Conte Sua História de São Paulo: meu mico paulistano

 

Por Carlos Santiago
Ouvinte-internauta

 

1958

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio no Jornal da CBN

 

Certa vez, meados de 1995, embarquei num ônibus que saía da Vila Mariana e percorria toda avenida Paulista e Doutor Arnaldo, seguindo pela Sumaré, que era meu destino. A viagem era para ser tranquila, sem transtorno. No entanto, quando o ônibus chegou ao Paraíso, o trânsito parou. O trânsito em São Paulo sempre para quando a gente precisa andar. E ficou alguns minutos sem sequer se mover. Eu que já estava com pressa para chegar ao compromisso marcado – a gente está sempre com pressa em São Paulo – não suportei aquela ansiedade. Logo percebi que estávamos em frente à estação Paraíso e tive uma ideia brilhante. Pago a passagem, peço para descer aqui mesmo, corro para o Metrô, embarco no trem e vou até a Estação Clínicas, desembarco, volto à Paulista, e pego o ônibus que vai para o Sumaré que esta mais à frente. Driblo o congestionamento e chega a tempo na reunião. Jogada de gênio. Rapidamente pus o plano em ação, desci do ônibus, entrei na estação do Metrô, peguei o trem, desci do trem e em poucos minutos estava na Clínicas. Logo cheguei no ponto a espera do próximo ônibus. Porém, com o passar do tempo percebi que havia sido muito otimista com relação a quantidade de ônibus disponíveis na linha. Imagine qual não foi a surpresa do motorista, do cobrador e de alguns passageiros, que me reconheceram, assim que entrei no mesmo ônibus pela segunda vez, em meia hora. Todos me olhavam com um enorme ponto de interrogação, sem entender minha estratégia. Eu mesmo não pude conter o riso diante do ridículo da situação, pois além de pagar três passagens em vez de uma, cheguei atrasado do mesmo jeito. Fora o mico paulistano.

 


Carlos Santiago é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Envie um texto para milton@cbn.com.br e vamos juntos comemorar os 459 anos de São Paulo.

Entidades pedem ônibus de graça no Dia Sem Carro

 

Este texto foi publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Cruzamento insano

 

A imagem do prefeito Gilberto Kassab (PSD) está cada vez mais complicada diante do paulistano. Desde que passou a se dedicar a montagem de seu partido e deixou a administração da cidade em segundo plano, a opinião pública tem rejeitado o governo dele. Kassab apostava no início da campanha eleitoral quando esperava que o candidato da situação José Serra (PSDB) defendesse a administração dele, mas a prioridade do tucano tem sido outra com a queda nos índices de intenção de voto. O prefeito não aparece na propaganda do PSDB, não tem seu nome defendido pelos candidatos a vereador pelo PSD e somente é citado pelos oposicionistas com críticas. Resultado: pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta semana, mostra que quase metade (48%) dos entrevistados consideraram o governo dele péssimo e ruim, uma marca para entrar na história.

 

Com esse cenário negativo, bem que o prefeito Kassab poderia aceitar a proposta feita pela Rede Nossa São Paulo para, ao menos, ganhar alguma simpatia do paulistano. A entidade e mais 33 organizações da sociedade civil entregaram ofício na Prefeitura de São Paulo pedindo que o acesso a ônibus, metrô, trens e trólebus seja de graça durante todo o dia 22 de setembro, um sábado, quando se comemora o Dia Mundial Sem Carro. A intenção do movimento é reforçar a realização de campanhas e programas para ganhar adeptos ao não uso de carros. Conforme a organização, o acesso gratuito ao transporte público oferecece ao cidadão “uma experiência fundamental de valorização da mobilidade inclusiva, democrática e de menor impacto ambiental, além de atender à Política Nacional de Mobilidade Urbana (estabelecida pela Lei 12.587/2012), sancionada no início do ano, que prioriza o transporte público coletivo e não motorizado.”

 

O prefeito Gilberto Kassab ainda não respodeu aos pedidos e, pelas experiências dos anos anteriores, vai desperdiçar também esta oportunidade de melhorar sua imagem diante do cidadão.

 

Já você que me acompanha neste post terá à disposição uma série de outras ações que marcarão a Semana Nacional de Mobilidade, que se realizará entre 16 e 22 de setembro. Veja aqui a programação completa.

