Meu lar é o banheiro

 

Morador de banheiro

Por Devanir Amâncio

Se não é humano morar em um banheiro público abandonado, no Vale do Anhangabaú, a 50 metros da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social, sobrevivência e criatividade se equilibram. Mulheres grávidas, crianças, adolescentes e outros visitantes dividem o teto. No entorno do maior chafariz da cidade – coberto de lodo – homens descamisados que lembram os simpáticos caiçaras de Ilha Bela. Ao lado do banheiro, latas sobre pedras e fogo; panelinhas de ferro e pedaços de madeira queimados se misturam a bananas assadas. Um cachorro meio amarelado come o tempo todo um punhado de comida: um mexido de feijão de corda, farinha de mandioca, jiló e ovo. A atração fica por conta de um tapume grafitado, muito bonito, cercando o espaço. É admirado por quem passa e pergunta: “o que tem lá dentro?”.

2 comentários sobre “Meu lar é o banheiro

  1. E assim a antes bucólica, maravilhosa metropole paulistana a cada dia, se torna mais deteriorada, abandonada a propai sorte, fatores causados pelos demandos e interesses politicos politicos
    Além do que já está
    População carente sob vários aspectos desempregada, desamparada, abandonada.
    Em qualquer canto da cidade de São Paulo, presenciamos um grande numero de mendigos, pedintes, drogados, dormindo em condições sub humanas.
    Até em banheiros publicos como mostra e constata a foto deste artigo.
    Em quanto isso, as pastorais,a prefeitura, a assistencia social, o governo do estado, pouco fazem.
    Se fazem algo em beneficio destas almas, pouco sabemos.
    Até quando?

  2. Eu fico me perguntando como seria viver em uma roça. Como seria para mim, e por analogia para muitos de nós paulistanos da gema e os da clara também, viver fora de um condomínio sem ir aos choppings e ao teatro .Sem todas estas maravilhosas opções de restaurantes e todo conforto e comodidade da cidade.
    Nas favelas e nas áreas de risco, não me surpreenderia ouvir de um bocado dos que ali estão, que nada do que eu citei antes faz o menor sentido. Que bom mesmo são outras comodidades. Outros valores.
    Não seria tempo de a gente entender mais sobre por que estas pessoas são obrigadas a sair do interior e vir alimentar esta miséria?
    Minha sugestão não tem nada de impedir ninguém de ir ou vir.
    Quero entender por que alguém opta por viver em um banheiro, e prefere ficar aqui assim mesmo.
    Um palpite: falta de terra. De políticas públicas sérias de fixação das famílias no campo. De reforma agrária, de assentamentos sem corruptos com o pé na mangueira dos recursos que mantém as famílias assentadas, produzindo e empregando. Coisa que na Europa, aconteceu há mais de um século.

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