Pela ruptura no poder do futebol

Por Carlos Magno Gibrail

Henry e a mão na bola

Grande parte das mudanças da civilização veio através de rupturas geradas por revoluções, guerras ou dissidências em organizações em resposta a situações limite de concentração de poder.

Nas religiões, uma das dissidências marcantes foi a revolta contra a Igreja Católica, quando na Alemanha Martinho Lutero, em 1529, estabeleceu o Protestantismo, em resposta ao poder absoluto do Papa.

O esporte, cada vez mais ocupando papel destacado na ordem social e econômica dos países, claramente não está acompanhando estruturalmente o crescente espaço que a vida contemporânea lhe concede.

Dentro do esporte, o mais popular de todos, o futebol, e um dos primeiros a se profissionalizar, ainda guarda fortemente o amadorismo de origem nos aspectos de gestão, embora em outros esteja bastante evoluído.

A pequenez da administração do “Soccer” não combina com a grandeza do mesmo:

“O futebol movimenta U$ 256 bilhões por ano e se calcula é praticado por 400 milhões de pessoas em todo o mundo, oficialmente em 208 países que fazem parte da FIFA, muito mais do que os 192 filiados a ONU. A quantidade de gente diante das televisões para assistir a uma Copa do Mundo bate a casa do bilhão, muitos dos quais apaixonados e capazes de ir aonde nenhuma outra fé os levaria.” Milton Jung na sexta feira neste Blog.

Recursos eletrônicos, bolas com chips e árbitros profissionais são rechaçados. Tal repulsa emana do sistema de poder em que os mandatos das entidades representativas nacionais e internacionais não têm limites. Na FIFA, entidade máxima, Blatter está há tantos anos quanto quis, assim como permanecerá até quando desejar. Na CBF, Ricardo Teixeira, idem. Na maioria dos clubes brasileiros, também, idem.

São os PAPAS do século XXI, cujo crescente poder faz com que uma nação como o Brasil aceite avalizar uma COPA repassando poder total ao próprio presidente da entidade que presidirá o evento e que, pioneiramente na história das Copas, acumula o cargo da confederação de futebol do país sede. Ricardo Teixeira preside a CBF, preside a organização da COPA 14, e tem poder absoluto, sem a contrapartida prestação de contas, que serão endossadas pelo Governo Federal.

Não obstante a bajulação nacional de governadores de Estado, Teixeira decide sobre o destino da abertura da COPA, da qual é Senhor, colocando o maior e mais rico estado da federação brasileira em constrangedora subordinação, ainda que seja São Paulo a única cidade capacitada a abrigar tal evento.

A FIFA, a CBF, convenhamos, estão exagerando e se distanciando do apoio das plateias que teriam que atender. Historicamente nos aproximamos da dissidência, que é um primeiro passo para a ruptura definitiva.

Politicamente em âmbito nacional a criação de uma Liga dissidente é legal, enquanto internacionalmente há impedimento por regras estabelecidas de Unidade de representação. Mercadologicamente a dissidência poderá ser uma nova segmentação de mercado, criando um futebol com organizações modernas e regras atualizadas, respeitando o avanço tecnológico e a inteligência dos torcedores.

Que a mão de Henry e o empurrão no Morumbi sirvam de motivação para o surgimento de lideranças dissidentes.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feira no Blog do Mílton Jung

20 comentários sobre “Pela ruptura no poder do futebol

  1. A exemplo de papas e pastores, a FIFA e a CBF levantarão campanha contra dissidentes. É o pecado da rebelião, sob o qual, não há perdão.
    Que venha a ruptura. Aos dissidentes um incentivo: Sem arrependimentos no final.

  2. Cruzar os braços e negligenciar tal situação é não ter conhecimento da força que temos se estivermos unidos em torno de um objetivo, que nesse caso é “zelar” pelo nosso suado dinheiro que pagamos em impostos, que queremos ver em melhorias para a população em geral.

    Participe e divulgue:

    OBS: Basta colocar nome, e-mail e RG (não necessitando preencher os outros campos) e clique em assinar.

    http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6353

    Siga No Twitter: twitter.com/2014100corrupto

    Email: 2014100corrupcao@gmail.com

  3. Helton Fesan, a ruptura seguirá inclusive a lei natural da evolução das espécies. Charles Darwin que nos confirma.
    Em termos empresariais , é a criação de um novo mercado de consumidores atualizados, modernos e avesso a coisas arcaicas. Que ainda existe.
    Luthero e Calvino, dissidentes, não se arrependeram e enfrentaram o poder fortíssimo do PAPA, que vendia graças, indulgências e cargos na Igreja a seu prazer e controle absoluto.
    Obrigado pela participação.