 

A seguir, reproduzo algumas das demandas dos movimentos que estão unidos com o intuito de transformarem a cidade de São Paulo a partir de medidas na área de mobilidade. Estas reivindicações fazem parte do Plano Municipal de Mobilidade e Transportes Sustentáveis para a Cidade que deve incorporar diretrizes estratégicas e necessárias para garantir o acesso à cidade para todos os cidadãos, tais como:

 

– Prioridade ao transporte público, com ampliação da rede de metrô e implantação nas principais vias da cidade de corredores expressos de ônibus que possibilitem a ultrapassagem;

 

– A adequação das calçadas aos pedestres, cadeirantes e a todos os que nelas circulam. A Secretaria Municipal de Transporte poderia instituir um departamento para construir e fiscalizar as calçadas;

 

– A criação de um plano de 500 quilômetros de ciclovias, somados a redes complementares nas 31 subprefeituras, e a integração delas com o transporte público;

 

– O adensamento populacional nas áreas centrais da cidade, que possuem melhor infraestrutura, e estímulo à descentralização de serviços e atividades para os bairros e subprefeituras da cidade – as duas medidas em integração com as políticas de habitação;

 

– O estabelecimento de metas para cumprir o plano e um programa de educação sobre mobilidade com o objetivo de mudar o comportamento de motoristas, pedestres e ciclistas;

 

– Participação popular na execução do plano, com a eleição e o funcionamento do Conselho Municipal de Transportes, bem como a criação de uma comissão de acompanhamento das medidas.

 

Caminhando nos trilhos do trem

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No dia em que a Presidente Dilma Rousseff anunciou, no Palácio do Planalto, o Programa de Concessões de Rodovias e Ferrovias senti-me mais perto de ver um antigo sonho se tornar realidade. Não pensem os meus raros leitores que o meu sonho englobe os dois meios de transporte privilegiados com os 133 bilhões de investimentos que Dona Dilma destinará para o plano que,segundo uma das frases do seu discurso, servirá para “desatar nós” da economia brasileira. Sou fã de carteirinha de uma das beneficiadas: as ferrovias.

 

Tenho saudade da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, especialmente, porque numa das tantas viagens que os meus colegas e eu fizemos durante a competição, usamos trem. Que maravilha! Estava afastado desse meio de transporte – limpo, silencioso e extremamente confortável – desde que, como tive oportunidade de contar neste blog em uma dessas quintas-feiras, viajei do Rio a Belo Horizonte numa cabina do Vera Cruz, trem noturno que ligava o Rio a Belo-Horizonte. Narrei para a Rádio Guaíba, em Belo-Horizonte, Atlético Mineiro x Grêmio. Foi uma noite para lá de bem dormida. Trens com cabina são ótimos para a gente dormir, ao contrário do que acontece na classe turística dos aviões.

 

Minha relação com os trens começou cedo. Nasci em Caxias do Sul, na residência dos meus avós por parte de mãe, no tempo em que os partos podiam ser feitos em casa, desde que não se tratasse do cesáreos. Com uma semana de vida, os meus pais levaram-me para casa na qual moravam, em Porto Alegre. Foi a minha primeira viagem de trem. Durante minha infância viajamos, inúmeras vezes, em geral na época das férias colegiais, da capital gaúcha para Caxias e vice-versa. Lá pelas tantas da minha infância, meus pais resolveram me internar em um colégio situado em Farroupilha, o São Tiago.

 

Viajamos de trem, o mesmo que fazia o percurso entre Porto Alegre e Caxias. Foi a pior viagem da minha vida. Aquele que viria a ser o meu concunhado, o Bruno, já estava internado no mesmo colégio desde o início do ano. Eu cheguei em agosto. Éramos vizinho e companheiros nas artes, razão pela qual nossos pais adotaram a drástica solução. Desembarcamos em Farroupilha – os meus pais, o Bruno e eu – numa tarde de domingo, véspera do reinício das aulas. Nem bem coloquei os meus pertences no armário ao lado da que seria a minha cama por longos e tenebrosos seis meses, disse ao irmão que me recebera estar com dor de cabeça. Não era verdade. Queria apenas uma desculpa para ficar sozinho e ter uma chance de iniciar minha primeira fuga do internato. Fugi correndo em busca da ferrovia. Pensava que poderia, pelos trilhos do trem, ir a pé até minha cidade natal. Quando alcancei a ferrovia, o irmão Brício e o Bruno me viram e este acabou me alcançando em meio a um milharal. Essa fuga não foi a única. Na segunda, Bruno escapou comigo. Como na primeira, minha meta era chegar aos trilhos e ir até Caxias do Sul. Nove quilômetros antes dessa cidade, porém, a noite caiu e, no escuro assustador, decidimos voltar para o colégio, rezando o terço. Bem que em meio a este texto, eu disse que minha relação com trens e os seus trilhos começou cedo e, talvez por isso ,vou torcer para que o projetado transporte ferroviário, para valer, dê certo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Vivendo e aprendendo com os anjos da bicicleta

