O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A repetição dos movimentos nos treinamentos, a competência na escolha das ações nas competições, o acúmulo de experiências vitoriosas sucessivas em competições esportivas, são premissas inquestionáveis para a manutenção de um campeão.

 

Cielo, Murer e Hypólito, detentores destes requisitos, atletas campeões consagrados internacionalmente, não fizeram jua à bagagem competitiva que levaram para Londres. As metas traçadas não alcançadas foram devidas certamente a decisões tomadas erroneamente.

 

Se o esperado ouro não veio, não deixa de ser de ouro o momento para se iniciar a preparação para a RIO 2016, que pode vir de um vencedor na academia da ciência.

 

Há uma semana o psicólogo Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia pelo seu trabalho na área de Economia Comportamental, lançou o livro “Rápido e Devagar”, que aborda os aspectos psicológicos das tomadas de decisões.

 

Kahneman divide o processo decisório em dois Sistemas:

 

1.Rápido, é automático e emotivo,

 

2.Devagar é o controlado e racional.

 

Da otimização na relação entre os dois é que resultará a melhor decisão. Mas, não é fácil. E, Daniel Kahneman explica: “Por que temos tanta dificuldade de pensar estatisticamente? Há uma limitação desconcertante de nossa mente: nossa confiança excessiva no que acreditamos saber, e nossa aparente incapacidade de admitir a verdadeira extensão da nossa ignorância e a incerteza do mundo em que vivemos. Somos obrigados a superestimar quanto compreendemos sobre o mundo e subestimar o papel do acaso nos eventos”.

 

Cesar Cielo repetiu os 100m e se deu mal. Fabiana Murer vivenciou o stress do sumiço anterior do seu equipamento com o forte vento de agora e desistiu. Daniel Hypolito renovou a mesma queda.

 

Se na Economia a tomada de decisões é crucial, como argumenta Kahneman, a ponto de poder quebrar um país se todos decidirem errado sobre investimentos e compras. Na área do esporte de alto rendimento, as decisões são tão importantes quanto. E, tanto na esfera preparatória quanto na fase de competição. O emocional, a estatística e a sorte, devem ser levados em consideração, com a ressalva de que a pessoa não consegue analisar a si própria. Precisa ser ajudada por outra para uma análise sem viés.

 

Agora, talvez o melhor mesmo seja mergulharmos nas questões levantadas por Daniel Kahneman em seu instigante trabalho sobre as decisões. Ou, procurar um psicólogo.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

4 comentários sobre “O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas

  1. Carlos

    Sou ex judoca competitivo e jogador de baskete

    Uma certa vez, fui classificado para disputar importante campeonato de judo, sendo que no caso de minha vitoria estaria na Olimpiada
    Só que num dia em que sabia que “não estava bem” para disputar uma das ultimas lutas e depois então de ganhar e partir para a olimpiada, durante um golpe aplicado pelo meu adversário, em seguida apliquei um contragolpe e assim tive uma costela fraturada que me deixou de fora.

  2. Carlos
    O que aconteceu comigo, posso considerar como fatalidade
    Apliquei o contragolpe correto, num momento errado
    Fora as nove fraturas que sofri durante 40 anos como judoca
    Luxações, meniscos e ligametnos rompidos, ombros deslocados,contraturas, etc.
    O judo de hoje mais parece luta greco romana
    Me desculpem os jovens judocas e professores de hoje.
    Pode reparar que antes do combate os judocas se estapeiam
    Nos meus tempos era obrigatorio os judocas permitiorque seu adversario segurassem nos quimonos e depois partiriam para a disputa
    Um detalhe
    Os judocas permaneciam eretos sem se curevarem e se em algum momento da disputa permenecessem curvados por muito tempo eram advertidos pelos juizes
    Hoje mais parece que vale o judo força do que o judo mental e depois físico
    Golpes hoje que valem ipons, antes valiam wazaris
    Golpes que antes valiam pontos hoje valem wazaris
    Vemos e ouvimos durente disputas, shiais, o excesso de barulho feito pelas torcidas
    Técnicos berrando para seus pupilos
    E assim a concentração deixa de existir durante uma disputa.

  3. Pingback: O seu técnico já leu “Moneyball”? | Mílton Jung

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