É hora do setor imobiliário apresentar o seu Propósito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Parque da Luz em foto de Renata Carvalho

 

De acordo com alguns professores da FAU-USP, a cidade de São Paulo está prestes a mais uma vez ser vítima dos interesses do setor imobiliário, em função de propostas apresentadas na Câmara Municipal.

 

Através do site LabCidade da FAU-USP, as professoras Raquel Rolnik, Paula Freire e o aluno Pedro Mendonça analisaram o PL 225/2020 do vereador Eduardo Tuma-PSDB, e o PL 217/2020 do vereador Police Neto-PSD, que propuseram “Ações Emergenciais” e “Plano Emergencial de Ativação Econômica” no intuito de enfrentar as consequências do Covid-19.

 

O texto do LabCidade sinaliza que tanto o Plano Diretor Estratégico de 2014 quanto a Lei de Zoneamento de 2016 poderão sofrer alterações, nos mesmos moldes do pretendido em 2018, além de uma tentativa de redução de 50% de desconto na Outorga Onerosa. Arquitetos e moradores impediram naquela ocasião o que seria uma verdadeira “Black Friday” para o mercado imobiliário. E um desastre pois o Plano e o Zoneamento são o mínimo a ser cumprido, pois não são um modelo exemplar de preservação de qualidade de vida.

 

A matéria ressalta a oportunidade perdida do momento de Convid-19, propício para se apresentar medidas que facilitem o acesso da população à moradia, e não se amplie a concentração construtiva nem as áreas das habitações, favorecendo classes menos abastadas.

 

Como agravante, uma das origens dos recursos para o atendimento das emergências decorrentes do vírus, tem vindo do Fundurb-Fundo de Desenvolvimento Urbano, que recebe os rendimentos da Outorga Onerosa do Direito de Construir, onde se propõe agora a redução de 50% e a suspensão do pagamento antecipado.

 

Há também na matéria, minuciosa especificação de alterações inseridas nas propostas para beneficiar o setor construtivo.

O vereador Police Neto reagiu e nominou a crítica da FAU como meia verdade, citando entre outras a questão do Fundurb, em que os recursos absorvidos pelo Convid-19 não serão reduzidos como relatado, tendo em vista que a utilização se deu do volume já arrecadado. Ao mesmo tempo argumentou que os benefícios pleiteados como isenções, reduções e postergações sobre os impostos tem como objetivo acelerar a retomada da indústria da construção civil, que afinal de contas é a maior empregadora de mão de obra.Neto discute também a questão das mudanças no Plano Diretor e no Zoneamento, que segundo ele se trata de ações provisórias e não leva em conta a dinâmica inexorável da cidade.

Enfim, este conflito de posições a respeito da urbanização de São Paulo, é um excelente pretexto para introduzirmos um importante aspecto do mundo corporativo, que é a busca do Propósito dos negócios, das marcas e dos setores de atividade.

 

Nos tempos atuais, e já há tempos, o Propósito tem sido tema dos mais evidenciados e enunciados. Neste contexto o consumidor é colocado na centralidade de tudo, para que se defina a razão de ser de atividades, empresas, marcas, produtos e serviços.

 

No foco das previsões do futuro pós Covid-19 há convergência no aspecto de que as mudanças que ocorreriam em anos estarão acontecendo dentro em pouco.

 

Neste sentido parece que é hora de definir o Propósito da indústria de construção civil. Afinal de contas, diferentemente de outros setores da economia, não se tem conhecimento que o setor esteja tão preocupado com os preceitos de centralidade no consumidor, incluindo aí a sustentabilidade, visto em boa parte das empresas modernas.

 

Aproveitamos então para sugerir que a centralidade esteja no consumidor e na cidade que habitam.

 

E plagiando os vereadores: que façamos “Ações Emergenciais” através de um “Plano Emergencial de Ativação Econômica Sustentável”

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

O princípio do fim: no Morumbi é permitido degradar

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Terreno na Avenida Morumbi próximo a rua Leonor Quadros (foto de CMG)

 

Em 2016, na reunião a respeito do zoneamento da cidade, atendendo o Plano Diretor, a Prefeitura em cumprimento da lei reuniu os moradores e proprietários de imóveis da região do Morumbi, em São Paulo, para decidir os parâmetros para o zoneamento da área.

