Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: queijos e vinhos brasileiros conquistam espaço e reconhecimento

Foto de Ray Piedra

Os vinhos e queijos brasileiros vêm ampliando seu prestígio e disputando espaço com marcas tradicionais de outros países. Entre o gole para se aprofundar no sabor e o degustar das lascas cortadas sobre a tábua, Jaime Troiano e Cecília Russo foram inspirados a falar das mudanças feitas pelos produtores nacionais, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Jaime Troiano lembrou que, até pouco tempo, também via com ressalvas os vinhos nacionais, mas reconhece que essa percepção mudou: “De marcas nacionais que eram associadas ao garrafão, passaram a valorizar a especialidade, a uva e o terroir. Ou seja, colocaram o foco naquilo que gera valor perceptual”. Ele destacou investimentos em rótulos, embalagens e experiências de visitação, como ocorre em regiões consagradas da França e da Itália. Citou ainda um marco recente: o rótulo Casa Tés 2022 foi o único brasileiro selecionado para o World’s Best Sommeliers’ Selection 2025, no Reino Unido.

Cecília Russo apontou que o movimento é semelhante no setor de queijos artesanais: “A gente come o sabor do queijo, mas a experiência começa com os olhos”. Ela ressaltou marcas que investiram em apresentação, pontos de venda qualificados e posicionamento, criando um espaço entre o queijo artesanal e o industrial. Casos como o queijo Cuesta, da Pardinho, que conquistou medalhas na França e nos Estados Unidos, reforçam o avanço do setor.

A marca do Sua Marca

Bons produtos, aliados a estratégias de marketing consistentes e à intenção clara de elevar padrões, podem transformar mercados — mesmo os mais competitivos. Que o sucesso de queijos e vinhos brasileiros inspire outros setores a buscar o mesmo caminho.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Maurício Salton fala de como harmonizar o vinho de qualidade com as práticas ESG

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“A gente evita trabalhar com aquelas soluções de curtíssimo prazo que eventualmente não são sustentáveis. Então, basicamente a gente olha para medidas que são corretas mas que elas fundamentam uma mudança, que elas são estruturantes”

Maurício Salton, Família Salton

A história começa na Itália, onde nasceu Antonio Domenico Salton, mas foi escrita no Brasil, quando os filhos decidiram profissionalizar a produção de vinho que o patriarca havia iniciado de maneira informal —- como era comum entre os imigrantes que trocaram a terra natal pela terra brasilis. Desde 1910, a Família Salton expandiu seus negócios, em especial no sul do país, e mais de um século depois é considerada uma das principais vinícolas brasileiras.

Por si só, a longevidade alcançada pelo grupo nos remeteria a ideia de sustentabilidade que marca as pautas da série especial do Mundo Corporativo ESG, que chega ao seu nono episódio. A Salton, porém, foi parar no centro da nossa conversa porque, além de ser centenária, decidiu ser pioneira no setor vitivinícola ao elaborar o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa, em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), divulgado recentemente. Para Maurício Salton, diretor-presidente da empresa, a iniciativa está em sintonia com a preocupação do grupo com a governança ambiental, social e corporativa:

“A gente tem dentro da nossa estrutura de empresa propósitos bem definidos nesse aspecto, que conversa muito com o ESG. Nós elencamos  esse trabalho como um trabalho protagonista para essa estratégia”.

As quatro unidades da Salton foram escrutinadas pelos pesquisadores: duas delas no Rio Grande do Sul  — Bento Gonçalves e Santana do Livramento — e duas em São Paulo — em Jarinu e na capital. No inventário, foram considerados nesta primeira etapa do projeto emissões de atividades agrícolas, processos industriais, gerações de resíduos e compra de energia elétrica. A vinícola identificou a emissão de 950,54 toneladas de CO²; em contrapartida, devido as práticas implantadas, foram removidas 15.786,91 de toneladas de CO². Ou seja, ao puxar o traço, o resultado foi positivo em 14.836,38 toneladas.

