Um minuto de silêncio e o barulho autofágico

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O silêncio, assim como um som de qualidade, é uma situação altamente apreciável e prazeirosa. É, sem dúvida, o cenário recomendável para uma vida confortável e saudável — e propício até para o seu prolongamento. Seu oposto, ou seja, o barulho, pode tornar a existência conturbada. Além do que, a concentração, elemento fundamental na realização de importantes tarefas mentais e físicas, necessita essencialmente do silêncio.

 

O artigo “Um minuto de silêncio” de Mílton Jung, aborda de forma descontraída, a difícil busca pelo silêncio e a sua luta para encontrar um momento real sem interferência de som. Por coincidência, eis que, ao ler a mensagem de Mílton, estou encurralado com o pior som nesta São Paulo, deste Brasil, outrora chamado de Terra do Pau Brasil: o som de serra elétrica cortando árvores.

 

Há três dias, com intervalo no Natal, na mesma área geográfica da “Revolta dos Eucaliptos”, eis que em dois lotes — 121/122, quadras 168 CEP 047703-004 — na Av. Morumbi, serras elétricas agem com o objetivo de derrubar todas as árvores do terreno. Defronte da ex-mansão de Baby Pignatari, onde ficou com a Princesa Ira de Fürstenberg, e a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes.

 

Por infelicidade, dois ícones que correm riscos. O terreno da ex-mansão, feericamente arborizado está a venda. O Palácio dos Bandeirantes, inserido em belo espaço verde, de tempos em tempos enfrenta governadores que não querem viver ali ou que desejam mudar a sede do governo.

 

Voltando ao som das motos serras, já foram derrubadas aproximadamente 50 árvores cujo terreno ostenta placa autorizando ação da empresa “Everaldo Andrade Freire Poda de Árvores ME” pelo TAC 247/2018.

 

Insuflado pelo agressivo som do corte de árvores, não é difícil pensar imediatamente no conflito entre o meio ambiente e a ocupação adensada do solo. Enquanto o mais equilibrado seria o racional, respeitando os limites de cada posição, o incongruente protagoniza o conflito. Nesse caso, por exemplo, o interesse daqueles que virão a ocupar este terreno certamente foi despertado pelo verde que o bairro do Morumbi ainda oferece. E a primeira coisa que faz ao chegar é derrubar todas as árvores.

 

É um sistema autofágico. Assim como todas a ações que levam às motos serras. A ponto de, no futuro, atraírem sons muito piores que aqueles que emitem. Pois, se continuarem neste ritmo e nesta expansão por todo o país, teremos em breve no Brasil os sons de tornados e maremotos, atraídos pelas acentuações climáticas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

SP: Metrópole mal-amada

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Não bastasse o desejo de fuga da maioria dos seus habitantes, comprovado através de recente pesquisa, eis que um novo levantamento de opinião revela que mais de 60% dos moradores de São Paulo acreditam que José Serra irá abandonar novamente o cargo de Prefeito, se eleito. E, ainda assim o tucano lidera as intenções de voto.

 

Provavelmente é a expansão da síndrome de Estocolmo, já detectada na assimilação dos efeitos nefastos do trânsito congestionado quando há uma inexplicável inércia e, simplesmente, não há reação por parte da população paulistana.

 

As antigas manifestações do poeta Paulo Bonfim, as notas compostas por Caetano Veloso, as letras de Billy Blanco, as músicas de Adoniram e Rita Lee até as atuais manifestações de Gilberto Dimenstein, todas declarando de algum modo o bem querer pela maior cidade da América Latina, não foram suficientes para sensibilizar esta gente que aqui vive.

 

Tudo indica que a usam como Serra e Kassab fizeram. Serra abandonou a Prefeitura negando a própria palavra verbal e escrita. Deixou Kassab como herança, que conseguiu o feito de montar o quarto maior partido do país sem precisar de nenhum voto. Feito e tanto, pois, além disso, seu conceito é não ter conceito. Fato que acaba de ser provado ao desmanchar o noivado com o PT e cair nos braços de José Serra.

 

Muito se tem comparado São Paulo a New York, mas é bem provável que nem que Frank Sinatra cantasse a cidade ou Woody Allen a filmasse o amor apareceria.

