A história dos vazamentos de Ipanema, a rua

 

Os vazamentos na rua Ipanema, Jardim Copacabana, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foram motivo de reportagem no início do ano. Estão de volta agora em “carta” escrita pelo ouvinte-internauta Cláudio Fernandes. Ele pediu uma “notinha” no CBN SP, mas com tantos detalhes a serem descritos decidi publicar o texto por inteiro e montei um slideshow com as imagens que ajudam a entencer a história:

Vazamento na Rua Ipanema

Clique aqui e assista ao slideshow com a história dos vazamentos da rua Ipanema

 

“Mais uma vez retorno ao auxilio de vocês, dessa vez para denunciar a desorganização do Consórcio Drucker Toltec, empresa terceirizada a serviço da Sabesp.

O Jardim Copacabana, localizado em São Bernardo do Campo, sofre a mais de 10 anos com o rompimento crônico da rede de distribuição de água.

Para se ter uma idéia da situação desse local, existe um trecho na Rua Ipanema, local do mais recente rompimento, que se pode contar exatamente 12 remendos de asfalto num trecho de 15 metros de rua.

A maioria dos rompimentos ocorre por vezes em menos de um mês. Alguns não duram sequer quinze dias. Cada vez que ocorre um desses eventos, centenas de milhares de litros são perdidos rua abaixo. Não se trata, portanto apenas de um desleixo, descaso com o desperdício d’água que ela, a própria
Sabesp tenta diminuir através de campanhas educativas de conscientização. O que vem ocorrendo é mais que isso: é um crime ambiental, um crime contra economia popular, um desrespeito a todo cidadão de São Paulo.

Na quinta feira, 22 de outubro, o dia amanheceu com um enorme vazamento na altura do no. 86 da Rua Ipanema. Imediatamente, vizinhos contataram o Serviço de Atendimento da Sabesp. A equipe de reparação pertencia ao Consórcio Drucker Toltec, empresa terceirizada, iniciou os trabalhos por
volta das onze horas. Abriram o calçamento e se depararam com um enorme vazamento. Contudo, havia a necessidade da Sabesp efetuar o fechamento dos cavaletes daquela rede. Essa operação é denominada de “manobra”. O funcionário da Sabesp, responsável pela manobra só chegou ao local por
volta das 17 horas, quando o nível de iluminação já começava a cair.

Neste momento foi que estabeleci contato com a equipe para saber se os reparos seriam realizados ainda naquele dia. A maioria das casas possui caixas de reserva com 500 ou 1000 litros. A situação começava a ficar delicada na maioria das residências.

Retornei por volta das 19 horas e me deparei com um cena no mínimo curiosa. A equipe posicionou o caminhão a frente de um buraco de aproximadamente 1 metro de profundidade por 1 metro de diâmetro. Um operário tentava jogar a luz advinda dos faróis do caminhão para dentro do buraco, onde estava outro operário com água até quase a cintura sob uma escuridão absurda. Naquele cenário, o operário tentava colocar uma espécie de braçadeira composta por três segmentos para vedar o vazamento.

Retornei até minha residência e peguei uma lanterna do tipo dínamo com três “leds” emissores de luz. Creio que o facho dessa lanterna não passa de 10 watts de luz. Mas diante da total escuridão no interior do um buraco cheio d’água , a luz da lanterna parecia um holofote.

Já passava das 20:30hs, quando vizinhos comovidos com a situação desses três operários, lhe ofereceram lanche e café quente. A equipe tentava a qualquer custo, mesmo sem nenhum apoio logístico da Drucker Toltec, sanar o vazamento.

Mas o trecho da rede onde houvera o rompimento era grande demais e eles não possuíam peças e moto-bomba com eficiente vazão. Não havia como restaurar o vazamento naquela noite. Partiram por volta das 22 horas.

Na sexta feira retornaram por volta das 9 horas. Fui ao encontro deles que justificaram que só não chegaram mais cedo porque não havia óleo diesel para o caminhão.

Mas enfim, voltaram ao trabalho.

Por duas vezes tiveram que interromper. Numa delas, acabou a gasolina da moto-bomba. Um vizinho cedeu então 2 litros de gasolina para que o serviço voltasse a ser realizado. Logo depois constaram que não dispunham de “chaves fixas de 23 e 24 mm” para efetuar o aperto do dispositivo de reparo. Novamente a pronta ação do mesmo vizinho que emprestara a gasolina salvou a situação.

Quero esclarecer que em nenhum momento, os três operários liderados pelo motorista de nome Rogério, foram omissos, muito pelo contrário.

Um Estado tão rico como São Paulo, com tantas preocupações ambientais, ainda se depara com empresas desestruturadas para tratar exatamente de um dos bens mais preciosos do Planeta Terra: a água.

Os funcionários não recebem alimentação no local, não possuem roupas impermeabilizadas ou botas super longas, os equipamentos são precários, não possuem sequer o mínimo para trabalhos noturnos, um tripé com luz de serviço. É algo que não condiz com um País que deseja ser olímpico, mas que
não consegue ser eficiente e ágil no atendimento da infra-estrutura urbana.

Além disso, a rede de água do Jardim Copacabana está totalmente comprometido pela corrosão e a Sabesp não procede a troca da rede ainda de canos de ferro por canos de PVC.

Documentei toda operação com fotos e guardo um pedaço do cano destruído pela corrosão, que coloca em risco inclusive a saúde de quem utiliza essa água para beber.

