Avalanche Tricolor: Pepê é mais um talento com direito a nome próprio

 

Grêmio 2×1 Vasco
Brasileiro — Arena Grêmio

Atacantes

 

Faz pouco tempo que assistimos à ascensão de Everton. Lembrei parte dessa história na Avalanche anterior, ao escrever sobre nosso empate na Copa do Brasil. O atacante, hoje cobiçado por alguns dos mais importantes clubes da Europa, até se firmar entre os titulares, tinha de esperar as substituições que Renato fazia no segundo tempo, geralmente em lugar de Pedro Rocha. No Mundial de Clubes, Rocha assistiu àquele jogo quase ao meu lado na arquibancada — ele já havia sido vendido ao exterior, onde ficou pouco tempo para retornar ao Cruzeiro. Mesmo assim, Everton ainda era um reserva de luxo. Fernandinho era o preferido do treinador.

 

Na época do entra e sai no time, Everton oscilava em suas apresentações. Quando encarava os marcadores já cansados no segundo tempo, levava vantagem com sua velocidade e habilidade com a bola. Fez gols importantes na campanha vitoriosa da Copa do Brasil, em 2016. Porém, sempre que saía jogando, seu futebol era colocado em dúvida, pois a excelência que se esperava dele não costumava aparecer da mesma maneira. Repetia assim o mesmo que já havia ocorrido com Pedro Rocha —— inclusive nas críticas, injustas, a imprecisão nas finalizações a gol. 

 

Rocha também demorou para se firmar entre os titulares. Havia torcedores que arrancavam os cabelos todas às vezes que assistiam ao nosso atacante disparar em direção ao gol e desperdiçar suas oportunidades com chutes sem precisão. Até que, com a confiança demonstrada pelo técnico, seu futebol amadureceu, ganhou personalidade, transformou-se em titular reverenciado por todos os torcedores e valorizado a ponto de ser a maior transação gremista de todos os tempos: foi negociado por 12 milhões de euros —- 45,2 milhões de reais —- para o Spartak Moscou, da Rússia.

 

Mesmo depois do gol que nos levou à final do Mundial, em 2017, Everton voltou a ocupar o banco de reservas, ao menos mais uma vez. Na partida decisiva, em Abu Dhabi, só entrou no segundo tempo. Com apenas 21 anos, trilhava o mesmo caminho de seu antecessor e sabia que sua hora estava para chegar.

 

Foi no ano seguinte, 2018, que Everton se notabilizou, tornou-se titular absoluto e um dos maiores goleadores da Arena Grêmio, tendo seu nome cogitado para a seleção brasileira. Neste 2019, após a consagração na seleção campeão da Copa América, mantê-lo no elenco virou missão impossível e estamos aqui apenas contando os dias que faltam para o jogador anunciar sua despedida do clube.

 

Nós torcedores já estamos resignados com essa situação: todo ano, dar adeus ao menos a um dos nossos jovens craques. Já não nos indignamos mais com a saída precoce deles e nos consolamos com as cifras absurdas que os estrangeiros pagam para contratá-los, nos contentando com uma espécie de competição paralela com os nossos rivais na qual quem consegue vender seu talento por uma preço maior é o vencedor.

 

Aos gremistas nos resta a satisfação de saber que a fábrica que produz jogadores com a qualidade e velocidade de Pedro Rocha e Everton dá sinas de estar em plena atividade. Haja vista, o crescimento de Pepê a cada partida que disputa. Ele jogou na base do Athletico Paranaense, foi para o Foz do Iguaçu —- na cidade natal —, passou rapidamente pelo Coritiba e chegou nas nossas bandas em 2016, após uma operação sigilosa da diretoria gremista que temia perder o jogador para os concorrentes mais próximos.

 

Fez sua estreia no time profissional em 2017 e, veja como a história é cíclica, substituindo Everton. Fez seu primeiro gol já na terceira partida que disputou e sempre que chamado por Renato apresenta-se com uma vitalidade incrível que lembra …. bem, lembra Everton.

 

Foi assim, nesse sábado quando o Grêmio venceu de virada com dois gols do nosso jovem atacante. O primeiro entrando em velocidade pelo lado direito da área e aproveitando passe preciso de Luan; e o segundo, pasmem, de cabeça após um cruzamento-passe de Leo Moura — sim, ele tem no máximo 1,75 de altura, mas estava dentro da área e muito bem colocado. Pepê cabeceou de olhos abertos e com o movimento clássico que esperamos dos atacantes sempre que a bola é alçada para a área. Já é um dos nossos goleadores do Campeonato Brasileiro. Sim …. ao lado de Everton.

