Texto publicado, originalmente, no site Adote São Paulo, da revista Época São Paulo
Faz algum tempo as sacolas plásticas praticamente sumiram da parte de baixo da pia da minha cozinha. Era lá que as mantinha depois de trazer as compras do supermercado. Serviam para cobrir as lixeiras menores nos banheiros e no escritório e depois eram descartadas dentro de outro saco maior que seria depositado na calçada a espera da coleta.
Meu hábito começou a mudar há cerca de oito anos. Deixei de usá-las no mercado, onde antes de fazer a escolha do que vou comprar busco as caixas de papelão que costumam estar depositadas em algum canto qualquer. Quando não as encontro, peço a algum funcionário.
No carro, tem sempre uma ou duas sacolas retornáveis, pelas quais devo ter pago cerca de R$ 3,00 cada uma. Costumam ser suficientes para as passagens rápidas na padaria e armazéns (ainda existe armazém, em São Paulo ?).
Mesmo com todos estes cuidados, às vezes sou surpreendido saindo de uma das lojas com sacolas de plástico nas mãos. É quase impossível ficar livre delas, assim como da enorme quantidade de embalagens que nos é entregue quando compramos uma roupa, um eletrodoméstico, um objeto por menor que seja. Sempre tem um papel a ser retirado, um plástico cobrindo e placas de isopor protegendo, dependendo do produto.
O que vai para dentro da minha casa, sai em menos de uma semana para contêineres de reciclagem no pátio de um supermercado próximo. Mantenho duas latas de lixo grandes, uma para o material reciclável e a outra para o lixo comum. A primeira sempre enche bem antes do que a segunda.
Passei a cuidar melhor desta questão por vergonha. Meu irmão mais novo, o Christian, havia chegado de Porto Alegre, e me perguntou em tom de puxão de orelha: “Você não tem um lugar para o lixo seco?” – tema comum para quem vivia na capital gaúcha. Sem dar o braço a torcer, puxei a primeira caixa que vi e disse que ele podia jogar tudo ali dentro. Anos depois, com a taxa do lixo pesando no bolso, este processo apenas se acelerou.
A cidade de São Paulo agora tem uma lei que proíbe a venda e distribuição de sacos plásticos no comércio. Foi sancionada e publicada, nesta quinta-feira, pelo prefeito Gilberto Kassab, após discussão e briga na Câmara Municipal. Briga mesmo, pois vereadores se agrediram verbalmente e não fosse o “deixa disso” teriam partido para o tapa, no plenário.
A retirada das sacolas plásticas dos supermercados e comércio começa em 1º de janeiro de 2012. A adaptação com incentivo para o consumidor mudar esta prática se inicia agora. Mesmo assim, ainda tenho dúvidas se a lei vai vigorar por muito tempo, pois a indústria do plástico questionará a constitucionalidade da regra, assim como faz em Belo Horizonte.
Tem muito paulistano que também questiona o efeito da lei. Reclama que esta foi criada apenas para beneficiar os supermercados transferindo o custo das sacolas para o consumidor. Entende que será obrigado a usar os saquinhos pois não haveria onde acondicionar o lixo. E que terá dificuldade para levar as compras, principalmente quando não estiver de carro.
Mudar comportamento é mesmo complicado. Bateu-se pé quando a cidade impôs o rodízio de carros e, atualmente, ninguém tem dúvida que sem ele a cidade estaria inviabilizada. Houve protestos quando fomos obrigados a usar cinto de segurança no automóvel e sabemos que a medida impediu a morte de milhares de pessoas. Não seria diferente na questão das sacolas plásticas.
Os fabricantes muito bem organizados e tendo como principal porta-voz a Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos alegam que não há alternativas consistentes para substituir as sacolas plásticas. O presidente da instituição Miguel Bahiense me disse, com base em estudo britânico sobre o impacto ambiental de diversos tipos de sacolas, que o plástico tem o melhor desempenho ambiental em oito das nove categorias avaliadas. Em entrevista comentou, ainda, que as sacolinhas plásticas têm a menor geração de CO2 em seu processo produtivo e consomem menor quantidade de matéria-prima diante das demais opções.
Gritam, porém, contra uma tendência mundial. A Itália já proibiu. Estados americanos aumentam o cerco. E a Comunidade Europeia lançou consulta pública para decidir o melhor caminho para reduzir o uso de sacolas plásticas. No Brasil, Rio e Belo Horizonte também criaram restrições, além de algumas cidades pelo interior.
Para Fábio Feldman, fundador da SOS Mata Atlântica, a decisão de São Paulo é emblemática e influenciará a forma de se produzir lixo nas cidades brasileiras. “Sinaliza a necessidade de gerar um conjunto de medidas e chama a responsabilidade do setor empresarial, o que levará fabricantes, importadores, comerciantes, além do próprio consumidor, a produzir menor lixo”.
Na conversa que tivemos, Feldman chamou atenção para o fato de que o plástico não é o único problema na questão ambiental. Tem toda razão. É preciso mudar o nosso comportamento em relação a produção de lixo – tema que tem se tornado uma constantes neste blog.