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Vivendo e aprendendo. Quem não conhece esse ditado popularíssimo? Vou até um pouco mais longe: em algum momento, provavelmente, o amigo leitor, no mínimo, ouviu alguém repetir o velho adágio, se é que não se serviu dele num papo com amigos. Lembrei-o quando li reportagem de Priscila de Martini, colunista de ambiente do caderno Nosso Mundo Sustentável, do jornal gaúcho Zero Hora, em sua edição do último domingo. A chamada na contracapa me despertou a atenção: ”AJUDA PARA PEDALAR”. Fiquei tão curioso para saber o que continha a matéria que, contrariando o meu hábito, deixei de lado as páginas de esportes, minhas preferidas, e abri o periódico nas duas que continham a reportagem.

 

A manchete dizia:” Um anjo em duas rodas”. Abaixo, lia-se que o assunto de Priscila referia-se ao trabalho de voluntários que ajudam ciclistas a ir para as ruas. Como escrevi na abertura do meu texto desta quinta-feira, vivendo e aprendendo. Jamais havia imaginado que houvesse pessoas, anjos, segundo a autora da reportagem, especializadas, em instruir quem, como eu, teme enfrentar, pedalando bicicleta, o trânsito cada vez mais maluco, de uma cidade do tamanho da minha Porto Alegre.

 

Em São Paulo, fiquei sabendo agora, esses mestres ciclistas angelicais já existem faz tempo. Aí, com certeza, eles são ainda mais necessários do que aqui. Logo, não estou contando nada de novo. Para os ciclistas porto-alegrenses, porém, salvo melhor juízo, o trabalho gratuito executado pelos Bici Anjos precisa ser divulgado. Priscila de Martini, em sua primeira viajada tendo à frente um deles, o publicitário Cadu Carvalho, garantiu que aprendeu como o trânsito pode não ser tão assustador assim se o ciclista souber como se portar nas vias. Convém salientar, entretanto, que todas as interessantes dicas que Priscila ouviu do seu guia, somente funcionarão se motoristas e motociclistas se dispuserem a compartilhar vias públicas e até estradas, inclusive, com os que usam bicicletas tanto para passear quanto para trabalhar. Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da EPTC, lembra que “nosso motorista acha que tem preferência na via, quando, na verdade, o próprio Código de Trânsito determina o contrário”.

 

Em Porto Alegre, há 10 voluntários cadastrados para atender aos pedidos de quem pretende pedalar com menos insegurança nas nossas ruas. Solicite os serviços de um Bici Anjo entrando no site http:/bicianjo.wordpress.com. Particularmente, enquanto os nossos motoristas tiverem pés pesados, por mais valioso que seja o trabalho dos abnegados Bicis Anjos, vou pedalar nas calçadas da Zona Sul de Porto Alegre. Bem devagar,é claro,respeitando os direitos dos pedestres.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

"Falta uma visão global da cidade", diz Lerner

 

Protesto no M'Boi Mirim

 

“Falta uma visão global da cidade” disse o urbanista e arquiteto Jaime Lerner em entrevista nesta segunda-feira ao Jornal da CBN. Com a experiência de quem ofereceu soluções para Curitiba e se transformou em referência internacional Lerner ensina que a cidade é uma estrutura de vida, trabalho e lazer e para se enfrentar os desafios impostos aos governantes é preciso soluções conjuntas. Ele entende que além das questões básicas como educação, saúde e segurança, é preciso estar preparado para encarar três pontos fundamentais, hoje em dia: mobilidade, sustentabilidade e tolerância.

 

Uma das coisas que o incomoda é o fato de a maioria das pessoas insistir na manipulação da tragédia, sempre apresentando os dados negativos da cidade, reclamando do seu tamanho e da falta de dinheiro no Orçamento. Defende que se resolva os problemas com o que se tem e se use a nossa energia para mudar tendências: “se você projeta a tragédia, aumenta a tragédia”.

