Por Maria Lucia Solla

O que é que faz o cidadão responder ‘estou desinformado, no momento’, em
vez de dizer ‘não sei’?
O que é que faz o político dizer ano após ano que vai fazer isso ou
aquilo, bem feito, como se cada ato no conduzir a tarefa que lhe foi
confiada fosse favor?
O que é que faz o repórter dizer ‘o motorista, ele saiu do carro e caiu no
barranco; a gerente do banco, ela foi sequestrada’. Arma
neurolinguística? Para encher linguiça, mesmo, ou é moda?
O que é que faz a maioria dos políticos, depois de eleitos, se
transformarem em bonecos plastificados e sorridentes, viverem em delírio
constante usufruindo da marajalança, ficarem ricos e gordos por fora, mas
pobres de espírito e mirradinhos por dentro?
O que é que faz o policial se dirigir ao povo que mal fala português, em
policialquês, dizendo que o ‘meliante adentrou o recinto’? O bandido
entrou na casa não pode ser dito por quê? Porque se disser a palavra
‘bandido’ -antes do cidadão ser julgado e condenado, antes dele apelar e
sair rindo da nossa cara, e antes dele fazer tudo de novo com mais
cuidado-, vai ter que responder a processo?
O que é faz ser necessária uma Declaração Universal dos Direitos Humanos?
A gente já não nasce sabendo quais são os direitos, e quais são os
deveres? Os animais sabem dos seus direitos e deveres… Declarações e
decretos pretendem nos colocar nos trilhos? Quais? Que levam para onde?
Todos? Alguns? Pretendem fazer brotar em nós o bem pelo bem, amor,
gratidão, respeito, consideração, amizade, lealdade? Pretendem nos ensinar
a não matar, não roubar, a não maltratar, a não desprezar e a não
desrespeitar um ao outro?
Bom fim de semana e um feliz dia dedicado às mães.
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung








