Avalanche Tricolor: sem jamais perder a alegria de jogar bola

 

Goiás 3×2 Grêmio
Brasileiro — Serra Dourada, Goiânia/GO

 

Gremio x Goias

A gurizada se diverte em campo, em foto de LUCASUEBEM/GRÊMIOFBPA

 

Foi divertido, não foi?
Eu achei.

 

Sabia que era jogo sem pretensões. A classificação para chegar pela porta da frente da Libertadores estava garantida há algumas rodadas e a posição final na tabela era apenas uma questão de ajustes —- e de alguns milhões de reais a mais, também.

 

Os titulares tiraram férias mais cedo — nem Renato apareceu — e deixaram o jogo final para gurizada da base. Em campo, a média de idade era pouco acima dos 20 anos. Uma turma que foi jogar bola como se tivesse descendo na quadra do prédio ou no campinho do bairro. Para se divertir.

 

E a gurizada não fez feio, não.

 

Ferreirinha —- que seja logo chamado de Ferreira —, então, jogou como gente grande mais uma vez. Na estreia, no meio da semana já havia marcado um gol. Hoje, deu assistência para os dois e só não saiu consagrado por um detalhe —- a bola final da partida bateu no travessão quando bem que poderia premiá-lo seguindo o caminho das redes. Ele merecia.

 

No primeiro tempo, colocou seus marcadores no bolso pelo lado direito. Na primeira disparada, foi para dentro da área, dominando a bola e driblando com velocidade. E serviu Patrick que voltou a marcar com a camisa do Grêmio —. esse guri sempre que entra me lembra aqueles moleques de rua que jogam pelo prazer de jogar.

 

Na segunda arrancada, Ferreirinha voltou a driblar com talento e encontrou Isaque no meio dos zagueiros. E seu colega de ataque não deixou por menos. De letra. Sim, de letra. Sem vergonha de arriscar, marcou o primeiro gol dele no time titular…

 

Isaque é grandão e tem presença na área. Joga tranquilo mesmo acossado pelos zagueiros, e surge sempre bem colocado. Deixou a impressão de que logo, logo pode ser o centroavante que nos fez falta durante toda a temporada.

 

Ao fim e ao cabo, vimos uma série de jovens talentos pedindo passagem. Muitos ainda precisando ser mais bem trabalhados no vestiário, sendo lançados aos poucos ao lado dos titulares e ganhando a maturidade necessária para assumir as grandes responsabilidades que teremos em 2020. E Renato sabe bem como fazer isso.

 

Meu desejo é  que todos eles —- e é o que peço ao bom deus do futebol neste fim de ano —- jamais percam essa felicidade de jogar bola. Vê-los em campo me fez sorrir, também.

Avalanche Tricolor: 1, 2, 3 …. 116 anos comemorados em um domingo azul

 

 

Grêmio 3×0 Goiás
Brasileiro — Arena Grêmio POA/RS

 

Gremio x Goias

A alegria do aniversariante em foto de LUCASUEBEM/GRÊMIOFBPA

 

 

“Desejamos a você um dia azul”, disse o comissário de bordo no momento em que a aeronave aterrissava na pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na viagem que marcava o fim das minhas férias —- curtas férias, registre-se; quase uma folga estendida, pois fiquei apenas uma semana fora do ar, na CBN.

 

Sei que a frase faz parte do marketing da companhia aérea em que voei, mas neste domingo me soou mais familiar. Afinal, estava chegando à cidade e em pouco tempo já estaria diante da televisão para participar da festa de aniversário do Grêmio.

 

Quis o calendário que o 15 de setembro deste ano caísse num domingo, dia clássico do futebol. E por uma conspiração da tabela do Brasileiro coube ao Grêmio jogar às quatro da tarde, —- parece-me que foi a primeira vez que isso aconteceu neste campeonato.

 

A torcida entendeu o recado e mais de 41.700 torcedores foram à Arena cantar parabéns à você ao clube que amamos e abraçar o time que nos representa em campo. Um time, aliás, que voltou a jogar o futebol que encantou a América do Sul, com altíssima intensidade, marcação forte, movimentação estonteante e dribles abusados. Um time à altura do nosso clube.

 

A confiança e simbiose com o torcedor “nesta data querida” foram tais que além de dribles também passamos a abusar dos chutes a longa distância. Haja vista o gol de Jean Pyerre que abriu o placar —- o mais bonito desde que ele passou a jogar entre os profissionais, foi o que disse o jovem meio-campista no intervalo do jogo. Já havia arriscado um pouco antes e repetiu a dose no segundo tempo, sempre ameaçando o goleiro adversário e revelando uma arma que pode ser o nosso diferencial nas pretensões que temos no Brasileiro e na Libertadores.

 

Assistir ao segundo gol de Everton me agradou muito também nessa tarde de festa. Gostei porque hoje é o jogador que mais bem nos representa, passou pela base onde foi forjado gremista — daquele que comemora o aniversário do clube de coração —- e é um talento reconhecido mundialmente que conseguimos preservar para a campanha deste ano —- quase um presente de aniversário.

 

Havia algo mais no gol de Everton a me agradar: a maneira como foi construído com participação coletiva e o fato de ter sido resultado da forma intensa que nosso ataque busca jogar. Tínhamos quatro jogadores disputando a mesma oportunidade de concluir a gol dentro da área: Jean Pyerre, Matheus Henrique e Tardelli, além de Everton.

 

No estado de graça que estava o aniversariante, o terceiro gol foi resultado de outros méritos desta equipe treinada por Renato. A começar pela precisão do passe de Jean Pyerre —- joga muito esse guri —- que encontrou Cortez correndo por trás de seus marcadores e o colocou em condições de cruzar para Alisson que, novamente, chegou forte dentro da área. A velocidade foi tanta que o auxiliar se atrapalhou e só não melou a festa porque o VAR o salvou mostrando que o lance era legal.

 

A vitalidade com que o Grêmio comemorou seus 116 anos nos permite acreditar que ainda teremos muito o que festejar em 2019 —- mas, independentemente do que o futebol nos reserve para o futuro, depois de assistir ao Grêmio nesta festa de aniversário, mais do que familiar o desejo do comissário de bordo foi mesmo premonição: o domingo foi azul.

 

Avalanche Tricolor: a alegria de Thaciano é a alegria da gente

 

 

Grêmio 3×1 Goiás
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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A emoção de Thaciano registrada na lente de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Na história do futebol, a partida desta noite na Arena ficará apenas para as estatísticas. Se conseguirmos chegar ao Hexa da Copa do Brasil, poderá ter algum destaque e os gols de Alisson e Thaciano aparecerão no DVD do título — aliás, ainda produzem este material ou nos contentamos com o que está publicado no You Tube? Pergunto porque sou do tempo em que o legal era ter no arquivo o disco com os gols, produzidos pela Rádio Guaíba (mantenho vários deles aqui em casa).

 

O Grêmio já havia garantido a classificação às quartas-de-final no primeiro jogo quando venceu por 2 a 0 na casa do adversário. Nesta noite, teria apenas de confirmar a passagem e por isso Renato preferiu investir no time alternativo. O próprio adversário não via muitas chances de recuperação e também entrou em campo com seus reservas.

 

O público de pouco mais de 12,5 mil pessoas sinalizava a importância desta partida em meio a tantos outros jogos decisivos que estão na nossa agenda.

 

Mesmo com a pouca relevância da partida, ver Cícero, na posição de segundo volante, meter bola dentro da área no pé de Alisson, como no primeiro e terceiro gols do jogo, é alvissareiro. A temporada congestionada de jogos exigirá muito do elenco, e jogadores que estão no banco terão de ser usados com maior frequência se pretendemos nos manter vivos em todas as competições que disputamos.

 

Cícero já tem seu lugar na história com o gol que nos encaminhou o título da Libertadores, em 2017. Alisson é o 12º titular a ponto de já ser um dos goleadores do time, mesmo entrando sempre no segundo tempo. Com a possibilidade de sair jogando e demonstrando tremenda agilidade em campo — como hoje — fez dois gols e deu assistência para outro.

 

E é sobre o outro gol que quero falar com você, caro e raro leitor desta Avalanche — o gol de Thaciano, marcado aos 30 minutos do segundo tempo, quando a classificação já estava confirmada. A jogada foi bonita, sim, com a bola sendo conduzida por Alisson até a entrada da área e sendo passada por trás dos zagueiros. Foi tanta precisão que havia não um, mas dois jogadores em condições de chutar.

 

Quem chutou foi Thaciano — um garoto de 22 anos, prestes a completar 23, no próximo sábado. Com nome estranho, Thaciano Mickael da Silva, nasceu em Campina Grande, na Paraíba, estado muito bem representado por seu sotaque, como foi possível ouvir na entrevista pós-jogo. Começou no Porto de Pernambuco, foi parar no Boa Esporte, em Minas, time ao qual pertence até hoje —- ele está emprestado ao Grêmio.

 

Thaciano chegou a jogar no início da temporada no time de jovens que representou o Grêmio em boa parte da fase de classificação do Campeonato Gaúcho. Fez pouco, como fez pouco quase todo aquele time. Desde lá, ficou treinando entre os reservas e nunca mais havia tido oportunidade entre os titulares.

 

Hoje saiu no banco e foi chamado por Renato para substituir Lima, aos 26 do segundo tempo, quando a partida ainda estava empatada. Em quatro minutos apareceu dentro da área, recebeu a bola de Alisson, fez um giro sobre a própria perna e marcou seu primeiro gol com a camisa do Grêmio.

 

O desequilíbrio provocado pelo chute a gol o deixou de joelhos para comemorar. Os olhos se fecharam e a expressão no rosto, registrada pelas câmeras da televisão, revelava sua emoção. Ensaiou um choro pela alegria do gol. E foi retribuído pelo abraço dos colegas que perceberam o que representava aquele momento para o jovem atacante.

 

Mesmo que a partida de hoje, frente a tantas apresentações magistrais registradas pelo time de Renato neste ano, fique apenas nas estatísticas e, tomara, no roteiro do Hexa da Copa do Brasil, ver a emoção de Thaciano deu uma relevância especial para o jogo desta noite, na Arena.

 

A alegria dele é a alegria dos garotos da pelada que um dia sonharam jogar em um time grande — é a alegria que eu sonhei ter um dia na minha vida.

Avalanche Tricolor: um padrão que pode ser tornar em um legado

 

Goiás 0x2 Grêmio
Copa do Brasil – Serra Dourada/Goiânia-GO

 

 

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Luan comemora o segundo gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

O Grêmio começou hoje mais uma competição importante da temporada, depois de já ter vencido a Recopa Sul-Americana, conquistado o Campeonato Gaúcho, estreado na Libertadores e no Campeonato Brasileiro.

 

Com tantos jogos e disputas no seu caminho, o que mais ouço de torcedores e cronistas esportivos é a discussão sobre as prioridades do Grêmio no ano de 2018.

 

Há os que só pensam na Libertadores, afinal abre caminho para a disputa do Mundial — e quem não está louco para ser bi do Mundo?!

 

Tem que esteja com saudades do Brasileiro, do qual já somos bi — mas a última vez que vencemos foi em 1996.

 

Hoje mesmo ouvi muitos dos nossos falando em início da caminhada ao hexa da Copa do Brasil — seria manter o domínio sobre a competição que é muito querida por todos nós desde a primeira edição, em 1989.

 

Após ver o Grêmio vencer na noite desta quarta-feira, na estreia da Copa do Brasil, e praticamente garantir passagem às quartas-de-final — apesar da necessidade de ainda disputar o segundo jogo, na Arena e, como se sabe bem, todo cuidado é pouco — comecei a enxergar a temporada de 2018 com uma outra perspectiva.

 

Assim como você, caro e raro leitor gremista desta Avalanche, evidentemente também almejo títulos e troféus. Quem não os quer? Poucos têm capacidade de conquistá-los. O Grêmio é um deles, como ressaltam todos os críticos que ouço no rádio, TV, jornal e internet.

 

Para mim, antes de chegar às finais e conquistar as competições, o Grêmio tem uma prioridade neste ano: preservar o padrão de futebol de qualidade e talento que têm marcado sua história recente e ganhado admiradores pelo continente.

 

Hoje, isso ficou muito claro para mim!

 

Foi com seu time principal a campo, manteve a bola sob seu domínio; quando a perdeu, forçou a marcação até tê-la de volta e quando a teve tocou com precisão. Seus jogadores se movimentaram de um lado para o outro; driblaram e entraram na área; tiveram paciência, muita paciência, abriram espaço na defesa adversária; e ganharam o jogo com tranquilidade.

 

O gol de Everton foi genial seja pela assistência de Jael — mais uma vez o Cruel se doando ao time — seja  pelos dribles de nosso atacante, que tirou dois marcadores da jogada e chegou na cara do goleiro para decidir.

 

O de pênalti, cobrado por Luan, também foi resultado do padrão de jogo que Renato construiu. Marcação forte sobre a defesa adversária, a ponto de atrapalhar a saída de bola, provocar o erro e aproveitar-se dele — e com uma cobrança confiante e precisa.