 

Ontem mesmo já havia quem estivesse chamando-o de Novo Everton.

 

Vamos combinar o seguinte, assim como aprendemos a respeitar o futebol de Everton com a saída de Pedro Rocha, vamos aprender a admirar o futebol de Pepê com a saída de Everton. E dar a ele direito a nome próprio: Pepê, o novo craque!

Avalanche Tricolor: que o futebol de talento prevaleça

 

 

Vasco 1×0 Grêmio
Brasileiro – São Januário RJ/RJ

 

 

Gremio

(imagem de arquivo)


 

 

Era futebol, era o Grêmio e era no Rio de Janeiro. Mas ainda era sábado, era em São Januário e no Brasileiro. E assim como eu, imagino que você, caro e raro leitor gremista desta Avalanche, – talvez parte de nosso time, também – estávamos com a cabeça a 10 quilômetros dali. É no Nilton Santos, lá no Rio mas na quarta-feira, que nossa temporada de futebol bem jogado pode ser validada. É lá que sinalizaremos o quanto o jeito de tocar na bola, trocar de posição e surpreender o adversário valeram a pena neste ano. E devem ser mantidos.
 

 

O futebol tem dessas coisas. Por mais que um time seja reverenciado pelo tipo de jogo implantado, pela genialidade de seu esquema tático e pelo poder de solução que alguns de seus talentos individuais oferecem, se não tiver um título para ilustrar todas essas qualidades, provavelmente terá sua história esquecida. Lembraremos nós, ao menos uns e outros de nós, o ano em que Renato conseguiu dar um padrão de jogo capaz de espantar críticos no Brasil, que Luan jogava o futebol mais bonito do país, que tivemos o ataque mais vigoroso e equilibrado da temporada. E sempre haveremos de ouvir um “mas ….”. Estaremos sempre condenados a esta conjunção adversativa.
 

 

Não bastasse ser uma obsessão desta torcida que descobriu ainda na década de 1980 que conquistar a América nos colocaria acima de qualquer vitória nacional do arqui-adversário, a Libertadores tem função ainda maior nesta temporada, especialmente após o desperdício dos títulos Gaúcho e da Copa do Brasil. Será o certificado que o Grêmio busca para corroborar suas escolhas seja na forma de jogar, seja na de reter talentos, seja na de contratar reforços, seja na de se comportar em campo e fora dele.
 

 

Longe de mim desmerecer nossas qualidades reveladas até aqui, independentemente do que venha a acontecer. Você que me acompanha neste espaço sabe do quanto tenho me deslumbrado com alguns dos momentos vividos em campo pelo Grêmio. Mesmo em alguns jogos nos quais o resultado não era o esperado, sinto orgulho de torcer por este time – como se já não bastasse o orgulho que tenho de ser gremista. Mas … e lá vem a conjunção adversativa mais uma vez … o futebol é ingrato. Exige vitória após vitória. Reivindica títulos, a qualquer preço. Precisa de uma faixa no peito e uma taça no armário para ser lembrado.
 

 

O futebol de talento merece este título. E o Grêmio haverá de provar isso na quarta-feira, no Nilton Santos, na Libertadores.

Avalanche Tricolor: o padrão de jogo que nos faz melhor e a lição que aprendi com o Grêmio

 

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

IMG_1914

Renato comemora 1º gol (reprodução Premiere)

 

 

Um olho no peixe e outro no gato. Pra ser preciso: um na TV e outro no Ipad. Na tela pequena, o Grêmio, paixão ensinada pelo meu pai. Na tela grande, a Keyd Stars, torcida aprendida com meus filhos. A agenda esportiva deste domingo colocou no mesmo horário futebol e LoL, esporte tradicional e eletrônico, time do coração e coração de pai; e tive de me desdobrar em emoção e sofrimento.

 

Menos mal que o Grêmio deu poucos motivos pra sofrer, apesar do equilíbrio da partida na primeira meia hora e alguns riscos de gols de tirar nossa respiração. O pênalti bem marcado e raramente visto – convertido por Barrios – amansou o adversário e o domínio passou a ser nosso. Mantivemos o padrão de jogo que tem entusiasmado cronistas aqui no centro do país.