 

Certamente a sina paulistana não vem da brasilidade. Provavelmente da falta de identidade e de má civilidade. Observemos que dentre os dez motivos mais citados para não morar em São Paulo, todos eles seriam administráveis através de boa cidadania:

 

1. Trânsito. 2. Pessoas mal-educadas. 3. Rios poluídos. 4. Pedintes, drogados. 5. Impostos elevados. 6. Fila para tudo. 7. Motoboys, buracos, obras. 8. Assaltos e violência. 9. Prioridades erradas do governo, como proibir bicicleta em parque, proibir feirante de gritar, proibir outdoor. 10. Poluição do ar.

 

E, lembremos-nos do recado de Billy Blanco em “Capital do Tempo”:

 

Paulista é quem vem e fica!

 


Plantando família e chão!

 


Fazendo a terra, mais rica!


 

Dinheiro e calo na mão!…

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketin de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Não comento pesquisas

 

Comento, sim.

Então, o porquê do título acima ? Apenas reproduzo o que disseram os dois principais candidatos – que chamamos burocraticamente de pré-candidatos -, Dilma e Serra, sobre o resultado da pesquisa CNI/Sensus, que demonstra empate técnico, apesar do percentual da petista ser maior do que o do tucano.

No Ceará, José Serra sacou do livrinho de bom comportamento a explicação de que manteria postura adotada desde o início, ou seja, não falaria sobre o resultado. No Rio, Dilma Roussef usou do lugar-ainda-mais-comum da política: “pesquisa é uma fotografia do momento”. Não fosse o sorriso maroto daquele que aparece com vantagem, talvez até pudéssemos acreditar neles.

A verdade é que cada novo número divulgado, mesmo que de institutos pouco confiáveis no mercado, provoca um reboliço no quartel general dos candidatos. Seja sob a desconfiança de quem está em baixa seja na satisfação de quem está por cima, os coordenadores de campanha traçam suas estratégias a partir das pesquisas. Trocam roteiros de viagens, remarcam entrevistas que haviam sido deixadas de lado, pedem socorro a conselheiros ou programam factóides para o dia seguinte.

Nas equipes têm especialistas para desmembrar os números e identificar de onde vem a preferência ou a rejeição do eleitorado. Encomendam pesquisas internas com diferentes temas e formatos para chegar a resposta do que o cidadão quer. Preocupam-se de tal maneira que exageram na dose e pasteurizam os discursos e os candidatos. Os programas de governo são a maior prova disso. Leia sem saber quem é o partido e perceberá o que digo.

Tornam-se tão iguais que até mesmo ao comentar as pesquisas assumem o mesmo comportamento: não comentam – ou quase não.

De minha parte, prefiro prestar atenção na linha do tempo bem mais do que o número publicado. Se este nos dá uma fotografia do momento, aquela nos oferece a radiografia do comportamento do eleitor. Por isso, o trabalho que o jornalista José Roberto de Toledo realiza no Estadão é bastante significativo ao combinar os levantamentos feitos pelos principais institutos de pesquisa e apresentar a média das intenções de votos que, após a inclusão dos dados de Sensus e Vox Populi, mostram que Dilma se aproxima de Serra.

Nos próximos dias tem Datafolha a pesar sobre a cabeça dos candidatos (e sobre o emprego de seus assessores) quando poderemos identificar melhor se Dilma chegou para ficar ou Serra assim que voltar à TV descola, mais uma vez.

Seja qual for o resultado, sem comentários – dirão os candidatos.

A moda na política

 

Por Dora Estevam

Candidatos

Agora é assim: a roupa da Dilma, a roupa do Serra, a roupa da Marina. Os três maiores candidatos à presidência do Brasil estão em destaque, e o país comenta a vestimenta. Uma por que usa roupa larga demais, a outra que deveria se vestir mais formalmente e o outro que não tem gosto pela gravata.

Já falamos aqui nesta coluna da liberdade de se vestir, do respeito ao tipo físico, do respeito ao gosto pessoal de cada um. Por que os políticos deveriam se vestir “melhor” do que já se vestem ou mudar seu estilo ?

Veja Michele Obama, a primeira dama dos EUA se destacou pelo diferencial, até o estilista de jóias que ela usa ficou famoso, e ninguém o conhecia, ou nem tanto.

Há algum tempo o presidente Lula disse que a ministra Dilma deveria se vestir com roupas mais , formais. Desculpe-me, presidente ! O senhor está dando corda para ela se enforcar. Em minha opinião, Dilma tem de se vestir do mesmo jeito que sempre se vestiu. A mudança de visual acontece gradativamente na vida das pessoas, não é porque ela é candidata que vai mudar o estilo. A vestimenta está ligada a personalidade. Se você muda algo repentinamente ninguém vai entender nada. E a própria pessoa não vai se sentir à vontade.