É um dever do cidadão fiscalizar as empresas que prestam serviços ao Estado.

Agradeço sua sempre amável resposta e se puder de uma “notinha” sobre esse descaso.”

8 comentários sobre “A história dos vazamentos de Ipanema, a rua

  1. Não só a Rua Ipanema, mas São Bernardo inteira está dentro de um buraco da SABESP. Uma instalação de adutora na região simplesmente esburacou todas as vias, seguido da CONGÁS e as ruas não existem mais, só temos buracos tampados e retampados. Dirigir sobre estradas de terra são melhores do que deixaram as condições das ruas aqui, sem contar os vazamento que estão aparecendo em todas as ruas por conta do aumento da pressão da nova linha em cima da tubulação velha. A obra realizada na minha rua foi tão bem executada que um caminhão da concessionária estacionou sobre a parte refeita e simplesmente tombou sobre a calçada; danificou árvore, sujou o muro com piche, e não consertaram nada do que fizeram, só a rua e ainda malfeito.

  2. Reforço o protesto do colega e vizinho. Minha família mora perto dali, na rua Sírius que também sofre com esse problema pelo fato das tubulações serem muito antigas e não serem de material mais adequado. Porém, ainda assim existe um outro local em SBC que considero mil vezes pior com relação a isso, é o Jd. Portugal, por volta da Rua João Cavinato, bem próximo ao centro da cidade. Lá o problema faz parte do dia-a-dia das pessoas, e SEMPRE existe perda de água na região. Peço por favor a CBN, vale a pena investigar porque os subterrâneos de São Bernardo do Campo são tão prejudiciais para o meio ambiente. Obrigado

  3. Oi Milton ! Sou formado em Técnico de Segurança do Trabalho pelo Senac e é revoltante o que acontece com muitos trabalhadores neste país nos dias de hoje.
    A lei nº 6.514 de 22 de Dezembro de 1977, assegura aos trabalhadores condições mínimas de segurança.
    No parágrado I do art. 157 dia cabe as empresas cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho.
    Vemos ai no caso da falta de condições de trabalho, um desrrespeito total com o trabalhador.
    Até quando isto irá acontecer?

  4. Impressionante a cada de pau da Sabesp. Passei pela Rua Ipanema na sexta pela manhã, pois sou morador de outro rua vitima, a Paquetá. Sem exagero, dava prá surfar. E depois pedem para que nós poupemos água.

  5. Moro em São João Climaco e aqui a coisa é do mesmo jeito. Conserta, vaza,conserta,vaza,conserva,vaza. Meu pai não gosta que diga isso, mas acho que somos um povo estupido, sem iniciativa. Se fosse como os coreanos, espanhóis e japoneses, duvido que seria assim. Abaixo a Sabesp!

  6. Milton, ouço sempre seu programa, porem vejo que estes assuntos que vc toca é exatamente que os governantes fanfarroes gostam de ouvir e polemizar, assim como os ouvintes ociosos adoram, veja que o conjunto de trabalhadores em sua plenitude maioria homens de 25 ao 45 anos trabalhadores e empresarios do setor PRIVADO pouco participam de seus programas, e sao os que melhor tem entendimentos tecnicos e que mais sao atacados assim como suas empresas(junto todos seus funcionarios).. e que muitas das vezes nao tem chance por falta de tempo de ficar acusando as barbares burocraticas, e absurdos de leis, e mesmo absurdos por parte de entidades e pessoas, que se aproveitam de quem tanto paga impostos, e gera a riqueza de nosso País. Este conjunto de pessoas sim deveriam listar as Prioridades de assuntos a serem debatidos por ordem em seu programa, e eles sim deveriam ter poderes para cobrar mais do Governo, Sociedade e Entidades. Um exemplo claro disso: Um presidente de sindicato qualquer vem a falar mal de todos empregadores com intuito de ser aplaudidos por outros e ganhar votos sem nunca ter estado em nenhuma das posições, será que politicos, ociosos da sociedade, e presidente de entidades, viraram a voz do bom sensu ou será que o extremismo em sua plenitude sem nunca ter passado por nenhuma posição de trabalhador pleno??? Será que não a certos exejaros das pessoas em exigir só do outro e nao ter consiencia da posiçãos de risco de um empresario e trabalhador estam tomando com intuito de sobreviver nessa selva de tributos, roubos de mercadoria, burocracia demaziada, etc.. sera que esta pessoa ja teve o bon sensu de se colocar na posição do outro??? quando estiver entrevistando alguem bata de frente na acusação e pergunte: Levando em conta toda agenda rigorosa e perturbada de trabalho do proximo. O que vc faria???

  7. Entendo que os comentários do leitor Juninho Pernambucano, deve se referir a outra matéria.

    A titulo de informação. Mesmo após a leitura de minha denuncia pelo Milton Jung e a exposição do assunto no Blog do brilhante jornalista, nem Sabesp, nem o Consórcio Drucker Toltec se manifestaram. Nem mesmo o vereador Adhemir Ferro, a quem notifiquei na data de ontem, sobre o que vem ocorrendo em nosso bairro.

    Mas o que esperar de uma nação onde a impunidade passa a ser a regra, não exceção. O contribuinte brasileiro é aquele que paga o Imposto da Suecia e recebe os serviços da Etiópia.

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