“Esse primeiro escopo de trabalho acabou sendo bastante representativo para a empresa. Trouxe já alguma luz de melhorias que a gente poderia executar, e a gente tem feito isso. Ele traz essa visão então preliminar dessa trajetória da empresa que no nosso entendimento é uma trajetória de médio e longo prazo” 

Dos projetos que a Salton pretende desenvolver, a partir do levantamento realizado, Maurício destacou o que tem como conceito a economia circular, transformando parte dos resíduos que a empresa gera em um composto que substituirá a lenha e oferecerá potencial calorífico às caldeiras das unidades fabris. 

Em outra ação em parceria com universidades, agora com a Federal de Santa Maria, a Salton fez um mapeamento ambiental do Bioma Pampa, onde se tem a Campanha Gaúcha, área fronteiriça com o Uruguai, que atualmente é a segunda maior produtora de uvas do Brasil, atrás apenas da Serra Gaúcha. Com esse projeto, foi possível desenvolver técnicas sustentáveis no manejo vitícola, ajudando a preservar a área e não criando atividades que pudessem competir ou prejudicar o bioma:

“Na nossa propriedade em Santana do Livramento, fizemos uma ação para entender algumas vegetações, algumas culturas que a gente poderia utilizar nos nossos vinhedos para que a gente mantivesse esse equilíbrio. Isso foi muito interessante porque a gente também teve uma redução de utilização de herbicidas” 

A vitivicultura é a cultura que menor impacto ambiental gera no Bioma Pampa, segundo informa a própria Salton. Nos estudos desenvolvidos com as universidades conclui-se que os vinhedos mantém o equilíbrio natural do Bioma Pampa por se tornam sumidouros de carbono, ou seja, absorvem CO2 da atmosfera e contribuem diretamente para preservação da fauna e flora local, evitando impactos no efeito estufa.

“Um negócio hoje precisa ter um equilíbrio muito forte. A gente não pode priorizar elementos que são voltados especialmente para a questão econômica, deixando outras frações que são importantes para o crescimento da empresa e para uma sustentação do negócio no que diz respeito à nossa postura no aspecto social, no aspecto ambiental, no aspecto de governança.”

Assista à entrevista completa com Maurício Salton, diretor-presidente da Família Salton, ao Mundo Corporativo ESG:

Colaboram com o programa Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: entre agruras e prazeres, um gole de vinho!

Vasco 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Estádio de São Januário, Rio

Benitez luta pela bola em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

À distância, vê-se ao longe; e com a razão se expressando mais do que a emoção. Não sei bem o que teria escrito nesta Avalanche se mantivesse a tradição de publicá-la logo após a partida, nem garanto que fosse muito diferente do que você, caro e cada vez mais raro leitor, vai ler a seguir. Em detrimento desta oportunidade — da escrita imediata —, sobrou-me o espaço para a reflexão nem sempre tão simples de ser feita quando o olhar do torcedor se sobrepõe à lógica do jogo. 

Na noite dessa quinta-feira, enquanto o Grêmio se engalfinhava —- sim, esse é o melhor verbo para definir algumas das poucas cenas que assisti em campo — com o adversário, eu estava cumprindo compromisso assumido com a colônia italiana. Dois de junho é a data da Festa della Repubblica e, a convite do cônsul-geral da Itália, em São Paulo, Domenico Fornara, apresentei a cerimônia oficial, com direito a discursos, música de qualidade e sorteio de prêmios. Tinha muito comida boa, também, devidamente preparada pelo alagoano Zé Maria —- José Maria Meira, um chefe de gosto sofisticado, cultura incrível e de uma simpatia ímpar. Um craque na culinária e na generosidade.

O que um jornalista de sobrenome tedesco fazia no comando da festa italiana talvez valha uma justificativa: entre o Mílton e o Jung, existe um italiano que se expressa nos costumes e hábitos, nos sabores e prazeres, e no sobrenome Ferretti, família oriunda da cidade de Ferrara, na região da Emiglia-Romagha. Foi de lá que o bisnonno Vitaliano partiu em direção ao sul do Brasil e se estabeleceu em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, no início do século 20. Teve vários filhos, dentre eles Dona Ione, minha nonna, mãe do meu pai, que me deu o privilégio e missão de ser o único dos netos a levar à frente o sobrenome da famiglia

Tudo justificado, voltemos ao futebol.