 

A vitória por 2 a 0 no primeiro jogo do mata-mata, mesmo jogando fora de casa e, principalmente, por estar jogando fora, está dentro deste mesmo padrão: tem sido assim que o Grêmio avança nessas competições. Resolve no primeiro jogo, conserva o resultado no segundo.

 

Este é o padrão do Grêmio jogar — e com ele mais taças e vitórias virão. Se na Copa, no Brasileiro, na Libertadores ou seja lá qual for a competição que estivermos disputando, isso só o tempo dirá. Mas este padrão de jogo ninguém vai nos tirar tão cedo. E Renato é o cara perfeito para mantê-lo e torná-lo um legado.

Avalanche Tricolor: faltam seis pontos para chegar ao topo

 

Grêmio 2×1 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

Só faltam seis….sim, é isso mesmo, só faltam seis pontos para chegar ao topo.

 

Não, você não está enganado, não! Eu comecei mesmo a contagem regressiva para alcançar a liderança do Campeonato Brasileiro. É provável que você, caro e raro leitor desta Avalanche, estranhe esta minha abordagem. Logo eu, sempre tão comedido, cuidadoso com as palavras, jamais querendo colocar a carroça na frente dos bois – como costumavam dizer antigamente -, estou aqui fazendo projeções tão otimistas?

 

Sei que pode parecer estranho e arriscado, diante do tamanho do desafio e da força dos adversários que disputam o título, mas a partida desta tarde de domingo, teve elementos que me proporcionaram esta confiança.

 

Comecemos pelo fato de que eram oito pontos de diferença do líder antes de a partida se iniciar. Apenas nossa vitória não seria suficiente para nos aproximar do topo da tabela de classificação. Havia a necessidade de os adversários, que continuo tratando com o merecido respeito, cederem dois ou três pontos para a contagem começar. E deu certo. Talvez por linhas tortas, é verdade. Mas foram essas mal traçadas linhas em campo que me trouxeram tal confiança.

 

Hoje, encarávamos mais um daqueles times que estão na categoria “touca” do Grêmio. Confesso desconhecer a origem da palavra, mas imagino que venha da expressão “marcar touca” que significa bobear diante de uma situação qualquer. No futebol, “touca” são aqueles times que, por uma razão não muito bem justificada, costumam ser difíceis de vencer. É sempre contra eles que bobeamos.

 

Para não desmerecer o título que carrega, o adversário, contra toda a lógica da partida, na qual o Grêmio tinha mais de 70% da posse de bola, jogava no ataque, tinha um pênalti à sua disposição e vantagem numérica em campo, graças a expulsão do zagueiro oponente, conseguiu se safar de um gol, com a cobrança de Douglas no poste, e, na segunda jogada de ataque em todo o primeiro tempo, marcar o seu de cabeça. Só mesmo o futebol e seus deuses alucinados para explicar essas distorções. Convenhamos que sequer podemos reclamar deles – os deuses -, pois os mesmos já conspiraram muitas vezes a nosso favor.

 

Em campo, estavam todos os elementos indispensáveis para as coisas darem errado ao tricolor. O histórico contra o adversário era apenas um deles. O pênalti desperdiçado e o gol tomado estavam ali, também, para ajudar a construir esse drama. Bem antes disso, no vestiário, Roger já havia tido a necessidade de montar uma equipe com muitos desfalques e alguns imprescindíveis, que começavam no gol, passavam de forma cruel por dentro da nossa área e se estenderiam até o comando do ataque com nosso goleador e craque Luan mais uma vez cedido para jogar sei-lá-o-que e por sei-lá-quem.

 

A retranca justificável que viríamos a enfrentar no segundo tempo apenas tornaria mais complicada nossa tarefa, pois a falta de espaço atrapalha o toque de bola e impede que o nosso jogo se desenvolva com naturalidade. Quando os times se fecham muito, o ideal é ter um atacante fincado lá na frente a espera de uma espirrada de bola. E nós não o temos.

 

Foi, então, que minha esperança começou a surgir de maneira mais concreta. Pois ficou claro que Roger pediu paciência aos nossos jogadores. Insistiu para que eles não desistissem de jogar como têm jogado desde que ele assumiu o comando da equipe, aliás contra este mesmo adversário, no primeiro turno, quando, só pra justificar o título de “touca”, lembro agora, empatamos.

