De culpa

 


Por Maria Lucia Solla

O que é culpa?

Vamos escarafunchar o inconsciente coletivo, que mora em mim e que mora em você, para entendermos melhor o que é a dita-cuja, quando bate.

Culpa é olhar para trás e se envergonhar do que fez. Culpa é se arrepender daquilo que disse, mas no tipo mais grave, é aquela sentida pelo que se pensa ou deseja.

Então, culpa brota de pensamentos, palavras e atos. Culpa tem tipos, graus, formas e subdivisões; mas por que sentimos culpa de algumas coisas e não sentimos de outras? Porque o que se transforma em culpa, para você, se transforma em qualquer outra coisa, menos culpa, para mim.

Na realidade nua e crua, tudo depende do tamanho da bolha em que nos permitimos viver. Se a minha bolha é mais flexível do que a tua, tenho mais amplitude de vida, e menos culpa.

E a bolha é feita de quê? De códigos sociais, morais e principalmente de códigos religiosos manipulados por homens que se dizem “homens de Deus”.

Sente culpa, não só o que se sente pequeno, incapaz de acertar. Também sente culpa, o megalomaníaco que se considera imprescindível para a felicidade do outro, sentindo-se responsável pelo choro ou pelo riso dos que o cercam. Amarga ilusão!

Cada estado em que me encontro, de alegria, tristeza, culpa, paz, dor, é irradiado como pedra jogada no lago, que vai se alastrando e tocando tudo que encontra no caminho. É assim que se toca o outro, sem intenção, sem planejamento. Apenas sendo.

Agora, está livre de culpa quem vive acordado, consciente, grande parte do tempo; quem tem boa noção de equilíbrio e disposição de se entregar à vida. De entrar de cabeça na água divina.

Está livre dela quem é generoso, coerente nos tais pensamentos, palavras e atos; quem não sofre da síndrome de vítima nem de algoz. Quem tem a graça da verdadeira liberdade de ser; o bom dançarino que não pisa nos pés de seus pares.

Culpa dói, e dói mais quando não dá mais para reverter a situação.

Então, meu amigo, ao menos para ter mais poesia na vida, que rima com alegria sentida, deixa de lado a culpa, que não rima com coisa nenhuma, e rodopia na liberdade de viver o presente da Vida.

Sentir culpa é deixar amarrado, a um momento do passado, um bom pedaço de si.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

14 comentários sobre “De culpa

  1. Bom dia Mike Lima
    Quem um dia não sentiu-se culpado por ter cometido alguma injustiça, calunia ou atitude estas que vieram prejudicar alguem proximo ou distante, familias, empresas, entidades?
    Um casal quando se separa, socios quando se separam, amigos que se separam, normalmente ouvimos que o culpado "foi êle ou ela".
    Ao meu ver depois de muitas lambadas na vida, não existem culpados e sim todos foram responsáveis mutuamente.
    Mas somente com o tempo o passar dos anos é que vvamos adquirindo conhecimento e entendimento sobre as nossas ações, atitudes perante a vida e a todos.
    E assim vamos nos moldando, aparando arestas, corrigindo nossos rumos e as nossas culpas pecados vão sendo reduzidos.
    Bjus e um exelente domingo
    Armando Italo

  2. Primutcha
    Culpa? Para que? Na verdade este é um dos piores sentimentos que um ser humano pode ter. Não nos leva a lugar nenhum e apenas nos mantêm estagnados.
    Qual de nós nunca errou? O erro tem como objetivo ensinar o que não devemos mais fazer. Ele deve ser a mola propulsora que nos empurra p/frente e nos incentiva a promovermos mudanças em nós mesmos, em nosso comportamento e, consequentemente, no mundo em que vivemos.
    “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”
    Beijocas
    Magutcha

  3. Maria Lúcia, você se esqueceu de mencionar a culpa por não termos feito isso ou aquilo.
    Mas na realidade, quando nós entendemos o significado da vida, essa amplitude espiritual do ser, que tem começo, meio e nunca tem fim, vamos descobrindo que na tragetória da vida, vivemos de erros e acertos. Para simplificarmos, cada um vive num “estagio” espiritual, moral e intelectual diferente do outro. O que é muito importante, é nós procurarmos consertar o que fizemos de errado e tentarmos não errar mais. Simples assim, (como se fosse fácil, não é ?)

