Adote Um Vereador: entrar na Câmara é mais difícil do que na USP, mas o salário é até 8,6 vezes maior

18/10/2020 12:09

Plenário da câmara em São Paulo em foto do site da CMSP

 

Texto originalmente publicado no site do Adote um Vereador

A cidade de São Paulo tem quase dois mil candidatos e a Câmara Municipal tem 55 cadeiras para serem ocupadas. Com base em reportagem de Alexandre Garcia, do Portal R7, sugerida pelo Vitor Santos, nosso colaborador no Adote um Vereador, chega-se a seguinte conta:

1.994 candidatos  ÷  55 vagas = 36,25 candidatos por vaga

“O número é 2,5 vezes superior à disputa por uma vaga no último vestibular da Fuvest, quando 129.148 estudantes buscavam por 9.217 vagas na USP (Universidade de São Paulo). Foram 14,01 candidatos para cada uma das vagas de acesso disponíveis pelo vestibular mais disputado do País”, escreve o repórter.

Resolvemos fazer outra conta. 

Se você entrar na USP e completar o ensino superior o salário médio será de R$ 4.925,00 —- claro que sempre vai depender da profissão, do cargo e da oportunidade que surgir. De acordo com o site salario.com.br o salário médio de um Administrador com curso superior completo é de R$ 5.228,34. Deve-se levar em conta —- nesta conta —- o fato de que para ser vereador, não é preciso sequer o ensino infantil completo. Portanto, para fazermos o cálculo de maneira mais justa, vamos usar o salário médio do brasileiro: R$ 2.261,00.

Se você entrar na Câmara Municipal como vereador, o salário é de R$ 18.900,00 — atualmente reduzido para R$ 13.230,00, devido as medidas de contenção de custos adotadas pelos impactos econômicos da pandemia.

Puxando o traço e fazendo as contas, concluímos que se existem 2,5 vezes mais candidatos para a Câmara de São Paulo do que para a USP, também é verdade que se você passar no “vestibular” das eleições municipais receberá entre 5,85 e 8.35 vezes mais do que a média dos trabalhadores brasileiros. Comparados com os de nível superior completo, o salário de um vereador pode ser de 2,6 a 3,8 vezes maior do que a média dos brasileiros com diploma na mão.

Ser vereador é um bom negócio (no bom e no mal sentido)

A reportagem do R7 você lê aqui

Leia mais: https://www.adoteumvereadorsp.com.br/news/ser-vereador-e-mais-dificil-do-que-entrar-na-usp-e-paga-ate-8-35-vezes-mais/

Conte Sua História de SP: moradora e turista da nossa cidade

 

Por Adriana Yamamoto Christofolete
Ouvinte-internet da CBN

 

Sou uma paulistana que aprendeu a ver nossa Sampa com olhos de turista. Cresci na região Oeste de São Paulo, no bairro do Bonfiglioli. Vivi até os 21 anos nessa região, a vi crescer e passei grande parte da adolescência passeando no meu quintal: a USP. Naquela época era aberta ao público, andava de bicicleta pela FAU, perto do MAM, empinava pipa, fazia yoga e namorava comendo pipoca com queijo na Praça do Relógio. Fazia parte do Grupo Escoteiro Paineiras que tinha sua sede dentro do campus. Não tinha ideia de como era um privilégio estar nesses espaços!

 

Ouça este texto que foi ao ar no CBN SP e sonorizado pelo Cláudio Antônio.

 

Em 1991, quando entrei na psicologia do Mackenzie – apaixonei-me pelos prédios de tijolinho aparente. Adotei o campus do Mackenzie e seu entorno, onde conheci meus melhores amigos e meu marido, passei a frequentar e conhecer mais a região do centro e da Avenida Paulista. 

 

Em 1993, casei e passei a viver na Móoca, meu! Nunca tinha imaginado que o bairrismo fosse tão forte. Fui adotada pela Moóca e pelos mooquenses, com os quais  criei meus filhos passeando pelos Parques do Piqueri, Ibirapuera e do Carmo.

