A velocidade supersônica do tempo

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Parece mentira, mas já chegamos, nesta quinta-feira, ao vigésimo-quarto dia de janeiro. Estivesse eu com 18 anos, idade na qual, para um certo desgosto paterno, iniciei minha carreira no rádio, não estaria preocupado com o que me parece ser, para não exagerar, a velocidade supersônica do tempo. Janeiro de 2013 está mais perto de fevereiro do que eu gostaria. Lembro-me, ao citar este tipo de velocidade, que alguns motoristas aqui do sul, segundo levantamento do jornal gaúcho Zero Hora, estão tentando rivalizar com o tempo em matéria de correria. Não é que, na manhã do último sábado, um desses destemperados foi flagrado voando a 167 quilômetros por hora na Estrada do Mar, a RS-389.

 

Explico, para quem não conhece essa rodovia, que ela liga Torres, cidade balneária situada na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, a Osório. Trata-se de uma estrada utilizada principalmente nos meses de verão. Possui 90 quilômetros de extensão e dá acesso as praias do litoral norte do estado. É controlada por 12 pardais que multam os motoristas que ultrapassam a velocidade máxima permitida na via, isto é, 80 km/h. Os controladores, porém, não impedem que muitos excedam esse limites. Por força disso, o número de acidente, muitos deles fatais, não sei se crescem a cada verão, mas, no mínimo, não diminuem. Apesar dos pesares, os velocistas se queixam de que os controladores de velocidade – um a cada 7,5 km – são demasiados.

 

Demasiados? Não, são é suficientes para desaconselhar os maluquinhos a romperem o limite. Ah, sim, os danados acham que esse limite de velocidade deve ser mais amplo. Na free-way passou para 110km/h, o que, para mim, é um exagero. No que diz respeito à Estrada do Mar, para que os meus leitores de outros estados percebam que não existe demasia no número de pardais, lembro mais dois que foram flagrados pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, no último fim de semana, além do que citei no início deste texto: os pilotos (?) de um Fiat Strada que trafegava a 145km/h, e o de um Gol, conduzido a 130km/h. Os três dirigiam no sentido Norte-Sul. Já no sentido contrário, 150 motoristas (não sei se devo os chamar de motoristas) foram detectados pelo radar fotográfico dirigindo acima do limite de 80 km/h.

 

Trato de assuntos de trânsito, neste blog, com alguma insistência. Em geral, encerro os textos lembrando que os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos para que se transformem em bons motoristas. O que as crianças aprendem deles necessita, porém, de um grande reforço na escola. Todos os colégios que se prezam têm de manter aulas sobre a matéria trânsito, tão importantes quanto as de matemática, português etc. Afinal, se essas preparam os alunos para as suas futuras profissões, as de trânsito, aprontam-nos para viver socialmente no tráfego.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Um comentário sobre “A velocidade supersônica do tempo

  1. Na verdade, eu não tenho propriamente uma historia em particular, tenho uma série de pequenas historias do cotidiano, sou natural do Bom Retiro, passei pela Casa Verde, Vila Mariana e finalmente Sacomã, concordo com todas as criticas que se faz a esta cidade, é poluida, é suja, é barulhenta, têm muita gente. Mas sob muitos aspectos é única. Tenho 53 anos e já andei por grande parte dela, existem muitos lugares interessantes, o centrão é sempre peculiar, a Av. São Luiz, é uma ilha de beleza.
    Poderia escrever muita coisa sobre esta cidade, muitas críticas, mas quando se vive aqui por bastante tempo aqui, se percebe que existe uma outra cidade, aquela que nos acolhe, aquela que nos alegra, aquela que nos dá pequenas recompensas todos os dias.
    Não sou uma pessoa muito viajada, mas percebo e valorizo o ‘de bom’ desta cicade, existem outras mais bonitas ou que se vendem melhor, outras mais tecnológicas que funcionam como um relógio, mas neste caos que é São Paulo sempre é posível se encontrar um cantinho aconchegante, tomar um cafézinho e apreciar a fúria e o frenesi passarem, sempre com aquela cara conhecida.
    Amo São Paulo, com suas qualidades e seus defeitos e não poderia ser diferente, quem já viveu bastante aqui, sabe do que falo, aquele ‘je ne se qua'(?), aquela abraço acolhedor quando retornamos, mesmo que de concreto.É isso aí ‘meu’, aquele abraço a Sâo Paulo.

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