundo sua ótica é bom. Mas excelente é a relação entre o crescimento e o pleno emprego em que o Brasil vive, graças inclusive ao um milhão de postos de trabalho criados neste ano.

 

Então, qual dos olhares é o correto, o externo da incerteza, ou o interno da popularidade de Dilma e do otimismo de Tombini?

 

Pela característica da população economicamente ativa usufruindo do bônus demográfico, e pela riqueza dos recursos naturais, o Brasil poderá contrabalançar as fraquezas da estrutura geral. Governamental, tributária, política e moral. A questão é saber quanto tempo vamos precisar para extirpar os nossos problemas estruturais. Segundo o jornalista Clóvis Rossi, Davos acaba de demonstrar que a fila anda e já aparecem países com chances de substituir os Brics. Encabeçado pelo México, surgem, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Turquia.

 

Sem bola de cristal, podemos exercitar o exercício futuro através de Darwin. Os países que melhor se adaptarem às novas condições de competição sobreviverão com as melhores posições. Podemos também usar a velha piada dos dois executivos na floresta, sobreviventes de uma queda de avião. Diante de um leão faminto um deles tira da maleta um tênis. O outro não entende:

 

– “Você acha que vai correr mais que o leão com esse tênis?”.
– “Não, eu só preciso correr mais do que você”.

 

É melhor irmos preparando um bom tênis, qualquer que seja a nova fera que apareça .

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Mexa-se*

 

Por Carlos Magno Gibrail

A capital paulista depois de impedir o movimento de veículos, está prestes a fazer o mesmo com os paulistanos que desejarem se exercitar em campos de futebol society ou nas quadras de tênis.

O mesmo processo que tirou o futebol de várzea da capital, levando-o para as quadras ou para os campinhos, começa agora a desalojar futebolistas e tenistas. É a oferta e procura de terrenos para incorporações, também conhecida como especulação imobiliária. Tão acentuada quanto à liberalidade excessiva que tais empreendimentos possuem.

Os governos, responsáveis por um planejamento que preserve as modalidades e não interfira no poder econômico estabelecido, precisará exercer seu papel, criando condições na cidade para a prática destes esportes.

A revista VEJA desta semana edita reportagem na qual ressalta o problema para os praticantes do tênis e do futebol e, avalia como perspectiva a retirada destas atividades para cidades limítrofes.

Certamente a solução não é essa, pois a função do Estado é exatamente regular e atender atividades em que a iniciativa privada não tem interesse, mas a população precisa dispor destes serviços ou produtos.

De 2008 até hoje, segundo a VEJA, mais de 60 campos de futebol foram fechados. De acordo com a Federação Paulista de Futebol Society, há 30mil praticantes registrados e 650 unidades, enquanto no tênis não há estatística em relação às quadras públicas, tão necessárias a este esporte mais caro.

Em Salvador, Aracaju, Florianópolis, as Federações de tênis oferecem quadras. No Rio, Porto Alegre, Vitória e Recife há quadras públicas. Entretanto, Buenos Aires é um espetáculo, tanto na região central quanto na periférica. Há tenistas e futebolistas por toda a cidade.

Cidade e Estado, através de seus governantes precisam se mexer, para que os adeptos destes esportes possam também se mexer nas quadras e nos campos.

A tarefa não vai ser fácil, se a Sub-Prefeitura do Butantã servir de exemplo, pois acaba de desapropriar uma área na Super Quadra Morumbi, onde hoje há o CAT uma das últimas academias de tênis da região. Seu proprietário, Leonardo Cunha, um apaixonado pelo esporte, se dispôs a ignorar a especulação imobiliária e planejar uma expansão das quadras. Obteve embargo com alegação de restrição de zona. Entretanto, a administração pública projeta a construção de Cingapuras para complementar a favelização que as administrações anteriores não só permitiram, mas incentivaram.

Aos cidadãos civilizados resta o recado da TV Globo:

Mexa-se

*Campanha premiada da TV Globo em 1976

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A imagem que ilustra este post é da galeria de Juan Pablo, no Flickr