 

Com marcante atuação,  especificamente de proprietários de grandes áreas situadas na Avenida Morumbi, e por meio de agressivas sustentações, tiveram satisfeitas suas proposições. O objetivo deles era ter seus interesses comerciais atendidos, bem distantes dos desejos de moradores, cuja meta era a preservação do meio ambiente.

 

A alegação básica dos proprietários apontava para o fato de que ninguém mais queria morar na Av. Morumbi, e eles não tinham como comercializar os terrenos dos quais eram os donos.

 

Cabe lembrar que nesta avenida está situada a maior mansão do município. Nela também moram personalidades ilustres da cidade, a começar pelo Governador do Estado, assim como banqueiros e empresários renomados.  E não se tem notícia de que eles estejam mudando de endereço.

Historicamente, a Av. Morumbi abriga a Casa da Fazenda, um símbolo da cidade que remete a origem da plantação de chá, no século XIX; a Capela do Morumbi, que fazia parte da fazenda que deu origem ao nome do bairro; a Fundação Oscar Americano com museu e rico acervo de arte, além do local da residência projetada por Oscar Niemayer e Burle Marx para Francisco Matarazzo Pignatari. Baby Pignatari, como ficou conhecido aqui no Brasil, nasceu em Nápoles, na Itália, foi influente industrial de cobre, prata e aviões Paulistinha, que morou com a princesa Ira Von Fürstenberg, após raptá-la, protagonizando um pitoresco caso do jet set internacional.

Os proprietários dos grandes terrenos da Avenida Morumbi também alegaram tráfego intenso de veículos e excesso de linhas de ônibus que deixam a área em comunicação com toda a cidade. Fatores que, somados ao meio ambiente preservado, tornam a avenida uma mina de ouro para os primeiros empreendimentos imobiliários que ali se instalassem.

 

A sequência do processo que atendeu aos proprietários dos grandes terrenos fez com que a Av. Morumbi passasse a ser categorizada no zoneamento como ZCOR Corredor Comercial  —  chegando a ZCOR3 em vários trechos. Os moradores que vieram para a Avenida Morumbi em busca das características originais de urbanização passaram a correr o risco da descaracterização ambiental. Avenida degradada e probabilidade de contaminação das áreas próximas.

 

Foi o que começou a acontecer a partir de 2018. Iniciaram-se as derrubadas da flora — até com aspectos surpreendentes. No dia da posse do Governador João Doria, por exemplo, um terreno, a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes, recebeu multa por tráfego de toras de parte das 100 árvores cortadas e depositadas em cima da calçada. Veja bem, multa da CET e não da Secretaria do Meio Ambiente. Atente também que nenhum dos convidados percebeu o desmatamento, apenas o fiscal de trânsito.

 

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Árvores que foram cortadas para “limpar” terreno na avenida (foto de CGM)

 

A propósito, este terreno devastado completamente pela derrubada de todas as árvores  até hoje está absolutamente vazio e sem indício de operação. As placas de “autorização” para o “desmatamento” foram retiradas e o solo, agora sem sustentação, ameaça a casa vizinha.

 

Hoje, já podemos concretamente, sem trocadilho, vislumbrar na ZC  Zona de Centralidade definida pelo novo Zoneamento, situada na esquina da Morumbi com a avenida Comendador Adibo Ares, um robusto canteiro de obras preparando para a elevação de torres de moradias de alto padrão. Em sentido amplo. Preço e altura, o que contradiz e ao mesmo tempo reafirma a alegação de que ninguém quer morar na Av. Morumbi por causa do trânsito.