    Data Ezequiel:
    Tiririca muito votado como voto-protesto, e Marina Silva, como alternativa. Zona Sul e Zona Leste, onde estive de manhã.
    Abraços

  4. Oie querida Malú.

    A culpa! Seria nossos erros?
    Bem, no fundo todos nos temos uma culpa, seja la de qual modo interpretarmos essa culpa.

    Com disse Magaly Sola:
    “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”

    Bjus e uma linda semana.

  5. alpha india november, grande armando ítalo!

    É verdade, muita gente só amadurece com o passar dos anos e a duras penas; mas acredite, tem gente que já nasceu com as engrenagens ajustadas e não precisam passar por esses gargalos doloridos.

    Eu sou dessas pessoas que aos pouquinhos vai aprendendo e comemorando a cada centímetro alcançado.

    Obrigada, beijo e boa semana,
    ml

  6. Magutcha, minha linda,

    é isso! Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima! Larará!

    Não há nada como um “me perdoa, não quis te ofender” ou qualquer outro pedido de desculpas que saia do coração e que venha acompanhado de um sorriso sincero.

    Agora, se o desconfiômetro estiver azeitado e em bom estado de conservação geral, você nem tropeça no calo do outro, certo?

    Obrigada por ter passado por aqui.

    beijo e boa semana,
    ml

  7. É verdade, Ezequiel,

    essa culpa é braba. Credo!

    Agora, sabe o que tenho percebido? Que é perda de tempo ir atrás do conserto do erro. A gente perde tempo, desequilibra o próprio quantum energético, andando para trás, e quando o conserto está feito, o serviço está com cara de remendo.

    No fundo e na superfície, acredito que numa situação em que você acha que errou com outra, em vez de pedir perdão, (como eu disse ali em cima, na resposta ao comentário do armando ítalo) deveria agradecer pela baita oportunidade de ver o que precisa mudar, refletido na situação. E se a gente não vê, a vida continua mostrando; como um disco de vinil riscado.

    Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

    Estava com saudade desse meu fechamento de texto, então aí está ele.

    beijo e boa semana,
    ml

  8. Andei testando meus medos e os convidei a deixarem o turbilhão da mente para um repouso no coração. Os primeiros entrevistados estavam meio reticentes mas cederam a tentação do sossego.
    Como é ruim olhá-los de perto Malu. Calar para ouvi-los então…, Por outro lado, já deu pra sacar que os mais extravagantes eram maiores que eu, só no escuro. Com a luz do dia e o silencio, eles vão aquietando e me deixando caminhar mais leve.
    Boa semana Malu

  9. Karen, saudade!

    Pois é, menina, a história começa aí, no se sentir errada.

    Errada em relação a quê? A que modelo, cultivado em que ambiente? Fruto de que civilização? De que religião? Aqui pelos nossos lados, beber álcool é bonito e o hábito é cultivado e incentivado desde as festas de bebê. Nos países muçulmanos, é pecado! Você sabe que, de uma cidade para a outra, tanta coisa muda; vizinhos têm hábitos e códigos de valores e crenças completamente diferentes dos teus. Marido e mulher, pais e filhos, são, cada um, um universo riquíssimo e completo. Einstein mostraria agora sua célebre língua, e diria: TUDO é relativo!

    Agora, que a Magaly arrasou com a música, arrasou. Também voto na frase.

    Obrigada, viu?
    beijo e boa semana,
    ml

  10. sérgio!

    que bonito! que bom! que coragem! os medos são horrendos; tão horrendos que acabam nos atraindo quase tanto quanto a beleza extrema e, a gente fica refém deles uma vida inteira, e mais outra, e mais outra…, até que um dia, as cascas do encantamento se rompem e a gentevislumbra opção melhor.

    Então, pra você, meu amigo, muita LUZ! do sol, da lua, da vela, do fogo que aquece a panela.

    beijo e boa semana,
    ml

  11. Malu,

    Eu sigo a receita que me ensinaram: Enquanto estiver ocupado fazendo o bem, esquecerá todas as culpas.

    Parece provérbio Chinês, mas, ouvi isso de uma pessoa que tem uma porrada de pecados nas costas. Hahaha!

    Beijos e boa semana sem culpas!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s