 

Jaime Lerner diz que é um falso dilema que se coloca à população quando se discute investimento em carro ou em metrô. Alargar ruas e avenidas para melhorar a fluidez é transferir o congestionamento de um ponto para outro, e as cidades não têm dinheiro suficiente para ampliar as linhas de metrô. O que fazer então? Como mais de 80% das pessoas andam na superfície deve-se “metronizar o ônibus” colocando-os a circular em corredores inteligentes que aumentem a velocidade do transporte. Usa como exemplo o projeto de mobilidade do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo e Olimpíadas, onde se estende apenas uma linha de metrô e se coloca o restante do dinheiro na modernização do sistema de ônibus.

 

“A cidade tem de ser como uma tartaruga, exemplo de habitação, trabalho e movimento, tudo junto”, compara Lerner que enxerga o casco da tartaruga como uma tecitura urbana que se for dividida mata o animal. “Está se separando a cidade por funções, separando as pessoas por guetos de gente rica e guetos de gente pobre.” Para Lerner é preciso resolver melhor a convivência das pessoas, aproximando o trabalho da casa e a casa do trabalho, o que reduziria a necessidade de investimento em transporte.

 

O que será que o seu candidato a prefeito e a vereador pensam sobre isto? Pergunte a ele e cobre soluções para os problemas que fazem parte do nosso cotidiano, antes de definir o seu voto.

 

<a href="”>Ouça a entrevista completa de Jaime Lerner ao Jornal da CBN

Além da engenharia de tráfego

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Considerar o trânsito além da engenharia de tráfego foi o propósito de Enrique Peñalosa, economista e doutor em Administração Pública, ao assumir a cidade de Bogotá entre 1998 e 2001. Submetendo a técnica à cidadania e transformando radicalmente uma cidade de mais de sete milhões de habitantes.

 

Optando por Bogotá como uma cidade cidadã, agiu como um Administrador Geral, e tomou medidas radicais: comprou o Country Club e construiu um parque público, estabeleceu mais de 300 km de “Ciclorutas” nas avenidas da cidade, colocou obstáculos no meio fio impedindo o estacionamento em frente a grandes prédios e áreas de compras, demoliu a grande área dos drogados e criou um jardim infantil, instituiu o “Pico y Placa” rodízio de carros com quatro finais de placas diárias, aumentou o espaço para os ônibus, alargou as calçadas, substituiu áreas de garagem por espaços públicos.

 

Estas realizações deram a Penãlosa uma extraordinária bagagem, testada na RIO +20 e também na excelente entrevista publicada em 24 de junho no caderno Cotidiano da Folha, realizada por Vaguinaldo Marinheiro e Regiane Teixeira e, enaltecida por Ruy Castro em sua coluna no dia 13.

 

Ficou claro que como Administrador soube tratar a cidade como um todo, assim como diferenciar o público do privado, evidenciando que o automóvel é um bem privado e deve ser tratado como tal. Ou, como exemplificou, se é aceito que guardar suas roupas não é da alçada da prefeitura, por que o carro também não é da conta de cada um? Assim como cidade rica não é aquela em que os pobres andam de carro, mas onde os ricos usam transporte público. Vide New York, London, Zurich. E, mais: “Devemos pensar em cidades para os mais vulneráveis. Para as crianças, os idosos, os que se movimentam em cadeiras de rodas, os mais pobres. Se a cidade for boa para eles será também para os demais”.

 

Será?

 

Enrique em 2007 e 2011, embora mais famoso e festejado inclusive internacionalmente, perdeu as eleições para o cargo que tanto revolucionou.

 

Será que para as grandes cidades brasileiras teremos algum candidato disposto a Administrar Geral e considerar o que reza a Constituição no sentido de igualdade de todos perante a lei como Enrique Penãlosa assim a lê?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Pedágio urbano já existe

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Pedágio urbano em Estocolmo
Pedágio urbano foi solução para o trânsito em Estocolmo, Suécia

 

 

“A população tem de compreender que a cidade é fruto dela própria, a população não é vítima da cidade”. Bem dito por Brito Cruz, presidente do IAB/SP na Folha, e bem anotado por Mílton Jung aqui no blog. De vítima à protagonista, é um passo e tanto para a correta percepção do trânsito pela população de São Paulo, como seu mais grave problema, de acordo com pesquisa publicada agora pela Época. Até então o Ibope e os partidos políticos tinham a saúde como a primeira na lista dos maiores desafios da cidade.

