Imóveis, automóveis, e seus vendedores canastrões

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Do artigo de Walcyr Carrasco na Época sobre a conversa dos corretores de imóveis, e do livro Freakonomics de Levitt e Dubner relacionando a Ku Klux Khan, os vendedores de automóveis e os corretores de imóveis, chega-se a conclusão que comprar ou vender imóvel ou automóvel é tarefa das mais ingratas.

 

Carrasco ressalta a falsidade das informações, mesmo as evidentes, enquanto Levitt e Dubner enfatizam a sonegação das mesmas.

 

É perceptível que é a variação de preço que leva à falta de decoro. Em uma venda de R$ 1 milhão o corretor ganha R$ 60 mil e eventual 10% a mais faria aumentar seu ganho em R$ 6 mil, que é pouco para arriscar, mas o proprietário perde R$ 100 mil. Na compra, o processo é invertido mas o raciocínio é o mesmo.

 

O discurso de corretores e vendedores está mais próximo de políticos do que de especialistas em atendimento. Talvez até pela coincidência de pertencerem a setores que financiam campanhas políticas com o objetivo de receber vantagens.

 

Os casos pessoais citados por Carrasco estão reproduzidos em agradável leitura, igualmente às análises contidas no Freakonomics – ajudados pelo contexto bizarro que se apresenta o corretor na relação vendedor- comprador.

 

Considerando que o Superman da TV americana, alimentado por informações e senhas secretas de um espião, desmoronou a Ku Klux Khan ao apresentá-las aos telespectadores, os autores do Freakonomics apostam na internet para exibir dados de mercado capazes de municiar os consumidores. E foi na internet, nos sites de encontros, que perceberam que a exibição de dados é o caminho do sucesso, mas a omissão é o caminho do insucesso. O não envio de foto, por exemplo, reduz para 25% de respostas no caso dos homens e 16% no caso das mulheres.

 

A realidade é que não podemos deixar de lembrar que nem todos os corretores são canastrões, ao mesmo tempo em que também vemos a canastrice nas áreas políticas, comerciais e até mesmo pessoais. A internet realmente tem se encarregado de abrir este cenário.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

11 comentários sobre “Imóveis, automóveis, e seus vendedores canastrões

  1. Oi Carlos Magno, assim como nos interesse comunitários, no caso de compra e venda tanto de imóveis como de automóveis falta uma rede direta entre quem quer vender e comprar. Ou seja, porque necessitamos sempre de uma intermediação? Por que os políticos e representantes de nosso governo legislam e executam sem qualquer participação da população? Por que não intensificar o relacionamento direto entre quem quer vender e comprar?

  2. Peço licença para me alongar com o comentário Carlos. Ele é prova do que você descreve no seu texto:
    Em 10/2007, compramos um apartamento num destes vigésimos andares de Sampa. Na planta, o projeto lindo. Pagamos as chaves em 08/2010, tudo conforme o previsto menos o apartamento que só viria em 02/2011. O contrato previa que a construtora poderia atrasar a entrega em até 6 meses.
    Mas antes de pagar as chaves, procurei informações sobre a documentação para o financiamento.
    Silêncio da construtora.
    Os corretores e vendedores que já tinham levado cada um o seu quinhão, sumiram. Paguei mas então, procurei o PROCON.
    Ainda assim, mais silêncio daquela empresa.
    O Banco do Brasil atestou oficialmente que ela nunca entregara a totalidade das certidões e em 06/2011 mesmo depois das chaves, pagando o condomínio e já dentro das prestações do financiamento próprio assinado com eles no ato da compra em 2007, nada de receber a posse da casa nova. Por isto não paguei a prestação daquele mês. Em 08/2011 o PROCON nos chamou para uma conciliação.
    Nesta reunião, foi lavrado um termo onde o vendedor admitiu não ter entregue todos os documentos e se comprometeu a entregá-los ao banco mas em 09/2011 e sem entregar nada, alegaram que não tínhamos como financiar e pediram na Justiça a liberação para negociar o nosso apartamento com terceiros. O valor do imóvel era então 3x o que contratamos em 2007. O pedido foi negado e em seguida fomos nós que os tornamos réus.
    Hoje não temos ainda nosso apartamento nem os valores pagos por ele e até o mês passado tínhamos nome sujo na praça. A justiça resolveu por força de liminar que a construtora não poderia ter incluído meu nome naquele cadastro. Até agora só isso foi decidido.
    A venda de imóveis e carros é sim uma caixa de surpresas para compradores sem qualquer informação a respeito deste mercado e sua praxe mutante. Chego a pensar que fazem isso de propósito para resguardarem-se o direito de ganharem além de além da conta quando decidirem que o valor devido ainda pode ser maior.
    Durante todo o tempo de construção e mesmo depois das chaves em 08/2010 e até 06/2011, nunca atrasei qualquer das parcelas. Dois bancos me garantiram o crédito e tenho tudo isso documentado em processo que agora aguarda pela decisão da Justiça. Segundo a minha advogada, isso vai se arrastar por anos num prejuízo de tempo que não pode ser calculado.
    Abraço.