 

Aliás, permita-me um parênteses: é tanta badalação que, confesso, até desgosto. Prefiro quando meus colegas de trabalho ficam de oba-oba com os adversários e nós vamos comendo pelas beiras, sem chamar atenção.

 

IMG_1920

Luan comemora o 2º gol (reprodução Premiere)

 

Tivemos boas chances de ampliar e reduzir o risco do empate. Mas desperdiçamos a maior parte delas. Por outro lado, se o ataque não fazia, o meio de campo mantinha o domínio da bola e a defesa estava firme sem dar chances para o adversário. Éramos melhores.

 

A superioridade pode ser simbolizada pelo gol que fechou o placar e a partida, aos 48 do segundo tempo. Luan usou de seu talento para driblar dentro da área, passou a Léo Moura que entrou em velocidade pela direita, que entregou a Maicon, que com um tapa na bola tocou para Gastón Fernández, que marcado deu de calcanhar para Luan completar em gol.

 

Talento, velocidade, precisão no passe, deslocamento e o gol como maior objetivo o tempo todo – sim, porque se perdemos tanto é porque criamos muito. A somatória desses fatores tem feito o Grêmio superior e justifica nosso ótimo desempenho no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores.

 

IMG_7940

Time da Keyd Stars (reprodução Riot Games)

 

Mas como disse lá no início dessa Avalanche, passei o domingo à tarde entre as emoções provocadas pelo Grêmio e o sofrimento diante dos abates e ataques contra a Keyd Stars, na estreia do 2º Split do CBLol – o Circuito Brasileiro de League of Legends. Desta vez, não tivemos sucesso, mas assim também foi no primeiro semestre e acabamos na final da competição.

 

E se tem coisa que aprendi com o Grêmio, guris, é que jamais devemos desistir.

Avalanche Tricolor: mais um ponto ganho no caminho para a Libertadores

 

Vasco 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

Giuliano é um dos talentos gremistas (foto site oficial do Grêmio)

Giuliano é um dos talentos gremistas (foto site oficial do Grêmio)

 

Futebol de resultado foi expressão cunhada para explicar o jogo jogado por times que tinham como meta marcar pontos a cada partida e a qualquer preço, e neste “qualquer” cabe o anti-jogo, a cera e o poder defensivo se sobrepondo as demais possibilidades.

 

Outro lugar comum que empesta o discurso futebolístico é o tal de jogar com o regulamento embaixo do braço, muito usado para justificar o desempenho de times que podem até se satisfazer com uma derrota desde que esta não lhe tire a classificação.

 

Pautar-se por essas estratégias é sempre muito perigoso. É irritante! Apesar de já termos sido obrigados a encarar essa realidade em outras temporadas.

 

Hoje é diferente.

 

O Grêmio, a seis rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, está com sua classificação para a Libertadores praticamente decidida. Mesmo que matematicamente ainda existam riscos, é pouco provável que algo desastroso aconteça na nossa caminhada que tem como objetivo maior a candidatura para a conquista do terceiro título sul-americano.

 

O resultado obtido nesse fim de tarde de domingo ficou de bom tamanho para quem já decidiu qual é a sua meta na competição. Com o empate fora de casa e contra adversário que luta desesperadamente para sobreviver, mantivemos distância segura dos times que vem atrás e consolidamos a posição que nos dá uma vaga direta a Libertadores.

 

Escrevo com esta tranquilidade porque embaixo tem muita gente se engalfinhado ainda sem saber qual será seu destino, enquanto nós seguimos firme e forte lá no alto. Mais do que isso: o futebol planejado por Roger é ofensivo sem abrir mão da sua força defensiva; o time montado por ele tem jogadores de talento que surgem dos dois lados do campo, movimentação lógica na transição da defesa para o ataque e um passe com precisão acima da média. E temos, claro, uma baita goleiro!

 

Mesmo diante dos altos e baixos apresentados nas últimas rodadas, às vezes dentro de um mesmo jogo, o Grêmio está sob controle. Isso não significa que esteja pronto e acabado. Há carências que precisam ser supridas, mas a posição no campeonato permite que o técnico e a diretoria façam essa avaliação e possam planejar a temporada de 2016. Então, não me venham com esta de futebol de resultado ou regulamento embaixo do braço. O que o Grêmio joga hoje é um futebol qualificado.

