De armadilha do mundo moderno


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Armadilha do mundo moderno” na voz da autora

De armadilha do mundo moderno

armadilha do mundo moderno

o que é o que é
o tal do mundo moderno
armadilha sei o que é
e dela corro
se preciso o caminho de volta percorro

armadilha prende
de um jeito que a gente não entende
pega você distraído
olhando para fora e bobeou
acaba destruído

me pergunto daqui pergunto de lá
ansiosa para entender
fui com francisco falar

do saber dele
do que ele sabe eu sei um cisco

mas não me intimido e com meu parco cisco
papeio horas sem fim
com o amigo francisco

disse eu a ele sobre a vida moderna
no seu conceito ainda me enredo
o que era moderno um dia
é antigo velho e bolorento cada dia mais cedo
e isso me põe medo

a modernidade você percebe
tem prazo curto de validade
mas mesmo assim
transforma em velho e inútil
tudo aquilo que a antecede

vem vestida de criação
mas o que faz na verdade
é pura destruição sim senhor
aniquila sem dó nem piedade
a modernidade anterior

nada sutil se insinua
arrebanha você e eu
e a gente se rende, sorrindo contente
se sentindo então mais gente

e enfim no pensa daqui pensa de lá
sabe onde é que fomos chegar
direto e sem pestanejar
no moderno celular

foi a conclusão a que chegamos
um vilão da vida moderna
que encontramos

faz-se dele
Deus portátil
o investimos de divino
divino de drive-through
volátil

da nossa ansiedade por controlar
e controlar
por ele alheios nos deixamos dominar

digo ainda para você
e digo também para mim
que se não dermos um basta
triste será o fim

então incito homem mulher e criança
joguemos pois no lago
a certeza levando o celular do lado
e riremos todos o riso da leveza da bonança

deixemos a pressa ir
e com ela o que a vida moderna
tenta à força definir

então você e eu
flutuando na paz do silêncio do celular
vamos cantar abraçar e beijar
que tal

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, recebe mensagens, não no celular, mas aqui no Blog do Mílton Jung

5 comentários sobre “De armadilha do mundo moderno

  1. Alguém me disse Malu, que a conta de água a ser bebida todos os dias é a própria sede.
    O trabalho, o consumo, o prazer, a dor também devem ter as suas próprias medidas e cada um é que sabe da sua. Nunca tomei demais ou de menos sem ter que arcar com algum tipo de conseqüência. Acho que o erro da vida moderna é fazer crer com propaganda, que alguém será menos ou mais se for a uma prateleira e pagar por um produto. Não há limite para a propaganda, por que não há limite de acúmulo para quem vende. Não quando o bom senso pode também ser comprado.
    Mas o maior de todos os erros é acreditarmos em um botão de automático e esquecermos de tomar conta de nossa vida e assim não escutarmos nem a medida da sede nem a medida da fome que só podem ser encontradas, em cada um de nós.
    Ou seja, se a alma não for pequena, não é que até o celular vale à pena!!!!?!
    Obrigado pela reflexão Malú.

  2. Sérgio,

    reflexão?
    meditação?
    introspecção?
    Transformam-se, numa velocidade alarmante, em fósseis dignos de visitação em museu.

    Meu iPhone se atirou no vaso sanitário, e eu já providenciei o próximo celular, desta vez um Motorola. Acontece que esta semana sem um apêndice eletrônico me fez muito bem, e eu repensei o assunto.

    Concordo com você em gênero número e grau. Tenho facas em casa, e nem por isso saio por aí esfaqueando seres vivos.
    Bom senso deveria fazer parte da lista aí de cima, não acha?

    Vamos ver se realmente consigo domar, em mim, o impulso coletivo de dependência do tal equipamento.

    Conto mais adiante.

    Beijo e boa semana pra você,
    ml

  3. Consumo, ganância, ansiedade, desenfreados.
    Pressa, correria, quase nos matamos de tanto stress para tentar fazer tudo ao mesmo tempo, para poder comprar tudo que vemos, assistimos.
    Todos parecemos o coelho da estória Alice no País das Maravilhas”
    É tarde, é tarde ,é tarde!
    Todos, de forma doentia correm atraz das ultimas novidades tecnologias, para ver “quem chega primeiro”

    Mas quanto desperdício de energia!

    Mandou bem Mike Lima!

    Boa semana!
    Com céu cavok!

    Armando Italo

  4. Armando Ítalo,

    A gente procura, procura e acaba se perdendo.
    Perdemos todos!

    Eu ando perdendo paciência e esperança e encontrando muita, muita tristeza.

    Ando muuuuuuuuuito cansada!

    Beijo e céu cavok pra vc também,
    ml

  5. OI nossa querida escrivinhadora
    Mike Lima

    Realmente, em muitos momentos nos sentimos cansados, desanimados, perdemos a paz / ciência, a esperança, nos deparamos diariamente com muitas tristesas.

    E isso tudo realmente é muito triste sim!

    Mas os nossos “vôos da vida” tem que continuar, ora estabilizado na imensidão do céu azul, ora tendo que enfrentar muitas e muitas nuvens CBs pela proa, nos metendo em fracas, medias, fortes e fortíssimas turbulências.
    Muitas veses, “no meio de uma grande turbulencia”, na pressa, na ansiedade, extremamente preocupados com a segurança do nosso voo, nos esquecemos de conferir novamente os “nossos radares metereológicos” e dai quando vamos nos dar conta o estrago foi maior do que imaginávamos.

    “E vamu avuando!”

    Armando Italo

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