Em meio a festa, busquei na tela do celular o único recurso para acompanhar, mesmo que de revesgueio, a partida do Grêmio que, diziam, seria a última de Roger Machado. A pressão contra o treinador — típica dos apressados e doentes — existe quase desde o início do seu retorno ao clube. Com duas semanas, o Grêmio caiu na Copa do Brasil, ainda na primeira rodada. No primeiro grande desafio, depois da queda, perdeu o Gre-Nal. A maioria esquece que, em seguida, goleou o tradicional adversário, ganhou o Hexacampeonato Gaúcho e ainda levou de brinde a Recopa Gaúcha. 

O futebol imediatista pensado por muitos, os torcedores ainda machucados com a tragédia de 2021 e aproveitadores da desgraça alheia se uniram contra Roger. Os resultados e a performance de alguns jogadores também não ajudaram muito. Como acredito demais no potencial do nosso técnico, tudo que não queria ver na noite de ontem era o jogo insosso e sem alma das últimas partidas, que, certamente, resultaria em derrota. Convenhamos, não seria um resultado intragável, dadas as circunstâncias — jogávamos em um estádio transformado em caldeirão e contra um dos principais adversários da competição. Mas o contexto não permitia mais um revés.

Foi diante desses cenários ambíguos — em que eu aproveitava os prazeres proporcionados pela colônia italiana, em São Paulo; e o Grêmio, as agruras de enfrentar seus próprios ‘monstros’ e o ambiente hostil criado pelo adversário, no Rio — que vi nosso time lutar como nunca havia feito até então neste campeonato. Em campo, Roger deu preferência aos “cascudos”, apostou na experiência de veteranos, alguns odiados pelo torcedor, e conseguiu mobilizar a equipe, mesmo que ainda não tenha sido capaz de tirar do time um futebol de qualidade.

No segundo tempo, Roger foi obrigado a fazer substituições devido ao desgaste físico de alguns jogadores — a intensidade na marcação no campo do adversário cobra um preço alto. Perdemos espaço e aceitamos a pressão. E, por mais que os chatos das redes sociais só encontrassem defeitos, esse foi mais um mérito do time de Roger: soube resistir à imposição do adversário.

O ponto conquistado fora, os dois roubados do adversário, que jogava em casa, e a permanência no pelotão de cima, a uma vitória do G-4, deveriam ser comemorados ao fim da noite. Tanto quanto a mudança de atitude do time que se revelou capaz de lutar pela bola, apesar de nem sempre saber bem o que fazer com ela quando esteve em sua posse. 

Pelo que li na escrita de torcedores em rede e na fala de alguns cronistas, porém, muitos preferiram exaltar as críticas e os problemas. Fiquei com a impressão de que estavam incomodados com o fato de o conjunto da obra de ontem à noite ter favorecido à manutenção de Roger. Enquanto eles esbravejam e se alimentam de suas convicções odiosas, prefiro me embevecer com a crença de que somos capazes de dar a volta por cima, como já fizemos no passado. E se puder saborear tudo isso com um vinho italiano, melhor ainda!

Tomai , bebei e rezai, mas sem dirigir

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Nunca ouvi dizer que um padre católico fosse flagrado em blitz realizada por policiais federais, estaduais ou municipais dirigindo alcoolizado qualquer tipo de veículo. São tantos os agentes da lei que efetuam blitze  e tantos os padres que, hoje em dia, por força da profissão, necessitam conduzir, pelo menos, automóveis e caminhonetes que, talvez, haja relatos de algum flagrante do tipo desse por mim especulado. Abordo o assunto porque existe preocupação das autoridades eclesiásticas com o rigor da Lei Seca. Aliás, no Brasil é comum que, de uma hora para outra, endureçam determinadas leis de maneira exagerada. Duvido que um religioso, ao celebrar a Santa Missa, se embebede com o pingo de vinho que leva à boca na cerimônia da comunhão.

 

No Paraná, duas paróquias de Maringá e outras quatro de municípios da região, conforme informou o jornal O Diário no último dia 5, com medo da Lei Seca, andaram usando nas missas vinho sem álcool e/ou suco de uva. Já o arcebispo de Passo Fundo, Dom Antônio Carlos Altieri, disse à Zero Hora que o clero ainda não se reuniu para discutir o assunto. Lembrou, no entanto, que o vinho tem um significado muito forte na celebração da missa.