Além do que todos os três já são bem velhinhos para determinar mudança de personalidade.

A candidata Marina Silva é um outro exemplo. A mulher tem lá o estilo dela toda natural, com toque clássico antigo, naquelas pantalonas com um ar natural realçado nos colares feitos na Amazônia, ou seja, vai mudar pra quê? Ela me parece se sentir confortável nas peças.

E o Serra? Há quanto tempo ele está na política e há quanto tempo ele se veste desta maneira sem afetar ninguém. Não tem que exagerar em gravata colorida para agradar as pessoas. Escolher gravata não é uma tarefa fácil para nenhum homem. E além do mais o que há de mal em uma camisa azul e uma calça bege? É só dar uma voltinha pelos shoppings de SP que você vai encontrar centenas deles.

Em entrevista esta semana, um estilista comentou sobre os ombros do Serra. Disse que são pequenos e parece que se der um vento ele vai cair. Para com isso, só falta agora querer que o homem faça musculação ou lute boxe.

Ele sempre teve este tipo físico e não há registro de tombo por ai.

Essa mania de querer mudar já era, não dá certo. Ninguém está elegendo princesa, muito menos rainha, nem tão pouco um príncipe. Estamos escolhendo um presidente para governar um País. Deixa fluir, não mexe não.

Quer saber, essa coisa de querer mudar o jeito da pessoa é bem cafona. Estão querendo transformar uma ex-guerrilheira e uma ex-seringueira em Costanza Pascolato; e o um eterno político em Reinaldo Gianecchini. Esquece. Elas (e ele) merecem se produzir, ficarem deslumbrantes, mas na maneira deles.

Agora, o que pode ser feito – e o que sempre acontece nestas ocasiões – é na hora da posse e nas relações futuras, contratar um estilista que entenda a personalidade da pessoa e apresente propostas coerentes com o estilo dela para escolher os tecidos, cores, dar um acabamento melhor na roupa, mas não mudar a personalidade. Isso, definitivamente, está fora da moda.

E o povo quer solução, não ilusão.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Direitos dos pré-candidatos

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Inicialmente disseminada entre partidos políticos e meios de comunicação, a referência às “pré-candidaturas” como forma de identificar aqueles nomes que provavelmente disputarão os cargos da eleição se estendeu à legislação. A Lei Federal nº 12.034 define que a participação de pré-candidatos em entrevistas, programas, encontros ou debates de rádio, televisão e internet, inclusive com a exposição de plataformas e projetos políticos, sem pedido de votos, não caracteriza propaganda antecipada.

Em função das informações e do interesse público que refletem nos veículos de comunicação, o Tribunal Superior Eleitoral, através do seu poder normativo de disciplinar questões que julga convenientes, já havia reconhecido tal figura. Sem dúvida, esta liberdade de espaços públicos reforça a transparência e realidade que deve predominar num processo eleitoral com a envergadura deste de 2010. A possibilidade da realização de programas de debates ou entrevistas entre pré-candidatos pelas empresas de rádio e televisão dá um caráter realista à discussão política. Afinal, desenvolver comentários ou críticas sobre a administração pública sem pedir votos ou declinar virtudes aptas a influenciar o eleitorado não caracteriza propaganda eleitoral antecipada. Aliás, repressões judiciais neste setor evidenciam o aspecto irrealista da norma eleitoral vigente, a ponto da mesma conter determinações que agridem a própria natureza dinâmica da vida política.

De outra parte, este mesmo TSE, que em 2006 condenou um eleitor paulista pela criação de uma página de apoio a Geraldo Alckmin, ao que tudo indica, tolerará a profusão de sites e blogs relacionados aos pré-candidatos. Uma brevíssima navegada e o eleitor encontrará endereços de José Serra (Eu quero Serra; José Serra Presidente 45), Dilma Roussef (Dilma13, Dilma Presidente) e Marina Silva (Movimento Marina Silva) sendo diariamente atualizados e aperfeiçoados com diversos links estimulando a participação do internauta em pesquisas, opiniões, criação de redes, comentários, opiniões, etc.

