São Paulo, ouça Cláudio Abramo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Trânsito parado na no Cebolão SP (Foto Pétria Chaves)

“Um grande jornal se conhece nos grandes momentos” foi a frase lembrada domingo por Clóvis Rossi, dita por Cláudio Abramo expoente do jornalismo do “Estado de São Paulo” e da “Folha de São Paulo”. É assim em todas as organizações. Mas, para isso é preciso entender que se está diante de um grande momento, que exige ampla colaboração. Técnica, Social, Econômica, da Comunicação, dos Habitantes e Política.

E, é agora que se necessita cobrar de cada uma dessas áreas o que não foi feito, o que foi mal feito e o que terá que ser feito.

A Técnica deixa muito a desejar enquanto soluções de ampliação das marginais são propostas e executadas. Estão colocando 2bilhões de reais. E, esqueceram da demanda reprimida. O ideal será considerar um movimento de reconstrução, como se faz após catástrofes, com equipes técnicas especializadas em emergências, com grupos de especialistas. Um órgão de SOS imediato.

A Social é uma das mais graves, pois permite a favelização em áreas de risco e/ou de mananciais.

A Econômica é não colocar capital em obras como o Túnel da Marta ou as pistas da Marginal.

A Comunicação governamental com publicidade das Administrações Públicas precisa ser reduzida ou eliminada. A Comunicação por parte da mídia é pouco contundente tendo em vista a situação do caos que vivemos. É bem verdade que a continuidade de fatos graves pode banalizá-los. É hora da mídia se apoiar em conhecimentos técnicos para poder arguir os políticos. Além disso, nos espaços abertos para as campanhas, os jornalistas precisariam evitar que se descambe por aspectos pessoais. É necessário ter mais informação para fazer perguntas técnicas.

Os Habitantes moradores precisam cuidar muito mais do seu espaço. As calçadas de SP estão ficando impermeáveis, os lixos não tem o cuidado necessário, os bueiros recebem todo o tipo de dejetos. Os moradores organizados, Movimento Defenda São Paulo, Movimento Nossa São Paulo, tem realizado ações efetivas e eficientes, mas agora é hora de dar um grito de alerta. Os habitantes empresários, por exemplo, fábricas poluentes e construtoras dispostas a vender a alma ao demônio e, às vezes não entregar, precisam ser controlados. Os empresários de prestação de serviços, poderiam seguir o exemplo de Ricardo Semler, com horários alternativos e escritórios descentralizados, uma estratégia que pode aumentar a produtividade. À classe média em particular uma frase de Gilberto Dimenstein, em entrevista à Folha de São Paulo sobre o pedágio urbano: “Eu colocaria amanhã. Limita os carros na rua e arruma dinheiro para o transporte público. Cedo ou tarde será preciso brigar com a classe média” .

A Política é a mais difícil, embora com processo idêntico, ou seja, o interesse individual e eleitoreiro muitas vezes predomina. Entretanto, agora é preciso deixar de agir burocraticamente e administrar vaidades e soberba. Clóvis Rossi opina: “Nesses grandes momentos, tristes, mas grandes, não é exatamente o comportamento que se espera de quem se supõe que vai disputar uma eleição presidencial esgrimindo o bordão de gerente – e competente”.

Será que todos em São Paulo não percebem que emergência não é apenas para bombardeios, terremotos, furacões? Cidade alagada é também uma catástrofe. SOCORRO!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung.

15 comentários sobre “São Paulo, ouça Cláudio Abramo

  1. Trecho da musica de Herbert Viana e Bi Ribeiro. Banda Paralamas do Sucesso (para as lamas do sucesso)

    Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
    A esperança não vem do mar
    Nem das antenas de TV
    A arte de viver da fé
    Só não se sabe fé em quê

    A cidade imaginada, foi a do Rio de Janeiro dos anos 80. Infelizmente, a letra dessa musica cabe direitinho no caos que São Paulo vive neste momento.

    As pessoas não sabem o que perguntar, o que responder e muito menos o que fazer.

    Os “tops” tentam enrolar, se esconder e, quando não, falam e ou fazem besteiras. Vide as camionetes e o sub-prefeito que disse: “vou pedir para Papai Noel e São Pedro pararem com tanta chuva”.

    E, para o desgosto de Boris Casoy, os garis são parte determinante na limpeza do lodo da sociedade que os despreza (risos)

    Essa lama sim, é literalmente um sucesso. Ta na media!!! Ops, Mídia!!!