  4. Ola Carlos

    “Interesses excusos” vem acontecendo em quase todas as modalidades esportivas, ão somente o futebol
    Pois é:
    São Paulo a cidade que mais contribue para o sustento do Brasil, que mais oferece condições de promover uma infinidade de importantes eventos, não há necessidade de maiores explicações obviamente, sobre vários aspectos, etc, ao meu ver, parace que está sendo perseguida, discriminada, sei lá porquê!
    Será que a competencia, a capacidade incomoda tanto assim detarminados politicos, cartolas, dirigentes de futebol e outros esportes?

    Abraços
    Armando Italo

  5. Armando Italo,comentário 4.
    A questão principal aqui em São Paulo,com relação à CBF não tem nada com a cidade, mas sim com os dirigentes de clubes. No momento, específicamente com Juvenal Juvèncio, presidente do SPFC.
    Sem entrar no mérito, é um aspecto politico de disputa de poder. Não se pode esquecer que a manutenção de cargos por anos a fio leva sempre a concentração de poder, que é um passo muito próximo à desmandos, etc.
    A mistura explosiva de ditadura com paixão, caso do futebol, só pode levar a desmandos.

  6. Carlos,

    Os Apóstolos, Papas e Sacerdotes do Soccer que usam e abusam da fé alheia, precisam ficar espertos, pois, além dos antigos fiéis estarem mais atentos, está surgindo uma nova safra que não é nada boba. Dois casos me chamaram atenção: A tentativa de fortes empresas em criar uma nova maneira de torcer e manipular a opinião dos fieis, foram por água abaixo. Esta surgindo um novo consumidor e os especialistas devem se afinar a isso?

    A ruptura é necessária desde que, seja feita por gente séria que saiba obter grandes lucros com bons espetáculos. Que não sigam o exemplo do protestantismo professando e vendendo muito mais que indulgências, tendo os espectadores como meras massa de manobra e muito lucro. Que o diga o Juca Kfouri X Kaká

  7. Pois é Carlos
    A tal da perpetuação do poder
    “Os detentores do poder” em todas as esferas, parecem pragas, carrapato, parasitas.
    Quando grudam para sugar o que podem e o que não podem, não querem largar mais.
    E o seu email devidamente anotado, registrado.
    Abraços
    Armando Italo

  8. Beto,comentário 9
    Um caminho é surgir liderança por parte de jogadores de futebol. No tenis a ATP, que controla o esporte é entidade representativa dos tenistas.
    Outro é por parte dos associados dos clubes. O Internacional de Porto Alegre, tem hoje um quadro associativo que mantem renda mensal expressiva, e que poderia assumir posições dissidentes.Desde que pudesse aglutinar outros clubes para por exemplo fazer oposição ou mesmo criar uma Liga .
    O caminho empresarial também é um deles, com empresários comprando clubes e assumindo liderança de opções alternativas.
    Há risco evidentemente, mas o sucesso de uma ruptura certamente compensará .

  9. -torcedor cerca e tenta invadir casa de presidente de clube
    -torcedor chama atleta de mercenário e joga moedas no campo
    -torcida exige que clube abra suas contas
    -torcedor reclama do alto preço dos ingressos

    Carlos, sempre tive uma duvida que nunca perguntei pra ninguém. Vou perguntar pra vc:

    O tipo de torcedor que temos no Brasil se adaptaria ao time-empresa, sendo que, a maior parte dos torcedores que frequentam estádios são de origem sócio-econômico e cultural desprivilegiada?

    Outra dúvida:
    Brasil e Argentina estão consolidados como produtores e fornecedores de talentos?

  10. Beto, o Tostão, campeão do mundo e jornalista esportivo de primeira, escreveu em sua coluna que descobriu agora na África , que as pessoas são iguais no mundo todo.
    É genial, pois estudei bastante Marketing e Marketing de moda para saber disso. Embora o McDonalds, o Armani, a Prada, são a prova disso.
    Quanto ao clube empresa há aproximações aqui.Veja o caso do Internacional em Porto Alegre, que está conseguindo uma renda fixa através de seus torcedores. O Grêmios está indo elo mesmo caminho, Esta segurança de renda é um passo para ao Clube Empresa.
    Quanto aos talentos, começa a preocupar as últimas notícias sobre a especulação imobiliária em SP, que está tirando as quadras de futebol para construir prédios.
    A Argentina segundo pesquisa tem 92% da população com times do coração, enquanto o Brasil tem 75%, o que também é uma preocupação.
    Falta saber o passado, para determinarmos a tendência.

