Dunga e Felipe Melo, desculpas que o Brasil precisa

Direto de Roma/Itália

Brasil esfarrapado

A ‘coerência’ e mau humor de Dunga, a falta de cabeça de Felipe Melo e, por que não, o pulo fora de hora de Julio César são as desculpas que o Brasil precisa para explicar a si mesmo a saída antecipada da Copa da África. Nunca somos derrotados, pois somos insuperáveis. Sempre perdemos por nossas causas individuais, jamais por nossa incompetência coletiva.

Barbosa foi nosso Cristo em 50, não se pensou na qualidade da seleção do Uruguai que havia goleado adversários e vencido o próprio Brasil em amistosos antes da Copa. O ‘apagão’ de Toninho Cerezo explica para muitos o desastre no Sarriá, em 82, sem que se perceba a praticidade do futebol italiano. A amarelada de Ronaldo, em 1998, e as meias arriadas de Roberto Carlos, em 2006, esconderam na crônica a superioridade dos azuis da França comandados por Zidane.

No aeroporto, leio no Portal Terra, torcedores foram taxativos: Felipe Melo é vacilão. O dedo apontado de maneira acusativa não considera o fato dele integrar um grupo, fazer parte de uma estratégia tática, ser apenas um em meio a multidão de falhas. O volante brasileiro parece ter costas largas suficientes para carregar a frustração de um povo que não perdoa o erro, mesmo que ele próprio erre em tantas outras coisas.

Nos comentários deixados neste blog, há quem prefira acreditar em esquemas mirabolantes a tirar o Brasil da Copa. Gostaria apenas que me ajudassem a entender se desta conspiração fizeram parte os zagueiros brasileiros que deixaram o holandês cabecear sozinho após um escanteio; Kaká que completou jogada genial no primeiro tempo com um chute colocado no ângulo que não se transformou em gol graças ao esforço do goleiro adversário (vai ver ele também fez parte da conspiração); ou mesmo Dunga que não convocou Ganso talvez para ficar, propositalmente, sem opções melhores no banco. Mick Jagger e seu pé frio estariam nessa, também ?

Precisamos sempre de um culpado, uma figura capaz de resumir nosso fracasso e nos eximir de qualquer responsabilidade, e não nos permitimos admitir a superioridade do oponente. Esquecemos das falhas estruturais do futebol brasileiro, da falta de organização dos campeonatos, do desrespeito aos torcedores e dos clubes falidos comandados por dirigentes abastados.

A seleção é reflexo do que ocorre no futebol de um país, mesmo que a maioria dos convocados há muito não jogue por lá. Fenômeno, aliás, que pode ser visto como causa e efeito das coisas que não alcançamos.

A forte presença de nossos atletas no exterior demonstra a capacidade natural do País em assistir ao surgimento de jogadores qualificados, ao mesmo tempo que destaca a incompetência para mantê-los em nossos clubes. Com isso, os times brasileiros não criam ídolos para cativar novos torcedores nem levar os já conquistados aos estádios (sem contar a desqualificação desses estádios).

Para a CBF, autoridade máxima do futebol brasileiro, pouco importa a condição vivida pelos clubes. Os atletas que servem a seleção não dependem deles. Enquanto houver empresas/agremiações suficientemente ricas para levá-los e mantê-los em atividade no exterior, que assim seja. Ganham experiência, convivem com o modelo mais organizado dos clubes europeus, em especial. E se ambientam com os adversários que enfrentarão nas competições internacionais.

Por curiosidade: com os brasileiros que disputam a série A do futebol italiano seria possível formar um time inteiro e seus reservas. Nas 20 equipes que iniciam a temporada 2010/2011 há uma relação de 18 jogadores nascidos no Brasil.

A fórmula, mal ou bem, tem dado certo, pois com todos os erros seguimos sendo os maiores campeões de todos os tempos e com chances de ampliar esta vantagem ao disputarmos em casa o próximo Mundial.

E quando perdemos um campeonato como este da África, desclassificados nas quartas-de-final, logo encontramos um culpado.

Dunga ou Felipe Melo – ou mesmo Júlio César, com todo o crédito por ele acumulado – são inocentes úteis dos cartolas que comandam o futebol brasileiro. Enquanto acreditarmos que nossas derrotas ocorrem devido a eles, bastará mudar o treinador, banir alguns nomes – como fizeram com Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho -, convocar outros que, provavelmente, estarão jogando no exterior e voltar a fazer promessas de títulos e conquistas.

