Passeio de trólebus celebra passado de olho no futuro

 

Em comemoração aos 61 anos do trólebus no Brasil, organizações não governamentais e empresa operadora levam a população a refletir sobre a necessidade de transportes mais limpos e apresentam obras de expansão de rede de trólebus

Organizadores do passeio de trólebus

Por Adamo Bazani

Um encontro do passado com o futuro. Foi essa a tônica do passeio em comemoração aos 61 anos de trólebus no corredor que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, a Jabaquara, zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá, Diadema e São Bernardo do Campo. O evento que reuniu entusiastas e especialistas no setor de transportes, neste sábado, dia 8 de maio, é fruto de uma parceria entre a Metra (Sistema Metropolitano de Transportes Ltda), que é a empresa operadora do sistema, e movimentos sociais em prol do desenvolvimento dos transportes e da ampliação da oferta de veículos com tecnologia limpa, como Movimento Respira São Paulo, Movimento Defesa do Trolebus e Portal Via Trolebus.

Além de ser relembrada a história dos trólebus, considerados os veículos mais adequados à realidade econômica brasileira para oferecer um transporte de qualidade e sem emissão de poluentes, foram apresentadas aos participantes as obras de ampliação da rede elétrica para a colocação de trólebus no trecho do corredor entre Piraporinha, no ABC Paulista, Diadema e Jabaquara, na zona Sul de São Paulo.

O gerente de projeto funcional da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanas, que atuou em diversos sistemas de transportes do Estado, Airton Camargo e Silva, afirmou que a eletrificação do corredor é uma antiga demanda da população que é servida pelo sistema do corredor ABD e que só não se realizou anteriormente por conta da descontinuidade administrativa.

“Na época do governador Franco Montoro, no início dos anos de 1980, o Metrô elaborou um grande projeto de ‘Rede Metropolitana de Trólebus”, que não previa apenas o corredor ABD, mas diversas ligações, que devido ao grande fluxo de veículos e de passageiros, se optou por serem servidas por veículos de tração elétrica para não haver degradação ambiental. O primeiro corredor a ser construído foi este do ABC Paulista. As obras começaram em 1985. Terminou o governo Montoro, o sucessor Orestes Quércia concluiu o corredor segregado em 1988, mas não eletrificou o trecho entre Piraporinha e Jabaquara. Acontece que as administrações seguintes também não se empenharam como poderiam. Só agora vemos as obras em andamento. Na verdade é um sonho antigo da população” – comenta Airton.

Problemas na contratação das construtoras também atrasaram as obras que já deveriam ter sido feitas há mais de 20 anos.

Nova estação de alimentação

Apesar do sonho ser antigo, a eletrificação do corredor será dotada de novidades em relação aos outros sistemas existentes no Brasil. É o que explica Jorge Françozo do Movimento Respira São Paulo: “O que há de moderno será instalado nesse trecho do corredor. As subestações de alimentação são mais novas e avançadas e virá ao Brasil um sistema que já deu certo na Europa. O trecho terá Rede Flexível. É um tipo de rede aérea cujos fios que fornecem energia para os trólebus são sustentados por pêndulos. Esses pêndulos minimizam os impactos causados por variações no solo, o que possibilita menos quedas de alavancas, menor desgaste de fios e, pelo fato de a rede se ajustar mais ao movimento do veículo, é possível uma condução mais simples, com maior velocidade e segurança, principalmente em curvas, e menor desgaste dos fios”. Ele também atribuiu a demora pela eletrificação do trecho à dificuldade dos políticos se decidirem em favor do meio ambiente. “Creio que até o final deste ano, as obras estejam concluídas”.

Pesquisa realizada no corredor confirma que os usuários preferem os trólebus aos ônibus convencionais, por serem menos poluentes, emitirem menos ruído e oferecerem mais conforto.

Tanto Jorge Françozo como Airton Camargo afirmam que a tração elétrica confere maior potência aos veículos, inclusive em trechos de maior exigência do ônibus, é mais econômica, pode durar até quatro vezes mais que equipamentos de outras fontes de energia, além de trazer uma qualificação ambiental da região que servem.