Não há menor dúvida de que estes endereços eletrônicos fazem indisfarçada apologia e propaganda pessoal dos nomes cogitados para disputar a eleição. Por outro, não há como inibir a ação de simpatizantes ou apoiadores, até porque, em decisão recentíssima (17.03.2010), o mesmo TSE disse que isto é algo que “decorre de terceiros” e não diretamente do interessado.

Para este longo período intermediário compreendido entre as desincompatibilizações (abril) e convenções partidárias (junho), a lei ainda permite a realização de encontros e similares em ambientes fechados, às expensas dos partidos, para tratar da organização dos processos eleitorais, planos de governos ou alianças partidárias visando às eleições, bem como a realização das prévias partidárias.

Estas permissões se estendem aos parlamentares candidatos à reeleição que permanecem no exercício de suas prerrogativas, que podem manter blogs, sites pessoais e seus perfis nos portais legislativos, bem como enviar seus boletins e participar de programas de rádio e televisão acerca de suas atividades. É um plus legalmente previsto. Afinal, não se pode punir os parlamentares dedicados e coerentes em função daqueles inúteis e parasitas.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Eles não usam Black-tie

 

Por Carlos Magno Gibrail

Filme1981 & Greve2010

Do sucesso teatral da peça “Eles não usam black-tie” em 1958, passando pela consagração cinematográfica em 1981 numa interpretação da realidade brasileira pós-64, encontramos nessa sexta feira atuação real do mesmo cenário, sem encenação. Do ABC para o Morumbi. E ainda mais algumas diferenças nos protagonistas, que de operários e ditadura, passaram a professores e democracia.

Entretanto, não conseguimos a elucidativa análise de Gustavo Wagner do El Porteño sobre “Eles não usam black-tie” como película, então, internacionalmente aclamada: “Surpreendente a forma com que Hirszman concretiza a tão buscada síntese entre o intelectual e o popular, entre a ideologia e a arte”.

Algumas certezas, porém, afloram no mundo real, pois o salário inicial de um professor em São Paulo é de R$ 1.830,00 para 40hs/aula, enquanto outras profissões embaladas e embasadas por forte corporativismo e lastreadas em áreas do poder judiciário e legislativo chegam a R$ 18.000,00.

Sabemos que Educação, Saúde e Habitação são fundamentais para o efetivo desenvolvimento de uma nação, mas não soubemos até hoje implantar plenamente este trinômio da cidadania.

O Brasil, 8ª economia do mundo, é pela UNESCO a 88ª em educação. Algo está errado! Dos US$ 1,6 trilhões do PIB em 2008, investimos 3,5%, quando 5% seriam o mínimo. São Paulo, do orçamento de R$ 126 bilhões para 2010 alocou 16 bilhões para a Secretaria da Educação, fora os investimentos do Governo Federal. Ainda assim não são suficientes às demandas de instalações, operações e recursos humanos.

O movimento grevista encabeçado pelo APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, através da liderança de Maria Izabel Noronha, em matéria ontem na Folha, reivindicou melhoria das condições de trabalho, piso salarial e fim da avaliação dos professores.

Paulo Renato Souza, secretário da Educação, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, defendeu a avaliação, que propõe resolver os desejos dos professores, aumentando eficiência, ganhos e consequentes condições de trabalho. Segundo ele, na medida em que assiduidades, tempo de permanência e provas são levadas em conta, e a análise é em função da diferenciação na própria escola e não no resultado absoluto, o índice obtido é real e imparcial.

Os professores Cesar Minto da USP e Neide Barbosa Laisi da PUC, entrevistados do Mílton Jung, criticam a avaliação porque os alunos são diferentes, assim como as condições de trabalho. Faltam bibliotecas, laboratórios, materiais, etc. E, o ponto de partida será sempre diferente para cada avaliação.

Os deputados Carlos Gianasi do PSOL e Milton Flávio do PSDB mantiveram opinião na rádio CBN, respectivamente, a favor e contra a tese dos professores. Gianasi acusa a existência de 75 escolas de lata, de um sistema de avaliação ruim, que o professor é responsável e não quer greve, que o governo não negocia e não dá atenção, e que as premiações com comissões e bonificações excluem o salário base e os aposentados. Milton Flavio defende a avaliação e os bônus que atingem 33% dos 210.000 professores e pode corresponder a três salários a mais, e que os totais dos recursos na educação podem chegar a 30% do orçamento.

