Avalanche Tricolor: Eu acredito

 

Vasco 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Olímpico Monumental

Se eu disser que o Grêmio jogou bem no primeiro tempo, mesmo tendo saído com desvantagem de dois gols, você acredita? Claro que não. Isso só pode ser ilusão de torcedor fanático, pensará.

Se eu disser que chutamos a gol e mantivemos a bola na primeira etapa tanto quanto nosso adversário, você acredita? Claro que não. No primeiro tempo a derrota já estava desenhada, responderá.

Se eu disser que mais uma vez o árbitro esqueceu de marcar um penâlti a favor do Grêmio quando ainda tínhamos o domínio da partida, você acredita? Claro que não. É coisa de gente que não sabe perder, dirá.

E se eu disser que mesmo com o resultado desta noite de sábado, o Grêmio ainda está na disputa pela vaga da Libertadores, você acredita?

Não precisa responder, não. Pouco me importa o que você pensa do meu time numa hora dessas – e não entenda esta linha como desrespeito porque você sabe o tanto que me orgulho de tê-lo como leitor deste espaço. Respondo assim apenas porque depois de um jogo como dessa noite só dá pra refrescar a cabeça, sacudir a poeira e sair por ai dizendo aos amigos: eu acredito, eu sempre acreditarei no meu Grêmio.

Avalanche Tricolor: O ídolo é um torcedor

 

Grêmio 1 x 1 Vasco
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi na transmissão do PFC, canal Pago-Pra-Ver, na tarde deste domingo, que ouvi a pergunta de uma promoção que me dará algum direito qualquer. Confesso não prestei bem atenção qual seria o prêmio, a qualidade do futebol apresentado pelo Grêmio não me permitiu (entenda como quiser esta afirmação).

Como dizia, foi assistindo ao jogo, narrado por meu ex-colega de Rádio Guaíba, José Aldo Pinheiro, que fui instigado a pensar sobre o assunto: “O que é preciso para ser um ídolo no futebol ?”

Meu filho menor, Lorenzo, que ultimamente tem se interessado em jogar bola no recreio da escola – ainda ontem pediu uma chuteira para quadra de salão -, de bate-pronto respondeu: “Tem de ser Messi”.

Ele tem razão em parte. Messi será idolatrado por onde passar, dado o talento que o argentino desenvolveu. São tantas as qualidades que apresenta em campo que criticá-lo é quase impossível, fenômeno que o faz um tipo raro no futebol mundial, um jogador que consegue extrapolar as barreiras de seu clube e o transforma em ídolo de várias torcidas e nações, ao mesmo tempo.

Os meus ídolos nunca foram assim excepcionais. Alguns sequer tinham tanta habilidade com a bola nos pés. Nem mesmo eram daqueles que apareciam no topo da tabela de goleadores. Tinham, porém, uma identificação com o clube construída por elementos subjetivos, difíceis de serem descritos.

Os jogadores que me fizeram chorar, sofrer e sorrir sempre vestiram a camisa do Imortal Tricolor, isto sem dúvida. Toda vez que estavam em campo corriam atrás da bola como eu correria alucinadamente; eram capazes de ver a alma rasgada pela sola da chuteira adversária pois sabiam que havia uma causa maior em jogo do que a simples vitória; o particípio passado do verbo derrotar não existia em sua gramática futebolística, não a aceitavam, não se consolovam.

Dos primeiros nomes que surgiram na memória, no momento em que a pergunta foi feita, estavam Loivo, Vítor Hugo e Iura. Apareceram, também, Dinho, Sandro Goiano e Danrley. Jardel e Galatto, foram contemplados. Alguns odiados pelo inimigo, o que os fazia ainda maior no meu coração. Outros renegados pelos adversários, o que apenas enaltecia meu sentimento.

Assim como eu teria mais jogadores para incluir nesta lista, você, caro e raro leitor deste blog, provavelmente tenha outros ídolos e seus motivos para colocá-los neste patamar. No meu caso, porém, se tiver que definir em apenas uma frase o que os levou a esta condição no meu coração, diria sem pestanejar: meus ídolos foram torcedores travestidos de jogador.