 

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Obra na Avenida Morumbi com a avenida Adibo Ares (foto de CMG)

 

Neste momento, ao longo da Av. Morumbi, outros terrenos de porte em trechos absolutamente residenciais, estão também sendo preparados para grandes construções, cuja operação se inicia com o corte de todas as árvores. É uma estranha equação, pois esses empreendimentos irão oferecer as vantagens existentes de infraestrutura e do meio ambiente da Av. Morumbi, mas começam por destruir o meio ambiente.

 

Até quando vamos atender aos interesses de empresários do mercado imobiliário?
Até as próximas eleições?

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

A “Revolta dos Eucaliptos” gera caos e indagações urbanas, no Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Um eucalipto de 38 metros e 50 anos, ao ser desbastado a pedido dos moradores do condomínio horizontal que o abrigava, causou transtorno, quando parte do seu tronco ao ser removido tombou o guindaste e a carreta que o transportaria — além de atingir a rede de alta tensão.

 

Caos suficiente para atrair as TVs, as rádios e os helicópteros. Afinal, o porte da árvore, as dúvidas quanto a derrubada e o erro operacional contribuíram para a espetacularização ocorrida. Inclusive a proximidade ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Visitando o local durante a operação, iniciada na quarta-feira, ouvimos dos moradores que lideraram o pedido à Regional do Butantã os motivos:

 

“Estávamos correndo risco com os galhos que poderiam cair nas crianças”

“Um galho destruiu meu telhado”

“Frequentemente tenho despesa com a limpeza do telhado cheio de folhas”

“A árvore é um para raio intenso, atraindo enorme quantidade de raios”

“Os raios que atraem se espalham pelas árvores vizinhas menores causando a morte delas”

“Não dá para regar as árvores vizinhas, tal a quantidade de água que absorve”

“Este porte de árvore não é condizente com o urbano”

 

É importante ressaltar o clima beligerante que observamos dos moradores em contenda com o Eucalipto. Talvez o momento agressivo que vivemos deva ser considerado, mais do que as recentes chuvas.

 

O histórico do local em termos de preservação já vinha demonstrando uma certa animosidade.

 

É o 14º lote da Rua Comissário Gastão Moutinho, originalmente ocupado por uma residência que foi vendida e demolida para o lançamento de 12 casas. Como a urbanização original não permitia tal adensamento, houve embargo por ação da entidade representativa dos moradores do Morumbi — bairro onde “habita” o Eucalipto. Houve um processo rápido em função do apoio da mídia, principalmente da TV Globo e do Estadão. Foram então construídas apenas seis casas, no formato de condomínio, cujos moradores, tempo depois solicitaram a derrubada do Eucalipto, alegando infestação de cupim.

 

A regional do Butantã enviou equipe para o corte. Com o apoio da rádio CBN, uma ação da entidade dos moradores do Morumbi conseguiu a retratação do engenheiro agrônomo que tinha assinado a autorização do corte da árvore. E a equipe foi dispensada. E os cupins não apareceram.

 

Surge agora, década e meia depois, essa autorização para a derrubada, expedida pela Regional e gerada pela solicitação dos condôminos, possibilitando uma série de interpretações e reflexões — dependentes da orientação social, cultural e comportamental de cada cidadão.

 

De nossa parte é clara a responsabilidade de quem procura uma região com as características do Morumbiem mantê-las. Não é lógico usufruir dos benefícios das árvores sem dar a elas a contra partida.

 

E para quem acredita que as árvores também têm alma, é bom saber que, com a reação do Eucalipto, os moradores foram castigados por 24 horas com barulho, lama e falta de energia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

O Minhocão do Hexa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Monotrilho em imagem do Flickr/Gov do Estado de São Paulo

 

É inacreditável que quarenta anos depois de inaugurar o Minhocão por Paulo Maluf, a mesma cidade foi vítima de obra similar.