Num período de predominância de administração PSDBista, onde surgiram percalços dos professores com Mário Covas, Franco Montoro e agora com José Serra, é nítido que Covas e Montoro, embora respectivamente com tapas e grades palacianas derrubadas, altivamente enfrentaram, confrontaram e resolveram com atenção direta os grevistas. Serra e seu Secretário, ainda que protegidos pela lei que impede manifestações nas imediações da sede do governo, não se apresentaram. Professores e governantes ofereceram, então, um espetáculo cujos papéis fugiram do script civilizado e reproduziram o que se viu no cinema.

Peça importante para explicação desta volta à cena do cenário da ditadura em plena democracia, Gabriel Chalita secretário da Educação do governo Alckmin, hoje no PSB, concedeu-me entrevista onde solicitei que explicasse por que em tão pouco tempo este destempero do professorado. E Chalita acredita que as reivindicações, que as considera corretas, poderiam ser administradas através de negociação pela autoridade, capacidade e boa vontade de Serra e de Paulo Renato. Até o confronto com os policiais poderia ter sido evitado.

Cunho político e avaliação predominam nesta composição de antagonismos. A atribuição política aos atos dos professores é tão evidente, mas camuflada quanto à resposta de João Havelange ao Presidente João Goulart, citado ao jornalista Roberto Kaz para a revista Serafina: “Não trabalho com política”. Ora, sabemos que Havelange fez e faz política a vida inteira.

Quanto à avaliação, boa lição está contida no best-seller Freakonomics, do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen Dubner, no qual afirmam que os sistemas de incentivos devem tomar cuidado com as doses e com os trapaceiros.

Uma escola de Israel tinha problema com atraso de pais para retirada dos filhos e resolveu multá-los. O pequeno valor estabelecido incentivou os atrasos, pois compensava financeira e moralmente. As escolas de Chicago estabeleceram provões para avaliar os alunos em testes de múltipla escolha, cujos resultados poderiam premiar ou punir os professores. Salvo uma descuidada professora que escreveu as respostas no quadro da sala de aula, e alunas adolescentes alegremente contaram em casa que o provão tinha sido um sucesso, os demais professores trapacearam respondendo eles mesmos as questões. Foram pegos por algoritmo que descobriu sequências impossíveis de acontecer, como todas as perguntas difíceis corretas e as fáceis erradas.

Como se vê, a situação não é simples nem fácil, mas na Educação é conveniente que em casa de ferreiro o espeto seja de ferro. Educação se resolve com Educação.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras e nunca deixa de fazer a lição de casa.

A mania da camisa azul

 

Dialogo Serra Twitter

A conversa acima rolou no Twitter entre o Governador José Serra (PSDB), de São Paulo, e uma seguidora, e chama atenção para um hábito comum entre os homens: o uso de camisas azuis.

Pela elegância e praticidade, dividem a preferência masculina com as camisas brancas. O que muda no azul é o leque de tons que vai do mais claro ao mais escuro, diz a empresária Denise Rocha, uma das  proprietárias da Camisaria Rocha, das mais antigas de São Paulo, no mercado desde 1914.

Neste caso, para que discordar, certo?

Denise lembra que existem vários padrões de cores e tecidos no mercado, mas o azul combina muito bem com todas as cores de ternos: preto, cinza escuro, azul marinho.

Na Rocha, as camisas são feitas sob medida. A agenda é engrossada por executivos da área financeira e advogados. E Denise explica com autoridade: “O homem é mais exigente do que a mulher, ele quer ver a camisa bem cortada, saber se está bem alinhada, nada pode sair errado … Eles também são  vaidosos, se preocupam com o tecido, caimento, o pesponto do colarinho”.

O homem não tem tanta variedade como as mulheres no guarda-roupa e a camisa é uma peça clássica. Para diferenciá-las existem os acessórios: punho duplo, monogramas, abotoaduras – siiiim, elas são muito usadas e você encontra no mercado uma mais linda do que a outra.

Comprar várias camisas da mesma cor também não é exclusividade de Serra. A empresária tem cliente que pede para que sejam feitas 10 camisas da mesma cor (branca) que são numeradas para evitar o risco de repetir a camisa dias seguidos.

Há o que sempre encomenda duas brancas, duas listradas e duas xadrezes. Motivo ? Como tem muitas reuniões fora, Rio, Brasília e … enfim, ele manda entregar uma de cada modelo no hotel no qual ficará hospedado. Assim as camisas chegam primeiro, impecáveis, passadinhas … prontas para vestir. Muito prático (e excêntrico).

