Cadeirante quer respeito, cadeira e casa.

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Cadeirante

Eliete sempre  está se encontrando no centro de São Paulo com seu amigo Carlos Alberto Melo, 47, também cadeirante. Ele mora no Jardim Maracanã, região da Freguesia do Ó / Brasilândia, Zona Norte. Militante das boas  causas, Eliete,cadeirante há 13 anos, carrega o primeiro nome na  placa de sua cadeira motorizada, transmitindo ar de felicidade e superação por onde passa.
 

“Eu me chamo Eliete Pereira dos Santos Amém, moradora do Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, tenho 55 anos, nasci no dia 11 de novembro de 1955, em Palmas de Monte Alto, sertão da Bahia. Há 38 anos estou em em São Paulo […]. Sou ex-instrumentadora cirúrgica, há 13 anos sou cadeirante e vivo o drama da acessibilidade em São Paulo. Fui vítima  de cisticercose, doença transmitida pela carne de porco.

O deficiente físico não pode se fazer de coitadinho, tem direitos e deveres como qualquer outro cidadão. E deve lutar pelos seus direitos, participar.

Um dos principais problemas enfrentados pelos cadeirantes na cidade, é a falta de moradia.

Um exemplo: no antigo Hotel São Paulo, reformado, na Praça da Bandeira, conforme a Lei  foram destinadas 10 vagas para  portadores de deficiência, mas só tem um deficiente morando no grande prédio de 152 apartamentos, a Silvânia, cadeirante  que trabalha no Santander. Ela pena para entrar e sair do prédio (rua São Francisco 113 – atrás da Prefeitura), o acesso é péssimo. O deficiente precisa de oportunidade de emprego e moradia […].
 
Onde está na prática a  cota de moradia para os deficientes físicos nos programas habitacionais dos governos? Moradias com condições de acesso, rampas…
 
Nem todo deficiente tem condição de comprar um carro adaptado, então porque não pensar em incentivos para que compre uma cadeira motorizada. Se não puder comprar um scooter, que compre uma cadeira de roda digna. O que a gente vê de cadeiras de rodas caindo aos pedaços… É uma vergonha !
 
A minha é importada, custa uns 12 mil, consegui através de uma campanha solidária feita pelos meus amigos. A cadeira motorizada nacional encontra até por seis mil. O problema é que os scooters são visados … Dia desses por pouco não perdi o meu, estavam em dois, dois menores. O mais novinho disse: ‘ Pelo amor de Deus !.., não vamos fazer isso com a tia não ‘.
 
Eu sou uma mulher feliz ! Tenho um filhinho, o  Jack,  da raça pinscher.”

Carlos, digitador aposentado, com um ano  de idade, foi vítima de paralisia infantil, e não teve a mesma sorte da amiga Eliete. No Metrô Arthur Alvim, na Zona Leste, um ladrão se aproximou com cara de bonzinho, o pegou no colo, e sem violência física, deixou-o no chão com palavras de quem passava por necessidade: “Não leve a mal não, mas tem gente  que precisa mais que você.” Carlos , desde então passou  a defender seguro para cadeira de roda.


NB: Conforme informação repassada pelo Devanir, Eliete e Carlos  participariam  de uma manifestação em prol de moradia para cadeirantes, em frente à sede da Caixa Econômica Federal, no Centro, nessa segunda-feira. O ato tem o comandado do padre Ticão, da Comunidade São Francisco, de Ermelino Matarazzo, Zona Leste. Infelizmente, só peguei a mensagem dele na tarde de segunda após o evento, mas avalie que seria interessante, assim mesmo, reproduzir aqui no Blog a história dos dois cadeirantes.

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