 

Se Maluf, em 1970 teve o regime ditatorial favorecendo as operações, em 2010 as forças da FIFA, da CBF, de Lula, de José Serra e de Kassab tiveram que se unir para vencer os protestos contra a sua execução. Diante do exemplo irrefutável dos problemas do Minhocão original, os argumentos técnicos e sociais afloraram vigorosamente. Dentre eles destacamos em artigo anterior neste blog:

 

A linha 17-Ouro que ligará Congonhas à rede de trilhos terá trens a 15 metros de altura, irá desapropriar área de 132 mil metros quadrados na qual serão derrubadas 2.300 árvores e onde 36 mil metros quadrados são ocupados por residências de alto e médio padrões.

 

O morador deve sofrer impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura

Será um grande causador de incômodo. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

 

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

 

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes.

 

Entretanto, era uma batalha de cartas marcadas. Tanto é que o Estádio do Morumbi não foi aprovado pela FIFA, alegando que as obras a serem feitas teriam que estar prontas, para em seguida endossar a abertura da COPA no Itaquerão, que ainda não tinha estádio nem mesmo um projeto completo.

 

Então, o que era ruim ficou muito pior, pois a construção do Minhocão do Morumbi diminuiu de ritmo. Afinal os interesses públicos e privados passaram para Itaquera. A ponto de haver paralisação e acentuada degradação no canteiro de obras.

 

O fato é que a COPA 2014 passou. A COPA 2018 também e o monotrilho ainda não está pronto.

 

Em resumo, o capital investido proposto para gerar riqueza está produzindo pobreza.

 

Sem ironia, o Minhocão da COPA será o Minhocão do HEXA: Não dá para prever quando chegará.

 

Leia também:

 

O “Minhocão do Morumbi” — 18/08/2010

 

O Morumbi em choque — 06/10/2010

 

Monotrilho será novo Minhocão, mas tudo muito “moderno — 23/04/2012

 

O Minhocão do Morumbi II — 04/04/2016

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Zoneamento: prefeitura propõe desconto de 30% ao mercado imobiliário

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Prefeitura está retomando a Lei de Zoneamento que é balizada pelo Plano Diretor com o intuito “oficial” de adequá-la ao momento atual.

 

Ontem foi realizada a primeira das cinco audiências públicas previstas para discutir a proposta da Prefeitura. E, no “Mais São Paulo” da CBN, Américo Sampaio, numa conta simples, exemplificou que se aprovada a proposição da Prefeitura a cidade vai perder R$ 150 milhões anuais, o que em 15 anos dará dois bilhões de reais, suficientes para construir 10 hospitais.

 

Equívocos e contradições afloram nessa posição da Prefeitura de São Paulo. A prematura ação de ajuste em uma lei aprovada há apenas dois anos, a redução da outorga onerosa em 30%, diminuindo a receita em momento de aperto financeiro, a inversão do princípio da transferência de recursos às regiões carentes, não sustentam a convocação da Prefeitura balizada pela atualização à cidade de hoje.

 

A reação de urbanistas e ambientalistas, foi imediata, após a apresentação do vereador Gilberto Natalini na Câmara, no dia sete.

 

O urbanista Ivan Maglio ressaltou que as modificações sugeridas entram nos bairros com permissão de densidades construtivas que os descaracterizarão. E desconstruirão as bases do Plano Diretor.

 

A advogada Renata Esteves ressalta que as ZERs com pressupostos unifamiliares serão desconsideradas.

 

O Professor Cândido Malta ressalta que ao invés de restringir o adensamento aos eixos, a atual proposta amplia ao interior das áreas. Ela irá comer as ZERs pelas bordas.

 

Sergio Reze, Conselheiro Municipal de Politica Urbana, nos relatou a grande preocupação e estranhamento que essa medida tem gerado em todos os especialistas. Pois, diferentemente do que se apresentam, as propostas atingem não só a Lei de Zoneamento como também os pilares do Plano Diretor, com o específico objetivo de beneficiar e intensificar as operações imobiliárias. Como se a arrecadação pudesse entrar num processo de liquidação de produtos.

 

Depois de quatro anos de exaustivos debates na revisão do Plano Diretor, caberia uma análise, por exemplo, da capacidade de suporte do sistema viário e das condições ambientais aprovadas, ao invés de modificar as proposições chamando-as de ajustes.