 

Contudo, em 2004, tivemos que ir embora para a cidade de Bertioga, litoral de São Paulo. E, além das saudades de todos e dos lugares cotidianos, passamos a sentir falta de algo que é tão óbvio para quem nasceu e vive em São Paulo desde sempre: ter de tudo à mão, desde um simples café expresso a qualquer hora até a enorme diversidade cultural. É quase absurda, mas até a visão do traçado de luzes dos carros, à noite, na Marginal, faz falta! Sem falar no acolhimento dos prédios por toda a cidade. E o pôr de sol nas tarde de outono? Devido à poluição é um vermelhão lindo! Fazer o quê nem tudo é perfeito!

 

A angústia do afastamento, nos fez, nos últimos anos, passear mais em São Paulo. Sempre que podemos, visitamos nossos amigos e familiares. Aproveitamos a variedade gastronômica para todos os bolsos (pastel de feira, coxinha na padaria, jantar na Rua da Consolação, almoçar em Cantina na Moóca, comida mineira, japonesa ou árabe no shopping, ou comida chinesa delivery. Fizemos quase todos os roteiros do TurisMetrô, só se paga o bilhete da passagem e somos guiados por pontos turísticos e históricos de nossa cidade, inclusive parques e museus; frequentamos o da Língua Portuguesa, o do Futebol, o da Imagem, o MASP, o MAM, o MAC, a Pinacoteca, o Centro Cultural do Banco do Brasil, a Sala São Paulo junto à Estação Julio Prestes, o Pátio do Colégio,o Mosteiro São Bento, o prédio do Banespa, os teatros FAAP, Tuca, entre tantos outros. Sou associada ao SESC e curtimos suas instalações e maravilhosos shows e peças teatrais a preços acessíveis. Ou, simplesmente, viemos caminhar pelas avenidas Paulista e São João para tomar um sorvete, café, comer quebra queixo ou pamonha numa tarde de domingo!

 

Atualmente, moro e trabalho em Bertioga e São Paulo, mas não abro mão de passar os fins de semana por aqui. Definitivamente, minha alma é paulistana!

 


Você pode participar do Conte Sua História de São Paulo enviando um texto para milton@cbn.com.br ou marcando uma entrevista, em áudio e vídeo, no site Museu da Pessoa.

De Harvard à USP, uma lição

 

Por Carlos Magno Gibrail

Os principais meios de comunicação do país noticiam os rankings das melhores universidades do mundo, onde chama à atenção a distante posição da nossa melhor universidade.

Embora 8ª Economia do mundo, o Brasil aparece na lista norte americana da “Times Higher Education”, cujos critérios principais consideram as verbas para pesquisa e inovação, com a 232ª posição da USP e a 248ª da Unicamp.

No ranking da empresa inglesa “QS World University Rankings” que leva em conta a opinião da academia e o mercado, a USP aparece como a 253ª e a Unicamp como a 292ª, enquanto que na lista do “Instituto de Educação Superior de Xangai”, cujo principal indicador é a produção científica, a USP está entre o 100º e o 150º lugar, e a Unicamp entre o 200º e o 300º.

Harvard é o destaque, e só não aparece em primeiro na avaliação inglesa, onde ocupa o segundo lugar.

Mesmo levando em conta possíveis desvios de critérios, corporativismos, nacionalismos ou demais juízos de valor, há uma similaridade nestes rankings que endossa as avaliações.

Qual a razão da distância entre a economia e a educação nacional?

Sob o aspecto numérico é considerável a diferença de idade de Harvard (1636) e da USP (1934), são 298 anos. Também é significativo o 3,1% investido em educação superior nos Estados Unidos sobre um PIB de 14 trilhões de dólares contra menos de 1% num PIB de 2 trilhões de dólares no Brasil .

Não bastasse isso, temos ainda as considerações de ordem sócio-econômica e cultural, como bem lembra o Prof. Nelson Barrizzelli (FEA USP), atribuindo à elite brasileira uma propensão extrativista não construtivista. Sempre foi mais fácil extrair do que construir quer do solo, da natureza ou dos seres humanos.

De outro lado a excelência do produto universitário passa também pela qualidade da matéria prima, que são os alunos, e longe está daquela condição aprovada por Peter Drucker quando atendeu ao pedido de Harvard para lecionar seu primeiro curso de mestrado. Aceitou somente após receber a lista com a qualificação dos alunos e verificar que poderia aprender com eles.