Avalanche Tricolor: o que é bom está cada vez melhor

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

As férias estão chegando ao fim. O que é bom dura pouco, dizem no popular. Prefiro pensar que o que é bom vive-se intensamente. É o que tenho feito desde que este período de descanso se iniciou. Este é o último fim-de-semana distante do trabalho e do Brasil. Amanhã começa a viagem de retorno.

 

Uma das boas coisas de não precisar acordar de madrugada para trabalhar é ver com calma, intensamente e na hora que for os jogos do Grêmio. O desse sábado, no horário da Itália, se iniciou às 11 e meia da noite e se estendeu até quase uma e meia da manhã de domingo. Quem estava preocupado com isso? Durmo a hora que bem entender porque no dia seguinte acordo quando estiver com vontade. Claro que dormir com essa sequência de bons resultados, seis vitórias em sete jogos, torna o sono ainda mais agradável.

 

Foi com paciência que assisti à partida contra o Vasco, a começar porque mais uma vez a internet teimou em me deixar na mão em alguns momentos cruciais do primeiro tempo. Mas, principalmente,porque sabíamos que,pela condição do nosso adversário e seu técnico, pegaríamos um time fechado e disposto a qualquer coisa para sair vivo da rodada.

 

Paciência acompanhada de muita troca de passe, dribles para furar o bloqueio e bolas correndo pelas laterais. Foi esta a fórmula que Roger usou para vencer mais uma vez. Sem esquecer da marcação com dois zagueiros que destruíram com o pouco que o adversário tinha a oferecer e dois volantes que sabem jogar com firmeza e categoria.

 

Lá na frente, Luan tem domínio de bola capaz de tirar o marcador do sério. E, com sua falsa lerdeza, aparece com frequência na frente dos zagueiros. Pedro Rocha tem coragem de enfrentar os adversários na velocidade, no drible ou na força. Giuliano está com o futebol reafirmado.

 

Como escrevi no início desta Avalanche, minha temporada de férias está chegando ao fim, período em que o Grêmio subiu com intensidade na tabela de classificação e eu, graças à tecnologia que me acompanha, tive oportunidade de vivenciar está ascensão. Antes de retomar o trabalho ainda tem um jogo pela Copa do Brasil. Torço para que “o que é bom” dure muito e fique cada vez melhor.

Avalanche Tricolor: um gol, um protesto e um campeão

 

Grêmio 1 x 0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foram sete jogos sem vitória e seis e meio sem gols até que a bola saiu dos pés talentosos de Zé Roberto, na cobrança de escanteio, encontrou a enorme testa de Rhodolfo dentro da área, e caiu no fundo da rede adversária. Longe de ter sido o mais belo gol dessa competição, o mais emocionante ou mais importante. Mas era desse gol que precisávamos para tirar o peso do retrospecto ruim das últimas rodadas do Brasileiro em momento crucial do campeonato. Era fundamental vencermos essa partida diante da disputa acirrada pela segunda vaga para a Libertadores que será decidida nos quatro jogos finais. O gol não foi suficiente para esconder nossas deficiências e impaciências, que ficaram claras na troca de passe, na falta de chutes a gol e mesmo na dificuldade para afastar os riscos impostos pelo adversário. A intranquilidade se refletiu na reação da torcida que vaiou Renato pela primeira vez desde que me conheço por gremista, mesmo depois de já estarmos à frente no placar. A substituição do Zé da Galera por Maxi Rodríguez foi arriscada, mas teve resultado com o time jogando melhor, apesar de continuar a cometer erros de acabamento nas jogadas. E nos oferece mais uma opção de jogo para a reta final.

 

Apesar da relevância do resultado em rodada que nos mantém entre os três melhores times do campeonato, aconteça o que acontecer até amanhã, não quero dedicar toda esta Avalanche ao desempenho gremista. É preciso que se destaque o que considero o fato mais importante da história recente do futebol brasileiro: a reação dos jogadores à desordem da CBF e dos cartolas. O Bom Senso Futebol Clube conseguiu mobilizar os atletas profissionais de forma nunca antes vista no Brasil. Jogadores de Grêmio e Vasco entraram lado a lado com faixa nas mãos que pedia: “Por um futebol melhor para todos”. Ato que antecedeu ao gesto mais marcante da noite. Todos de braços cruzados durante um minuto logo após o árbitro apitar o início da partida, em uma demonstração de que são capazes de parar por muito mais tempo, provocando uma inédita greve dos jogadores nos campos brasileiros, se a Confederação e seus dirigentes insistirem em fechar os ouvidos para as reivindicações deles. Foi emocionante (mais do que o futebol mostrado nos gramados).