  11. A jornalista Flavia Tavares entrevistou o jornalista escocês Andrew Jennings, crítico e expoente do jornalismo investigativo nos esportes.
    Vejam o que acha desta ultima chamada , ou piti

    O que o senhor espera da Copa no Brasil, em 2014?
    Há algumas semanas, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deu um piti público cobrando o governo brasileiro para que acelerasse as construções para a Copa. Estranhei muito, porque não imagino que o governo brasileiro se recusaria a financiar uma Copa. Vocês são loucos por futebol, estão desenvolvendo sua economia, têm recursos e podem achar dinheiro para isso. Uma fonte havia me dito que Valcke e Ricardo Teixeira tinham tirado férias juntos, estavam de bem. Então, o que está por trás dessa gritaria? É pressão para o governo brasileiro colocar mais dinheiro público nas mãos da CBF. Mundialmente, as empreiteiras têm envolvimento com corrupção. Dá para sentir o cheiro daqui.

  12. Andrew Jennings, o escocês, acha que a dissidência ou a não anuencia seria possível para membros fortes como o Brasil, e acredito que o mesmo vale internamente. Se o SPFC, o Internacional, o Grêmio, o Palmeiras, e mais alguns clubes grandes de desligassem a CBF aceitaria e os expulsaria?
    Veja a opinião de Jennings à pergunta de Flavia Tavares :

    Por que os governos não se envolvem ou a Justiça não faz algo?
    Porque a sede da Fifa é na Suíça e a lei lá é muito permissiva. Para outros países, é inaceitável que esses homens se safem tão facilmente e que os altos dirigentes riam da nossa cara desse jeito. O que me deixa enojado é que os líderes dos países – o primeiro-ministro britânico, o presidente Lula e todos os outros – façam negócio com essas pessoas. Eles deveriam lhes negar vistos, deveriam dizer que não querem se relacionar com dirigentes tão corruptos. E tenho certeza de que, se os governantes se voltassem contra a corrupção da Fifa, teriam apoio maciço dos torcedores/eleitores.

    Por que todos são tão complacentes?
    Suponhamos que você seja uma torcedora fanática pelo seu time. Você vai à Copa do Mundo, mas como sempre há escassez de ingressos. Você então compra suas entradas de cambistas, mesmo sabendo que parte desse ágio vai voltar para o bolso da Fifa, já que ela é suspeita de liberar esses ingressos para os ambulantes. Você não pode provar, claro, mas você sabe. As pessoas não são estúpidas. Os governos menos ainda, eles podem investigar o que quiserem. Mas não investigam a Fifa porque os políticos simplesmente ignoram os torcedores. É o que já está acontecendo com a Copa de 2014. Qualquer brasileiro com mais de 10 anos sabe que a corrupção já está instalada. Por que ninguém faz nada?

    Por quê?
    É difícil saber. Se um país relevante enfrentasse a Fifa ela recuaria. Ou você acha ela excluiria o Brasil de uma Copa? Eles conseguem enganar países pequenos, esquecidos pelo mundo. Mas, se o Brasil dissesse não à corrupção, provavelmente a América Latina se uniria a vocês. E você acha que esses líderes latino-americanos nunca discutiram a possibilidade de um levante, de fazer o que os europeus já deveriam ter feito há tempos? Acho que lhes falta coragem.

  13. Carlos, Andrew Jennings, e todos os outros que nos elogiam em diversos setores estão cobertos de razão. Está nos faltando coragem de assumir nosso posto. A Marca Brasil existe!

  14. Beto,comentário 19
    Quando Jennings opina que se o Brasil enfrentasse a FIFA, pela importância que tem , poderia ganhar a disputa, é uma hipótese considerável.
    O goveerno de São Paulo, também , ao invés de mudar os planos do metrô.
    A informação do Juca Kfouri que Kassab viajou para falar com Teixeira é reveladora.
    Acredito que o PSDB e o DEM vão ter que dar explicações. Tudo indica que ambos estão em má situação diante das próximas eleições e a questão São Paulo virá expor a definitiva verdade sobre o estádio da Copa 14.,

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