O passeio também foi marcado pela solidariedade. Cada um dos participantes doou um quilo de alimento não perecível. O material será repassado para a “Casa de Lucas”, unúcleo beneficente que ajuda crianças carentes, localizado em Santo André. Mensalmente a Metra doa para a entidade 2 toneladas de papel, boa parte dos bilhetes usados engolidos pelas catracas, para reciclagem.

Adamo Bazani, repórter da rádio CBN, busólogo e costuma escrever às terças-feiras no Blog do Mílton Jung, mas não perde uma viagem sequer na história do transporte de passageiros.

12 comentários sobre “Passeio de trólebus celebra passado de olho no futuro

  1. Sim, é possível andar em um ônibus de qualidade, respirar um ar melhor, não ficar horas e horas parado dentro de um veículo…basta as autoridades quererem isto! Apoios de movimentos que incentivam a tração elétrica como solução para o problema são fundamentais, assim como o espaço na mídia que a CBN nos trás.

    Obrigado Milton Jung e Adamo Bazani.

    Abraços

  2. Está e já passou da hora dos nossos administradores públicos de iniciarem as obras e que não mudem projetos e que também, não parem as obras que estão em desenvolvimento.
    O antigo Fura Fila seria mais eficiente do que existe hoje no Expresso Tiradentes, infelizmente o que há é que não está sendo colocado na balança o bem estar da população, está sendo colocado somente CUSTOS e CUSTOS, e o que vejo é que o governo só dá tiro no pé, se esquece que por mais caro que seja o sistema trolebus, a saúde da população não existe preço, quanto é gasto de milhões e milhões de dólares por mês e por ano em saúde respiratória???? Quanto é gasto de combustivel, por dia por uma falta de investimento no transporte coletivo??? Os governantes não tem uma politica de transporte coletivo, só tem uma politica para o transporte individual, os corredores que foram construidos, sem planejamento e seccionamento de linhas, já que no projeto Sistran estava previsto que todos os corredores teriam trolebus que minimizaria os impactos visuais e de qualificação urbana nos arredores, veja Milton como é a Celso Garcia que tem uma ótima infra-estrutura de trolebus, seria perfeito corredor de trolebus, mas o que acontece, o que há é uma deteriorização desta avenida que praticamente está MORTA, e quando vc vê o exemplo que é o Corredor Verde no ABC, o quanto há de qualificação urbana nos arredores, quanto verde, quanto comercio, quanta moradia nos arredores, quanta vida, o exemplo está aí, o que basta é que o poder público pare de inventar outros modais, e investir no que já existe e aperfeiçoar, para depois se pensar em outros modais.

    Mais uma vez parabéns aos competetissimos Milton Jung e ao repórter Adamo Bazani.

  3. Olá Milton tudo bem?,Primeiramente quero dar os parabens pela excelente matéria e em 2* agradecer ao nosso amigo Adamo Bazani pela reportagem do passeio de Trólebus,concedido pela Metra,no qual eu tambem tive a oportunidade de estar presente nesse passeio,para conhecermos mais um pouco da história do Trólebus e os projetos de ampliação de eletrificação dos corredores da EMTU,Parabens ao Respira SP,a Metra por ter cedido os Veiculos para o Passeio,ao Adamo Bazani por ter participado desse evento,e a Todos que colaboraram.

  4. Os trolebus não poluem, no mundo atual nosso os trolebus são equipamentos que devem ser valorizados e ampliados para o bem estar da população.

  5. Também estive presente no passeio e gostaria de parabenizar ao Respira São Paulo e à Metra pelo excelente evento. Bela iniciativa a eletrificação do restante do corredor ABC. Gostaria que a SPTrans tomasse a iniciativa de eletrificar o Expresso Tiradentes.

