Bilhete único, fila única

 

A Secretaria Municipal dos Transportes passou a quinta-feira se esforçando para convencer os jornalistas de que o sistema de recarga do bilhete eletrônico não havia “caído” como insistiam os ouvintes-internautas em suas mensagens enviadas às redações. Ou mesmo diziam aos repórteres na estações da cidade e casas lotéricas. “O sistema está lento” reforçou a SMT em nota distribuída aos veículos de comunicação. Pura semântica, pois lento ou parado a situação do passageiro foi a mesma em todos os cantos: filas enormes e pessoas perdendo um tempo enorme apenas pelo direito de andar de ônibus na capital paulista. A foto feita pelo Massao Uéhara na Vila Nova Cachoeirinha mostra o tamanho da encrenca.

Hoje, o sistema voltou a funcionar normalmente. E o tamanho das filas, também, está normal: grande.

CET diz que terá 54 km para “peão de bicicleta”

 

A Companhia de Engenharia de Tráfego afirma que “trabalha para criar espaços seguros para os ciclistas, incentivando novos usuários a migrarem para a bicicleta”. Diz ainda que os projetos que desenvolvem são em áreas da periferia que concentram a maior quantidade de viagens de bicicleta como meio de transporte para o trabalho ou a escola. A nota foi uma resposta à crítica que fiz neste Blog e no CBN São Paulo de que a Secretaria Municipal dos Transportes e a CET não tomam medidas amigáveis aos ciclistas. O principal motivo do post – que se você quiser lê clicando aqui – era chamar atenção para a necessidade de se beneficiar o trabalhador que anda de bicicleta em vez de dar preferência apenas ao ciclismo de lazer

Curioso é que as três ações anunciadas pela Companhia são apenas projetos de ciclovias. Nenhuma delas se iniciou até o momento. A mais próxima, cumprida a agenda, se iniciará em dezembro no Jardim Helena. No circuito do Jardim Brasil, as obras estão programadas para março e do Grajau/Cocaia para abril de 2010. A persistirem os sintomas, seriam 54 quilômetros de extensão entre ciclovia, ciclofaixa e pista com tráfego compartilhado.

A única ação já realizada, segundo nota da CET, é a operação da “ciclofaixa de lazer que liga os parques das Bicicletas, do Ibirapuera e do Povo”. Convenhamos, operar a pista é sua obrigação. A criação e iniciativa foram da Secretaria Municipal dos Esportes, conforme o próprio secretário Walter Feldman lembrou há duas sextas-feiras, no CBN SP.

Acreditando na palavra oficial da CET e da SMT já comecei a me preparar para pedalar nas faixas de bicicletas que serão entregues, em 2010. E também nos outros 46 quilômetros a serem construídos até 2012, conforme prometido no Plano de Metas da prefeitura.

Milton e a bicicleta dobrável

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Empresa usa tecnologia e faz trólebus mais atraente

Por Adamo Bazani

Trólebus com corrente de tração, flagrado pela coluna no corredor que liga a zona sul de São Paulo ao ABC Paulista, torna modelo mais barato e eficiente.

Trólebus mais eficiente

Uma das grandes desculpas dos órgãos públicos e empresas para não adotar os trólebus, ônibus elétricos com emissão zero de poluentes, é o alto preço do veículo, que pode custar até 4 vezes mais que um ônibus convencional. Esta justificativa está com os dias contados.

Neste domingo, 27 de setembro, na Parada Paraíso, no bairro Paraíso, em Santo André, flagramos o carro prefixo 7301 da Metra, empresa que faz a ligação entre São Matheus, na zona Leste da capital paulista, ao Jabaquara, na zona sul, pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, no ABC Paulista. Aparentemente nenhuma diferença em relação ao trólebus que você está acostumado a ver em algumas cidades. Mas o Busscar Urbanuss Pluss Mercedes Benz fabricado, originalmente, com corrente contínua foi transformado para corrente alternada.

A Eletra – companhia nacional especializada em fabricação de ônibus com tecnologia limpa – está convertendo trólebus antigos com corrente contínua, que necessitavam de eixo de tração importado, em veículo abastecidos por corrente alternada. A diferença entre as duas formas de alimentação elétrica é muito técnica, mas posso garantir-lhe que esta transformação pode significar um grande avanço no setor, principalmente em relação ao barateamento do veículo e ao desempenho.

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Manifesto do Dia Mundial Sem Carro

 

Manifesto divulgado pelo coletivo de Mobilização do Dia Mundial Sem Carro, a ser comemorado nessa terça, 22 de setembro:

“São Paulo precisa e pode ter um trânsito melhor, um transporte público eficiente e de ótima qualidade, muito mais ciclovias e ciclofaixas, um ar mais limpo e respirável e melhor qualidade de vida para todos que aqui vivem e trabalham!!!

O trânsito de São Paulo ocupa um tempo precioso de todos os que vivem, estudam e trabalham na cidade. Tempo precioso de nossas vidas, tempo que deixamos de fazer inúmeras outras atividades ligadas à cultura, ao lazer, aos estudos, à família e aos amigos, além do tempo que perdemos de sono e descanso.

