SP: Demanda reprimida liberada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Cruzamento insano

São Paulo conseguiu proeza e tanto. Gastou aproximadamente 10 bilhões de reais no sistema viário urbano, e vive hoje uma explosão de consumo imobiliário e automotivo. É só atentar aos jornais e TVs, e escolher apartamentos e carros com ofertas infindáveis e financiáveis.

Entretanto, ao lado desta força econômica, quem mostrou a nova cara foi a demanda reprimida. Agora, utilizando o espaço viário recém inaugurado, se apresentando como liberada, e ocupando as novas vias de tráfego.

A resultante destas façanhas foi estampada na mídia da semana, quando realçou a inusitada igualdade dos quilômetros de congestionamento no centro expandido da capital paulista. De manhã ou de tarde há gigantesca paralisação do tráfego. E, se houver previsão de chuva o placar indica goleada para o período matutino.

Como as chuvas têm continuado, a inversão do congestionamento permanece, o que tem levado parte da população a mudar a rotina diária.

Se o paulistano, já refém da síndrome de Estocolmo em relação a aceitação da lentidão no tráfego ainda não distingue a razão desta mudança, os especialistas já apontam a causa.

As obras da Marginal idealizadas e executadas por Serra e Kassab melhoraram o trânsito nas marginais, a tal ponto que animaram paulistanos que não usavam o carro, e passaram a trafegar pelas novas vias.

Este aumento não pôde ser absorvido pelas demais ruas secundárias, além de coincidir com o período matutino que converge em poucas horas, das 7 às 9, o maior fluxo.

O especialista em transportes, Sérgio Ejzenberg, entrevistado pelo jornal O Estado de São Paulo explicou: “É igual ir a um evento em estádio. A chegada é sempre mais difícil, pois os caminhos são poucos e todos vão para o mesmo lugar. Depois que você sai do furacão, a volta é mais tranqüila.”

Na mesma reportagem do Estado o consultor de transportes Horácio Figueira declarou: “Como o trânsito melhorou, muita gente que evitava usar a Marginal por causa dos congestionamentos acabou voltando a utilizar a via. Assim, o efeito das novas pistas acabou sendo parcialmente dissipado. Mas, como a Marginal já era mais saturada à tarde, a piora acabou concentrada na parte da manhã.”

De outro lado a Folha de São Paulo ressaltou que a Marginal Pinheiros está pagando preço alto pela maior vazão dada a Marginal Tietê, e é a grande responsável pelos recordes de congestionamento matinais.

Enquanto o trânsito da tarde não aumenta, esperamos que o mesmo prefeito e o novo governador não tenham a mesma idéia de gastar mais 10 bilhões de reais para tentar resolver o problema do automóvel, quando o problema é o automóvel.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

12 comentários sobre “SP: Demanda reprimida liberada

  1. Carlos
    São Paulo sempre foi considerada como a meca brasileira, a galinha dos ovos de ouro, o final do arco iris.
    O pais inteiro mudou para São Paulo na busca de dias melhores, de melhor qualidade de vida sobre vários aspectos, de empregos, de saúde, etc.
    Como paulistano nato vejo São Paulo, nos dias de hoje como ilusão devido a precariedade em que se encontra esta gigante em estado terminal.
    Esta cidade ja ofereceu o que podia oferecer.
    Agora é somente para poucos, os que tem condições para viver aqui.
    São Paulo atualmente é a cidade mais cara das americas, a mais caótica, ultrapassou a cidade do Mexico!
    O povo se iludiu com a conversa fiada e agora está pagando o altissimo preço da burrice e da ganancia politica e politicos, porque votamos neles.
    Lembra-se quando o Lula nas tvs, nas radios pedia para a população comprar automoveis, apartamentos, etc?
    A cidade acabou se tornado um verdadeiro inferno de Dante.
    Como uma suposta solução de bem estar e qualidade de vida melhor, Muitos paulistanos decidiram e foram morar fora da cidade nas cercanias, em grandes condominios, Cotia, Barueri, Carapicuiba, Santana do parnaiba.
    Outros grandes condominios então foram sendo construidos.
    Agora os moradores destes condominios vivem verdadeiro inferno, via crucis para poder sair de seus condominios para vir a São Paulo para trabalho e outros compromissos.
    E para retornarem para seus condominios depraram-se com as mesmas situações calamitosas.
    E assim a doença da especulação imobiliaria, da ganancia politica, da baderna generalizada, do caos acabou se espalhando como metástase por toda grande São Paulo
    Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.
    A ganancia e a especulação imobiliária, a falta de honestidade e de sensatez politica colocou o paulistano em uma verdadeira armadilha pelo jeito não existe possibilidade de sair dela, a não ser que mude de cidade para bem longe do caos, outro estado, pais!
    Porque em são Paulo sinceramente, realisticamente não existe mais condições de uma pessoa, pagadora de impostos viver dignamente, com verdadeira qualidadde de vida, de poder respirar, de poder ver o sol nascer e se por, de poder ir trabalhar descansado, trabalhar com a cabeça no lugar e voltar para seus lares com a missão e o dever cumpridos.