    Valeu!
    Abraços

  2. Prezado Milton

    Até quanto vocês vão fugir da verdade?. Desde 2005 não são feitas dragagens ou desassoreamento no rio Tietê. O investimento de décadas, mais de um bilhão de dólares no rebaixamento da calha do Tietê, foi jogado fora nesses quatro anos sem desassorear o rio.
    Um dado crucial para o bem estar, a segurança e a vitalidade econômica da cidade – manter o rio desassoreado – foi ignorado pelo governo Serra.
    Pergunta-se: como é que fica? Não se trata de um erro banal de planejamento, mas de descuido em relação a um ponto estratégico na vida da cidade: o rio Tietê.

    Quantas vezes esses fato foi analisado nas reuniões de secretariado do governo? O que aconteceu com o processo de licitação, depois que foi interrompido por liminares dos concorrentes? Se não constava do decreto a permissão para a empresa vencedora vender as areias do rio – o que alterava completamente o plano de negócios e a proposta financeira -, porque não se anulou e se procedeu a uma licitação de emergência? Foram quatro anos sem nada fazer, sabendo que a cada ano a situação se tornaria mais crítica.
    O governo do Estado confiou na sorte, apostou na probabilidade de não haver chuvas maiores, para justificar sua inação frente o problema. E agora? Quem responde pelas mortes, pela paralisação da cidade, pelos bens perdidos, pelas casas inundadas?

    De quem é a responsabilidade? Do DAEE (Departamento de Água e Energiaa Elétrica) que não alertou o governo do Estado? Do governo, que preferiu guardar o dinheiro para obras de maior visibilidade? Houve alertas do DAEE que não foram considerados? Ou a equipe do DAEE não cumpriu com suas obrigações funcionais, deixando a população exposta?

    Qual a posição da CBN ? Escuto seus porgramas todos os dias pois tenho em você uma pessoa que briga pela nossa cidade.Não acredito que você seja mais um vendido como grande parte da imprensa.Acredito sim que você trará o assunto em sua proramação.Caso contrário será uma grande decepção minha para com sua pessoa.

    sem mais.

    João Carlos Siqueira

    • O CBN SP tratou desta possibilidade e continuará a tratá-la, sem o patrulhamento que muitos gostariam, mas com a seriedade que a questão exige. Assim, pediria que o senhor colaborasse com este trabalho, encaminhando-me caso tenha à disposição alguma informação consistente sobre o assunto que comprove, por exemplo, que em quatro não foi realizado trabalho de desassoreamento do rio Tietê. Se consultar os investimentos públicos (por estar publicados e não apenas por ter sido feito com o dinheiro público) em dados oficiais, verificará que a ação foi realizada. Infelizmente, não posso simplesmente denunciar um governo seja ele qual for sem que estes dados sejam claros o suficiente. Caso contrário, seria leviano, postura que condeno e imagino o senhor, por sério que aparenta ser, também. Obrigado pela sua participação neste espaço de debate.

  3. Caro Milton…
    Sou Do Interior e venho todos os dias a São Paulo , para trabalhar como outras milhares de possoas o fazem todos os dias , a vinte anos faço isto e neste periodo de chuva o trantorno se repete , o mais me assuta é que cada vez mais , estamos vendo também no interior este caos que até algum tempo era “previlégio ” só de São Paulo , será que esta desorde paulistana não está servindo de alerta para um melhor planejamento urbano e de politicas publicas para estas cidades que caminham para um caos igual ou pior do que o que se vive hj na grande são paulo?
    um abraço!!