Não bastasse todo este tempo perdido, ainda ficamos expostos a um trânsito totalmente poluído, respirando gases nocivos que causam inúmeras doenças respiratórias e cardiovasculares, além de tumores e abortamentos, entre outras. Estudos da Faculdade de Medicina da USP apontam que morrem na cidade, em média, 12 pessoas por dia devido à poluição, encurtando a vida media dos paulistanos entre um ano e um ano e meio. Além do custo em vidas, os impactos operacionais e financeiros no sistema de saúde, causados pela poluição, são imensos. No mesmo sentido, é importante lembrar que o setor de transportes é responsável por 15% dos gases que causam o aquecimento global e a mudança climática. O diesel e a gasolina consumidos no Brasil estão entre os piores do mundo e a indústria automobilística fabrica motores menos poluentes em vários outros países e no Brasil apenas para exportação. A inspeção veicular, obrigação dos governos estaduais e dos grandes municípios, ainda está muito longe de cumprir seu papel.

No caso dos acidentes de trânsito, morrem cerca de 4 pessoas por dia na cidade – 44% pedestres, 18% motociclistas, 9% passageiros ou motoristas de autos e 3% ciclistas. Parece mentira, mas a grande vítima dos acidentes de trânsito são aqueles que estão se locomovendo a pé, o que demonstra a lógica perversa das cidades que priorizam seus espaços e fluxos para os automóveis. Estudo da Fundação Getúlio Vargas calcula que a cidade deixa de gerar R$ 26,8 bilhões por ano devido à perda de tempo nos congestionamentos e aos custos totais ligados aos acidentes e doenças derivadas do trânsito.

Muitos fatores alimentam todos estes números sinistros, mas vale lembrar os principais. Nosso modelo de desenvolvimento urbano promove uma enorme desigualdade social que obriga milhões de pessoas a se locomover por grandes distâncias para ter acesso ao trabalho e aos serviços e equipamentos públicos. Vivemos, cada vez mais, um modelo de mobilidade e transporte que oferece todos os incentivos possíveis para a locomoção por meio do automóvel. Enquanto isso os investimentos em transporte público coletivo continuam se arrastando lentamente, ocorrendo, em 2009, redução da frota de ônibus em circulação na cidade – segundo o Detran-SP, a frota de ônibus caiu de 41.876 (jan/09) para 41.628 (jun/09). Bilhões de reais que poderiam melhorar imediatamente o transporte público serão gastos em túneis, novas pistas e avenidas – e ampliação de antigas – que em pouco tempo estarão entupidas (800 novos carros entram por dia nas ruas de São Paulo!).

Precisamos romper esta lógica perversa: enquanto o Governo Federal promove incentivos fiscais e creditícios para a indústria automobilística, inclusive sem nenhuma contrapartida em termos de motores menos poluentes e uma matriz energética mais limpa, os governos estaduais e municipais vão rasgando túneis e avenidas com recursos públicos! Se não reagirmos, todos estaremos cada vez mais estressados, doentes, presos em novos congestionamentos e muito distantes de termos um transporte público coletivo decente, saudável e eficiente, como todas as principais cidades do mundo já o possuem há muito tempo.

Diante dessa realidade que pode ser mudada, propomos:

– Aceleração e prioridade absoluta para o metrô, trens e os corredores de ônibus;
– Ampliação substantiva da frota de ônibus da cidade com serviço de alta qualidade;
– Reativação e fortalecimento do Sistema Trólebus;
– Priorização de ações da CET para aumentar o fluxo do transporte coletivo;
– Definição de ações e metas para reduzir significativamente os congestionamentos;
– Cumprimento da lei que prevê ciclovias em novas avenidas e construção de todas as ciclovias e ciclofaixas já projetadas;
– Cumprimento da Resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para melhorar a qualidade do diesel;
– Início imediato da substituição do diesel e gasolina por combustíveis mais limpos;
– Comercialização no Brasil de automóveis, ônibus e caminhões com a mesma tecnologia menos poluente que a indústria automobilística utiliza nos países europeus e nos Estados Unidos;
– Segurança para o pedestre, calçadas de boa qualidade, acessibilidade universal para os deficientes físicos, rigor nas leis de trânsito e educação cidadã para termos uma cidade que garanta uma mobilidade digna, inclusiva e segura;
– Inspeção veicular em toda a frota automobilística;
– Redimensionamento dos investimentos públicos para diminuir a desigualdade social e regional na oferta de trabalho e no acesso a equipamentos e serviços públicos;
– Construção de um Plano Municipal de Mobilidade e Transporte Sustentáveis, com ampla participação da sociedade para decidir pelos investimentos públicos na área;
– Basta de desperdício de dinheiro público em projetos atrasados, ineficientes e insustentáveis!”

Ele andou de trem e ônibus no Desafio Intermodal

 

O carioca Carlos Aranha participou do Desafio Intermodal, em São Paulo, no dia 17 de setembro, e percorreu a distância entre a avenida Luis Carlos Berrini, no Brooklin, zona sul, até a sede da prefeitura, no centro, combinando dois transportes públicos: trem e metrô. O trajeto foi gravado e no vídeo a seguir você acompanha um resumo desta viagem que demorou 89 minutos no horário de pico da capital paulista. Carlos chegou depois de outrs 13 modelos e combinações de transportes em um total de 18 que participaram do evento em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro.

Assista ao vídeo do Carlos Aranha e seu passeio de trem e metrô, em São Paulo

Kassab diz que limpeza na cidade está normal

 

Lixo na Cásper Libero

Para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o recolhimento de lixo e a varrição na cidade estão ocorrendo normalmente e os garis, apesar da ameaça de greve, estão trabalhando. Na entrevista exclusiva ao CBN SP, ele disse que não vê justificativa para a demissão de funcionários feita pelas empresas contratadas pela prefeitura e que estas deveriam readequar as escalas de serviço.

Ao mesmo tempo em que o prefeito falava ao CBN SP, ouvintes-internautas enviavam fotos ou informações sobre lixo acumulado na cidade – a deste post foi feita na Cásper Líbero, por Douglas Brito. Logo após a entrevista, conversamos com o representante do sindicato que reúne os garis, Moarcir Pereira: “o prefeito está mal informado”, disse ele. O dirigente falou que na Vila Matilde, por exemplo, 100% dos garis aderiram a greve,

Durante a entrevista, o prefeito Gilberto Kassab também falou sobre o fato de a prefeitura não ter enviado dinheiro para as obras do Metrô, conforme prometido na campanha eleitoral quando, inclusive, posou ao lado do governador José Serra (PSDB), com um cheque de R$ 1 bi em mãos. Kassab disse, primeiro, que o dinheiro não havia sido repassado porque a transferência vai ocorrer a medida que os projetos foram apresentados. Depois, questionado se nenhum real havia sido repassado, falou que, sim, haviam sido transferidos cerca de R$ 300 milhões.

Ouça a entrevista completa com o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo

Desafio Intermodal: O helicóptero não é mais aquele

 

Desafio Intermodal 2009

Assista ao slideshow com imagens do Desafio Intermodal 2009, em São Paulo

Uma caminhada até o outro lado da rua, dois elevadores e 16 andares acima, eu estava no heliponto de um prédio comercial ao lado da Avenida Eng. Luis Carlos Berrini, na zona sul de São Paulo. Era para mim o início do Desafio Intermodal 2009 e de uma história que surpreendeu a todos os participantes, mesmo os mais otimistas incentivadores da bicicleta.

O helicóptero saiu do Campo de Marte para nos pegar na Berrini. Chegou 10 minutos depois de iniciado o desafio. Por ser um heliponto, o comandante não pode ficar parado esperando o passageiro. Ciclistas, cadeirantes, pedestres e motoristas já seguiam seu caminho. Todos embarcados – eu, cinegrafista e fotógrafo -, ficamos esperando cinco minutos para autorização de voo. O tráfego aéreo, congestionado naquele horário, impedia nossa subida.

Assim que autorizado pela torre de controle do aeroporto de Congonhas, o comandante Murilo levanta voo e em vez de seguir direto para a prefeitura, precisa fazer o retorno pelo Morumbi e acompanhar as marginais, Pinheiro e Tietê. São os corredores aéreos que precisam ser respeitados em nome da segurança.

A cidade que nos incomoda lá embaixo, às seis e 15 da tarde, poluída e travada, é linda vista de cima com sua iluminação rica. Riscos vermelhos e brancos ressaltam o trajeto dos carros pelas grandes avenidas. Difícil para novatos reconhecer os pontos importantes da cidade pelos quais sobrevoamos, mas o comandante está no caminho certo e logo se enxerga o topo do prédio Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo, no centro. Ao lado de um jardim suspenso, o heliponto nos aguarda.

Foram 15 minutos no ar, desde que levantou na Berrini até tocar o chão novamente. Mais algum tempo para o desembarque, espera no elevador da prefeitura e a descida para o largo em frente ao prédio. Tudo somado, completamos o percurso em 33 minutos e 50 segundos.

Surpreendente foi descobrir que três participantes já haviam chegado ao mesmo ponto antes de mim: dois ciclistas e um motoboy que gastaram de 22 a 33 minutos para percorrer o trajeto. A “derrota” do helicóptero encheu os participantes de convicção: a bicicleta, é sim, uma opção para o trânsito de São Paulo.

Outras curiosidades

1. O automóvel – vilão da data – gastou 82 minutos entre os dois pontos, menos do que no ano passado e o dobro de 2007; ficou em 11º lugar, custou R$ 15 e jogou no ar 2,5kg de CO2.

2. O corredor a pé chegou antes do carro ao percorrer o trajeto em 66 minutos; ficou em 6º, não custou nada nem prejudicou o meio ambiente, além de ter queimado alguns gramas de gordura.

3. Quem usou ônibus, chegou em 71 minutos e melhorou a marca do ano passado que foi de 111 minutos.

4. A cadeirante que usou trem e metrô para se deslocar até a prefeitura completou o percurso em 108 minutos, foi o 16º pior resultado, mas mesmo assim ficou a frente do participante que usou ônibus e metrô (109 min.)

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