Mas, como que para demonstrar a excelência, ainda que não no topo, mas com disposição de chegar lá, a USP reagiu e ontem, extensa matéria na Folha apresenta mudanças que priorizarão a qualidade e atualidade do ensino objetivando melhoria de qualidade e atualidade dos cursos.

A restrição à expansão no primeiro momento será inevitável, pois como bem colocou o jornalista Hélio Schwartsman:

“Gostemos ou não, incorporar mais estudantes significa aceitar alunos com pior desempenho, o que resulta em queda de qualidade. O problema é menos a USP e mais a educação básica, incapaz de preparar para o mercado global universitário”.

É a freada que certamente preparará a acelerada futura.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

Cidade Universitária e a “Operação Portuga”

 

O livro é sobre corridas de rua ou sobre gente que corre, como ressalta na orelha o autor, jornalista Sérgio Xavier, da Placar. Da leitura de “Operação portuga – cinco homens e um recorde a ser batido” (Arquipélago Editorial), porém, destaco neste post trecho que fala de área privilegiada da capital paulista que não pode ser perdida pelo olhar míope de gestores públicos, a Cidade Universitária:

Não há placas nos postes, mas as regras são conhecidas. A primeira pista é deles, dos corredores. A segunda é ocupada pelos cilcistas, que costumam se deslocar em pelotões. Na terceira, os carros se espremem. Quem desrespeita essa lei tácita será xingado com fúria. O sentido dos corredores é habitualmente o anti-horário. As bicicletas é que andam no sentido horário. Os treinadores montam suas estruturas ao longo da Universidade de São Paulo, a USP.

Não há nada parecido no mundo. A Cidade Universitária é um espaço na zona oeste de São Paulo com 36 km de avenidas e alamedas. Durante a semana, a vida acadêmica da o tom do lugar. Alunos se deslocam de carro ou de ônibus. Nas calçadas, professores caminham com livros debaixo do braço. De segunda a sexta, a USP se parece com o que realmente é, uma universidade. Na manhã dos sábados, porém, a vida do lugar muda. A Cidade Universitária se transforma em uma das maiores áreas esportivas do Brasil.

Não vira exatamente um parque, porque ninguém esstá ali para passear ou caminhar com os filhos. A USP passa a ser um imenso campo de treinamento que chega a receber mais de cinco mil pessoas em uma única manhã. Pela grande extensão plana, pelas áreas sombreadas, pelo modo como os atletas acuaram os carros e lhes tomaram duas das faixas de rodagem, não há lugar melhor na cidade de São Paulo para se treinar. É possível escolher a rota plana de 6 km, a com subida de 10 km, a menos movimentada de 12 km, cada um faz o seu caminho. Os treinadores das grandes assessorias espalham pontos de abastecimento de água pela Cidade Universitária, a tribo do esporte dominou o pedaço

Para saber o que é a “Operação Portuga” vá na livraria mais próxima ou encomende pela internet

USP vai punir vítima pra evitar roubo de bicicleta

 Cadastrar ciclistas e apenas permitir a entrada de quem tiver em mãos uma carteira de identificação são as maneiras que a USP encontrou para reduzir o número de roubos de bicicleta dentro da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista. Foram três bicicletas roubadas em dezembro, além de uma série de violências que vão desde acidente de trânsito a furto e roubo.

Para os demais casos, a coordenadoria do Campus a USP não tem uma solução aparente, pois admite que faltam vigilantes para atender toda a área da universidade. De acordo com estatísticas oficiais da USP, ocorreram 29 furtos qualificados e 11 roubos no mês de novembro (último mês em que as estatísticas foram publicadas). Desde setembro, o número de casos de violência registrados tem aumentado na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Por exemplo, em novembro de 2008 ocorreram 61 registros contra 84 em 2009.

Ouça as justificativas do coordenador do Campus da USP Antonio Marcos Massola, em entrevista ao CBN SP

Restringir o acesso de ciciclistas no campus para evitar roubos de bicicletas é inverter os papéis e punir às vítimas.