    Milton e Ádamo, parabéns pela matéria e continuem divulgando notícias importantes dessa área tão esquecida dos noticiários, que é a dos transportes.

    Um abraço a vocês.

  6. Muito bom o passeio, a Metra e o pessoal do Respira São Paulo mandaram bem nessa idéia, e a eletrificação do corredor metropolitano após ficar parada por anos vai ser concluída em breve, vai ser muito bom ver os Trólebus rodando pelo corredor inteiro , excelente matéria Adamo. Um abraço.

  7. Parabéns ao Mílton Jung, ao Adamo Bazani, às ONGs, todos que prestigiam o sistema trólebus, parabéns à Metra.
    O que precisamos é isso mesmo, mais corredores ao estilo do ABC, bem adminsitrado, responsável e preocupado com o bem-estar da população oferecendo um bom transporte, não poluente, não agressivo como só o trólebus é.
    Infelizmente no Recife os corredores projetados para trólebus foram todos descaracterizados com o fim da CTU e do sistema trólebus, temos corredores planejados para trólebus mas que hoje só circulam ônibus comuns diesel. Triste cenário e sem perspectiva de mudança, nem para os futuros corredores, os quais, alguns, serão elevados.
    Parabéns aos 61 anos de trólebus, corredor verde, à eletrificação com tecnologia moderna já consagradas na Europa. Espero que na rede moderna as chaves sejam mais precisas com curvas com graus mais abertos e nas curvas também. Observem o desenho europeu, chaves de derivação em Y e montadas antes das esquinas.
    Abraços a todos.

  8. Infelizmente fiquei sabendo do passeio somente após o mesmo ter ocorrido, mas só em ter lido o Texto e saber que foi organizado pelo Respira, na região da Metra, tenho certeza que foi um Sucesso.

    E também só posso Parabenizar a Metra pela iniciativa! É disso que precisamos, de uma empresa que acredite no Sistema pois somente assim ele se re-erguerá e a Metra está fazendo isso, está re-erguendo o sistema Trólebus novamente! A SpTrans bem que poderia seguir o exemplo, mas..

    E quanto aos passeios, espero que quando houver outro eu fique sabendo antes p/ poder ir, Hehe

    Abraços..

  9. Parabens pela iniciativa, que comemora os 61 anos de trólebus de São Paulo de uma maneira que não poderia ser diferente: viajando de trólebus. Quem anda de trólebus sabe da diferença do conforto e agilidade do sistema. E fico feliz com a eletrificação do trecho entre Diadema e o Jabaquara, podendo então ser operado por trólebus.
    Infelizmente só há trólebus em São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, na Grande São Paulo, e também na cidade de Santos, no litoral paulista.
    Os sistemas devem ser ampliados e modernizados, assim, haverá menos poluição nas nossas cidades e a população é servida por um sistema de transporte coletivo de excelente qualidade. Parabéns às ONG’s e as pessoas responsáveis pelo evento.

  10. Gostaria de parabenizar por esse passeio de trólebus e pela iniciativa das Comunidades Defesa do Trólebus-Oficial e pela nova filial do Defesa do Trólebus: Defesa do Trólebus-Santos de promover e unir forças para revitalizar e recuperar o sistema trólebus em todo Brasil. Sou muito grato e fico feliz por ser entusiasta pelos trólebus que representam muito a cultura e a história das cidades de Santos e São Paulo e vamos nos unir força para divulgarmos esse passeio em Santos e convencer as nossas autoridades de Santos a ver o trólebus como a solução de salvar o nosso Planeta Terra do aquecimento global.

    abraço a todos,

    Werter de Jesus
    Defesa do Trólebus-Santos

  11. Demorou demais este corredor Diadema x Brooklin agora estendendo até Morumbi. Deve ter por volta de uns 20 anos que este corredor “não anda”. Espero que este corredor seja digamos ecológico e tendo Trólebus ou quem sabe VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) operando e sem contar o tempo de viagem que vai ser muito mais rápido.
    Abraços a todos e em especial ao amigo Adamo.

    William

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