Orelhão com internet grátis deve ser incentivado

 

A decisão de retirar os “orelhões” da Oi com internet grátis das calçadas de Ipanema, no Rio, chama atenção por uma série de aspectos que se misturaram no debate sempre acirrado que se desenvolve nas redes sociais e blogs.

Para relembrar: a concessionária instalou nove cabines que, além de servirem como telefone público, ofereciam wi-fi de graça a um raio de 50 metros. Os “orelhões” foram plantados nas calçadas da avenida Visconde de Pirajá, no bairro de Ipanema em um projeto-piloto que poderia – ou pode – se estender a outros pontos da cidade. Bastava estar próximo de um deles e você seria capaz de entrar na rede com seu Ipad, por exemplo.

A ideia de espalhar sinal gratuito de internet pelas cidades é bem-vinda, portanto a iniciativa da Oi, neste sentido, é correta e deveria ser incentivada. Imagine se cada orelhão se transformasse em um hotspot, a medida que seu uso como telefone público tem sido cada vez menor em função da popularização do telefone celular.

Você aí na rua da Praia, em Porto Alegre, passearia pela internet sem dificuldade; na avenida Ipiranga, em São Paulo, também; assim como fariam os passantes da Visconde de Pirajá, no Rio. Ninguém teria mais benefício do que os moradores de comunidades pobres que poderiam acessar serviços de internet disponíveis em seus celulares. Em tese.

Seria necessário entender melhor os aspectos técnicos e financeiros que envolvem esta operação, mas não deu tempo de testar a funcionalidade do negócio. Em uma semana, a prefeitura entendeu que o impacto visual e de circulação provocado pelas cabines era ruim e mandou retirar os equipamentos. Moradores de Ipanema, entrevistados na imprensa, concordaram com a decisão. Não encontrei nenhuma palavra de alguém que tenha acessado a internet pública e gratuita.

Do ponto de vista da mobilidade, cravar mais uma barreira arquitetônica nas calçadas não faz sentido mesmo. Cada dia se tira mais espaço dos pedestres, não bastasse o piso ser irregular e impróprio em muitas vias. É banca de jornal, banca de ambulante, armação de ferro para sustentar saco de lixo, puxadinho do comércio, canteiro mal acabado, carro estacionado irregularmente, além dos próprios orelhões. Aliás, estes exigem há algum tempo uma revisão em seu desenho, pois da maneira como foram projetados no Brasil se transformaram em uma armadilha para deficientes visuais, tema sobre o qual já conversamos neste blog.

A Oi deveria ter tido cuidado ao pensar em um novo modelo de cabine telefônica e buscar um desenho menos agressivo a paisagem urbana, que se parecesse menos com um totem publicitário, assim como identificar os pontos em que ficariam mais bem colocados. Algumas vezes as empresas parecem subestimar o bom gosto do cidadão e de forma prepotente tentam impor trambolhos arquitetônicos (o poder público, também). Talvez deva convocar a criatividade nacional em busca de uma linha mais apropriada para a paisagem urbana.

A prefeitura do Rio não deve, porém, desperdiçar a oportunidade gerada. Tem de convidar a empresa, sentar e conversar sobre como estes pontos de acesso a internet, acoplados aos telefones públicos, podem ser implantados com menor impacto urbanístico. Pois a ideia, era substituir os orelhões atuais – ou alguns deles – que já não são grande coisa e colocar equipamento mais moderno. Seria um grande exemplo para as demais cidades brasileiras.

E você, caro e raro leitor deste blog, não perca tempo. Recomende ao prefeito da sua cidade – mande e-mail, twitter, carta ou ligue de um telefone público – que procure as concessionárias de telefonia da região e tome a iniciativa de discutir maneiras interessantes e criativas de oferecer internet grátis ao cidadão.

Orelhão com wi-fi tem câmera e tamanho de orelhão (publicado às 18h50)

Está cada vez mais claro para mim que erros de comunicação estão por trás da polêmica sobre os orelhões com wi-fi grátis da Oi que foram retirados de Ipanema. E reforço: responsabilidade que deve ser dividida entre a empresa e a prefeitura. O leitor Julio Abreu foi em busca de mais informações sobre o equipamento e nos conta, em comentário publicado neste post (recomendo a leitura), que as cabines teriam também câmeras de vídeo com imagens monitoradas por serviço de segurança. A intenção era colocar estes equipamentos diante de escolas púbicas, substituindo os tradicionais orelhões, medida que ofereceria duplo benefício: vigilância e internet livre aos estudantes. Outro aspecto interessante é que o espaço ocupado pela cabine é o mesmo do orelhão e o desenho mais robusto se faz necessário para proteger os equipamentos que estão embutidos.

Uma vantagem – esta ressaltada por mim – é que o desenho do orelhão com wi-fi não impõe aos cegos o mesmo risco que os orelhões tradicionais.

10 comentários sobre “Orelhão com internet grátis deve ser incentivado

  1. a questão meu carissimo Milton Jung, é saber quanto tempo vai durar esse equipamento em São Paulo
    Acho que deve ser fabricado em titanio, fixado no solo em base de concreto.
    e mesmo assim tenho minhas duvidas se podera resistir.
    Quem sabe poderá resistir aos contumazes vãndalos paulistanos?

  2. Esse prefeito num pensa antes de agir
    Foi muito bem colocado na reportagem, deveriam discutir a melhor forma de se aproveitar essa oportunidade de inclusão digital para o cidadão e marketing para as empresas

    • Charles,

      Prefeitura e Oi cometeram erros neste caso. E a ideia do meu texto é alertar para a necessidade de que esses não prejudiquem a prestação de um serviço que é importante para as cidades.

      Obrigado por passear neste blog.

