Avalanche Tricolor: O passe, esse danado

 


Grêmio 4 x 0 Atlético PR
Brasileiro – Olímpico Monumental

Era guri ainda e sonhava em jogar futebol. Com acesso facilitado no gramado principal do Olímpico, assistia a quase todos os treinos dos profissionais. Ficava por ali pensando como seria legal um dia correr atrás da bola, marcar, driblar e fazer gols. Em meio a este deslumbre, ao fim de um treino, ao lado de meu pai, ouvia a conversa dele com o técnico Telê Santana. O “mestre”, ao me ver por ali, jogou a bola em minha direção e me desafiou: “vamos ver se você joga mesmo”. Pensei que ele iria pedir para fazer embaixadinhas, testar um drible ou coisa parecida. Telê pediu apenas para eu passar a bola com o lado de dentro do pé. Foram três, quatro, talvez cinco trocas de passe, até que, entusiasmado, resolvi mostrar minha habilidade, virei a perna para dentro, contorci o corpo e bati de três dedos. A bola foi até Telê, mas antes de chegar nela já dava para ouvir a minha primeira e última grande bronca de um monstro do futebol: “Esse é o problema de todos vocês, ainda nem aprenderam a passar a bola e já querem inventar”.

É de pé em pé que o futebol é bem jogado. Com a bola precisa, encontra-se o colega mais bem posicionado, facilita-se o deslocamento dos companheiros em campo, abre-se a defesa e se evita a pressão do adversário. O passe é o fundamento essencial, e dele surgem os grandes lances, os chutes a gol e, às vezes, a goleada como na tarde deste domingo. Foi assim no primeiro gol em jogada que saiu da defesa teve o toque rápido entre Escudero, André Lima, Douglas e Escudero, novamente. Foi assim no segundo, com André Lima, Marquinhos, Escudero e André Lima voltando a aparecer lá na frente, após uma movimentação veloz de todo o time. O terceiro, com um chute de fora da área, e o quarto, o do pênalti, foram resultado desta mesma agilidade.

Fazia tempo que não éramos capazes de jogar com a tranquilidade oferecida pelo placar. Que não assistíamos a um jogo sem o risco do revés ou o medo de um desastre. E, deixando de lado a fragilidade do oponente, não tenho dúvidas de que esta sensação só se tornou realidade graças ao passe. Este danado que me fez perder a chance de ganhar um elogio eterno do mestre Telê Santana.

3 comentários sobre “Avalanche Tricolor: O passe, esse danado

  1. Telê pediu que o Mílton fizesse exatamente o que exigia dos jogadores de todos os times que dirigiu,entre eles,a Seleção Brasileira. Desde o Gre-Nal,o Grêmio,mesmo na derrota para o Corinthians,vem aprimorando este fundamento. É verdade que não só de passes perfeitos se faz uma boa equipe. Outras qualidades são necessárias para isto. Cito outra:disposição anímica. Esta,porém,apenas pode ser exercida durante 90 minutos quando o preparo físico se soma à qualidade técnica. O Grêmio dá mostras que começa a unir as duas.

  2. Realmente, há muito não se via um jogo do Grêmio com tranquilidade e sem medo de revés. O Vitor nem chegou a preocupar. O Júlio Cesar deu consistência e entrosamento à equipe. Quem sabe ainda podemos sonhar com alguma coisa que não seja o pesadelo do rebaixamento!

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