Água que cai do céu não está sobrando

 

Afonso Capelas Jr mantém o blog Sustentável na Prática, dentro do portal Planeta Sustentável, e ofereceu um dos textos sobre a água para que publicássemos neste Blog Action Day:

Enchente em São Paulo

Entre o final de 2009 e o começo deste ano tivemos mais de 40 dias de dilúvio em vários lugares do Brasil. Em São Paulo, por exemplo, foram exatos 47 dias seguidos de chuvas – e chuvas fortíssimas – causando aqueles estragos todos que já sabemos. Diante desse cenário de aparente fartura de água muita gente se anima com a ideia de que já não há mais motivos para economizar. Ao contrário, acreditam que, como está sobrando água nas represas, temos mesmo é que gastá-la sem critérios.

Não é bem assim. De fato, em janeiro quatro das 11 principais represas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo estavam com sua capacidade quase acima do chamado “nível de segurança para armazenamento”, que é o limite máximo de operação que um reservatório pode suportar. O sistema Cantareira, por exemplo – responsável pelo abastecimento de quase 9 milhões de pessoas – tinha mais de 96% de suas represas cheias d´água. Foi preciso descarregar o excedente nos rios para evitar o transbordamento.

O assessor de Meio Ambiente da Sabesp, Marcelo Morgado, explica: “As chuvas intensas e enchentes causam a falsa ilusão de abundância de água e até induzem à menor preocupação com o desperdício”. Na verdade, o que a gente nunca se dá conta é que depois das águas de março passamos por um longo período de estiagem durante o final do outono e boa parte do inverno, especialmente aqui no Sudeste do país.

Morgado lembra que localmente, dependemos muito desse estoque de águas das chuvas nas represas durante o verão, para suportar a estiagem do inverno. “Por outro lado, globalmente, é preciso levar em consideração que as mudanças climáticas não são uma tendência puramente linear, mas vêm acompanhadas de distúrbios no tempo, alguns dos quais já estamos vivenciando e que provocam alterações no regime de chuvas. Ou seja, chuvas torrenciais podem ser sucedidas por períodos de estiagem severa e prolongada”.

Antes mesmo de colocar a culpa nas questões climáticas, acredito que é preciso adotar uma nova postura: a da utilização racional da água e, de resto, de todos os outros recursos naturais deste planeta. É um hábito que pode fazer parte do nosso comportamento diário sem alterar em nada a nossa qualidade de vida e de bem estar. Ao contrário, vai até prolongá-los. Assim como também podemos procurar agir de modo inovador, reconsiderando formas de aproveitamento de tanta água limpa que cai do céu, mas não é inesgotável.

Vamos pensar juntos nessas possibilidades?

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