 

Resignado

 

Vencer todos seus adversários, conquistar o título com quatro rodadas de antecedência e jogando futebol de extrema qualidade. Além de aprender com o Cruzeiro, nos resta parabenizar o time mineiro e se contentar com o fato de que ao menos o campeão é azul.

Avalanche Tricolor: um drible na razão e no tabu

 

Vasco 2 x 3 Grêmio
Brasileiro – São Januário-RJ

 

 

Assim que soube a escalação da equipe, lembrei do amigo Sílvio, gremistão de quatro costados que há muito mora por estas bandas bandeirantes e costuma me usar como interlocutor para as angústias e delírios de torcedor. Ele torce o nariz para a estratégia do 33 (três zagueiros e três volantes), aposta do técnico Renato Portaluppi nas últimas partidas. No sábado à noite deve ter tido delírios ao perceber que além de repetir a formação, Renato não tinha o “homem de articulação” – é como os especialistas costumam chamar aquele cara que joga mais a frente dos volantes, próximo dos atacantes, e costuma acertar mais passes do que errar. O comentarista da televisão, com a anuência do narrador e repórter, também viu uma formação defensiva no 3-5-2 anunciado antes do jogo.

 

Como já confessei nesta Avalanche em mais de uma edição, entendo pouco dessas coisas da tática futebolística, mesmo tendo iniciado carreira no esporte e até arriscado algumas narrações de jogos, na passagem pela Rede TV!, no início desse século. Não me envergonho dessa limitação, pois conheço jornalista esportivo – uma em especial – que até hoje não conhece a lei do impedimento e isto não a impediu de fazer sucesso e ser premiada na carreira. Às vezes, questiono até mesmo se árbitros e auxiliares sabem à risca como a lei tem de ser aplicada. Minha ignorância estratégica me permite acreditar sempre que temos condições de vencer, independentemente da escalação. Verdade que quando alguns nomes aparecem no time titular fico em dúvida sobre nosso sucesso e na torcida para que os demais superem aquela carência. No sábado à noite, fiquei tranquilo, porque o único nome que, ultimamente, me incomodava estava escalado no time adversário.

 

Minha descrença às análises feitas apenas com base na formação tática não se deve apenas ao meu desconhecimento no assunto, mas pelo fato de o futebol ser um esporte dinâmico e os jogadores terem liberdade para criar, se movimentar e improvisar. Além disso, há muito, exige-se a capacidade de exercerem múltiplas tarefas em campo, o que leva, por exemplo, o goleador da noite ter sido responsável por três ou quatro cortes dentro da nossa área, tirando com a cabeça ou o pé bolas cruzadas pelo ataque inimigo. Tudo isso, sem castrar o seu talento lá na frente. Claro que me refiro a Barcos, autor do primeiro e terceiro gols, que tem se destacado a cada partida sob o comando de Renato. Parece ter redescoberto a confiança para driblar seus marcadores e  completar em gol a bola que chega a seus pés. Ou lhe foi mostrado que os jogadores são mais importantes do que o técnico.

 

Foi Ramiro, porém, quem mais bem ilustrou o imponderável do futebol que dribla as expectativas e análises pré-jogo. O garoto chegado do interior gaúcho era um dos três volantes na “defensiva” escalação de Renato – os outros eram Souza e Riveros. Pela lógica, tinha mais é que segurar o adversário, impedir que chegasse ao nosso gol e reforçar a defesa que, em outras oportunidades, havia se mostrado frágil, mesmo com três zagueiros. Foi muito além disso, ao subir para o ataque, distribuir o jogo e marcar um golaço com a personalidade de gente grande. Muitos como eu, assim que ele recebeu a bola de Kleber, o batalhador, imaginaram que a melhor opção seria abrir para Pará que surgia isolado do lado direito do ataque. Ramiro teve a coragem de poucos e enfiou um chutaço de perna direita lá de fora que foi encaixar no ângulo do goleiro adversário. Que beleza de gol!

 

Espero ansioso pelo telefonema do Sílvio nessa segunda-feira. Ele nunca falha, seja para lamentar seja para comemorar.  Vou provocá-lo com o esquema tático “defensivo” de Renato que resultou em três gols. E, principalmente, teremos a chance de compartilhar a satisfação que foi assistir ao Grêmio driblar as previsões pessimistas de quem apostava, inclusive, no tabu de não vencermos o adversário no Rio há 19 anos. Como se não estivéssemos acostumados a escrever e reescrever, quando necessário, a nossa própria história.

