Pré-sal e pós-ética

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Enquanto a British Petroleum, maior do mundo em petróleo, não consegue estancar o desastre ecológico no pré-sal do Golfo do México, acarretando insuperável prejuízo ao meio-ambiente americano, Pedro Simon, sucedendo ao conterrâneo e colega de PMDB-RS Ibsen Pinheiro, surge na madrugada de Brasília para brecar os ganhos de Estados produtores de petróleo, gerando contundentes prejuízos ao Rio e Espírito Santo. Mirando lucros eleitoreiros locais a si e a seus pares. Burlando a ética e a Constituição e renegando o próprio passado.

A emenda de Simon, aprovada pelo Senado propõe a divisão igualitária dos royalties entre os 26 estados da federação, desconsiderando a região onde se extrai a matéria-prima. Para compensar os estados de origem transfere à União o ônus regulador do ressarcimento.

Fere o artigo 20 da Constituição que estabelece a compensação ao estado fornecedor e desafia a ordem jurídica, pois entra em contratos já estabelecidos e os desconsidera.

Se o presidente Lula vetar terá 24 governadores e respectivos prefeitos contra, se não vetar terá a aprovação destes, mas violará a Constituição.

A jornalista Lucia Hippolito, conforme pauta na CBN de sexta feira, considera que Pedro Simon “está bancando Tiradentes com a nossa cabeça” e crítica severamente o Governo Lula que colhe a tempestade que iniciou quando enviou ainda nesta legislatura ao Congresso tema tão complexo e cheio de alternativas, aos aproveitadores e oportunistas em véspera de eleições.

O jornalista e escritor Ruy Castro também pensa nessa linha, e em sua coluna na Folha de segunda-feira, ao referir-se à “casca de banana” que Simon quis jogar para Lula, advertiu: “Com essa jogada, Simon iguala-se em marotice e oportunismo aos políticos que já atacou e, com isso, despede-se dos que um dia o admiraram”.

Para que ícones como Pedro Simon não desfaleçam na saída, há que se criar um mecanismo de controle no sistema político, que venha a coibir votações e atos públicos que envolvam gastos e investimentos a serem executados na legislatura seguinte, em véspera de eleições.

Se for a “oportunidade que faz o ladrão”, por que não a “oportunidade que faz o cidadão”?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

8 comentários sobre “Pré-sal e pós-ética

  1. Ola Carlos
    A catastrofe “petrolífera” que vem ocorrendo nos EUA, por purra incopetencia da cia inglêsa e pelo mundo afora demonstra claramente que os poderosos do planeta não estão nem ai e assim outros desastres piores poderão acontecer novamente, graças a ganância dos reis do petroloeo, governantes, poderosos, lobys, etc.
    Combustiveis alternativos existem.
    E assim vamos ao tal do pré sal.

  2. assista o vídeo “Poesia no ar” por João Claudio, realizado em abril no sarau da Coperifa. É quando os poetas e as pessoas da comunidade colocam poemas e mensagens em bixigas para que outros bairros recebam um pedaço do nosso sarau. neste anos foram 500 pessoas. Quinhentas bixigas.

    É isso.

    Sérgio Vaz

    poesia no ar:

  3. O Presidente Obama ontem, em seu primeiro pronunciamento no Salão Oval da Casa Branca , enfatizou a importância das fontes de energia limpas.
    Tudo indica que pelos menos este acidente da British Petroleum demonstra tal gravidade que deverá mudar alguns dos rumos da exploração de energia.
    É bom lembrar que o Brasil tem fontes substanciais de energia limpa.

  4. Olhe, posso até concordar com a sua defesa, mas, não teria, o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, mamado demais nas tetas do governo, em detrimento de uma grande maioria? Que tal sermos mais comedidos, mais ponderados e procurar um caminho que não seja assim tão judeus contra palestinos? Procure ver por esse lado, com os milhoões que o Rio “ganha”, como justificar o que aconteceu em Angra e em Niterói?

  5. Carlos
    Paradoxos e polêmicas no ar.
    Certamente que, até então, um estado que produz, que trabalha deve ser reconhecido e por méritos se resguardar.
    Porém,
    Muitos estados produzem, lucram com impostos, petroleo, etc e nada dão em troca a sua propria população a exemplo dos estados do Rio de janeiro, São Paulo e Espírito Santo.
    Basta constatar como anda a saude publica destes estados e de outros, o ensino, os salarios pagos aos funcionarios publicos REALMENTE CONCURSADOS, a segurança publica, o transporte publico, a qualidade de vida, entre outras tantas mazelas e descasos cometidos pelos seus governantes e dirigentes.
    Quando fazem algo em beneficio da população, acontece em ano eleitoral, pipoacando por todos os lados, varios e todos os tipos de inaugurações, até inacabadas.
    Porém, a atitude do até então nobre Senador, é de se lamentar, pois como de costume, “na calada da noite” o povo é sempre pego de surpresa no dia seguinte.
    Um peso e duas medidas.

  6. Armando Italo, além do problema de risco ecológico fica em destaque a questão da ética.
    É muito claro que Simon optou pelo político e pela oportunidade eleitoreira.
    É de arrepiar o que ocorreu ontem no mundo quando Obama sugeriu que os lucros da BP fossem distribuidos aos prejudicados pelo desastre do Golfo do México. Para preservar lucro futuros a idéia é que se mantenha a distribuição original. E danem-se os afetados pelo desastre.

  7. Douglas Camargo, é verdade que as verbas oriundas da exploração das riquezas regionais não são usadas com a clareza devida.
    Entretanto mudar a regra do jogo em vésperas de eleição é abominável, principalmente considerando-se que a extração gera despesas e incômodos ambientais.
    Obrigado pela participação.

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