Taylor Lautner em GQNa história da camisa houve pouca mudança. Antigamente, era caseada para abotoamento na cueca e perto do peito tinha um furinho onde se colocava um broche com as iniciais do dono. Nos anos 1970 e 1980, foram as camisas mais larguinhas, hoje são as mais justas, ensina Denise.

Claro que se você não tem barriga de tanquinho, igual a de Taylor Lautner aí ao lado, nem adianta tentar, vá logo na modelagem mais larga para não passar ridículo.

Eu já vi mulher comprar coisas do mesmo modelo em cores variadas, mas o mesmo modelo e a mesma cor, jamais. Estes homens tem cada mania !

A propósito, quantas camisas azuis você tem no seu guarda-roupa ?

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

N.B (nota do blogueiro): O que Serra não conta é que mais do que prevenção ao erro as camisas azuis são as preferidas no guarda-roupa dos tucanos pois combinam com a calça amarelo-clara, conjunto que lembra as cores do PSDB.

Recrutamento e seleção para presidente do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

Está chegando a hora de escolhermos o próximo presidente. É um grande momento, pois temos a chance de votarmos em alguém que venha corresponder aos nossos desejos para o país.

Numa empresa privada a área de Recursos Humanos acionaria um processo de recrutamento, levantando os potenciais candidatos. Neste ponto, é importante neutralizar ao máximo juízo de valor e preconceitos para que o recrutamento seja o mais amplo possível. Na política é mais difícil e, portanto, torna-se muito necessário este cuidado.

No caso Brasil temos os seguintes nomes:

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Ciro Gomes: Paulista, advogado. Mudou-se para Sobral, no Ceará aos 5 anos. Ingressou no PDS em 79. Foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará. Em 84 foi para o PMDB em 89 para o PSDB. Foi Ministro da Fazenda do gov. Itamar Franco. Em 97 foi para o PPS. Ministro da Integração Nacional.

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Dilma Roussef: mineira, graduada e mestranda em economia. Ministra Chefe da Casa Civil. Estudou no Sion, integrou organizações de luta pós 64. Esteve presa de 70 a 72. Foi para o Rio Grande do Sul, participou da fundação do PDT. Lá foi Secretária Municipal da Fazenda de Porto Alegre, e Secretária Estadual de Minas e Energia. Filiou-se ao PT no período em que integrou o gov. Olívio Dutra. Está com Lula desde a campanha de 2002.

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José Serra: Paulistano, economista, governador eleito pioneiramente em primeiro turno, deputado federal, Senador, Ministro do Planejamento, Ministro da Saúde, Prefeito de São Paulo. Foi presidente da UEE e da UNE quando cursava Engenharia na Poli. Pós comício na Central do Brasil em 64, refugiou-se na Embaixada da Bolívia, 3 meses depois foi para a França onde ficou até 65. Foi para o Chile onde ficou 8 anos. Refugiou-se na Embaixada da Itália. Depois foi para os EUA voltando ao Brasil em 78 antes da anistia.

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Marina Silva: Acriana, pedagoga nasceu num seringal em casa de palafitas, queria ser freira, analfabeta até os 15 anos, historiadora, professora de ensino médio. Ingressou na política pelas mãos da igreja católica, pertenceu a movimentos sindicais, fundadora da CUT filiou-se ao PT em 86. Foi vereadora em Rio Branco, Deputada Estadual, Senadora, Secretária Nacional do Meio Ambiente e Ministra do Meio Ambiente.
Quando Vereadora devolveu benefícios a que tinha direito no cargo.
Deixou o Ministério e o PT por perceber que estava perdendo poder. Necessário para sua gestão. Será candidata pelo PV.

Baseando-se nas pesquisas de opinião atuais, podemos considerar como efetivos ao segundo turno Dilma e Serra. Supondo que conseguiremos controlar o juízo de valor, analisemos PT e PSDB.

O PSDB defende que o governo Lula teve sorte ao pegar um período global favorável e por ter herdado a economia organizada por FHC, privatizações efetivadas, inflação controlada e contas em dia.

O PT apresenta números sociais significativos com inserção ao consumo, mas pintados com a ideia do “nunca antes neste país”. Além da intensa e inédita aprovação de Lula nas pesquisas de opinião, como também das premiações de jornais internacionais e entidades mundiais.

