Paulo Roberto, um personagem da história do rádio

 

Aproveitando o Dia do Rádio, comemorado nesta terça-feira, dia 25 de setembro, reproduzo e-mail que recebi da ouvinte-internauta Maria Célia Machado, filha do radialista Paulo Roberto, na qual lembra a importância do pai dela na história do rádio brasileiro. Desde já, agradeço a Maria Célia pela gentileza de nos encaminhar esta mensagem:

 

Acompanhando sua importante série sobre os 90 anos do rádio brasileiro, venho lembrar a figura do médico e radialista Paulo Roberto, cuja importante contribuição ao rádio foi marcada por uma comunicação formativa e informativa: “sobretudo, uma Carreira Honesta”, nas memoráveis palavras de Roquette Pinto, quando lhe conferiu a Medalha de “Honra ao Mérito”.

 

Paulo Roberto iniciou sua carreira no Programa Cazé, na extinta Rádio Phillips. Sua voz simpática, agradável e natural, apresentando textos inteligentes em linguagem coloquial, inovadora para a época, definiram uma atuação ascendente nas Rádios Cruzeiro do Sul (onde exerceu a Direção Artística), Tupi e Nacional. Dotado de grande criatividade, sua produção, marcada por um forte sentido humano e pelo alto nível de seus programas conquistou o público ouvinte.

 

Quem tiver mais de 50 anos poderá se lembrar: “Bandeiras da Liberdade”(à época da II Guerra – em defesa dos países invadidos pelo Reich), “Obrigado, Doutor” (em forma de um rádio-teatro semanal, o médico é o heroi em narrativas trágicas ou divertidas, reais ou imaginárias, num total de 314 programas!), “Honra ao Mérito” ( após ter sua biografia dramatizada, benfeitores e herois de todas origens eram agraciados com Diploma e Medalha de Ouro), “Nada além de Dois Minutos” ( o primeiro “timming” do rádio brasileiro segundo Sérgio Bittencourt), “Lyra de Xopotó” ( semanalmente eram convidadas a se apresentar no Auditório da Rádio Nacional as pequenas Bandas de Música de todo o Brasil), “Gente que Brilha” (apresentando artistas famosos e iniciantes), para não citar todos. Uma série de gravações de discos infantis apresentando uma outra face do seu talento marcou presença, principalmente sua notável interpretação no conto “Pedro e o Lobo” de Prokofieff, sob direção musical de Radamés Gnatalli!

 

Não podemos esquecer das crônicas diárias, pela manhã, ao microfone da Rádio Nacional: “Vamos Viver a Vida” onde Paulo Roberto definiu suas posições pioneiras e agiu diante dos nossos problemas ambientais, educacionais e sociais.

 

Como membro da ABI, Paulo Roberto organizou e instituiu o Departamento Médico da instituição que, hoje, o homeageia guardando o seu nome. Além das inúmeras condecorações que lhe foram concedidas em reconhecimento pelos governos da Dinamarca, Suécia, Noruega por sua série radiofônica “Bandeiras da Liberdade” e a acima citada Medalha de “Honra ao Mérito”, quando Roquette Pinto enfatizou a importância de sua atuação , Paulo Roberto recebeu o prêmio “Orfeu“ eleito o Melhor Produtor de Rádio de 1958.

 

Terminando, para não me emocionar demais, prefiro transcrever Mário Lago em seu livro “Bagaço de beira-estrada”, após um extenso parágrafo sobre Paulo Roberto, o “amigo de todos os momentos”: “Nunca cheguei a entender por que o levaram a um distrito policial no dia 1º de abril de 1964 (foi posto em liberdade por interferência de Manuel Barcelos), nem por que o demitiram da Rádio Nacional. Não se sabia de ninguém que não gostasse dele. Não participava sequer das campanhas sindicais. Acreditava-se socialista, mas aos princípios teóricos preferia os ensinamentos de Cristo, que, nesses acreditava acima de qualquer coisa”.

 

Cordiais saudações,
Maria Célia Machado
Filha de PauloRoberto

5 comentários sobre “Paulo Roberto, um personagem da história do rádio

  1. Oportuno, por se tratar do Dia do Rádio, e muito interessante, por lembrar um extraordinário radialista – Paulo Roberto,aliás,Dr.Paulo Roberto – que as novas gerações,provavelmente,não conhecem. Foi isso que o e-mail de Maria Célia Machado,filha desse homem, que estava adiante de sua época,postado pelo Mílton,proporcionou,em especial,aos jovens que elegeram o Rádio como profissão e,também,aos ouvintes mais antigos desse indestrutível veículo. Fui fã, de carteirinha, do “Obrigadpo Doutor” e do “Nada além de dois minutos”,entre outras criações de Paulo Roberto,citadas no e-mail.

  2. Passei minha infância, ainda sem TV (década de 40), ouvindo rádio, em especial a “Nacional” e os humorísticos da Mayrink Veiga. Como hoje acontece com a CBN que vi nascer, ouviamos a “Nacional” dia e noite. Ia inclusive ao auditório da Pça Mauá assistir programas, entre outros o “Honra ao Mérito”. A propósito, onde posso conseguir o hino que servia de sufixo daquele programa?
    Saudações

  3. Se não estou enganado, Paulo Roberto era membro da Sociedade Teosófica Brasileira STB, hoje Sociedade Brasileira de Eubiose SBE, de onde ele garimpava belíssimos textos, cujas mensagens vaziam muito sucesso na época. Cofere? Márcio

  4. Boa tarde!
    Pelo que sei através do que minha mãe contava,eu,nasci amparada por este médico em uma maternidade em Cascadura,antiga avenida Suburbana,que se não estiver enganada,chamava -se Figueiredo de Magalhães.
    Durante minha infância mamãe nós levava a mim é a meus irmãos para assistir seus programas.
    Ele possuía uma linda voz e era muito carinhoso quando vinha falar conosco
    Parabéns por suas informações.

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