Por Carlos Magno Gibrail

Como se não bastasse o ineditismo protagonizado por Dilma Rousseff como mulher a ocupar o mais alto cargo da nação, experimenta agora uma questão semântica.
A mídia, ao invés de considerar o aspecto mais simples, na medida em que “presidente” ou “presidenta” estão corretos, e atender a vontade da própria, decidiu trilhar por contingências políticas e machistas.
Adversários criticam a dubiedade da campanha, quando se usou “presidenta” em ações de menor amplitude e “presidente” para TV e a grande mídia, para não atritar o conservadorismo do eleitorado clássico. Como se o contingencial uso de técnicas de Comunicação e Marketing fosse impróprio.
Machistas ironizam e antevêem a avalanche de preciosidades como “dependenta”, “assistenta”, “gerenta”, carne de boi, carne de porca. Esquecendo que prefeita, governadora, diretora já são de uso comum, além do que melhor seria realmente indicar as carnes de macho e fêmea, pois há diferença de sabores.
Aurélio e Houaiss, dicionários relevantes, há tempos definem presidenta como mulher que preside. Porém uma parte da espécie que se define como “humanidade”, precisará de um avanço etimológico para assimilar as mudanças sociais e políticas introduzidas contemporaneamente. Das quais, exemplo significativo é exatamente a vitória feminina no pleito presidencial.
Luiza Erundina ao assumir a Prefeitura de São Paulo no ano de 1988 como a primeira mulher eleita para o cargo, não titubeou em exigir a troca de todas as sinalizações de “prefeito” para “prefeita”, da placa de seu gabinete até as de rua. Decisão tomada, execução acatada.
Em 2001, “Cacá” estreou no Morumbi em final de Rio São Paulo, marcou dois gols, conseguiu seu primeiro titulo como profissional e, empolgado, pediu para que mudassem seu nome para Kaká. Foi atendido imediatamente, a ponto de hoje certamente poucos saberem que um dia houve um “Cacá”.
Em 2010, uma das recentes revelações do futebol brasileiro, Marcelinho, após o jogo que revelou seu talento solicitou aos jornalistas que atendessem a mãe, que pedia que o chamassem de Lucas, seu nome de batismo. E, ninguém mais ouviu falar de Marcelinho.
Sábado, no Congresso Nacional em posse oficial, Dilma Rousseff declarou solenemente: “A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos”.
Não vingou. A direção editorial dos grandes veículos decidiu optar pela preferência dos “editores-chefe”, cargo que, diga-se de passagem, também ocupado por mulheres.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung
Nada contra a chefe de governo dar o nome que quiser ao cargo que ocupa. Eu mesmo costumo descrever o meu como “curioso profissional”.
Observo apenas que nunca se questionou a “feminilidade” das palavras “lactante” e “parturiente”, embora sejam descritas por uma construção gramatical semelhante à de “presidente”. E, ao que me consta, são de fato condições exclusivamente femininas.
A presidenta não se contenta em sê-lo,
marrenta tenta,
com se adolescenta birrenta fosse,
fazer valer sua vontade.
Pobre língua pátria!
Pobre pátria!!!
Presidenta ou presidente?
Que importância tem para o pais um ou outro diante de tantos problemas, desmandos, mensalões, dinherio nas cuecas, malas, maletas, etc?
Marcelo Soares, seu comentário é pertinente, entretanto no caso de "presidente" e "presidenta" existe a possibilidade de escolha.
A questão aqui é que feita a escolha, ela não foi atendida.
Talvez no futuro quando mais mulheres estiverem em situação idêntica.
De qualquer forma a sua manifestação é e sempre será bem vinda
Denise, muito bom o seu verso e sua rima.
Discordo apenas na qualificação de probreza, pois onde vê pobreza vejo riqueza.
Obrigado pela participação.
Armando Italo, a importância é em principio apenas semântica, mas dependendo do observador poderá ter outras conotações.
A relevância etimologica,politica e comportamental pelo menos não ficará indiferente a quem milita nestas áreas.
Abraço e obrigado pela manifestação..
.
Por mim tudo bem, rsrs…
…só não esquecerde acabar com a corrupção…
…de apartir de hj, as crianças aprenderem nas escolas desde cedo, prezinho, pre-escola…a fiscalizar as contas públicas…
…a sentir gosto e acompanhar, pois so assim estaremos fazendo / criando uma geração com cosciencia de que para as coisas: $ público chegar onde tem que chegar e que o ESATDO e os TRÊS PODERES mais a administração pública diz que chega, mas todo o POVO Brasileiro sabe que isso é uma MENTIRA SEM TAMANHO,…
…ai ai, eu só reclamo, rsrs, um abraço, kkk!!!
Douglas The Flash
Pelo que tenho observado, é bem verdade sem metodologia cientifica de pesquisa, a nova geração está bem diferente quanto aos aspectos morais e éticos. Incluindo uma propensão enorme para a leitura.
Presidente ou presidenta, Doutor ou doutora, Juiz ou juiza, Ator ou atriz são apenas títulos que o ser humano carrega para dizer qual é a sua profissão ou o seu posto na sociedade. O que vale mesmo é o caráter da pessoa. O que vale mesmo é se a pessoa tem ética, respeito e cidadania em seu cargo seja homem ou mulher.
Daniel Lescano
É verdade, o que vale é o conteúdo.
A questão é que a forma é a maneira de ordenar, de organizar.
A linguagem , quer oral ou escrita é uma das possibilidades de através de códigos pré estabelecidos mantermos um ordenamento que traga um entendimento.
De outro lado entendo a preocupação com honestidade, diante de tantos fatos demonstrativos de metas apenas pessoais de tantos homens públicos.