São Paulo é refém dos perueiros

 

A prorrogação dos contratos dos 6 mil perueiros até 2013, decidida pelo prefeito Gilberto Kassab, demonstra que a cidade ainda é refém das cooperativas que transportam mais de meio milhão de passageiros, por mês. Toda vez que a administração municipal pensa em reorganizar o sistema de transporte coletivo é pressionada por grupos que exploram, econômica e politicamente, os proprietários de vans.

A nova licitação que deveria ser realizada neste ano mudaria parte da estrutura de transporte de passageiros seja por ônibus seja por vans. Atualmente, linhas se sobrepõem, há excessos de veículos atendendo alguns corredores e carência em outras regiões. Empresas de ônibus e cooperativas não rodam em parceria, são adversários a disputar o mesmo segmento, na maioria das vezes de forma predatória que prejudica diretamente o passageiro.

Haveria necessidade, por exemplo, de se tirar as vans dos corredores e faixas exclusivas de ônibus e colocá-las a trabalhar como alimentadoras deste sistema, além de restringir o acesso às regiões mais centrais. Isto, porém, mexeria com o faturamento das cooperativas que exploram os cooperados/motoristas.

O doutor em Planejamento de Transportes e Logística pela Universidade de Illinois Paulo Resende disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as cooperativas faturam com a indisciplina que impera no setor. Ele reclamou que a cidade não tem uma gestão integrada de transporte nem plano de mobilidade estabelecido.

Ouça a entrevista com o professor Paulo Resende, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com o novo secretário municipal dos Transportes Marcelo Cardinale mas a assessoria dele disse que “não tinha agenda” para a entrevista. Cardinale assumiu recentemente a pasta em substituição a Alexandre de Moraes, que era citado como supersecretário de Kassab, pois acumulava vários cargos na administração municipal, e teria sido demitido porque insistiu na ideia de abrir a licitação para a contratação de perueiros.

O jornal o Estado de São Paulo trouxe boas reportagens sobre o tema na sua edição de hoje que ajudam a entender a dificuldade do prefeito Gilberto Kassab em enfrentar o segmento.

Clique no link a seguir para ler um desses textos

Supersecretário caiu após propor mudança no sistema
20 de julho de 2010 | 0h 00

Bastidores: Diego Zanchetta, Renato Machado e Bruno Tavares – O Estado de S.Paulo

A nova licitação e a proposta de uma grande reforma no sistema de transportes na capital foram os principais fatores da queda de Alexandre de Moraes, o ex-supersecretário e homem forte da gestão Gilberto Kassab (DEM), no começo de junho. Moraes entrou em rota de choque com empresários do setor de ônibus – que têm no irmão do prefeito, Pedro Kassab, um dos principais consultores – e também com os perueiros, que chegaram a ameaçar uma paralisação no primeiro semestre.

A briga com os empresários de ônibus foi basicamente pela tentativa de rever o modelo de concessionários e permissionários – respectivamente ônibus e peruas. Na proposta de Moraes, essas duas categorias seriam unificadas, com direitos parecidos e possibilitando até uma concorrência entre eles, uma vez que os perueiros poderiam investir em ônibus maiores para realizar os serviços – e, como consequência, faturar mais.

Moraes pretendia ainda zerar os subsídios pagos aos empresários como compensação tarifária. Em dois anos, foram repassados R$ 1,8 bilhão às viações, verba suficiente para construir 11 quilômetros de metrô.

Ao defender a retirada de peruas das linhas principais do centro expandido, Moraes também comprou briga com lideranças políticas na Câmara Municipal ligadas às cooperativas. O vereador Milton Leite (DEM) chegou a dizer em 2009 que a licitação jamais ocorreria. “A categoria é forte o suficiente para parar a cidade quando quiser”, disse. Ele tem influência sobre 1.400 perueiros da zona sul.

Também havia uma ameaça de “rebelião” entre os perueiros da zona leste caso a licitação fosse levada adiante. Em audiências no Legislativo, donos de cooperativas davam o recado de que a “cidade vai parar” se quiserem mexer no contrato das peruas.
Desde a licitação de 2003, quando às vésperas da abertura dos envelopes descobriu-se a existência de uma cooperativa ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o Executivo tem cautela para mexer com o setor. Até hoje, são frequentes as denúncias de arbitrariedades e até extorsões de dinheiro praticadas contra cooperados que se recusam a seguir as regras impostas pelos chefes das cooperativas. A Prefeitura, porém, prefere não intervir nessas disputas.

10 comentários sobre “São Paulo é refém dos perueiros

  1. São Paulo é refem dos perueiros…………………………..
    dos politicos, das incorporadoras, das construtoras, das montadoras, dos consórcios, da televisão, dos bandidos, dos bancos, das financeiras, da publicidade que tenta a todo custo enfiar-nos por goela abaixo todo tipo de porcaria, em fim:
    Dos grande lobbys que mandam e desmandam em são paulo.

  2. Rolei a tela para comentar, mas me deparei com o comentário do Armando Italo, que falou por mim. Os principais são empreiteiras, setor imobiliário (construtoras e especuladores), empresas de ônibus e cooperativas de vans. Por isso que as idéias boas não vão pra frente e cada pouco ganhamos uma nova ponte de x milhões, um alargamento de pista de y milhões, um túnel de z milhões. Parece que só isso importa para a cidade, que vai se estragando cada vez mais.