  3. Carlos

    Infelizmente temos que nos deparar com supostos vendedores safados, sem vergonhas, marginais, estelionatarios.

    Para somar as nossas agrurias temos ainda que enfrentar também a lentidão da justiça, da inificácia das leis penais e civis.

    Em fim amigos vivemos num pais onde pouco importa a dignidade do cidadão, eleitor, pagador das mais altas taxas e impostos do planeta, dirigido e legislado por pessoas sem carater, sem dignidade, com rarissimas excessões.

    O mal cheiro de podre é muito forte em quase todas as esferas nacionais.

  4. Julio Tannus, essa é uma boa alternativa. Talvez pudesse começar com as entidades profissionais. Por exemplo, o CREA dos engenheiros e arquitetos,a OAB dos advogados, o CRA dos administradores, o CRE dos economistas, o CRM dos médicos, o CRC dos contadores. Os clubes esportivos como o Paineiras, o Harmonia, o Paulistano, o Pinheiros, etc.

  5. Ouso discordar do artigo, o corretor de imóveis e o vendedor de automóveis são profissionais como qualquer outro, estão ali buscando seu ganha pão, precisam viver e sobrevier, e obviamente, o consumidor atualmente não é tão idiota, tampouco ignorante como buscam fazer crer neste artigo.

    Desculpe-me a opinião discordante, mas acredito que centenas de ouvintes destas profissões devem ter sentido ofensa à profissão.

    Não é meu caso, não sou corretora de imóveis, nem vendedora de automóveis, mas sinto que a crítica foi rude, parcial e certamente odiosa.

  6. Cristiane Pina, bom dia
    Parte das informações contidas são fatos reais relatados por Walcyr Carrasco e publicadas na revista Época da semana passada.A outra parte se refere a dados contidos no best seller norte americano Freakonomics escrito pelo jornalista do New York Times Stephen J. Dudner e pelo economista Steven Levitt da Universidade de Chicago e ganhador da Medalha John Bates Clark concedida ao melhor economista americano de menos de quarenta anos.
    As informações do Freakonomics não são opiniões, são constatações a partir de dados reais, que comprovam entre outras coisas que corretores vendem seus imóveis de forma diferente do que fazem com os seus clientes.
    Particularmente acredito que a função de vendas, se não a mais importante, é pelo menos das mais importantes. Mesmo porque é uma das áreas que milito.Por isso a atenção nos canastrões.
    De qualquer forma muito obrigado pelo comentário, que possibilita este diálogo.
    A propósito, CANASTRÃO pelo Houaiss é “mau ator”. Pelo Aurélio é “ator medíocre, mau ator”.Pelo Larousse é ” péssimo ator”.

  7. Carlos

    Compradores, clientes adquirem bens moveis e imoveis, na maioria das vezes acreditando piamente na palavra dos vendedores, não somente e me referindo somente ao profissional de vendas, o vendedor em si, pois estes são meros intermediarios e representantes nas transações de compra e venda de produtos, bens etc.
    Milhares de clientes, consumidores, compradores são enganados, feitos de trouxas por empresas e empresários inescrupulosos e depois a conta como consequencia sairá para o comprador muito mais cara face aos infortunios e via crucis que terão que enfrentar primeiro amigavenlmente, depois civilmente, juridicamente até poderem ter seus problemas solucionados numa justiça mais lenta que caminhada de caramujo e tartaruga.
    Veja por exemplo, compradores de apartamentos, lojas em luxuosos e grandes shoppings paulistanos.
    Verdadeiros palácios que infestam a cidade, destroem tudo pela frente, historia da cidade, vejetação, contribuindo para aumentar o caos na cidade por causa dotransito gerado por estes monstrengos de concreto.
    Os felizes proprietários ou melkhor dizendo “pŕoprios_otários no real sentido da palavra
    http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,west-plaza-consegue-liminar-impedindo-seu-fechamento,930007,0.htm
    Sometne um exemplo do que vem acontecendo na cidade de São Paulo.

  8. Já fui vendedor de carros e há 7 anos sou Corretor de Imóveis na Cidade de Itapema litoral de Santa Catarina, realmente e infelizmente, tem muito vendedor e corretor picareta, felizmente não faço parte dessa corja de picaretas.

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