Faltaram os artistas da bola

 

De Ansedonia/Itália

Meninos brincam na praia

Dois irmãos brincam na praia de Tagliata, em Ansedonia, onde fica a velha casa de Puccini. Não me parecem meninos muito interessados com o que a obra criada pelo mestre da música nos oferece. Jogam futebol dentro d’água. Ou algo que se pareça com isso, pois usam muito mais as mãos do que os pés. Se divertem com uma dessas bolas de supermercado que ganham efeitos especiais com o vento que vem do Mediterrâneo.

De vez em quando, um deles tenta uma bicicleta e nas vezes que acerta, grita o nome de Ronaldo. Pela barriga do adolescente poderia pensar no Fenômeno; mas pelo malabarismo e proximidade só posso crer que se refira ao Gaúcho, que veste a camisa do Milan, por enquanto. O irmão parece torcer pela Juventus, pois se alcança a bola, narra como se fosse uma defesa de Buffon e, se espanta pra longe, chama por Cannavaro.

Tantas as vezes que ouvi da areia da praia o nome de Ronaldo que lembrei de outra figura pela qual cruzei quando estive em Cidade do Cabo, na primeira fase da Copa. Era um pintor de rua, desses que com alguns randis na mão e muita paciência para pousar fazem sua imagem nem sempre semelhante. Na espera de clientes, ele retocava um quadro que simulava uma disputa de bola entre Ronaldinho Gaúcho, com a camisa do Brasil, e David Beckham, com a da Inglaterra.

Craques na pintura

Dadas as circunstâncias desta Copa, a obra do pintor era quase uma ficção, pois os dois craques estavam fora de campo. Ronaldinho sequer foi convocado enquanto Beckham, devido a lesão, ganhou o direito apenas de desfilar seus ternos no banco inglês. Perguntei ao artista por que os dois e não jogadores que estivessem disputando o Mundial: “porque eles são artistas”, respondeu.

Têm razão, tanto os meninos de Tagliata quanto o pintor do Cabo. Se é para criarmos, idealizarmos um mundo perfeito, são as estrelas que devemos exaltar. E se algo chama atenção na Copa da África é o fato de chegar às semi-finais sem um candidato à craque.

Os mais cotados até a bola rolar frustraram as expectativas do torcedor. No Brasil, sem que a Ronaldinho fosse dado o direito de brilhar, Kaká jogou pela metade. Fez poucas arrancadas, sua jogada típica, e nenhum gol. Cristiano Ronaldo, de Portugal, ensaiou passes e dribles, mas produziu quase nada. Rooney, da Inglaterra, Drogba, da Costa do Marfim, e Etoo, de Camarões, não foram nada bem. Messi, da Argentina, foi quem mais rendeu, mas ficou devendo um gol e sumiu quando o time precisou dele, na derrota para a Alemanha.

Das quatro seleções que disputam vaga para a final, a partir de hoje, aparecem jogadores de qualidade. Na Holanda, Sneijder e Robben, e no Uruguai, Fórlan; na Alemanha, Podolski, Müller, Klose e Özil, enquanto na Espanha, Villa e Iniesta. Ressalto: são jogadores de qualidade, não craques (claro que adoraria tê-los no meu time e na seleção).

Qualquer um deles tem chances de se destacar no pôster do Campeão Mundial de 2010 – e merecem -, mas para se transformarem em personagem de uma obra de arte (ou um quadro de rua) e alimentarem a imaginação das crianças que brincam na praia precisarão ir muito além do futebol mostrado até aqui.

4 comentários sobre “Faltaram os artistas da bola

  1. Bom dia.
    Craques daqueles que o quando o jogo esta pegando fogo e precisamos de alguém prá resolver, isso o Brasil não tem. É uma incongluência o Dunga falar que não levaria jogadores sem experiência, (candidatos a craque ), quando o que mais faltou no jogo em que perdemos, foi justamente a experiência.
    O que temos na seleção são alguns jogadores bons mas não confiáveis. Ex. O nosso goleiro, muito bom, porém quando precisavamos dele, falhou. Me lembrou uma reposição de bola sua quando jogava no Flamengo. Chutou nas costas de seu companheiro de equipe e fez o gol contra mais bizarro que eu já ví na vida. Esses são os nossos craques.
    E querem saber: Para se ganhar uma copa do mundo( seleção brasileira ) nem é necessário muita coisa, basta competência, gerência e honestidade, (não no sentido da coisa ). Com menos oba oba estariamos na final.

  2. É Milton, por isso que nas copas anteriores quando Zico, Sócrates, Falcão, mesmo perdendo copas eram lembrados pelos meninos, grandes emissoras de rádio e televisão e por nós.
    Nessa copa, quem vai querer ser chamado de Michel bastos, Daniel Alves, Felipe Melo… e vai por ai.
    A gente perde Copas porque não manda os melhores e porque perdeu a alma da competição.
    O torcedor não vibra como antes, não recepciona a seleção como antes ou como os Argentinos o fizeram.
    Tá faltando vibração novamente.
    Eu confesso que não vibrei e passei a querer o título pelo patriotismo. Somente!
    Tem gente que controla o futebol não percebe. Ou percebe e insiste em decisões políticas.
    É muito triste.

  3. Milton
    ;Artistas são os árbitros que estão atuando nesta copa!
    Extensivo a FIFA!
    Um pior que o outro!
    Prova é o Uruguai que também foi mais uma vitima dos arbitros e da FIFA.
    Não sei porque até hoje com toda a tecnologia existente a Fifa ainda não a utiliza.
    Com certeza os resultados desta copa seriam outros com justiça.
    Massssss……………

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