Mudar para que o poder siga nas mãos dos mesmos sanguessugas da paixão do brasileiro. Para que tudo fique como está.

6 comentários sobre “Dunga e Felipe Melo, desculpas que o Brasil precisa

  1. Bom dia Milton
    Em 2006,o Roberto Carlos se vendeu e entregou um gol de bandeja para o Henry da França nos eliminar.
    Em 2010 o “grande craque universal” chamado Felipi Mello se vendeu,fez um gol contra, se expulsou,e ajudou a nos eliminar.
    A Fifa é seria? a CBF é séria?,Ricardo Teixeira é sério^?João Havelange é serio?
    A mídia em geral bate até a pagina 9 ,pois o futebol rende aos grandes “patrões” da comunicação, vultuosas fortunas,
    Ora minha gente,vamos acordar!

  2. Milton neste seu artigo você está com toda razão.
    sempre nos esquecemos que nada nesta vidfa é cem por cento.
    E quando algo sai errado or alguma razão,, ou razões partimos então para algum tipo de desculpa, consolo “para aliviar nossas frustrações, perdas, sofrimentos”
    A cartolagem da CBF é o câncer do futebol brasileiro e não há necessidade aqui de explicar as razões, pois a maioria do brasileiro fanático pelo futebol, está careca de saber.
    Vou um pouco mais além.
    Talvez muitos leitores do blog e ouvintes da CBN poderão questionar:
    Para o país poder disputar uma copa do mundo, jogos amistosos, outroas competições, a seleção brasileira deveria ser composta somente por jogadores que atuam no Brasil.
    Será um tremendo absurdo, sonho, aberrração que estaria propondo?
    Já passou da hora da atual cartolagem da CBF e seus apadrinhados politicos pedir demissão de seus cargos e deixarem para quem realmente tem capacidade de dirigir o futebol brasileiro.
    Só mais um detalhe:
    O Felipe Melo usou sim a cabeça no jogo que desclassificou a seleção brasileira!
    e como usou!

    Abraços e até 2014!
    Tomara que seja com outra CBF.
    Porquê essa já cansou a nossa “beleza e paciência”
    Armando Italo

  3. Em empresas organizadas, os grandes resultados e os grandes prejuízos são de responsabilidade do principal executivo.
    Neste caso a CBF e seu presidente, com a agravante que é a segunda vez que ocorre o mesmo resultado .
    É isso aí Milton Jung

  4. O futebol faz parte de nossa cultura e é nossa válvula de escape.
    A vitória é tão importante quanto nossa necessidade de desabafar.
    E se não tivéssemos? Bem, como li em seu próprio blog, ágüem comentando sobre as palavras de Carlos Alberto Torres, “no futebol ou se ganha ou se perde”, analogamente, na vida ou se ganha ou se perde.
    Brilhante sua Crônica!

  5. Excelente ! você está trazendo fatos que são sem dúvidas muito, muito reais, porém deveria ser uma crônica mostrada na TV/ globo durante novela das 21h00. Nossa como seria legal ver essa repercussão !!! A grande maioria dos brasileiros, fazendo a Campanha T.T. “Tira Teixeira” rsss.
    Valeu Milton, arrasou.
    Abraços.
    Fabio Santos.

  6. Um técnico de Seleção não tem necessariamente a obrigação de ser o Campeão do Mundo, mas um técnico de Seleção tem a obrigação de convocar os melhores atletas do momento. Futebol é momento. Infelizmente muitos atletas bons de bola ficaram de fora por causa da tal coerência em seus melhores momentos. É uma pena. Com isso perde o futebol brasileiro e perde a torcida. Mas quem sabe em 2014 teremos em campo os melhores atletas do País para que possamos ter orgulho de ter um futebol com arte, alegria, moleque, atrevido, divertido, competitivo e descontraido. Coisa que é natural do povo Brasileiro. Competir sempre, perder a esportividade como fez Felipe Mello jamais. Vamos ganhar e perder com dignidade e humildade. Em 2014 temos a oportunidade de mostrar ao Mundo que temos bom futebol e temos uma coisa que é natural do nosso povo: receber os torcedores do outros paises sempre com sorriso no rosto, gentileza, educação e esportividade independente de que ganhar a Copa.

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