 

Seguimos mantendo o domínio da bola e acelerando o passe para dar velocidade ao jogo na expectativa de uma brecha para chutar. E não esperamos mais de seis minutos para que isso acontecesse, em jogada que se iniciou na nossa defesa e com uma visão incrível de jogo do zagueiro Geromel – que baita zagueiro, amigo! – que encontrou Everton partindo para o ataque isolado no meio de campo, que viu Bobô se deslocando para a ponta esquerda, de onde cruzou para encontrar Douglas dentro da área. Nosso maestro precisou de apenas um toque para desviar a bola e fazer aquilo que não havia conseguido na cobrança de pênalti.

 

O gol de empate não seria suficiente para tirar a “touca” do caminho e ainda fez o adversário fechar-se mais, o que exigiu nova dose de paciência e muitos passes trocados até encontrar outras oportunidades de gol. Uma foi para fora, a outra ficou perdida entre os zagueiros e houve uma em que o goleiro teve de fazer um milagre.

 

Coincidência ou não, a jogada do segundo gol se iniciou novamente na defesa, desta vez no desarme de Willian Schuster que substituíra o combalido Maicon. Passou pelos pés de Giuliano, Douglas e Yuri Mamute antes de se apresentar para Everton, que, mesmo com o ângulo fechado, conseguiu encontrar um espaço entre as pernas do goleiro adversário e o travessão, onde a bola se chocou antes de entrar. Iria para fora em outros tempo. Desta vez, não!

 

Com os três pontos retomados, restou-nos fazer a bola correr de pé em pé para reduzir o risco de uma nova surpresa. Verdade que ainda passaríamos por um grande susto que me parece ter ocorrido apenas para que pudéssemos ver o nosso goleiro Tiago se redimir das saídas desvairadas que costuma dar sempre que a bola é cruzada na área. Fez uma defesa que mereceu comemoração de punhos cerrados, os dele e os meus.

 

O time mostrou maturidade apesar de todas as mudanças na escalação e adversidades que nós próprios construímos. Superou o histórico e suas fragilidades. Venceu nosso ceticismo e espantou a assombração desta “touca” em momento oportuno.

 

Só faltam seis pontos para chegarmos ao topo.

 

PS: por falar em contagem regressiva,alguém sabe quantos jogos faltam para Erazo voltar?

Avalanche Tricolor: a gente empatou, mas é proibido reclamar

 

Goiás 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (GO)

 

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Havia três pontos a serem conquistados e tivemos próximos deles. Arrisco dizer que merecíamos eles, pois se houve um time que jogou melhor a maior parte do jogo foi o nosso. No futebol, porém, isso não é suficiente nem garantia de vitória. No meio do caminho alguns incidentes podem ocorrer. É preciso, também, que o bom futebol se traduza em gol. Até fizemos um, aos 35 do primeiro tempo, graças ao avanço de Galhardo que rompeu a área, passou por quem pode, chocou-se com a defesa e fez a bola escapar para Giuliano marcar. E fizemos um gol quando éramos nitidamente a única equipe em condições de chegar a vitória naquele momento.

 

Um pouco antes, aos 30 minutos, já havíamos desperdiçado jogada incrível, novamente com participação de Giuliano, que meteu a bola entre os zagueiros e com o movimento certo para Mamute fazer. Não marcamos. Bem antes, aos 20, em outra jogada que passou pelos pés de Giuliano, mas foi protagonizada por Rhodolfo, que roubou a bola na defesa, tabelou e lançou para Mamute, também estivemos perto de abrir o placar. Nosso atacante foi derrubado quando corria em direção ao gol. Mas o juiz gaúcho, que começou a partida sob a suspeita de que beneficiaria o Grêmio, inverteu a falta.

 

No segundo tempo, aos 19, até marcamos um gol com forte cabeçada de Mamute, após cruzamento de Galhardo, mas nosso ataque estava em posição irregular. Aos 25, também conseguimos chutar uma bola no travessão em jogada que se iniciou com passe de Giuliano, teve o “pivô” bem feito de Mamute e a entrada forte pela esquerda de Marcelo Oliveira. Walace que já havia chutado a primeira bola do jogo a gol, arriscou aos 40, obrigando o goleiro adversário a despachar para escanteio. Pena que a esta altura, havíamos cedido o empate ao não sermos capazes de suportar a pressão na volta do intervalo.

