De impermanência e frustração


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De impertinência e frustração” na voz da autora

Foto flor

Olá,

É segunda-feira. Acordo me dando conta do tanto para fazer, e sorrio.

Não é uma segunda-feira comum; é a que arremata um fim de semana de três dias.
De feriado na sexta.

Eu, como boa representante de uma família de tatus, pago para não sair de casa e fico brincando o fim de semana inteiro. Escrevo, crio almofadas, leio, cozinho – como bem à beça – estouro pipoca, assisto a alguns filmes, tomo sorvete, passeio
com a Valentina, vou a pé à padaria buscar uns pãezinhos crocantes, passo na banca de jornal e levo um para casa.

O computador me faz muito mais companhia do que a TV. Furungo sem parar. Penso numa coisa, vou lá olhar o que se está dizendo a respeito. Ouço música pelo computador. Escrevo, escrevo, escrevo…

Perco-me em atalhos das estradas da internet e viajo sem rumo certo. Um site me leva a outro e, quando percebo que caí na armadilha, me sacudo e volto para a estrada principal daquele dia, ou daquele momento.

Segunda-feira depois de feriado tem gosto de estou-satisfeita, ou pelo menos de estou-quase-satisfeita. Sorrio quando a agenda do dia se materializa na minha mente antes que eu ponha os pés no chão. Tomo meu suco, que chamo de suco da vida, um café com direito a pão com manteiga, abro o computador e me ponho a preparar palestras: acentuação, hífen, proparoxítonas, concordância, átona, tônica, ditongo, reforma ortográfica, pontuação com pitadas de astrologia, música, propriedades e impropriedades da língua portuguesa.

Organizada, saio para o trabalho.

Chegando lá, a turma atenta, preparada para o melhor – nunca para o pior – observa enquanto conecto os fios para que as máquinas se comuniquem, e para que se inicie mais um encontro do projeto Expressão na Comunicação e Vice-Versa. E quem é que diz que o computador liga. Mas não liga, mesmo.

O Vice-Versa ficou em casa dormindo. A garantia venceu há 25 dias, mas o Dr. Backup vai chegar em uma semana. Engulo a aflição – leia-se choro – e improviso. Afinal, não apresento, simplesmente, o show; eu o produzo. Portanto, havia o que dizer.

Saio de lá com o pequeno Apple nos braços e corro para o Pronto Socorro mais próximo.

Veredictum: Mortem!

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza palestra sobre comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung, neste teve de usar um velho computador que estava de lado, mas gravou seu texto pelo Iphone

13 comentários sobre “De impermanência e frustração

  1. Maria Lucia, toda vez que vejo alguém com problema em computadores não deixo passar a oportunidade de registrar que com a DELL, tive um mês de sofrimento.
    A intenção é corresponder aquelas estatisticas que dizem que o consumidor conta para 5 pessoas quando teve um bom e surpreendente atendimento. Mas se foi ruim conta para “n” vezes mais.
    Algumas marcas não aprendem, gastam fortunas em anúncios e nada em atendimento.

  2. Carlos e Maria Lucia,

    Os computadores são máquinas criadas para resolver todos os problemas que eu não tinha.

    Brincadeira à parte: surpreende-me um Apple ‘dar pau’ como o da Maria Lucia. É incomum, ao menos para mim. No caso dela, porém, a assistência ‘médica’ anunciou que o ressucitará, em um milagre a um mês do Natal.

  3. Bom dia Mike Lima e ilustríssimo Sr Dr Carlos Gibrail.
    Computador foi feito para dar problemas, principalmente quem usa o SO da MS, os Rwindows.
    Seja qual for
    O XP e o ex 98 SE ainda são os mais estáveis.
    O Sevem parece que melhorou muito em relação ao Vista, ou melhor asta la vista.
    Para o dia a dia, navegar na net, visitar en sites de bancos, , pesquisas em geral, envio e recebimento de emails, textos, planilhas, coisas de escritorio, Uso o linux e o opem office, amos de codigo aberto, desde as suas primeiras versões e o rwindows só para cositas mais básicas e o que o linux não comporta e vice e versa.
    Muitos “reclamam” de seus pcs, pois ainda acreditam que pc, basta ligar na tomada e pronto, como se fosse uma tv, liquidificador, um eletrodomestico.
    Nada disso!
    Existem mais misterios dentro de um gabinete de um pc, de um espremido notebook,do que as nossas vãs filosofias!
    Por estas e por outras, justamente para não ficar na dependencia e na boa vontade de tÉnocos, assistencias técnicas autorizadas, deciddi por especializar-me, por pura necessidade profissional, pois 90 por cento das minhas atividades dependo destas máquinas, realizei “alguns cursinhos” de informatica e assim definitivamente me vi livre das agruras por ter que depender dos tais acima citados.
    ôooo sofrimento.
    Só que por outro lado, obviamente acabei virando tecnico da familia, dos amigos das filhasm genros, neto, amigos, amigos dos amigos e por ai vai.
    Pois como dizia a propaganda do alcool no iniciao
    CArro a alcool, um dia você vai ter um
    PC, internet, um dia você também vai ter e precisar de um.
    Bom domingo
    Armando Italo

  4. Queridona,

    De computador quase nada sei. O que sei é que o meu HP, vermelhinho, cheio de detalhes está sendo meu melhor companheiro de viagem!
    Só entrei pra dizer que essa flor é MA RA VI LHO SA.
    Tô chegando, até quarta
    Beijo
    Big

  5. ML,

    Como era antes, quando a gente não dependia dessas maquininhas cada dia menores e mais poderosas? Existe vida ainda além (ou seria aquém) do computador? É possível sobreviver sem ele? Parodiando o poeta, “ter ou não ter, eis a questão”…

    Com ou sem ele, vc dá seu recado sempre de maneira linda.

    E fica subentendido: pense nisso, ou não!

    Bj grande,
    Su

  6. Em nome do pai, do filho e do espírito santo….amém!
    Como viver sem essas geringonças, querida Malú?

    Um protético que virou Tecnólogo em processamento de dados, cursos de redes e de manutenção de hardware. Também fiz como o Armando, pois não queria mais depender de técnicos para me darem veredictos, seja lá daquilo que fosse.

    Nunca tenho tempo, más vira e mexe eu descubro o defeito, envio ao técnico e já aviso onde mexer e se for o caso testar uma peça e trocar.

    Não recomendo cursos para você, pois perderia muito tempo que já deve ser bem escasso, mas seria bom entender um pouco para não ser enrolada.

    Pelo seu texto narrado acima, percebemos o quanto estamos dependentes desse troço chamado computador.

    Beijos e boa semana!

    Então, venha a nós o vosso reino!

  7. Lilia linda,

    a gauchinha loura e mais nova doutoranda deste Brasil!
    Natal, não o do Papai Noel, mas a do Rio Grande do Norte foi premiada e ganhou você. A flor abriu e espero que continue se abrindo sempre pra você, onde quer que vc esteja.

    Beijo,
    tia lu

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