    Uma ponte ou um túnel novos, por si só, não estragam a cidade. Mas estimulam a perpetuação de um modelo de mobilidade maléfico para a cidade, da segregação social que afasta cada vez mais a moradia das pessoas dos centros de trabalho, do foco na valorização de áreas para atender a interesses de pequenos grupos aristocráticos em detrimento de uns 95% da população, que geralmente apóia tais medidas porque a relação de causa e efeito não é nada clara.

  3. Infelizmente São Paulo parece terra de ninguém!

    A incapacidade da PMSP em administrar e enfrentar a categoria dos perueiros, que foram regularizados no grito, pela gestão da Marta usando aquele velho ditado: “Não pode com ele… junte-se a ele”.

    É um crime o que acontece com os passageiros e cidadãos que usam o transporte coletivo aqui na Vila Nova Cachoeirinha nos horários de pico.

    Pela manhã, peruas superlotadas descarregam milhares de passageiros no terminal V.N.Cachoeirinha, trafegam em alta velocidade pelas ruas do bairro, passam em farol fechado, mudam itinerário para fugir de trânsito e faróis, falam ao celular dirigindo, entre outras irregularidades.

    Pelo final de tarde, tudo se repete novamente em sentido contrário. Ônibus chegam ao terminal com milhares de passageiros que são obrigados a se acomodarem nas minúsculas lotações como se fossem gado. Aliás, gado viaja melhor porque existe uma quantidade limite de cabeças a serem transportados por veículo.

  4. Pitta (companheiro de Kassab e de Maluf…) colocou a bandidagem no comando do transporte de Sampa ao legalizar os perueiros, sem distinguir entre idôneos e não. Agora, pra desfazer isso, vai precisar ter muito peito, o que Kassab, notavelmente, não tem.
    Abraços,
    Grilo D

  5. Vale lembrar que pior que ser refem do que mencionei acima, é ser refem dos plnaos de saude, que cobram o que querem, como quere, contratos tem que ser do jeito que querem.
    E os cartões de crédito!
    Se bobear o infeliz devedor vai ter que pagar além da prestação a bagatela de quase 15% ao mês de juros, taxas, sobre juros!
    Ai meus caríssimo.
    Vai ter que reclamar com o bispo!
    Como é qualificado alguem que cobra juros exorbitantes de incautos mesmo?
    Ai!
    Esqueci!

  6. A cidade de Sp tá recredindo em Transporte Público: O que se espera é que os ônibus sejam modernos, grandes, ventilado e seguro. Mas o público das áreas mais afastadas no horário de pico sofre nessas vans nesse caótico trânsito. A única alternativa para muitos trabalhadores são as Vans. Nem se pode chamar essas Vans de ônibus. Pequenos, pouco lugares para sentar, teto baixo para quem viaja em pé, não tem segurança, não tem ventilação, superlotado onde o passageiro fica muitas vezes por maios de uma hora dentro dessa VAns. Quando essa histópria começou “As Peruas e Vans” era chamado de transporte alternativo. Ou seja, tinha o ônibus normal de linha e o passageiro que quisesse oPTva pelos alternativos. Mas hoje o chamado transporte alternativo tomou conta da cidade. E a população ficou refém desse transporte. Ou pega essas Vans ou vai a pé para casa. Entre pegar essas Vans e andar de bike prefiro a Bike.

  7. Quando teve aquela onda de queimar ônibus na cidade atribuida ao PCC, coincidência ou não não me lembro de ter visto nenhuma Van ou Perua sendo queimada. Proteção ou sorte dos perueiros?

  8. Bom Dia MIlton e os caros Blogueiros,

    Armando Italo comentario 1/4.

    Armando vc tem toda razão. Só faltou vc falar, que SP, é refém do PSDB, que hoje, causou um divisão social nesse estado. Basta olharmos a quantidade de pessoas morando rua. Então, SP também é refem da miseria, da mentira, da propagada falça desse governo que ai esta, da transparencia, da corrupção em todos os orgãos do governo, dos pedagios e agora vamos ficar sobre comando do pcc se esse governador que esta na frete ganhar não é mesmo?

    Abr,

    JR

  9. Verdade José Sinval!

    Armando vc tem toda razão. Só faltou vc falar, que SP, é refém do PSDB,

    faltou esse também!

    Obrigado por lembrar-me

    Vale dizer que não sou torcedor de partido político nenhum.
    Na minha opinião “politicos, partidos, são todos farinha do mesmo saco”
    Sou totalmente apolítico meixmo!
    NÃO ACREDITO EM POLITICOS DE FORMA ALGUMA.
    e não preciso aqui dizer os porquês.

  10. Boa Noite Milton e os Caros Bloguieros,

    Bom meus Caros, pelo andar da carruagem, SP, vai continuar refem do psdb, pcc, pirueiros, corrupção, que não são investigadas, dos pedagios caros, da insaegurança, da pessima educação, da pessima saude, da segregação da populacional, das enchentes, do transito e da imcompetencia.
    Será que a pupolação paulistana não esta vendo isso? Eu acho que não. Estão dando o aval para a cidade mais rica do pais, tranformar-se na fronteira entre o Mexico/USA. Ainda bem que se DEUS quiser, estou indo embora, não vou pagar para ver.

    Abr,

    JSR.

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