  4. E agora senhores poiliticos, prefeitos, governador, vereadores, deputados?
    O que os senhores tem a dizer diantre do caos consumado, verdadeiro, juramentado visto, sentido pelo mundo inteiro?
    Ontem assistindo jornal na TV, um dos reporteres afirmou que o Haiti também é aqui”
    Na cidade de São Paulo, no estado de São Paulo.
    Mais fácil culpar as chuvas não é verdade senhores politicos?
    Ha quantos anos, décadas são Paulo, a cada verão sofre com enchentes, demoronamentos, mortes, sofrimentos, falta de qualidae de vida?
    Culpar o povo somente?
    Sim, boa parte deste “Inferno de dante” que o paulistano vem enfrentando a décadas deve-se também a falta de educação do povo que joga lixo em qualquer lugar.
    Basta uma breve visita nos bairros distantes da periferia paulistana, criados as margens de rios e represas, para constatarem “in loco” o que jogam nos rios.
    Lixo, sofás, fogões, carcaças de automoveis, etc.
    Não interessa a procedencia do morador deste locais.
    Ai fica a pergunta:
    Porque permitiram, os politicos, que bairros fossem formados ao longo dos anos em locais totalmente inadequados, pior ainda, as vistas das maiores autoridades paulistanas e não somente da atual administração?
    O que mais me espanta:
    Os bairros vão crescendo as vistas das autoridades e ironicamente as mesmas autoridades ao invés de coibirem que bairros fossem construidos em locais considerados de alto risco, amanciais, margens de rios e represas, AO LONGO DOS ANOS, DÉCADAS, além de alegarem “que não vêem” o desnvolvimento destes bairros face a grandesa da cidade, justificando ainda como agravante do caos urbano e suburbano, culpando administrações anteriores, como sempre a mesma desculpa, evidenciando a falta de estrutura administrativa e de fiscalização.
    E ainda para completar, os administradores “bonzinhos” urebanizam estes mesmos bairros condenados pelas forças da naturesa, mesmo estando em locais “proibidos” perigosos, em mananciais, margens de rios e represas.
    Obviamente que a população realmente carente, se aproveita “da bondade dois politicos”, sabendo que se construirem suas himiuldes casas, casebres, mesmo em locais totalmente inadequados, um dia terão, água, encanada, luz, saneamento básico, entre outras benfeitorias.
    Mesmo sendo considerado pelas mesmas autoridades em locais perigosos, proibidos.
    Rios, córregos, riachos são tampados literalmente, para darem lugar a mais uma fantástica avenida, ao lado de favelas.
    Obviamente, apartir do momento que um rio é tampado, suas margens do dia para noite viram avenidas e favelas, as águas dos rios, em dias de chuva pesada, não mais transbordarão para as margens, várzeas e sim invadirão as tubulações que servem para escoar as aguas das chuvas, esgotos nos mesmos rios, causando refluxo, com sua forte pressão hidráulica, mandando para os ares tampas de bueiros, bocas de lobo, como verdadeiros verdadeiros chafarizes, inundando bairros, vilas, avenidas, favelas.
    Descobrimos apólvora amigos.
    Sem esquecer que comentar o eterno super adensamento predial e populacional nos bairros considerados nobres.
    Ou seja:
    A cada dia, com anuência de politicos, prefeituras, administrações novos e enormes empreendimentos são aprovados pela prefeitura de São Paulo.
    Resultando em mais pessoas, mais automoveis, mais transito, sendo que o saneamento básico, os investimentos por parte das administrações, anteriores e atual, são ínfimos em comparação com o desordenado, descontrolado crescimento de São Paulo.
    Outros resultados:
    Mais caos, além do existente em bairros da periferia
    A “doença” se espalhou por toda a cidade de São Paulo, está contaminando a grande São Paulo, cidades mais proximas e cidades mais distantes no estado de São Paulo.
    Agora vamos correr atráz do prejuizo, inventrando paliativos, piscinões e outras maravilhas da engenharia.
    Em fim:
    Pobre “da voto” por causa das promessas eleitoreiras, feitras em épocas de eleições
    Lobbys financiam politicos.
    As incorporadoras, construtoras mandam e desmandam em todas as cidades.
    Será quie escrevi o óbvio?
    Me desculpem mais uma vez pelo longo texto.

  5. Beto,mais intenso é a música de Caetano Veloso que dizia
    O HAITI É AQUI
    o Haiti não é aqui

    Você já imaginou a sensação daqueles moradores de Atibaia quando receberam a informação que teriam que abandonar suas casas? E eram casas reais?

    A culpa na minha opinião é de todos, entretanto a não constituição de um gabinete de emergência é a real avaliação do estado de catástrofe é de quem está no poder.
    A Lucia Hypolito perguntou ontem onde andava o governador, pois apenas o prefeito da capital estava á mostra.
    Como sabemos o problema é também estadual.

  6. Milton,
    Concordo com você. Porém as informações parecem desencontradas sobre o assunto’ desassoreamento do rio Tietê’. Assisti ao programa Entre Aspas na GloboNews em que especialistas informaram não estar ocorrendo o desassoreamento da maneira devida.
    O programa é bem interessante e explica, além de outras coisas, a razão para precisarmos de mais piscinões.
    Creio que essa seja uma fonte interessante de informações.
    Ele está disponível em http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1458589-17665-309,00.html
    Abs
    M Cecília Lopes

  7. Prezado Milton

    Sua atenção dispensada para com os ouvintes é ímpar.Só me faz admirá-lo ainda mas como jornalista.