  3. Milton, boa tarde.
    Concordo com o ouvinte-internauta Armando Italo. Muitas pessoas que convivem no centro da cidade moram na periferia. Vêm para o centro e o destroem. Depois, ficam falando que o centro não presta. Quem mora aqui, cuida.
    Já vi, em plena 20h00, moleques destruindo as lixeiras que a Prefeitura colocou nos postes da região. Eles simplesmente chegam chutando até que a lixeira é destruída.
    A rua em que moro termina na Rua Jaguaribe, em frente à Sta Casa. Até hoje, a lixeira está somente com a tampa, ou seja, não existe mais lixeira.
    No caso dos orelhões, vai ser a mesma coisa; vão destruir. Há que haja mais policiamento ostensivo para esses vândalos. Dá vontade de meter a porrada nesses fdp ? Dá. Mas se o fizer, o culpado será eu. Até pelo orelhão / lixeira destruídos …
    Abços.

    Edson Rocha.

  4. Como cidadão me interessei sobre a polemica causada pela instalação das cabines telefônicas com wi fi grátis e quis saber detalhes do projeto. Procurei me informar e soube que foi contratado pela OI uma empresa de BH para elaborar o desenho contemplando conforto e funcionalidade. Me explicaram o seguinte:
    -o desenho foi desenvolvido por um renomado arquiteto mineiro, inclusive responsável por obras de artes, no moderno complexo administrativo de Minas Gerais .
    -causou estranhesa que ninguém ainda comentou que além do wi fi grátis ainda tem cameras de segurança de alta resolução que monitoram a rua 24 horas por dia ligadas ao orgãos de segurança.
    -o passo seguinte do projeto seria implantar essas cabines nas portas das escolas públicas que ofereceriam proteção contra vandalismos, violência, e tráfico de entorpecentes,(as referidas câmeras de sgurança) além de dar aos alunos internet grátis de banda larga fazendo a inclusão digital para aqueles que não podem pagar. Tudo sem 1 centavo de dinheiro público.
    -por último me esclareceram que as dimensões da cabine são as mesmas do antigo orelhão(visto de cima)não ocupando como é óbvio nada a mais do espaço que já era ocupado. O desenho mais robusto(será?!)é para protejer os equipamentos que nela estção embutidos, contra furtos ou depredações pois seriam instaladas em locais mais distantes de díficil acesso para manutenção ou substituição, não somente em Ipanema. A preocupação também era não diferenciar os usuários. Isso quer dizer que o mesmo morador de Ipanema terá o mesmo mobiliáriode de bairros mais distantes.
    -acho que o prefeito Eduardo Paes foi mal acessorado, pois talvez não saiba disso.
    Quem sabe se ele tomar conhecimento reveja sua posição, pois isso não é demérito para ninguém.

    • Julio,

      Enriquecedor seu comentário. Tinha a mesma impressão em relação ao espaço ocupado, tendo ainda a vantagem da cabine com wi-fi não impor o risco dos atuais orelhões às pessoas cegas – conforme citei no texto. Confesso que não gostei muito do visual da cabine da Oi. E tenho a impressão de que o maior problema foi o equipamento ter aparecido no meio do cenário como mais uma barreira no caminho do pedestre em vez de estar em lugar de um orelhão. Ou seja, um erro de comunicação com os cidadãos.

  5. Muito bom os seus comentários. Só faltou esclarecer que além de wi fi, teria camera de segurança para monitorar a sua volta, ligado diretamente as secretárias de segurança. E as cabines ocupam o mesmo espaço dos orelhoes.

    • Fernando,

      Obrigado pelo acréscimo. O Juio Abreu, comentador neste post, trouxe outros pontos interessantes que apenas comprovam a necessidade de se discutir melhor este tema em lugar de jogá-lo fora por uma falha na comunicação entre prefeitura e Oi.

  6. Caro Milton, venho ate você para prestar um favor a sociedade Brasielira.

    Esse projeto da Cabine tem o único intuito de exploração de propagando pela agencia Populus.
    Esse CABINE foi construída na ETELBRAS ELETRONICA E TELECOMUNICAÇOES S/A, de propriedade do Sr. Paulo Heslander (sócio majoritário), com sede na Rua Alvaro do Vale, 99 –Vila Carioca – São Paulo. CNPJ 22.289.169/0001 -45.
    Que em abril desse anos, fechou as portas sem pagar os 180 funcionários, e fornecedores.
    Por incrível que pareça a AGENCIA POPULUS, propriedade da filha do Sr. Paulo. E a dona do projeto hoje.
    Novamente isso não passa de uma armação, já que no passado o mesmo EX deputado, EX PRESIDENTE da TELEMIG, tem os contatos no mundo da telecom para impor e vender esses orelhões, que de utilidade publica não tem nada, mas sim a vantagem econômica que a agencia POPULUS ira ter com a exploração das mídias
    O único intuito dessa cabine e a exploração da mídia que fica na traseira da cabine, que em nenhum momento foi explanada essa condição.
    Fiz questão de colocar o cnpj, para que esse respeitado jornal confirme as informações que escrevo aqui, tanto no site do tribunal regional do trabalho como na justiça civil.
    A única ajuda que nos funcionários tivemos foi do SINDICATO DOS TRABALHADORES, que consegui a liberação das guias do FGTS e seguro desemprego, pois ate o momento nenhum dos funcionários tiveram sua rescisão realizada.
    .
    Outro detalhe e que o Sr. PAULO, esta se desfazendo de todo maquinário, aproveitando a demora da justiça, e quando os trabalhadores forem buscar seus direitos não terão mais de onde tirar, já que não haverá mais nada para ser vendido.

    Por favor, invetigue, faça valer a força da CBN

    Obrigado

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