Ainda jogamos bituca de cigarro no chão, acumulamos entulho sobre a calçada, não nos dignamos a separar o material reciclável, sequer pensamos na forma com que consumimos, nem nas embalagens que usamos. Assim como a prefeitura – que adora criar uma lei para os outros – segue lenta na implantação da coleta seletiva.
Dúvidas e polêmicas à parte, comece agora a repensar seus hábitos, inclua na próxima compra algumas sacolas recicláveis, cobre do supermercado a disposição de caixas de papelão, peça para retirar as embalagens em excesso e não esqueça de enviar um e-mail para o prefeito, subprefeitos, secretários municipais e vereadores reclamando medidas mais práticas e urgentes para melhorar a gestão do lixo na cidade.
Melhor isso do que continuar passando vergonha quando receber visita em casa.

Prezado Milton Young,
Peço a gentileza de que na próxima vez em que alguém citar sobre o tema “desuso sacolinhas plásticas” e de que isso é uma “tendencial mundial”, que ele explique em que lugar do mundo isso está ocorrendo.
Nos últimos 3 anos tenho viajado a trabalho e de férias por vários locais no mundo e não vejo NENHUMA tendência mundial no desuso de sacolinhas plásticas.
Nos Estados Unidos e China, maiores mercados consumidores mundiais, não existe o mínimo movimento a respeito do assunto.
Na França, curiosamente país sede de dois dos maiores supermercados brasileiros, muito se discutiu esse assunto, mas as sacolas não foram proibidas. As grandes redes continuam fornecendo sacolas (inclusive as que estão presentes no Brasil) gratuitamente. Algumas redes pequenas cobram por sacolas, repassando o custo ao cliente, mas as maiores não. Movimento lá que nitidamente está muito mais relacionado a quem paga por esse custo do que um assunto de meio ambiente, pois as redes de farmácias e demais lojas continuam fornecendo sacolas plasticas normalmente.
Então, onde isso é uma tendência mundial? Seria interessante que eles falassem isso.
Parece-me que tem gente disfarçada de “ecologicamente correto” nesse assunto, mas a motivação claramente é outra.
Abraços,
Alberto dos Santos
Olha, eu não gosto da palavra PROIBIR. Talvez por ter crescido em uma época complicada, durante o regime militar, adquiri uma implicância com a palavra e tudo o que dela advém.
Eu me considero uma pessoa consciente, ecológica
sem ser ecochata.
Reduzi o consumo, reciclo o que eu posso, separo o lixo…
Mas ainda não me convenceram que a sacolinha plástica
seja o vilão que tentam nos fazer crer.
Enchentes em São Paulo sempre houve, antes mesmo
da enxurrada de sacolinhas plásticas.
Sou favorável a campanhas de conscientização, à procura de outros materiais biodegradáveis para substituir as sacolinhas, mas não concordo 100% com a sua proibição.
Sinceramente, na minha opinião:
Essa campanha contra sacolinhas plásticas deve estar sendo feita para desviar as atenções da população de outros aspectos e problemas mais importantes para serem solucionados.
Acabei de comprar um produto em uma loja em um grande shopping de são Paulo não foi em supermercado e este veio embalado na caixa de papelão, o vendedor colocou em sacola plastica para poder transportar a caixa de papelão “mais confortavelmente”
E assim acontece em todo o comercio!
Não somente em supermercados.
Somente uma andorinha não faz o verão.
Ja imaginaram quantas industrias de sacolas plasticas, sacos plasticos e afins devem existir pelo pais afora?
Porque então os supermercados e demais comercio ao inves de utilizarem sacolas, sacos plasticos não passam a utilizar sacos de papel craft, feito de eucalipto totalmente reciclável?
Como era feito.
O que existe é muito tiroteio para pouco bandido
Não acredito em leis eleitoreiras, politicas, “grandes feitos” pelos nossos politicos rotulando-os que “todos estao sendo feitos em beneficio a natureza, a ecologia.”
No fundo, no fundo podem haver outros interesses estes não de interesse da população obviamente.
Politico principalmente de São Paulo não dá ponto sem nó!
E agora pegaram como boi de piranha as sacolas plasticas e os ” ingênuos ecochatos” ainda acreditam nas campanhas politicas e de politifcos.
O mesmo aconteceu com a famigerada, polemica, lei anti fumo!
Mas perguntem aos seus criadores se eles estão preocupados com assustador aumento de pessoas alcoolatras, com anuncios de bebidas descaradamente nas TVs em horarios inadequados, com a poluição ambiental produzida pelos automoveis, onibus,caminhões, poluição esta que temos que fumar as toneladas diariamente nas grandes cidades, com a quantidade de produtos quimicos em alimentos industrializados, com os defensivos agricolas que ingerimos diariamente.
E quem leva a culpa agora o boi de poiranha é a sacola plastica!
ACORDA POVO!
PORQUE ATRAS DESTA CAMPANHA, DESTA LEI APROVADA PELA PREFEITURA CERTAMENTE FOI FEITA PARA TAPAR O SOL COM A PENEIRA SOMENTE.
E o resto acima como fica prefeitura e politicos brasileiros?
Por isso que não acredito em politico seja qual partido for.