 

Poderia ficar aqui chorando as pitangas e reclamando do juiz gaúcho, e repito o gentílico após a profissão pois foi essa a polêmica durante toda a semana, afinal, no lance em que levamos o gol, qualquer árbitro poderia muito bem ter marcado falta no goleiro Marcelo Grohe. O juiz gaúcho não marcou. Talvez marcaria pênalti se levasse em consideração a lógica daquele outro lance lá aos 20 do primeiro tempo. O problema é que se ficar olhando para os erros de arbitragem, talvez a gente se esqueça que o empate veio porque cedemos campo para o adversário e isto não pode se repetir e, também, que, a despeito do empate, dos passes errados e dos gols desperdiçados, fizemos uma boa partida na estreia de Roger. Sem contar que, desde as novas recomendações da impoluta CBF, ao reclamar do juiz, corro o sério risco de levar um cartão amarelo.

Avalanche Tricolor: um jogo sob o impacto da cintilação ionosférica

 

Goiás 0 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Serra Dourada (GO)

 

Grohe_Fotor

 

O futebol é rico em expressões que tentam explicar o que acontece dentro de campo; claro que nessa diversidade há exageros e distorções. Durante muito tempo, se dizia do time que estava perdendo o jogo que teria de correr atrás do prejuízo. Parece que hoje estamos todos convencidos de que o objetivo mesmo é correr em busca do sucesso. Deixe o prejuízo para trás.

 

Acho curioso, também, quando comentaristas falam que o time joga por apenas uma bola, como se isto não fosse uma imposição da regra. Nesse caso, porém, justifica-se: a equipe mantém o jogo em banho-maria (e eis mais uma dessas expressões) a espera de um contra-ataque ou uma bola lançada para dentro da área adversária.

 

Com isso, lembro de outra expressão comum, que por muito tempo identificava o time do Grêmio: é forte na bola parada. É usada para times que fazem gols de escanteio ou falta. Tenho saudades de um gol assim, ultimamente está difícil até acertar cobrança de escanteio (não é, Fernandinho?). Acabo de lembrar de mais uma: joga com o regulamento embaixo do braço, que serve mais para as competições mata-mata. Já fomos bons nisso, também.

 

Para não cansar o caro e raro leitor desta Avalanche, registro a última: joga no erro do adversário. Serve para quem abre mão da posse de bola, marca forte e fica a espera do passe ou lançamento errado do time oposto.

 

A despeito da falta de graça e emoção da partida de sábado à noite, no Serra Dourada, fui surpreendido ao ser apresentado a outra expressão que não sabia ter relação com o futebol: cintilação ionosférica. Foi Milton Leite da Sport TV, narrador de primeira, quem a usou para explicar – não um fenômeno esportivo – os problemas no sinal de transmissão da partida. A imagem travava e impedia que soubéssemos como seria a conclusão da jogada, apesar de que pelo andar da carruagem já não esperava grande coisa mesmo.

 

A ionosfera, camada que está de 50 até cerca de 1.000 quilômetros de altitude, ajuda nas transmissões a longa distância. É uma espécie de espelho que reflete o sinal das rádios de ondas curtas e, no passado, por exemplo, permitia que ouvíssemos emissoras de outros continentes nos famosos Transglobe. Nela também são refletidas as ondas de televisão e o sinal de GPS. O espelho às vezes causa distorções, produzidas por irregularidades na distribuição de életrons (não se perca nos detalhes), especialmente entre o pôr do sol e à meia-noite, em regiões de baixa latitude, como o Brasil. Situação que piora com os períodos de máxima atividade solar.

 

Como se vê nem tudo que cintila é ouro, e esta cintilação, além de ter prejudicado a transmissão da TV, pelo visto, influenciou o desempenho do nosso time que, assustado com o calor de 34º e umidade relativa do ar em 11%, apesar do anoitecer, fez questão de jogar com o pé no freio. Havia momentos em que antes de a bola chegar, nossos jogadores já posicionavam o corpo para passá-la para trás. Quando alguém arriscava correr, terminava o lance extasiado. Verdade que alguns dos nossos craques, como Luan, sempre parecem jogar cansados. Aliás, porque ele faz tantos gols com a camisa da seleção e não repete este desempenho com a do Grêmio? Marcelo Grohe com seu mal-estar foi o personagem do jogo, seja por refletir fisicamente o que todos pareciam sentir, o que o levou a ser substituído, seja pela defesa precisa (e sortuda) que fez em contra-ataque inimigo.