Quantos do atual elenco se encaixam neste perfil ? Deixo essa resposta para o momento em que não estiver mais sob o impacto do desempenho desta tarde, no Olímpico Monumental.

Avalanche Tricolor: Jogam pela nossa história

Vasco 3 x 3 Grêmio
Brasileiro – São Januário (RJ)


Foi um zagueiro com jeito de brutamonte que após uma dividida com o adversário e com a cabeça erguida teve precisão no lançamento. A bola foi parar nos pés de um atacante de corpo atarracado, daqueles que tem de peito tanto quanto de coragem. Dele saiu a assistência que encontrou um ala nem sempre arrojado, mas que o técnico havia mandado ir mais à frente no fim do jogo. E foi para fechar o placar do jogo.

Paulão, Diego e Gabriel estão distantes do perfil de jogadores que serão aplaudidos como craques pelos comentaristas. Muito menos deverão ter sua força reconhecida pelos adversários. Foram eles, porém, os protagonistas do terceiro gol gremista, aos 43 minutos  do segundo tempo.

Um trio que representa bem o que é o Grêmio hoje no campeonato. Um time que tem o talento aflorando nos passes de Douglas e nos chutes de Jonas, mas que sabe o quanto somente isso não é suficiente para a conquista.

A valentia demonstrada pela equipe no empate deste fim de sábado no Rio de Janeiro, a capacidade de entender seus limites, a força para resistir a pressão e até mesmo a paciência para jogar com um árbitro que não parecia muito simpático à camisa tricolor fazem do time treinado por Renato Portaluppi o melhor deste segundo turno.

Ganhamos pontos pela sétima vez consecutiva e estamos ainda mais próximos dos líderes desta competição. Já disse aqui que pouco me interessa em que posição encerraremos este Brasileiro, pois nossa maior conquista é a nossa história. E esta se preserva na forma com que estes jogadores têm atuado.

NB: E o que foi aquele segundo gol do Jonas com passe do André Lima ?

Avalanche Tricolor: Uma noite perdida

 

Grêmio 1 x 1 Vasco
Brasileiro – Olímpico

Gremio e Vasco embaixo da água

Havia chovido quatro horas seguidas antes de a partida se iniciar, em Porto Alegre. A previsão era, inclusive, de granizo. Mas o árbitro Héber Roberto Lopes entendeu que havia condições de se jogar futebol.

Choveu durante todos os 45 primeiros minutos. E com vento forte a atrapalhar. Isto não foi suficiente para ele cancelar o jogo. Talvez tenha se iludido com o fato de as duas equipes terem conseguido marcar gols logo no início (quando a condição do gramado era apenas precária).

As equipes retornaram para o segundo tempo embaixo d’água, e sofreram até o fim com um aguaceiro que apenas aumentava a cada minuto. Nada, porém, convenceu o árbitro de impedir a continuidade da partida. A chuva era tal que ele foi incapaz de enxergar um pênalti no minuto final que favoreceria o time da casa – se é que não viu.

Muitos dos poucos torcedores que foram ao estádio, na noite desta quarta-feira, vaiaram o técnico Silas e a diretoria gremista assim que o jogo se encerrou, descontentes com a campanha do Tricolor (imagino que ninguém esteja feliz).

Deveriam, no entanto, ter se indignado com o principal personagem deste triste espetáculo aquático encenado no Olímpico. Faltou responsabilidade ao árbitro Hérber Roberto Lopes que desrespeitou o público e expôs atletas profissionais a um risco desnecessário.

A lamentar, ainda, o fato de que no intervalo e fim do jogo não houve nenhuma declaração dos jogadores contra a autoridade que permitiu a realização deste evento. Deveriam ter tido a coragem de pedir o cancelamento da partida por total falta de condições para a prática esportiva.

Esperar, porém, que jogadores de futebol se unam em defesa de seus direitos talvez seja um pouco demais, já sinalizaram em várias oportunidades de que são incapazes de se articular sem que estejam sob a tutela de seus empresários.

É uma pena. Desperdiçou-se uma noite de futebol, no estádio Olímpico.