 

Esta mudança de prioridade detectada, originada talvez por universos diferentes considerados, como observou Mílton Jung, mas possível também pelos recentes acontecimentos. Tais como greves ilegais nos transportes públicos, falhas técnicas e operacionais em trens e metrô, ou congestionamentos monumentais se aproximando de 300 km sem nenhum fato excepcional.

 

E, neste panorama de surpresas, surge o Secretário de Transportes do Município, Marcelo Cardinale Branco, em artigo na Folha, lembrando que o custo do congestionamento anual da cidade é equivalente aproximadamente ao seu gigantesco orçamento de 38 bilhões de reais. O que equivale a dizer que o pedágio urbano já está implantado. Assustadora e compulsoriamente distribuído, pois transportes individuais, coletivos, de cargas, quer pobres e ricos, pagam sem se dar conta.

 

Branco sugere então que copiemos os europeus, criando o poluidor pagador. O pedágio urbano sem camuflagem. Direto e planejado para canalizar seus recursos para equilibrar a distorção que vivemos entre a locomoção privada e pública. E abrir um generoso espaço urbano, que higienizará a capital, melhorando todas as relações cidade-cidadãos.

 

Sob o aspecto operacional, a relação entre o transporte coletivo e individual saudável padrão é de 70% para o transporte público e 30% para o privado. Em São Paulo esta comparação está com 55% e 45% respectivamente.

 

A solução, Marcelo Branco recita e receita:
– Favorecer a utilização do espaço pelo transporte público
– Aperfeiçoar e ampliar o transporte de massa
– Disciplinar e restringir o tráfego inclusive com cobrança do pedágio urbano
– Retirar da região central os veículos pesados

 

Tema dos mais importantes para a campanha que se inicia. Esperemos que ao menos a mídia não se deixe levar pela manipulação dos candidatos que não tem programas ou que tem esdrúxulas propostas, como a de matar rios. Verdadeiros “Serial killers”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Monotrilho: silêncio nos trilhos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Domingo, 11hs. Cinco horas antes de Guarani e Santos, defronte ao estádio do Morumbi, o silêncio do poder executivo de São Paulo, diante das reprovações ao Projeto, foi condenado pelo grupo de moradores que protestavam. Contra o Monotrilho e quanto à manipulação das audiências públicas. O movimento se estendeu até às 13hs defronte ao Palácio dos Bandeirantes, quando o grupo residual com 800 pessoas composto de adultos e crianças classe média e classe média alta se dispersou.

 

De Maluf à Alckmin foi um avanço, afinal com Maluf não houve discussão, estávamos na “Revolução”. Apenas a homenagem ao Presidente Costa e Silva, que virou Minhocão. Convenhamos, valia um protesto e tanto.

 

Rosa Richter, coordenadora do movimento que reúne varias entidades representativas dos moradores da região, que se caracteriza por possuí-las em quantidade, aponta uma série de insatisfações no contato Governo do Estado e contribuintes. O traçado inadequado ora passando por áreas residenciais adensadas, ora por reservas ambientais, ora desrespeitando as Z1. A menor capacidade do monotrilho em relação ao trem subterrâneo. O silêncio do Metrô e do Governador diante dos argumentos apresentados.

 

Julia Titz de Rezende, presidente do Conseg Morumbi, ressalta a manipulação do governo com as audiências públicas. Realizadas obrigatoriamente para cumprir a lei, elas são desrespeitadas, pois as decisões vitoriosas não são cumpridas. Nos contatos diretos, como na reunião com o governador Geraldo Alckmin, o silêncio foi quebrado com a justificativa de que não havia mais nada para fazer, pois o antecessor, Goldman já tinha assinado. Como se Goldman não tivesse sido sucessor de Serra, que PSDB também, quase demoliu o Minhocão em sua passagem pela Prefeitura.

 

E da ausência de argumentos passa-se agora para a fuga dos debates pela imprensa. A TV Gazeta mais uma vez está convocando governo e moradores para debater o Monotrilho, devido ao não comparecimento do governo às chamadas anteriores.

 

Dentre tantos questionamentos, focados nas comparações entre metrô aéreo e subterrâneo contidos inclusive no volante distribuído (leia abaixo) é pertinente ressaltar a possibilidade de lobby do poder econômico nacional e internacional. Construtoras, incorporadoras e demais agentes têm comparecido em situações políticas. Por que não estariam presentes agora?