    Segue uma informação relevante que pode sim comprovar que não houve desassoreamento do rio Tietê.
    A informação que tenho de pessoas ligadas a área de hidráulica é que houve um problema judicial com o desasssoreamento. A empresa que fazia a dragagem começou a vender a areia do rio, aí as empresas que perderam a licitação entraram na justiça, pois no edital não estava previsto que a areia poderia ser vendida. A justiça então determinou que os serviços fossem paralisados até uma decisão.

    Uma pesquisa no site do DAEE confirma . No dia 12 de janeiro – agora, depois de meses de enchentes – o DAEE soltou a portaria no. 54 dispensando de licitação a contratação emergencial de empresas para o desassoreamento de rios. O governo do estado deixou esse tema rolar todos esses anos, sem encontrar uma solução.

    Aqui Link do DAEE
    http://www.daee.sp.gov.br/cgi-bin/Carrega.exe?arq=/cgi-bin/montaobrasenoticias.exe/montaitens?id=2297&tipo=noticia

    Aqui Link da Portaria
    http://www.daee.sp.gov.br/legislacao/arquivos/2291/portaria%20daee%2054%20-%2012%20janeiro%202010.doc

    O professor Julio Cerqueira Cesar Neto garante, em entrevista para a Globo News que não houve desssoreamento do ro Tietê…veja link da entrevista http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1458589-17665-309,00.html

    Continuarei investigando e, se me permitir, lhe informando quando achar mais iformações relevantes.

    Abs
    João Carlos Siqueira Jr.

  8. Carlos,

    Não me lembro exatamente como foi dito. Delfim Neto disse com este sentido: “ O Presidente assumiu as rédeas e deu a cara pra bater dizendo que no Brasil a crise seria uma “marolinha” e, incentivou o povo a comprar. Pois, assim manteriam seus empregos“. E mais coisas semelhantes que não preciso dizer. Isso quem disse foi Delfim Neto, “direitaço” assumido!

    Voltando ao assunto de problemas e personagens diferentes, qualquer um esta com a razão quando diz: quem está no poder tem que assumir as rédeas. Futuro político não deveria estar acima das vidas que ainda podemos perder. Não entendo como alguém com tanto poder, tem estômago para ficar inerte diante do caos nas vidas de pessoas que, por força da violência social, ajeita suas famílias em qualquer canto achando que foi presente Divino. Quem dera a pobreza fosse só “casas simples com cadeiras na calçada”.

    Abraços

  9. Fabio Luiz Donizete, esse é um dos aspectos essenciais. Tanto no âmbito privado quanto no público, e dentro do privado como individuo nas suas ações particulares, quanto agindo como empresário.
    Como ação individual o mais gritante é a questão das calçadas externas e dos quintais internos de casas e edificios. Impermeáveis para facilitar a limpeza.O lixo atirado nos bueiros, os puxadinhos executados sem as minimas condições de segurança e racionalidade.
    É hora de alerta geral.

  10. Armando Italo, OK, tudo isto é verdade. A questão agora é agir como emergência, como situação de pós guerra, de pós catástrofe, excepcional.
    É isso que quinta feira , acuado pelas idas e vindas da marginal Pinheiros entupida, pelo Rodoanel idem, ida e volta, me senti traído pelas informações da midia. A preocupação de radios, tvs,internet era identificar saidas. Que na verdade eram becos sem saida. A sábia orientação era alertar que o mais racional seria ninguém mais sair de casa.
    Isto resolveria o operacional do momento e forçaria uma coalização para a criação de um gabinete de emergência. De lá para cá , todos os dias se repetiu o caos e se continua tentando achar paliativos.
    Que se apresente o governador e chame o presidente, mesmo porque a crise é também gerada pelo problema de habitação.
    Os fluminenses ao invés de disputar com o poder central, ganham apoio e dinheiro..
    Soberba e vaidade ? Disputa politica?

  11. Oi Carlos,
    A chuva que cai nesta época não é novidade, assim como as enchentes e alagamentos decorrentes dela. Os problemas são sempre os mesmos, todos os anos. O pior é que daqui a pouco essa chuva vai embora e ninguém (políticos) lembrará mais do assunto. Portanto, nada de obras para melhorar. E no próximo ano estaremos aqui novamente falando sobre o tema.

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