 

Tinha a expectativa que, em Goiânia, recuperaríamos os pontos perdidos no jogo anterior, em São Paulo, o que nos colocaria dentro do G4. Parece-me, porém, que o desempenho que tivemos atendeu a estratégia combinada no vestiário, haja vista que sequer tentamos substituir jogadores com o intuito de dar mais dinamismo na partida. O entra e sai foi apenas para fazer mais do mesmo. Nossos comandantes têm mais paciência do que eu. E talvez estivessem cientes do risco que corríamos frente a cintilação ionosférica.

 

Que nos próximos e finais compromissos deste Brasileiro o fenômeno não volte a prejudicar o sinal da TV nem a vontade de jogar do nosso time.

Avalanche Tricolor: para matar a saudade

 

Grêmio 0 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Estava com saudades do Grêmio. Imagino que você, caro e raro leitor gremista deste blog, também estivesse. Depois da overdose de Copa, com seu cerimonial pré-jogo, partidas bem jogadas, arenas lotadas e cenas incríveis registradas por mais de uma dezena de câmeras, não via hora de voltar a realidade do futebol brasileiro. Por estar de férias, cheguei a planejar um retorno em alto estilo, com viagem a Porto Alegre e direito a ingresso para ver o Grêmio, ao vivo, pela primeira vez na Arena. Sim, eu confesso envergonhado: até hoje não consegui chegar perto do nosso novo e bonito estádio. E não foi desta vez, pois intempéries familiares me impediram de viajar. Restava-me repetir a tática das partidas anteriores – ficar sofrendo em frente a televisão – com a vantagem de não ter de acordar de madrugada no dia seguinte, o que me permitiu abrir uma garrafa de vinho e cantarolar enquanto a bola não rolava: “eu sou Borracho, sim senhor/ E bebo todas que vier/ Canto pro meu tricolor/ Meu único amor/ E dale daaaaaaaale Tricolor…

 

Apesar da viagem frustrada, havia outras expectativas para o jogo desta noite de quarta-feira. A começar pela estreia de Giuliano de quem mais ouvi falar do que vi jogar, pois nunca fui de prestar atenção no desempenho da turma lá próxima do Guaíba. Meu pai, que entende de futebol bem mais do que eu e acompanha de perto as coisas que acontecem entre o Humaitá e a Praia de Belas, por telefone, me garantiu que o cara joga bola de verdade e voltou ao Brasil fisicamente mais forte (e parece que feliz pela oportunidade de jogar pela primeira vez em um grande time brasileiro – calma, isso é só uma brincadeira!). Pelo que se percebeu em campo, realmente pode ajudar na campanha deste ano. Além dele, havia algumas trocas de posição, como a presença de Saimon na lateral esquerda, Geromel de titular na zaga, um meio de campo redistribuído e o ataque com esperança renovada. Sem contar o banco mais bem reforçado. Ou seja, Enderson Moreira tinha mais recursos em mãos.

 

Noventa e poucos minutos e uma garrafa de vinho depois, vimos que a frustração não se resumiu a viagem não realizada. Assim como no primeiro semestre do ano, os gols seguem sendo peças raras do nosso lado. E para deixar a coisa ainda mais angustiante, a bolinha que aparece na tevê para anunciar gols nos outros jogos da rodada insistia em saltitar à minha frente para provar que era possível marcar. Nós é que não sabemos como. Justiça seja feita, não faltaram tentativas de gols, com chutes para um lado e para o outro, alguns bem mais para cima do que para os lados. Houve até bola no poste e por cobertura. Nenhuma, porém, fez a gentileza de entrar. Quem entrou bem foi Dudu, esforçado, driblando, tentando cruzar para área, como sempre fez desde que esteve no time. Luan deu sinais de que pode entregar o futebol que promete ter. Barcos segue tentando. E Pará, pintou o cabelo com a mesma tinta de Daniel alves, esta sim a mudança mais visível em relação ao primeiro semestre.

 

De resto, o Grêmio matou a minha saudade (e entenda isso da maneira que bem quiser).

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na Libertadores!

 

Grêmio 1 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio está na Libertadores!