 

Esse cenário típico do mercado é salutar desde que os agentes cumpram seu papéis. Cabe ao Estado preservar o interesse maior que neste caso não pode pender para o interesse privado como apontam os especialistas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Se o varejo ouvisse mais Warren Buffet evitaria prejuízo ao ambiente urbano

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Top of Mind 2017 o meio ambiente não se destacou. À indagação qual a marca vinculada a preservação do meio ambiente, 66% dos pesquisados não citaram nenhuma.

 

É uma realidade evidente que mostra que a maioria dos brasileiros não se detém na ecologia. E a relação entre a preservação ambiental e a exploração econômica fica desequilibrada.

 

Neste cenário, o Morumbi é um bom exemplo. O Morumbi é o bairro paulistano que possui a maior área verde da cidade, ao mesmo tempo em que abriga alguns ícones da capital. A fundação Eng. Oscar Americano, Hospital Albert Einstein, Hospital São Luis, Casa da Fazenda, Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, Clube Paineiras, Estádio do Morumbi e o Palácio dos Bandeirantes.

 

A Avenida Morumbi, sua principal artéria, vem há anos sendo cobiçada por comerciantes e construtoras, em contenda com uma pequena população ambientalista, que mesmo sem o apoio da Prefeitura vem sempre lutando. De qualquer forma até hoje se conseguiu que a atividade comercial se aglutinasse apenas nas proximidades da Ponte do Morumbi.

 

Entretanto, nesta semana, deverá inaugurar mais uma loja do grupo RaiaDrogasil, maior rede de farmácias do país, nos arredores do Palácio dos Bandeirantes, no cruzamento da Av. Morumbi com a Av. Dr. Alberto Penteado. Com uma arquitetura absolutamente inadequada ao entorno.

 

O grupo certamente não acredita nas premissas de Warren Buffett, que assegura que o formato do varejo atual está morto. Para o investidor americano que acumula riqueza de US$ 70 BI, as grandes cadeias terão que rever estratégias e dar atenção à internet. Suas projeções sobre as dificuldades da Sears e Kmart se efetivaram e seus relatos sobre o fechamento de centenas de lojas dos grandes varejistas americanos, como Wal-Mart, Macy’s, JC Penney, apontam para esquemas vitoriosos como o da Amazon.

 

Se Warren Buffett estiver certo e esperamos que esteja, o e-commerce, quem diria, além de conforto pessoal trará benefício extra ao meio ambiente.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Parque do Caxingui: devastação não desanima o cidadão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As árvores que ocupavam o espaço destinado à obra dos edifícios da Cury construtora já não existem mais. Tratores e serras elétricas se incumbiram eficientemente da tarefa de devastar mais um pedaço de natureza da cidade.
O cidadão que não esmoreceu ante a ameaça de destruição, agora de posse da realidade da destruição efetivada, marcou posição na quarta-feira, da semana passada, e nesta segunda-feira com manifestações públicas. Ao mesmo tempo acionou o Ministério Público Estadual e recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

 

Daí a Promotora de Justiça Teresa de Almeida Prado Franceschi e da Analista da Promotoria I Natalia Rosa Pelicciari ajuizaram ação civil pública contra o Munícipio de São Paulo, Monterey Incorporadora SPE Limitada e Guaira Materiais de Construção e Administração Ltda. Com o objetivo de apurar os danos causados em meio ambiente protegido. E,impedir que a devastação continue em outras partes da área.

 

De outro lado, a causa acolheu o reforço do vereador Gilberto Natalini do PV, e ex-secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente da atual Administração. Natalini, quando secretário, procurou cassar a licença do empreendimento, mas a municipalidade julgou que não tinha direito legal para tanto. Natalini em agosto saiu da equipe de João Doria por suspeitar de compensações ambientais efetivadas de forma irregular.

 

Gilberto Natalini mantendo o apoio à causa entrou com Ação Popular, com pedido de liminar.

