Lavar as mãos para a gripe suína

 

Um sem-número de vezes lavei as mãos na última semana a bordo de um navio que corria sobre o Oceano Atlântico. Antes e depois da refeição sempre foi comum, mas, desta vez, não havia uma sala, um corredor, restaurante nem em pensamento, no qual um totem contendo líquido antibacteriano e alerta para a importância do ato de lavar as mãos não estivesse no meio do caminho. Para entrar e sair do navio, uma moça com borrifador estava a sua espera. Pegar o prato de comida sem passar pela maquininha era considerado pecado mortal com direito a saltar da prancha ao mar.

De acordo com uma das funcionárias da empresa de navegação, o cuidado é adotado há algum tempo e não tem relação com a gripe suína. Turistas que haviam viajado pela companhia há um ano disseram que a atenção, desta vez, foi redobrada. Quadruplicada, talvez.

No embarque tive de preencher uma ficha com dados para contato, responder sobre sintomas como febre e dor no corpo, além de informar se havia viajado nas últimas semanas para o México ou áreas infectadas pelo vírus que provoca a gripe suína. Ao retornar para Nova York, nenhum alerta, nenhuma pedido de informação. Sequer funcionários com máscaras ou luvas, como alguns começaram a cobrar no Brasil.

Aliás, a paranóia da mídia americana parece ser bem menor do que a brasileira. Se tivesse navegado na edição eletrônica dessa segunda-feira do “The New York Times”, você não encontraria informações sobre a “swine flu” na página principal do jornal, não veria destaque na editoria de saúde ou encontraria notícias sobre o surto entre as mais populares dos leitores-internautas – ao contrário do que ocorreria se você acessasse os principais portais de notícias do Brasil.

A principal notícia sobre o vírus H1N1 no TNYT era da preocupação dos americanos com o reflexo na economia, conforme pesquisa da Harvard Scholl of Public Health. Seis de cada 10 americanos ouvidos acreditam que haverá um aumento no número de casos de pessoas infectadas com a chegada do outono, em setembro, quando se encerra o período de férias. Antes, porém, de pensarem na possibilidade de serem vítimas da doença, imaginam o prejuízo que poderão ter se tiverem de ficar em casa, longe do trabalho ou com escolas fechadas devido a medidas de restrição de circulação das pessoas. De acordo com dados publicados pelo jornal 44% dos que responderam a pesquisa imaginam que perderão dinheiro e 1/4 teme ficar sem emprego. (Leia a reportagem completa).

Um médico com que conversei antes da viagem, me disse que o ideal seria evitar áreas com aglomeração e passeios para locais em que haja maior número de infectados. Mas me tranquilizou: se a passagem está comprada e o pacote turístico fechado, aproveite o máximo que puder as férias. O risco de contrair o H1N1 é pequeno.

Preocupados ou não com a gripe suína, temos de ter consciência de que as mãos são vetores para uma série de doenças. Estudo publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences, ano passado, comprovou a mão tem, em média, 150 tipos de bactérias. Os pesquisadores da University of Colorado at Boulder “afirmam que lavar as mãos com produtos feitos especificamente para combater bactérias ainda é uma forma eficaz de minimizar o risco de doenças”.

Assim, ao terminar de ler suas notícias e blogs preferidos, vá a torneira mais próxima e lave bem suas mãos. Outros estudos mostraram que o nosso teclado pode ter mais bactérias e sujeira do que a tampa do vaso sanitário.

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