 

Particularmente, entendo que não há como se mudar o que disse Jesus aos seus discípulos na Última Ceia, ao erguer a taça de vinho: ”Tomai e bebei, este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos”. Fosse hoje, aqui em nosso país, essa frase, que me comove quando assisto à missa, não poderia ser a mesma pronunciada pelo Mestre, pois, no cálice sagrado, haveria apenas vinho sem álcool ou suco de uva.

 

Primeiro, proibiram que nas salas do judiciário gaúcho fossem exibidas imagens de Cristo na cruz. Agora, está em marcha a mudança, por força da Lei Seca, de uma frase do próprio Filho de Deus. O meu médico, Dr.Nelson Venturella Aspesi, por sua vez, não poderá mais me receitar um copo de vinho nas refeições, eis que eu teria de permanecer em casa até passar o efeito etílico dessa santa bebida. Tirante o exagero, viva a Lei Seca! Que seja aplicada, nos maus motoristas, com a eficiência que não pautou os aplicadores das leis destinadas a evitar tragédias como a da amaldiçoada Boate Kiss.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

As mulheres e o vinho

 


Por Dora Estevam

Quem pensa que as mulheres têm visão diferente da dos homens com relação aos vinhos está enganado. Hoje, mulheres e homens competem de igual para igual em vários setores e no vinho não é diferente.

É o que diz o Diretor de Degustação da Associação Brasileira de Sommeliers de SP, prof. Nelson Luiz Pereira. “Aliás, você pode ofender uma mulher oferecendo um vinho doce ou um moscato d’asti tentando agradá-la”, alerta.

Não existe uma fórmula pronta para a mulher começar a apreciar o vinho. O contato pode ser familiar, entre amigos ou em encontros corporativos. No geral, elas costumam ter preferência por sapato, marca de cosmético, de produto em supermercado. E com o vinho não fica distante.

Para o prof. Nelson, existem vinhos de estilo que eles chamam de “feminino”, elaborados com uvas Pinot Noir ou Merlot, por exemplo. Mas as preferências de um modo geral são bem ecléticas. Com isso, mulheres podem se agradar de vinhos com aromas florais e de frutas bem maduras. Sem generalizar, não costumam gostar de vinhos tânicos (aquele que amarra a boca, sensação de banana verde) nem muito alcoólicos.

Na apuração de gosto para vinhos, Nelson enfatiza que não há distinção entre homens e mulheres. Elas costumam ser mais detalhista, porém emocionalmente são mais instáveis, ou seja, adoram um vinho hoje, e não gostam tanto assim dele amanhã.

Como todo mercado intitulado masculino, no vinho não é diferente. Às vezes, o degustador tenta direcionar vinhos espumantes, champagnes e tintos mais leves para as mulheres – o que para Nelson é uma bobagem: a mulher pode tomar um vinho encorpado, sim.

E se falamos em bobagens, vamos a outra:

Garrafa masculina e garrafa feminina. A França ainda hoje dita regras de vinho para o mercado, e as garrafas borda lesas (mais estreitas e ombros mais retos) são chamadas de masculinas, pois o Bordeaux é um vinho mais viril. Já a Borgonha costuma fazer vinhos delicados e suas garrafas são largas na base com ombros mais suaves, explica Nelson.

Então, amiga, nem se preocupe se você nunca escolheu uma garrafa considerada feminina – nada disso revelará tendências. Comigo sempre acontece isso e prefiro as mais viris.

O brasileiro consome per capita mais de dois litros de vinho por ano. Não é muito. Nesta conta entram as mulheres que não ultrapassam um quarto deste volume. De qualquer forma já fazemos parte deste crescimento no país.

Geralmente, em uma saída a um restaurante quem escolhe o vinho são os homens. Só que isso, hoje em dia, está bem fora de moda. As mulheres estão mandando bem e, portanto, devem dividir a carta com o companheiro.

Acerte nos pratos e nos vinhos. O jantar ficará muito mais agradável e a conversa poderá girar em torno da carta de vinhos e da experiência de cada um.

Para as mulheres que estão começando a apurar vinho hoje, o diretor da ABS-SP, dá dicas importantes. Inicie-se pelos mais simples para depois provar os de sabores mais complexos – geralmente mais caros. Participe de degustações e faça um curso básico para aproveitar melhor este mundo fascinante (o da Associação Brasileira de Sommeliers é o mais completo do Brasil).