 

 

Leia mais sobre o assunto no artigo “O Minhocão do Morumbi”


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

São Paulo: quem te viu, quem te vê

 

Por Julio Tannus

 

Trolebus quebrado

 

Em 1976, participando de um projeto sobre sistema viário em SP, cruzei com monsieur Harry, um suíço especialista nos assim chamados trólebus, ônibus urbanos movidos à energia elétrica. Monsieur Harry era considerado um dos maiores especialistas mundiais no assunto e a Suíça detinha uma das mais avançadas tecnologias na fabricação de ônibus elétrico da época.

 

Fui encarregado de, juntamente com monsieur Harry, sobrevoar a cidade de São Paulo para que o especialista tivesse um primeiro contato com a cidade, na qual ele estava sendo contratado para auxiliar em um novo projeto de Trólebus Especiais, e do qual eu também participava. Então, em uma tarde de sexta-feira embarcamos no helicóptero do governador e partimos para um sobrevoo sobre nossa capital paulista. Percorremos toda a área compreendida pelas marginais Pinheiros e Tietê, seguimos até a região do ABC e depois nas cercanias de Guarulhos, e por fim retornamos ao heliporto do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo.

 

Esperavam-nos uma dezena de jornalistas, repórteres e radialistas, todos ansiosos pelo diagnóstico do suíço. Sério e compenetrado, monsieur Harry dirigiu seu olhar para a pequena multidão e sentenciou: Pas de Solution! Ou seja, na visão do especialista, há mais de 30 anos, sua primeira reação foi de que não tínhamos como resolver o enorme congestionamento através de soluções viárias de superfície: Não tem solução! …

 

E aqui eu coloco outra questão: Por que até hoje não foi desenvolvida tecnologia para veículos (automóveis/caminhões) movidos a energia elétrica, com todos os benefícios decorrentes de uma energia limpa, não poluidora? Como toda questão que envolve a “coisa pública”, é ao mesmo tempo complexa e simples.

 

A complexidade advém do fato que existem grandes interesses envolvidos. Certamente os interesses ligados às grandes montadoras, as gigantes do petróleo, etc. não o permitiram. Lembro-me de um professor de pós-graduação da Escola Politécnica da USP, na área de Sistemas de Transportes, que ficava transtornado quando se referia ao que estava sendo feito com o sistema ferroviário no Brasil. Segundo ele, o lobby da indústria automotiva (estrangeira) era suficientemente forte para impedir o desenvolvimento natural do uso da energia elétrica no transporte ferroviário e rodoviário urbano no país.

 

E simples porque basta apenas vontade/vocação política para romper as mais fortes barreiras. O projeto de Trólebus Especiais foi concluído: entre outras inovações, os ônibus eram leves, ágeis e com tecnologia avançada. Hoje, passados mais de 30 anos, vejo os mesmos trólebus de então circulando pelas ruas de São Paulo. O projeto nunca foi implantado!

 

Participei também, no passado, de algumas reuniões sobre mudanças do Plano Diretor da cidade de São Paulo. O que fica claro é que não adianta construir mais viadutos, túneis, novas avenidas, e até mesmo novas linhas de metrô, enquanto não houver uma mudança conceitual na ocupação do solo. Derrubam-se casas para construção de imensos edifícios, muitas vezes em ruas estreitas, com infraestrutura urbana já saturada.

 

A mancha urbana cresceu tanto que hoje uniu São Paulo a Campinas, abrigando, nos seus 65 municípios, 12% da população brasileira. Na realidade a cidade de São Paulo ficou pequena demais, com suas cerca de 40 mil ruas/avenidas e 17 mil quilômetros de extensão, para conter os mais de 7 milhões de veículos, dos quais 5 milhões de automóveis, 890 mil motocicletas/triciclos/quadriciclos e 700 mil ônibus/utilitários.

 

Já entramos em colapso há algum tempo!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

Por um banco de reciclagem na sua cidade

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP
Transporte reciclável

Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem? […]

A reciclagem foi e ainda é vista por alguns setores da sociedade, como atividade – ganha pão – dos miseráveis.Talvez a visão curta de nossos gestores sobre sustentabilidade e desenvolvimento econômico explicaria a falta de uma política de reciclagem na cidade de São Paulo. Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem ? , e não dos discursos, com frases de efeito sobre o tema ,elaborados por marqueteiros.

Banco de reciclagem

Se a reciclagem dá tão certo para milhares de pessoas , resultando numa importante movimentação financeira para São Paulo e o País, por que não adotá-la como política de prioridade?

Um prefeito ousado e comprometido com o meio ambiente e vida das pessoas criaria o Banco da Reciclagem na cidade de São Paulo […].