    Transito!

  2. Não tem transporte público que dê jeito. Não tem sistema viário por mais moderna que seja, resolver os problema dos congestionamentos em SP. E sabe por quê? porque tudo funciona num mesmo horário. Pelo menos em 80% das empresas o trabalhador entra entre 7hs a 8hs e sai do serviço entre 18hs e 19hs. As escolas tbém funcionam nesses horários. Muitas empresas poderiam funcionar das 13hs às 22hs por exemplo. Ou das 11hs às 20hs. As escolas tbém poderiam remanejar seus horários. E o Governo poderia ajudar reduzindo impostos para empresas que trabalham fora do horário padrão que é de 7hs às 18hs. Em SAMPA todos saem para trabalhar num mesmo horário e todos voltam num mesmo horário. Haja transporte publico e ruas e avenidas para suportar toda a massa trabalhadora. Outra coisa para reduzir o número de caminhões nos horários de pico: Pedágios nas rodovias que tem entrada para São Paulo para caminhões. Exemplo: O caminhão que passar pelo pedágio antes das 6hs da manha e antes das 17hs não pagaria nada para atravessar por São Paulo. O caminhão que passar depois desses horários pagaria tipo R$ 20 de pedágio. Te garanto que muitos caminhoneiros iriam programar melhor suas viagens e o trânsito iria fluir melhor nos horários de pico. Não vejo razão para um caminhão cheio de areia, telhas ou ferros ter que passar nas marginais exatamente 18hs. Tem caminhoneiro que passa por Sampa entre 18hs e 19hs para uma hora depois parar o caminhão num restaurante de beira de estrada para jantar e dar um cochilada de 2hs e seguir viagem. Por quê esse mesmo caminhoneiro não parou para descansar em restaurantes de beira de estrada antes das 17hs e deixa para passar por Sampa depois das 21hs? É preciso só o Governo conversar com o Sindicato dos CAminhoneiros e chegar num acordo.

  3. Enquanto isso a passagem de ônibus é R$3,00, o que faz andar de carro ser mais barato que ônibus, apesar do congestionamento. Enquanto isso raros são os pontos de ônibus com cobertura, sequer temos informações de quais linhas passam neles, praticamente nada é investido em mobilidade não motorizada, cada vez é mais perigoso andar a pé, até mesmo na calçada.

    E ainda tem mais gente aplaudindo o investimento em pontes e viadutos. Daqui a pouco mais um túnel na Sena Madureira que só servirá para ligar um congestionamento a outro.

    Pobre de nós…

  4. Daniel Lescano, essa sugestão é uma das medidas que certamente melhorariam o fluxo.
    Estamos numa época em que muitos agem em relação apenas para si.
    A carreira de cada um está em primeiro lugar, tanto no publico quanto no privado.
    Além disso tenho dúvidas que a percepção do real esteja ao alcance de todos.
    As armas estão aí, eleições e midia.
    Pelo menos estamos escrevendo e falando dos problemas.
    Parbéns pelas idéias.

  5. Carlos, bom dia.

    Eu tenho cá pra mim que como a cúpula dos gerenciadores do transito não são usuários do transporte público, a melhoria deste, passaria também pela proibição do transporte por helicópteros.

    abraço

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