Se você tiver um grupo de amigas e amigos com o mesmo espírito, monte uma confraria sugere Nelson. As reuniões podem ser mensais, quinzenais ou semanais.

Agora, mulheres, a parte mais gostosa da história. Nosso amigo passou uma relação incrível e deliciosa de vinhos para comprarmos e consumi-los nos próximos dias. E uma excelente oportunidade e começar agora no Dia Internacional da Mulher, em oito de março.

Anote na agenda, são dicas das principais uvas facilmente encontradas em nosso mercado:

• Um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia (vinho branco muito aromático)

• Um Chardonnay chileno da região de Casablanca (vinho branco encorpado)

• Um Pinot Noir da Nova Zelândia (vinho tinto delicado)

• Um Cabernet Sauvignon chileno da região do Maipo (vinho tinto encorpado)

Além destes, para aquelas que não dispensam um espumante, podem partir para os brasileiros, são muito confiáveis – diz Nelson.

Não deixe de conhecer o Blog Vinho Sem Segredo, do Diretor de Degustação da Associação Brasileira de Sommeliers Nelson Luiz Pereira, você pode encontrar muitas outras dicas legais. E se quiser conhecê-lo pessoalmente, Nelson é sommelier do restaurante La Cucina Piemontese em Alphaville.

Amei todas as dicas e já estou morrendo de vontade de tomar uma boa taça de vinho.

Dora Estevam é jornalista e, aos sábados, escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

A foto que abre este post é da galeria de Ale J. Ven, no Flickr (veja mais aqui)

A melhor lição do internato e os críticos de vinho

 

Por Milton Ferretti Jung

Em 1947, eu estava internado no Colégio São Tiago, na então pequena cidade de Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Muitos educandários ofereciam internatos para filhos com mau comportamento, guris de cidades interioranas nas quais não existiam escolas do nível exigido por seus pais e também porque a prática era moda na época.

Confesso lisamente – sei que meus netos jamais me imitarão – que o motivo de ter sido afastado da casa paterna durante o ano letivo, inclusive sem licença para visitá-la no relativamente longo feriado de Páscoa, era o pouco empenho nos estudos.

Cheguei ao internato depois das férias de meio de ano. Achei mais interessante trocar o Roque Gonzales, em Porto Alegre, em que as tais férias duravam apenas quinze dias, pensando haver feito um bom negócio, engano do qual iria me arrepender já no momento em que meus pais e eu desembarcamos do trem que nos levara da capital do estado para Farroupilha.

Mal os “velhos” se despediram de mim, deixando-me aos cuidados dos maristas do São Tiago, driblei meus “carcereiros” e fugi, tentando achar a linha férrea, sei lá com que esperança ou pretensão. Os irmãos não tardaram a me encontrar e me levaram de volta.

No primeiro dia de aula do segundo semestre me fingi de doente e fiquei no dormitório. O Irmão Inácio, o mais velho dos maristas do colégio, apareceu com uma garrafa de vinho e um copo. “Bebe – disse – que te fará bem”. Foi a primeira vez que me receitaram o “néctar dos deuses”.

Em casa, minha irmã e eu tomávamos um pingo de vinho misturado com água, ao invés de refrigerante. Alguns médicos também garantem que um copo de vinho nas refeições faz bem para a saúde. Há controvérsias. Seja lá como for, beber moderadamente é o que se recomenda.

Todo este preâmbulo, o maior nariz de cera que cometi até hoje, foi para encaminhar um assunto que me provoca grandes dúvidas. E o vinho surge novamente no texto. Aqueles que se consideram “experts” na matéria, o bebem com enorme prazer e são capazes de detectar num único gole – o que me espanta – os mais diversos sabores.

Leiam, por exemplo, a opinião de um especialista sobre determinado vinho, cuja marca não revelo para não fazer “merchandising”:

no sabor,é compacto,firme,nervoso,com grande persistência,com seu gosto achocolatado e sua eterna juventude,o 89 é curiosamente bordalês,muito complexo com frutas secas,tabaco,madeira “fina”,madeira velha,uma pitada de estábulo.

E eu, na minha santa ignorância, pensava que o bom vinho somente necessitasse de uvas de boa safra. Vivendo e aprendendo.

Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)