 

A expectativa é que as liminares encaminhadas possam ter a mesma eficiência e rapidez que os tratores e moto serras tiveram ao derrubar árvores e destruir nascentes.

 

A esperança é que se possa recuperar através de novo plantio a exuberância da mata perdida.

 

A dúvida é que se o dito popular “A justiça tarda, mas não falha” ainda vale no combalido Brasil de hoje.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

Parque do Caxingui sucumbe a prefeitos e justiça: só resta o cidadão!

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Área onde deveria ser o parque linear

 

 

Uma área de 36 mil metros quadrados no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, contendo bioma de Mata Atlântica e nascentes da Bacia Hidrográfica do Caxingui, está liberada para a construção de cinco edifícios residenciais de 25 andares.

 

 

A autorização foi dada pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 16ª Vara da Fazenda Pública. Para o desgosto dos moradores que defenderam a criação do Parque Linear do Caxingui com o intuito de preservar um pouco de mata verde dentro da cidade. E regozijo da Cury Construtora, braço da Cyrela. Parceira da atual administração municipal.

 

 

Essas terras foram classificadas como ZEPAM – Zona Especial de Proteção Ambiental, através do Zoneamento de 2016 conjuntamente com a criação do projeto Parque Linear do Caxingui. Entretanto, no fim daquele ano, no último dia de sua gestão, Fernando Haddad, conflitando com laudo da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, deferiu solicitação da Cury Construtora para edificação de cinco torres de 25 andares. Como proprietária de parte desta área e tendo doado à Prefeitura outro tanto, argumentava que o empreendimento não afetaria o verde existente.

 

 

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Como ficaria com os prédios construídos 

 

 

A administração Doria manteve a aprovação, gerando uma série de investigações sobre irregularidades em todo esse processo. Levadas ao Ministério Público, através do promotor Marcos Stefani, o empreendimento é objeto de ação civil pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente contra a Prefeitura. Não houve liminar ainda porque a construtora garantiu à juíza Rodovalho que não iniciaria a obra até que houvesse decisão sobre o pedido apresentado pelo Ministério Público.

 

 

Surpreendentemente, a Juíza Rodovalho, sustentando que não há irregularidades aparentes no processo de aprovação do alvará que justifique o seu impedimento, liberou o início da construção. Ou, por enquanto, da destruição.

 

 

As máquinas já começaram a derrubar as árvores.

 

 

Fato que levou as entidades de moradores e ambientalistas, através do Movimento Parque Linear Caxingui a realizar hoje um ATO CONTRA A DESTRUIÇÃO DA MATA DO PARQUE DO CAXINGUI.

 

 

A jornalista Ana Aragão, uma das lideranças deste Movimento, juntamente com Lucila Knesse, e as entidades Associação Morumbi Melhor, Sociedade Moradores Butantã-Cidade Universitária e Sociedade dos Moradores do Butantã City, já perceberam que nesta tramitação, onde o interesse privado oprime o público, é preciso de mobilização para atrair cidadãos conscientes que contribuam para a defesa do progresso sem retrocesso.

 

 

Em resposta

 

(publicado em 15/10, 11h03)

 

Diante da mobilização de cidadãos que discordam da forma como o Parque do Caxingui está sendo ocupado – parte deles expôs aqui neste blog sua opinião -, o prefeito regional do Butantã Paulo Vitor Sapienza procurou lideranças do movimento. Em mensagem enviada a Wilson Donnini, diretor do Grupo 1 de jornais, inclusive do JORNAL DO BUTANTÃ, disse que está à disposição para uma reunião com objetivo de resolver esta questão. O pedido para que o encontro se realizasse foi feito pelo próprio prefeito João Doria. Aproveito para externar minha admiração a todos que se manifestaram neste blog demonstrando um espírito de cidadania exemplar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

São Paulo: Cidade Limpa deve ser referência para Cidade Linda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Há 10 anos, São Paulo era uma das raras cidades grandes do mundo em que a comunicação visual excessiva e desordenada lhe atribuía uma singularidade. Mas, extrapolava. Quase a sufocava.