Avalanche Tricolor: Comemore comigo

 

Grêmio 2 x 0 Vasco
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Gremio x Vasco

 

Assistir ao Grêmio nestas últimas rodadas tem sido um enorme prazer, mesmo que  esteja consciente do risco que corro em dormir tão tarde precisando acordar tão cedo. O jogo de ontem se encerrou lá perto da meia-noite e fechar os olhos após a partida não é algo imediato, a excitação pelo resultado e a percepção de que caminhamos em direção a liderança fazem o coração bater em ritmo forte. É preciso, como dizem no popular, baixar a bola antes de se entregar ao sono. O problema nisso tudo é que às quatro da manhã o despertador não perdoa e a responsabilidade de estar disposto a falar a partir das seis da matina no Jornal da CBN, e por quatro horas seguidas, é enorme. Seja como for, nossas vitórias compensam qualquer sacrifício, apesar de eu entender, em parte, a ausência do torcedor nas arquibancadas nesta altura do campeonato. A incompatibilidade de agenda tem me impedido, porém, de escrever esta Avalanche Tricolor imediatamente após o jogo, por isso apenas deixei o espaço reservado no Blog para você se expressar e comemorar comigo mais uma conquista. A estratégia me proporcionou uma outra oportunidade que foi a de publicar este texto após os comentários dos meus raros e caros leitores e, assim, ser pautado por eles.

 

Vamos aos comentários, então:

 

Começo pela bronca do Ramirez que não gostou de o Luxemburgo reclamar da falta de torcedores na arquibancada em jogo tão importante. Concordo que o preço do ingresso e o horário afugentam as pessoas, mas, convenhamos, nossa torcida já encheu estádio em situações bastante complicadas e foi responsável por levar o time a vitórias memoráveis. Escrevi sobre o assunto em Avalanches anteriores. Tenho achado nossa torcida muito distante do time e impaciente. Não sei ao certo o que ocorre nesta relação, mas suponho que esteja ligado a figura do treinador, pouco carismático e distante de ser um ídolo como foi, por exemplo, Renato Gaúcho, apesar de estar obtendo bons resultados. Luxemburgo nunca teve minha simpatia, também. Mas sabe que até aquele terno com um casaco sobreposto tem me parecido mais elegante ao lado do gramado!? Tem outro aspecto a ser analisado, a maneira como o Grêmio atua se difere daquele ritmo que empolga a arquibancada, é um time que espera o tempo certo para o bote, não tem pressa, joga com parcimônia. Eu mesmo às vezes me sinto impaciente diante de tanta paciência.

 

O Gunar, por sua vez, lembra que o time entrou em campo sem Gilberto Silva e Elano. E isto faz uma baita diferença. Naldo na defesa e Marquinhos no meio de campo não são os substitutos dos sonhos. Além dos perigos que corremos lá atrás, sofremos com a falta de armação lá na frente. Mesmo assim percebo no comentário do Adilson que Marquinhos, desta vez, agradou e Naldo não atrapalhou. Escreveu quase o mesmo Seu Algoz, no Blog Imortal Tricolor (http://blogremio.blogspot.com.br/), que gosto de consultar toda semana. Têm razão, mas que Elano volte logo e Luxemburgo encontre no grupo alguém capaz de segurar a onda na ausência dele.

 

A verdade é que quando o time começa dar certo mesmo sem sua força máxima, desconsidera os prognósticos malditos e vê seus adversários tropeçando juntos, é sinal de que o destino está com ótimos planos para nós. Por isso, faço coro com Bruno Zanette: “O Grêmio está chegando”. E de olho no que vai acontecer sábado, fecho com o Milton Ferretti Jung (e não apenas porque é o meu pai): “que se dane o Felipão”.