Entretanto FHC falhou no desenvolvimento da economia e no social. E, não teve destaque internacional inerente à importância brasileira. Lula inchou a máquina do governo, com percentuais de 2 dígitos, quantitativa e qualitativamente. Hoje o funcionalismo público é mais bem pago do que o privado.

A verdade é que acertos e erros estiveram nos dois lados.

Assim como nas pessoas de Dilma e Serra vamos encontrar áreas a considerar e ponderar.

Dilma promete a continuidade da economia, propõe semana de 40 horas e mais liberdade para os Sem Terra. Serra pode mudar a política econômica, optando pela corrente heterodoxa e não liberdade do Banco Central. Entretanto, parece que ambos tem algo em comum, são mandões.

Que a diferença da boa situação econômica atual e suas perspectivas, com inflação baixa, reserva de US$ 230 bilhões, produção e emprego crescentes, comparadas com outras eleições, possa também mudar a abordagem dos candidatos. Focando nos programas e não nos ataques pessoais.

É o que os principais órgãos da imprensa e os jornalistas de expressão começam a exigir dos candidatos. Como cabe a eles grande responsabilidade sobre o direcionamento dos debates, esperamos que melhorem este aspecto. Dos eleitores, a expectativa é que possam discernir melhor, controlando preconceitos e juízo de valor. E, argüir a respeito de tópicos que cada eleitor considere importante, tais como voto obrigatório, financiamento das eleições, educação, saúde, segurança, aposentadoria, saneamento básico, impostos, etc.

Por que não adotar um candidato a presidente e depois o próprio? Já tivemos vereadores revoltados com a adoção. Antes da eleição é o melhor momento para consolidar esta disposição. Vamos à luta?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Não basta governar, tem de parecer e comparecer

 

Kassab no Aliás

Sempre atento ao que sua área de marketing e comunicação indicam, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) errou feio na administração da crise provocada pela enxurrada das últimas semanas. Demorou para reagir no dia do temporal que parou a cidade a ponto de ter aceitado participar de evento de lançamento do torneio internacional de futebol feminino, enquanto milhares de paulistanos eram reféns da falta de estrutura da cidade. Ao falar, já quase ao meio-dia quando boa parte dos moradores havia perdido a terça-feira, tentou negar o que as imagens escandalosamente mostravam na televisão: a cidade vivia um caos.

Dias depois, novo tropeço de comunicação. Abandonou o Jardim Pantanal a sua própria sorte e ao ser cobrado pela sua ausência justificou que havia visitado a área três vezes. De helicóptero. Pior é que olhando lá de cima, avaliou errado ao sugerir uma impossível estratégia de sugar a água que teve de ser cancelada um dia após sugerida.

“Economista e engenheiro, Kassab reagiu de acordo com os parâmetros dessas profissões e com a mentalidade de sua classe social. Ao fazê-lo, expôs o abismo que não raro separa o poder e o povo”

A opinião é do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP José de Souza Martins publicada em artigo no caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, deste domingo.

Martins também compara o comportamento de Kassab com o do presidente Lula que disse querer “tirar o povo da merda”, durante evento em São Luis do Maranhão, tendo sido ovacionado apesar de se valer de expressão pouco apropriada para o discurso do maior mandante do País .

“Kassab se revelou mau ator porque seguiu à risca o roteiro de seu desempenho como prefeito, pois não compreendeu em tempo que o cenário havia sido mudado, dominado agora pelas apreensões e emoções do desastre. Nem sempre os governantes entendem com a rapidez necessária a pauta cambiante do poder para falar e agir de conformidade com a conduta que o momento pede e a única que pode ter sentido naquela circunstância. Lula, por seu lado, revelou-se bom ator, ainda que incorreto na expressão que usou, justamente porque violou o roteiro prescrito para quem governa”.

O prefeito de São Paulo cometeu o mesmo erro de sua antecessora Marta Suplicy (PT) que no último ano de governo, em 2004, estava de férias em Paris, enquanto a cidade encarava mais um dia de enchente. Uma falha de comportamento inexplicável para a administradora que antes era elogiada por suas aparições nos cenários de crise: incêndio em favela, bairro alagado ou deslizamentos de terra.