 

Naquela época eu ainda guardava na memória as observações favoráveis dos professores europeus doutores na ECA USP, sobre a fantástica cultura paulistana exibida nas ruas, nos muros, nos prédios. Alguns edificados especificamente para servir de painel.

 

O desordenamento intenso e extenso, não importa se expressava a vida e cultura das pessoas que ali viviam, teve um antídoto do mesmo calibre. O prefeito Gilberto Kassab insuflado com a energia da arquiteta Regina Monteiro passaram a limpo toda a cidade. Não se detiveram pelo cultural, ou econômico, ou o social.

 

A ordem era limpar a cidade.

 

E veio a surpresa geral, o projeto CIDADE LIMPA, após um breve período de contratempos, foi um sucesso. Empresas cerraram atividades, escritórios de criação, gráficas, operários de colocação de anúncios, transportadoras, etc. deixaram de existir instantaneamente.

 

São Paulo passou de raridade de comunicação desordenada em exemplo de organização visual. Regina Monteiro até hoje é uma celebridade mundial nesta área.

 

Desde então a cidade tem conseguido manter o princípio mestre da CIDADE LIMPA, blindando-se de uma forma geral aos eventuais ataques do poder econômico, ou de interesses corporativos menores, como no caso das bancas de jornal.

 

O prefeito João Doria, recém-empossado, talvez pela eficácia da CIDADE LIMPA, deve ter se surpreendido com a retaliação à CIDADE LINDA do grupo de pichadores, das gangues de “pixadores” e de alguns grafiteiros. Afinal, está apenas indo contra os ilícitos e não está mexendo com o poder econômico.

 

Quem sabe não seria bom chamar os “universitários” ou a experiente Regina Monteiro?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O direito dos moradores dizerem o que pensam e querem na sua cidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um projeto de lei que permitia a convocação da opinião dos moradores da cidade de São Paulo no caso de grandes obras de impacto orçamentário, ambiental ou urbanístico, foi vetado pela Prefeitura.

 

De acordo com reportagem, que rendeu manchete de primeira página do Morumbi News, assinada por Diego Gouvêa, os vereadores propuseram o estabelecimento de plebiscito com 2% de assinaturas de moradores da cidade (180 mil), para decidir sobre o mérito das transformações urbanas a serem realizadas.

 

De um ponto de vista participativo e ecologicamente ativo, a Câmara começa a tocar num aspecto essencial, ao propiciar a intromissão de moradores na caixa preta das grandes obras.

 

A Prefeitura reagiu: com o argumento de que a maioria das modificações ocorre numa única subprefeitura, vetou o projeto e replicou com uma proposta de intervenção local para moradores locais. Com a exigência mínima da participação de 4%, desde que a mudança afete apenas a região em que habitam.

 

Haddad complementa sua contraproposta colocando que no segundo mês de mandato o Prefeito apresente o Plano de Metas e o Plano de Obras Públicas para, em até 120 dias, os moradores (2%) especificarem suas posições de exclusão ou inclusão de obras.

 

O Prefeito ao vetar restrições gerais e dar participações regionais de qualquer forma dá uma boa contribuição quando foca o plebiscito local.

 

É evidente que o melhor para a cidade é que os Projetos, da Câmara e da Prefeitura, se somem. Se ambos forem implantados, estarão recebendo contribuições dos moradores e a favor dos moradores. Como sabemos, quem mora tende a preservar o seu meio ambiente.E parte deles estará sempre atento às ameaças.

 

Por exemplo, na segunda feira, Giba Jr. apresentou, na Folha, a luta que moradores da Cidade Jardim estão travando contra um edifício já pronto, de apartamentos que chegam a R$ 16 milhões. Ao lado das irregularidades oriundas da Operação Urbana Água Espraiada, apontadas pela Promotoria, há o desejo de preservação dos moradores locais que pretendem manter a privacidade de suas casas a serem devassadas pelo edifício e o sossego prestes a ser perdido.

 

Eis aí um tema e tanto para os candidatos a Prefeito.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.