 

Os que conhecem nossa história sabemos que se há um lugar onde nos sentimos em casa é na Libertadores. Nascemos no Rio Grande mas fomos forjados para lutar na América do Sul. Sonhamos com essa conquista, mais do que o Brasileiro, muito mais do que o Gaúcho. Mas para sonharmos é preciso estar lá. E Renato conseguiu mais uma vez. Um caminho aberto à força e muita dedicação, como ele costumava fazer diante das defesas mais duras que enfrentou quando jogador. Muitos preferem lembrá-lo como um atacante de técnica, mas, não tenha duvida, só foi capaz de romper as barreiras que se formavam entre ele e o gol devido a coragem e a explosão de seus músculos. Com o peito empurrava os zagueiros para dentro de sua própria área. Com os braços abria espaço entre os marcadores. E, claro, completava a jogada com o talento de suas pernas. A cabeça, esta nunca foi o seu forte. Mas mesmo esse aparente desequilíbrio emocional parecia conspirar em favor do seu futebol. Foi com um chutão, de costas para o campo, marcado por dois adversários e espremido na linha lateral, não esqueço jamais, que Renato jogou a bola para César Maluco completar de cabeça o gol que nos deu o título da Libertadores, em 1983. Ali não havia técnica, era pura força e determinação.

 

No comando do Grêmio, Renato fez o que pode para nos levar à Copa Libertadores. Assumiu um grupo de aparente qualidade técnica, mas pouco determinado em campo, resultado do trabalho egoísta do treinador que o antecedeu. Testou diferentes formações, jogou com dois e três zagueiros dependendo da partida, colocou três volantes quando entendeu necessário, arriscou com três atacantes quase toda a competição, tirou gente consagrada e querida pela torcida, não teve vergonha de ouvir o grito das arquibancadas e mudar novamente quando percebeu seu erro. Mesmo diante das críticas de que o time rendia abaixo de seu potencial, manteve-o entre os quatro melhores do campeonato em boa parte da disputa. Jamais esteve ameaçado pelo rebaixamento ou pela falta de competição. Sabia que os gols eram escassos, que a defesa não tinha chance de errar, que alguns de seus titulares eram limitados, que seu goleador poderia ser útil na defesa e seus zagueiros poderiam salvar a lavoura. Sabia também que a torcida iria reclamar. Foi corajoso, às vezes teimoso. Arriscou sua história no clube em busca de um objetivo, mesmo que tivesse de abdicar de craques e do bom futebol. Sempre acreditou que poderíamos estar com uma das vagas da Libertadores mesmo quando as vitórias deixaram de aparecer com a mesma frequência.

 

Com uma rodada de antecedência, Renato e seus comandados levaram o Grêmio onde o Grêmio sempre sonhou estar. E por mais esse feito, obrigado, Renato!

Avalanche Tricolor: se aprendeu a lição, tudo bem!

 

Goiás 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (GO)

 

O esporte é rico em histórias engraçadas. Lembrei na noite de hoje do caso de um colega do time de basquete que chegou no vestiário, colocou o uniforme, vestiu o abrigo e atentamente ouviu a orientação do técnico. Ficaria na reserva, mas com boas chances de entrar e, quem sabe, mostrar todo seu talento, garantindo lugar entre os cinco titulares nos próximos jogos. A partida se iniciou, a disputa era equilibrada, a marcação forte, mas o adversário tinha vantagem no placar. O treinador fez uma substituição, fez outra, tentou uma terceira, uma quarta formação, até que olhou para o banco e chamou meu colega. Chegava a chance de mostrar todo seu valor. Aqueceu tempo suficiente para pegar o ritmo do jogo. Quando estava pronto para entrar na quadra, arriou o abrigo e ficou apenas de cueca para a gargalhada dos torcedores. Havia esquecido de vestir o calção e com isso jogara fora a chance de assumir posição de destaque no time.

 

O jogador sem calção foi o Grêmio na noite dessa terça-feira, em Goiânia. Ficou preso no congestionamento, entrou atrasado em campo, perdeu o Hino Nacional, o pique do jogo e o toque de bola. Desatento, cometeu erros infantis e foi incapaz de superar suas limitações, ao contrário das partidas anteriores quando cometemos erros, tivemos dificuldades para executar jogadas, mas, mesmo assim, éramos maiores do que todas as nossas falhas. Com isso, desperdiçamos a oportunidade de seguir na disputa pela liderança do Campeonato e corremos o risco de cair na tabela de classificação.

 

Apesar de tudo isso, não há motivos para desespero. Nossos adversários também cometerão seus tropeços no decorrer das rodadas, quem sabe já nessa quarta-feira. O importante é aprender a lição, compreender nossas carências e resolvê-las durante a semana para que no próximo sábado quando nova chance surgir estarmos preparados para chegar à liderança (sem esquecer de vestir o calção).