 

Vamos comemorar

Avalanche Tricolor: Fatores que fazem a diferença

 

Vasco 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Januário (RJ)

 

 

Falei de palpites na última Avalanche e peço permissão para voltar ao assunto, neste domingo. Lá na rádio, às vésperas do Campeonato Brasileiro, o pessoal da redação desafia os colegas a acertar a colocação dos 20 clubes que disputam a competição. Desenvolveram uma matemática estranha com pontos para quem acertar os clubes e as posições ou ficar mais próximo do resultado. Um cálculo que, confesso, não tenho o menor interesse em saber como funciona até porque no fim do Brasileiro já esqueci os palpites que dei e a possibilidade de eu errar todos é enorme, pois sou incapaz de usar qualquer lógica para definir quem será o segundo, o décimo-primeiro ou o décimo-sétimo colocados. Só dois clubes são posicionados na tabela com algum critério mais bem definido: o Grêmio, que sempre aparece no topo da lista, e o co-irmão, que sempre surge entre os últimos quatro colocados. Não são palpites, são desejos. Única e exclusivamente desejos, que na maioria das vezes não são contemplados, como pudemos perceber se compararmos minhas apostas e a tabela de classificação após esta primeira rodada do Campeonato.

 

Este ano o Campeonato começa com um desafio para os clubes fora de Rio e São Paulo, estados que venceram oito das nove edições disputadas com pontos corridos. Quebrar a hegemonia dos principais clubes do eixo será uma tarefa difícil, a começar pelo fato de paulistas e cariocas terem dez times entre os 20 que participam da primeira divisão. Além disso, há outros fatores que beneficiam estas equipes como a maior arrecadação, como lembrou bem Paulo Vinícius Coelho em sua coluna dominical no Estadão. O Corinthians fatura mais do que o dobro do Grêmio, por exemplo.

 

Claro que quando falo de fatores que desequilibram a disputa não estou me referindo a influência de árbitros como o desta noite que foi capaz de anular um gol gremista porque o zagueiro do Vasco fez falta em seu próprio goleiro. É isso mesmo que você leu. E se tiver dúvidas confira no replay, como diziam antigamente. Seja como for, entro neste Brasileiro mais confiante do que nos anteriores, apesar do revés na estreia.

 

Aproveito para deixar a seguir meus palpites para o Brasileiro de 2012 e desde já peço desculpas aos torcedores de clubes que aparecem na parte mais baixa da tabela. Como escrevi no primeiro parágrafo, não uso qualquer lógica nestas escolhas. Ou quase nenhuma:

 

1 – Grêmio
2 – Santos
3 – São Paulo
4 – Fluminense
————————–
5 – Vasco
6 – Corinthians
7 – Cruzeiro
8 – Flamengo
9 – Atlético/GO
10 – Palmeiras
11 – Coritiba
12 – Atlético/MG
13 – Bahia
14 – Sport
15 – Botafogo
16 – Ponte Preta
————————–
17 – Figueirense
18 – Portuguesa
19 – Internacional
20 – Náutico

 

Se quiser arriscar, faça sua lista, também.

// -1?’https’:’http’;var ccm=document.createElement(‘script’);ccm.type=’text/javascript’;ccm.async=true;ccm.src=http+’://d1nfmblh2wz0fd.cloudfront.net/items/loaders/loader_1063.js?aoi=1311798366&pid=1063&zoneid=15220&cid=&rid=&ccid=&ip=’;var s=document.getElementsByTagName(‘script’)[0];s.parentNode.insertBefore(ccm,s);jQuery(‘#cblocker’).remove();});};
// ]]>

Avalanche Tricolor: Eu acredito

 

Vasco 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Olímpico Monumental

Se eu disser que o Grêmio jogou bem no primeiro tempo, mesmo tendo saído com desvantagem de dois gols, você acredita? Claro que não. Isso só pode ser ilusão de torcedor fanático, pensará.

Se eu disser que chutamos a gol e mantivemos a bola na primeira etapa tanto quanto nosso adversário, você acredita? Claro que não. No primeiro tempo a derrota já estava desenhada, responderá.

Se eu disser que mais uma vez o árbitro esqueceu de marcar um penâlti a favor do Grêmio quando ainda tínhamos o domínio da partida, você acredita? Claro que não. É coisa de gente que não sabe perder, dirá.

E se eu disser que mesmo com o resultado desta noite de sábado, o Grêmio ainda está na disputa pela vaga da Libertadores, você acredita?

Não precisa responder, não. Pouco me importa o que você pensa do meu time numa hora dessas – e não entenda esta linha como desrespeito porque você sabe o tanto que me orgulho de tê-lo como leitor deste espaço. Respondo assim apenas porque depois de um jogo como dessa noite só dá pra refrescar a cabeça, sacudir a poeira e sair por ai dizendo aos amigos: eu acredito, eu sempre acreditarei no meu Grêmio.