Excesso de velocidade e falta de fiscalização

 

Por Milton Ferretti Jung

Nesta quinta-feira vou escrever sobre trânsito. A idéia surgiu no último sábado quando estive em Tramandaí acompanhado por minha mulher. Explico, para quem nunca ouviu falar nessa cidade, que ela se situa na orla do Atlântico e dista 130 quilômetros de Porto Alegre. Para se chegar a Tramandaí percorre-se a BR-290 até Osório e, posteriormente, a RS-030. Rodovia Osvaldo Aranha é como se chama a BR-290. No trecho que separa Porto Alegre de Osório ficou conhecida, porém, como Free-Way. O apelido não condiz com a atual realidade da estrada que, quando de sua inauguração, era uma via verdadeiramente livre, sem os acessos que, com o tempo, foram sendo criados. Afinal, não fosse isso, vários pequenos municípios, que a margeiam, ficariam isolados.

A falsa free-way possui três faixas de rodagem. Na da direita devem transitar veículos pesados – ônibus e caminhões – e na esquerda, os leves. Para aqueles, a velocidade máxima permitida é de 80 quilômetros por hora. Já estes têm 100 quilômetros por hora como limite. Na verdade, entretanto, na minha viagem de ida e volta a Tramandaí constatei, mais uma vez, que poucos motoristas de veículos pesados se contentam em dirigir na velocidade que lhes é permitida. O mesmo faz grande número dos que conduzem veículos leves. Minha caminhonete dispõe de piloto automático. Isto, além de me assegurar que não ultrapassaria os 100 por hora, permitia-me calcular, a grosso modo, é claro, a velocidade dos que me deixavam para trás, fossem esses leves ou pesados.

Fiz este intróito para dizer que a manchete dessa terça-feira, dia 10 de maio, do jornal Zero Hora, vem ao encontro do que observei na BR-290: “Metade das cidades gaúchas ignora o Código de Trânsito”. A matéria acrescenta que 263 cidades do meu estado deixam seus motoristas impunes, em consequência de desobedecer lei em vigor desde 1998. Por quê? Porque os municípios desobedientes, muitos dos quais nem deveriam ter virado independentes, não possuem condições para multar seus cidadãos que cometem delitos de trânsito, eis que para tanto precisariam nomear um responsável pela área, contratar agentes ou firmar convênio com a polícia-militar, montar uma junta que julgue recursos capazes de defender motoristas autuados, etc.

Impunes em suas cidades, esses se acostumam a desrespeitar as leis do Código de Trânsito e saem pelas estradas nas quais seguem cometendo desatinos de toda ordem. Essa gente, potencialmente, se inscreve entre os condutores de veículos, leves e pesados, que em especial nos feriados prolongados abundantes no Brasil, na direção dos seus carros, motos, ônibus e caminhões, envolve-se em acidentes e fica gravemente ferida, mata ou morre.

A propósito,as polícias, tanto as estaduais quanto a federal, que dão duro nos feriadões – me desculpem este aumentativo que detesto – afrouxam a fiscalização nos dias úteis. Na minha viagem a Tramandaí não vi sequer um radar móvel. Talvez não tenha olhado direito por estar tratando de deixar pista livre para os imitadores dos “Velozes e Furiosos”, filme no qual talvez se inspirem.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

5 comentários sobre “Excesso de velocidade e falta de fiscalização

  1. Bem Milton, essa situação não é muito diferente do que ocorre em São Paulo, estado dito ter a melhor malha viária do país, com excesso de vias pedagiadas por concessionárias que se gabam de oferecer inúmeros “pontos de atendimento” para suporte ao usuário.
    Deste modo fico a pensar:
    – será que o melhor suporte deles, não seria começar auxiliando na identificação das pistas de que as velocidades máximas deveriam ser respeitada?
    – que os veículos pesados e que possuem enorme potência hoje, deveriam se manter nas velocidades padrões, e nas faixas da esquerda?
    – que talvez eles mesmo pudessem “auxiliar” o poder público na aferição de velocidades de modo a coibir estes excessos e porque não, ficar com um percentual das receitas auferidas pelos “assassinos de plantão” que rodam pelas vias?
    E muito normal que eu rode pelas rodovias federais Dutra e Fernão Dias, ligadas numa parte entre elas, e é expressivo o números de flagrantes destes abusos, caminhões colados em nossas traseiras pedindo passagem.
    Fiscalização? sim, de vez em quando enxergamos algumas, embaixo ou acima de viadutos, parando quem está fazendo barulho, ou fez alguma mudança de trajeto diferente, mas, sempre parados.

  2. Milton, se a Lei de Trânsito fosse levado à sério. Muitos carros nem estariam rodando. Metade das motos que circulam de forma irregular seria apreendida numa blitz. Caminhões deixariam de circular já primeira balança por excesso de peso. É preciso fazer uma lei para que se cumpra a Lei que já existe. Meu irmão veio de Ourinhos para SPaulo e o fiscal parou na estrada e aplicou uma multa porque o pneu estava careca e que poderia causar acidente. Assim que aplicou a multa o carro foi liberado. Ou seja, o carro não deveria ficar retido até a substituição o pneu por um mais novo? O fato de aplicar multa não impediria de causar um acidente. Deu para sacar que o que interessa é a multa. Meu brother seguiu viagem até Sampa com o pneu careca. Tá certo que arriscou a vida, mas a obrigação de prender o carro era da policia de trânsito. Se a policia fizer uma blitz de uma semana para fiscalizar caminhões irregulares tenho certeza que metade não deveria estar circulando pela cidade.

  3. Ao que me recordo, do meu tempo nos bancos da escola tive que estudar muitas matérias específicas, cálculos matemáticos complexos e muito sem aplicação prática até hoje quando beiro os 40. Sobre o transito, a lembrança é de alguma coisa esporádica aqui e acolá. A carteira de habilitação parecia natural, coisa que aos 18 me seria concedido se eu já soubesse conduzir. Acredito que o problema tem a sua raiz justamente aqui Milton.
    Para conduzir, é necessário saber muito mais do que manejar um veículo. Talvez o transito seja dos maiores maestros a ensinar que o jeitinho que se dá no segundinho que se queira pausar a lei de transito não revoga as leis da Física.
    Vale a pena apertar as exigências para quem pretender uma CNH mas aí tem que haver a contrapartida do transporte público, e essa já seria outra querela.
    Um abraço Milton.

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