Apenas para continuarmos em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) também foi cobrado pelo sumiço no combate a crise no Jardim Pantanal atingido pelas águas do Tietê e pela ineficiência da Sabesp. Tinha a desculpa de que estava na Conferência do Clima, em Compenhangen, Dinamarca. Não devemos nos esquecer, porém, que em seu primeiro mês de governo também pecou pela ausência durante o acidente que matou sete pessoas no Metrô, em Pinheiros. Demorou mais de 24 horas para deixar o Palácio dos Bandeirantes e descer até o local da tragédia ali pertinho.

A “Mão de Deus” em Itaipu e no Rodoanel

Por Carlos Magno Gibrail

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No momento em que a imagem do Brasil surge com positiva ascensão, Copa 2014, Olimpíada 2016, crise econômica resolvida, eis que os deuses da política, assim como o fazem os deuses do futebol, caprichosamente se apresentaram.

Do despreparo fluminense para a luta contra o crime organizado poucos dias após a eleição carioca, ao 10 de novembro quando 88 milhões de pessoas ficaram 5hs e 47 minutos sem luz , seguiu-se apenas três dias para que o Rodoanel viesse a ocupar as páginas policiais.

E, convenhamos, desta vez os deuses capricharam, pois em poucos dias colocaram em igualdade de desvantagens Dilma e Serra os dois candidatos que deverão disputar ano que vem o lugar de Lula.

Como diria Maradona, a mão dos deuses caprichou, pois Dilma com currículo enfatizado no sistema elétrico e Serra na eficiência dos controles públicos, estão com seus pontos fortes abalados pelos episódios do apagão e da queda da viga.

Da mesma forma que nenhum de nós chamaria Dilma para consertar tomada ou Serra para fazer puxadinho, pois sabemos que não tem habilidade para tanto, esperávamos ao menos a informação da causa e o compromisso da não repetição do problema. Dilma e Lobão maus atores e Serra emparedado para explicar pela segunda vez desabamento em grandes obras, não se avexou e usa o apagão como bandeira de seu partido na campanha política.

Dos técnicos já sabemos que não foi nem intempérie climática nem outro efeito externo a causa e tudo indica que erro humano é a aparente resposta, tanto para Itaipu quanto para o Rodoanel.

Na questão da energia elétrica, J. Tannus engenheiro eletricista, contemporâneo da Light explica:

“Na década de 70, a título de exemplo, a Light Serviços de Eletricidade S.A. era a empresa responsável pelo abastecimento de energia elétrica na cidade de São Paulo. A Light, do ponto de vista técnico, era auto-suficiente. Herdeira da competência canadense, cujo proprietário era a empresa Brascan Limited. Estava estruturada para dar conta de todas as atividades necessárias para suprir a cidade de São Paulo de energia elétrica: Planejamento, Projeto, Construção e Operação de Usinas, Linhas de Transmissão, Subestações e Distribuição. Até que o processo de terceirização começou a mudar o perfil da empresa e das responsabilidades do corpo técnico. Hoje, a Eletropaulo, herdeira da antiga Light Serviços de Eletricidade, praticamente terceiriza tudo aquilo que era de competência da antiga empresa. E as conseqüências negativas são inúmeras. A principal delas, a meu ver, é a falta de engajamento e de perspectiva profissional do corpo técnico envolvido com as várias atividades ligadas ao suprimento de energia elétrica, uma vez que boa parte é mão de obra de terceiros. E isso certamente tem afetado a qualidade dos serviços oferecidos. Essa armadilha algumas empresas privadas do varejo, por exemplo, não caíram. Os supermercados tendem a verticalização apresentando marcas próprias. Alguns terceirizaram produção e segurança, mas não abriram mão do atendimento final ao consumidor”.

O Vice reitor da ESCOLA POLITÉCNICA da USP, Eng.José Roberto Cardoso, em entrevista a Daniel Bergamasco na FOLHA diz:

“Grandes construções , como a do Rodoanel, precisam de engenheiros experientes, e isso está em falta no Brasil. Há falta de engenheiros realmente bons e experimentados para a execução das obras, para antecipar os problemas que estão acontecendo e agir rápido”.

Eu tenho a impressão que o Eng. Cardoso sabe, lidando com a formação de engenheiros em uma das mais respeitáveis Escolas de Engenharia, que estes seniores estão desempregados e á disposição do mercado. Foram provavelmente demitidos por “excesso” de idade, trocados por juniores com salários mais baixos e correspondente experiência e conhecimento. É a demanda deprimida. Experiente e no estaleiro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung. Aproveitou o apagão de terça e o dominó de sexta para refletir em vez de fazer politicagem